terça-feira, 13 de junho de 2017

Forte de Copacabana - Turistando no Rio



Ah esse Rio de Janeiro... tão cheio de opções de lugares lindíssimos que às vezes a gente fica um bom tempo sem fazer um passeio naquele cantinho mágico, com vista incrível, cheio de história e muita tranquilidade e sabor. Tudo junto em um mesmo local, o Forte de Copacabana.

Dica de passeio no Rio de Janeiro - Forte de Copacabana


Pois é, com tantos lugares para se visitar no Rio, eu acabei me esquecendo do Forte de Copacabana por um tempinho. Mas na semana passada resolvi me perder pelo Rio sem destino e acabei tendo uma manhã deliciosa neste que é um dos meus lugares preferidos.
Mas preferido por que? O que faz o passeio ao Forte de Copacabana valer tanto a pena? Ah, são várias as razões. Vamos lá:

- É superorganizado, limpo e seguro;

O que fazer no Rio com crianças - Forte de Copacabana


- É muito lindo e tem uma vista incrível para um dos maiores cartões postais do Rio, o Pão de Açúcar. Já no início do passeio ficamos encantados com a vista e a tranquilidade. 

Onde ir no Rio com crianças e adolescentes - Forte de Copacabana


- Abriga o Museu Histórico do Exército. Você sabia que em 2013, o Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana foi considerado o 5º melhor museu do país para visitação pelo Prêmio “Traveller’s Choice”, também concedido pelo site TripAdvisor?


Museu Histórico do Exército

- Conta com dois locais ótimos para comer. A tradicional Confeitaria Colombo, ótima para um café da manhã (mas precisa chegar cedo), um encontro com os amigos, um lanche da tarde, ou simplesmente um café de frente para o mar.

Confeitaria Colombo no Forte de Copacabana

- O outro local é o 18 do Forte. Muito bom! Experimentei o café da manhã e vou contar em outro post.

18 do Forte no Forte de Copacabana


- Tem sombra, tem brisa, tem banquinhos para relaxar

Onde tomar café da manhã no Rio de Janeiro - Forte de Copacabana

- Tem vista para o mar, para toda a extensão da Praia de Copacabana e  e com frequência podemos ver tartarugas nadando.

Visita ao Forte de Copacabana no Rio de Janeiro

- O acesso a Fortaleza e Bunker é permitida e interessante.

Forte de Copacabana com crianças

Lá dentro o caminho é feito por galerias e a sensação de estar em um labirinto dá um toque de aventura ao passeio.

O que fazer no Rio com Crianças

O acervo é meio louco (eu acho) com balas, engrenagens de canhões e metralhadoras, salas que mostram como era a vida dos soldados que ficavam no forte (bem rústica, nada fácil).

Lá dentro fica a Capela de Nossa Senhora de Copacabana, bem charmosa. Uma ótima oportunidade para fazermos um agradecimento.

Praia de Copacabana com crianças


- Tem escadas para subirmos, mas vale muito a pena. É pelas escadas que chegamos ao exterior da fortaleza. É ali  que encontramos o canhão de longo alcance utilizado nas atividades bélicas.


Esta área atrai visitantes diversos. Crianças adoram, adultos se encantam, namorados se enamoram e até alguns saguis que ficam por ali pegando um sol e curtindo a brisa do mar (observe entre os dois braços do canhão o "serzinho" se coçando). 



- Tem mais vista da cidade maravilhosa. Não bastasse o Pão de Açúcar e a Praia de Copacabana, nesta área conseguimos admirar as belezas da Ilhas Cagarras, Praia do Diabo e Pedra do Arpoador.


- E a gente fica linda na selfie. 



Vai dizer que não são motivos mais do que suficientes para ter o Forte de Copacabana como um dos passeios queridinhos do Rio de Janeiro?

Ah, mais uma coisinha... 

- Tem história. Tem gente de todas as idades aprendendo e conhecendo mais da história da cidade.



Além de tudo isso, o forte normalmente conta com alguma programação legal. Já vimos exposições, shows de música, entre outros eventos. 

A nossa dica é ir à tarde e depois aproveitar para brincar com as crianças na areia da Praia de Copacabana no Posto 6, elas amam! Me deu saudades desses cachinhos da Sofia...



Outra pedida é ir mais cedo, já de roupa de banho, e aproveitar para praticar SUP na Praia de Copacabana. ALi no posto 6, bem encostado ao forte tem várias opções para aluguel das pranchas e o mar e quase sempre parado.  



Serviço

Endereço: Praça Coronel Eugênio Franco nº 1
Sem estacionamento
Horário de funcionamento
 - do Museu: de terça a domingo e feriados, das 10h às 18h30. 
 - Alameda, Cúpula dos Canhões, Cafés e Loja funcionam de terça a domingo, das 10h às 20h.
Entrada: R$ 6. Meia entrada para estudantes, idosos e professores. Gratuidade para militares, seus dependentes, maiores de 80 anos, grupos agendados e menores de 10 anos.
Pagamento: apenas em dinheiro.


Veja também os posts:

- Fortaleza de São João.





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segunda-feira, 12 de junho de 2017

Cabo Frio - Ilha do Japonês


No aniversário da Sofia ela escolheu ir para Cabo Frio, para a casa da avó, com três amigas. Um dos passeios que fizemos foi na Ilha do Japonês. Esse paraíso de águas tranquilas e transparentes que ultimamente tem fica famosinha devido a alguns vídeos na internet. 

Cabo Frio - Ilha do Japonês

Engraçado é que a Ilha do Japonês sempre esteve lá, sempre teve essa água linda e sempre ficou deixada de lado. Era pouco usada e apenas pelo pessoal mais local mesmo. 

Eu mesma, na época de adolescente que morei em Cabo Frio, só passava pela Ilha do Japonês no caminho para a Praia Brava. A gente saída de um dos decks da Passagem (falei deste bairro cheio de charme no post "Cabo Frio - Bairro da Passagem" a nado, passava pela ilha e nadava até o outro lado para pegar a trilha para a Praia Brava. 

Olha o mapa da aventura aí com as setas em rosa mostrando o percurso. 

O que fazer em Cabo Frio com crianças

Bom, hoje em dia não precisa ser tão aventureiro para chegar à ilha. Ali da Passagem saem aqua-táxis, barquinhos que levam a galera até o paraíso. 

Outra forma de chegar é de carro e foi por esta que optamos. Basta seguir o caminho para a Praia das Conchas que tem placa indicando a direção da Ilha do Japonês. Tem estacionamento (marcado em rosa no mapa acima). 


O que fazer em Cabo Frio

Carro estacionado seguimos caminhando um pequeno trecho. Olha a ilha ali à direita marcada com a seta.

O que fazer em Cabo Frio com adolescentes

Já no caminho as meninas ficaram encantadas com a cor da água. Queriam colocar o pé ali mesmo, saber se estava gelada. Elas não estavam acreditando!

Melhores passeios em Cabo Frio

Esse caminho de acesso já é tão lindo que elas pararam várias vezes para admirar e fazer fotos.

Cabo Frio com crianças e adolescentes

A área perto da Ilha do Japonês ainda é bem preservada. O legal é respeitar as regras de convívio e levar o lixo embora.

Ilha do Japonês em Cabo Frio

Do lado de cá da travessia, por onde chegamos caminhando, tem um quiosque com infra legal para quem quiser ficar. A água deste lado já é bem transparente.

Ilha do Japonês em Cabo Frio

Quem preferir pode fazer a travessia e fica na ilha em si que é bem rústica, tem bastante vegetação e uma faixa de areia boa quando a maré está vazando.

Onde fazer SUP em Cabo Frio

Ali na ilha, por incrível que pareça, a água consegue ficar mais transparente ainda.

SUP em Cabo Frio

 O fundo e de areia bem branca e águas rasas e bem paradas.

Ilha do Japonês em Cabo Frio

Quem opta por ficar na ilha, se quiser, pode fazer pedidos no quiosque que eles levam.

No nosso caso, as meninas queriam logo entrar na água, nadar, fazer a travessia até a ilha e aproveitar tudo.


E a grande atração ficou por conta do SUP que é alugado ao lado do quiosque.



A falta de ondulação facilita bem a prática do esporte.



Neste espaço sempre é possível encontrar tartarugas nadando livremente. Nós vimos várias nesse dia.


Depois de muito remar, dá até para pegar um solzinho tranquilamente.


Na foto acima, lá atrás tem uma faixa de areia longa que é um prainha pouco utilizada onde a água também é muito clara. Algumas poucas famílias optam por ficar ali.

Ao fundo, na seta rosa, podemos ver a Boca da Barra que é a saída do Canal Itajuru para a Praia do Forte.

O que fazer em Cabo Frio

Outra opção de passeio na Ilha do Japonês é fazer as trilhas para o Morro do Farolete (marado com a seta rosa na foto abaixo), lá em cima o visual é incrível, e para a Praia Brava, uma praia mais usada pelos surfistas. A Praia Brava tem um espaço para nudismo.

Melhores passeios em Cabo Frio com crianças

Eu até queria levar as meninas nas trilhas, mas elas preferiram ficar remando, nadando e vendo as tartarugas. 

Fomos presenteadas com um dia lindo. Muitos atobás descansando nas águas e mergulhões fazendo rasantes e mergulhando na nossa frente. 

Dicas:

  • Chegue cedo, principalmente aos finais de semana! Afinal agora a ilha anda famosinha!  
  • Evite ir em feriados.
  • Leve um lanchinho e água se você não for ficar no quiosque.
  • Lembre-se do filtro solar.
  • Se for fazer as trilhas é bom ter um par de tênis.



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domingo, 11 de junho de 2017

Filme "O Filho Uruguaio" mais bate-papo com diretor Olivier Peyon


Realmente não estou sabendo lidar com este Festival Varilux de Cinema Francês. Está bom demais! A sétima arte francesa será sendo celebrada em 55 cidades do país desde o dia 07 de junho e vai até o dia 21 junho. Serão 18 dias de exibições com total de 19 filmes excelentes.

Daí eu não resisti a tanto filme bom, e a vontade de assistir a todos, e fiz mais mais uma dobradinha hoje (ontem eu também fiz dobradinha e contei no post "Filme 'Tal mãe, tal filha' com 10 respostas da diretora Noémi Saglio". Desta vez também assisti a dois filmes sensacionais seguidos, um atrás do outro, na mesma sala para não perder tempo, com direito a debate com atores e diretores no final de cada sessão.

Os filmes que eu assisti foram:
  • "Perdidos em Paris" uma comédia excelente, leve, que nos faz dar ótimas risadas e tem a última atuação da atriz francesa Emmanuelle Riva, morta em janeiro, aos 89 anos. Ela era conhecida por atuar em dramas intensos, densos e pesados e foi simplesmente sensacional a atuação dela como Martha, uma senhora idosa que vive sozinha em Paris. Com receio de ir parar em um asilo ela escreve para sua sobrinha Fiona (Fiona Gordon), uma bibliotecária canadense, vir urgentemente visitá-la. Fiona segue para Paris sem saber ao menos onde a tia mora. Chgando na cidade acontecem vários percalços inusitados e ela encontra Dom (Dominique Abel) um vagabundo inofensivo. A dupla pitoresca vive aventuras, ou melhor desventutras, hilárias enquanto estão "Perdidos em Paris"
  • "O Filho Uruguaio", desta vez um drama sensível que aborda o difícil processo de se tornar mãe, fala de família e de amor. 
Valeu demais assistir aos dois! Fiquei na maior dúvida sobre qual deles fazer o post. Mas primeiro falarei sobre "O Filho Uruguaio" com as perguntas e respostas do diretor e dos atores.

 



O filme conta a história Felipe (Dylan Cortes), filho da francesa Sylvie (Isabelle Carré), que há quatro anos foi sequestrado pelo pai, Pablo. Desde então Sylvie vive a procura do filho. Estando desgostosa com os resultados da polícia, ela resolve encontrar o filho por conta própria. Para isso conta com a ajuda do amigo Mehdi (Ramzy Bedia). 

Sylvie e Mehdi embarcam para a Argentina, já sabendo que Felipe se encontra no Uruguai, com um plano para sequestrar o menino. Alguns percalços acontecem no plano e mostra toda a angústia da mãe que deseja e sonha com o momento de reencontrar o filho, abraçá-lo, pegá-lo no colo e acabar com toda aquela dor e sofrimento.

Mehdi segue para o Uruguai para trazer o Felipe com o objetivo principal de não feri-lo. Lá Mehdi percebe que Felipe tem uma boa estrutura familiar, amigos e está bem adaptado. Que retirá-lo de lá sem causar danos não será tão fácil assim. Precisa de mais tempo. 

É neste tempo que as relações se aprofundam, a história se desenrola e esta mãe que, rodou o mundo a procura do filho, que atravessou o Atlântico com a esperança de ter o filho nos braços, se questiona sobre sua capacidade de ser mãe. E agora? 

E agora vamos as perguntas feitas ao diretor Olivier Peyon e aos atores Ramzy Bedia, Maria Dupláa que vive Maria, tia de Felipe.

Ramzy Bedia no filme O Filho Uruguaio


Primeiro já achei o máximo a forma como eles entraram na sala. Felizes, sorrindo, descontraído e querendo fazer selfies com o público. Eles que queriam fazer fotos com a gente! Gostei disso. Bem simpáticos!

1 - A história é totalmente imaginária ou tem alguma história de que serviu de base para a construção do filme?

(Olivier Peyon) Efetivamente se partiu de uma história real. O ponto de partida. A história parte de uma história real de um amigo meu que com um ano de idade foi raptado pelo pai e levou um ano para ser trazido de volta. E a mãe, a pessoa real, para recuperar o filho pediu a ajuda de um amigo que no filme se tornou um assistente social, Mehdi. Esse é um ponto de partida real, mas depois inventei tudo com as personagens da tia da avó.

2 - A história real aconteceu na Suíça, então por que o Uruguai?

(Olivier Peyon) É uma excelente pergunta porque a história real aconteceu na Suíça, então por que o Uruguai? Inicialmente eu queria filmar na Argentina porque é um país que eu conheço bem, tenho amigos lá e eu procurei um assunto para filmar lá. Este foi o ponto de partida. 
Na hora de começar a filmar eu conheci um produtor uruguaio que se chama Fernando Epstein que produziu filmes conhecidos na França. E eu pensei que ele seria a melhor pessoa para nos ajudar a produzir um filme. Eu fui para o Uruguai, visitei várias cidades, e quando me deparei com Flórida era melhor do que no roteiro que eu havia escrito. Porque tinha tudo lá. O cemitério, a Basílica, etc., o rio. Inclusive eu reescrevi algumas cenas, como a cena do rio. E foi uma excelente escolha porque não tem muitos filmes uruguaios, filmados lá. E toda a equipe local se envolveu totalmente no filme junto conosco.

3 - A cena que Sylvie fuma aquele cigarro tem alguma relação com a liberação da maconha no Uruguai?

(Olivier Peyon) Me fizeram esta mesma pergunta há dois dias atrás e daí eu me deparei com as diferenças de culturais. Porque muita gente na França fuma cigarro com cigarro de seda sem ser Cannabis. No caso o que ela fuma no filme é um cigarro normal. Mas eu gostei da ideia dela fumar Cannabis. Mas combina com a personagem, merecia a gente pensar que ela fuma Cannabis. Porque dá a imagem de uma mãe que não é perfeita, que tem seus defeitos. Então, me agrada bastante pensar isso.

4 - Você disse que a princípio pensou em filmar na Argentina. Mas o personagem de Ramzy, o Mehdi, ele cita que veio ao Brasil. Por que ele não cita que foi à Argentina?

(Olivier Peyon) Porque para nós franceses o Brasil é uma fantasia.

5 - O menino que faz o Felipe trabalhou muito bem. Como é que foi a preparação dele? Muito bom ator!

(Olivier Peyon) De fato ele já fez muitas propagandas e trabalhou no teatro, então ele já era muito profissional. Foi como se eu estivesse trabalhando com atores normais entre aspas (risos). E como ele quer ser diretor ele estava sempre falando com a gente, com a equipe técnica. E Ramzi e Maria ajudaram muito porque cada um tinha um modo específico de trabalhar com ele.

(Maria Dupláa que falou em espanhol) Foi muito raro quando me deparei com Dylan porque já trabalhei com crianças e sempre me preparei para trabalhar com brincadeiras que e a melhor forma de lidar com crianças. Brincando. Mas quando conheci Dylan, foi muito diferente a situação. Ele trabalha desde que tem maio ou menos três anos. Ou seja, ele tem muitos anos de experiência atuando como brincadeira. Então, ele não queira brincar. Ele queria trabalhar. Então me encontrei tendo que conversar muito com ele, falando de sentimentos, daquilo que não se passa. Principalmente nas cenas finais. Conversamos muito e conversas muito profundas sobre o que acontece com as pessoas que vivem aquela situação (não foi bem assim que ela falou, mas seu eu colocar o conteúdo integral do bate-papo posso dar algum spoiler). 
Então foi um pouco raro porque realmente eu sentia que estava falando com uma pessoa adulta e não com um menino de 11 anos. Muito profissional. Ramzy trabalhou um pouco diferente com ele. Co Ramzy ele quis brincar um pouco mais.

 (Ramzy Bedia) Minha atuação foi muito natural. O personagem que vocês vêm na tela sou eu. Quase não atuei. (risos). Eu sou de uma família muito grande, então sou muito rodeado por crianças. Isso foi muito natural para mim. 

(Olivier Peyon) Ramzy foi breve. (risos) Isso foi muito importante para mim porque eu sabia que o Ramzy tinha uma relação muito natural, muito fácil com as crianças. Então eu sabia que tínhamos que fazer as cenas muito improvisadas com as crianças. E que o Ramzy iria dar conta disso. 
Eu vou falar do Ramzy porque ele não quer falar de si. Na França o Ramzy é muito conhecido, ele fez Stand Up e fez muitas comédias também. E foi o primeiro grande papel dramático dele. Ele quando ele diz que no filme ele é como é na vida, é uma verdade. E para nós franceses foi uma novidade. E para ele também. O trabalho todo que fizemos em conjunto foi fazer com que ele parasse de ser o palhaço, e aos poucos se soltar. E foi difícil ele não fazer rir. Mas ele continua fazendo as pessoas rirem, felizmente. 

6 - Gostaria de aproveitar as várias citações que teve ao Brasil, sobre Carnaval e etc., se há a possibilidade de gravar um filme aqui no Brasil.

Sim. Nós queremos fazer isso. Vamos fazer de tudo para isso. Nós realmente tivemos a ideia de fazer a continuação do filme aqui no Brasil. Vai ser a história da Maria que foge com o Felipe e vem encontrar o Ramzy aqui no Brasil, no Rio. (risos)

7 - Aqui no Brasil a gente tem a percepção de que a relação do francês com a criança é mais fria, mais seca. E no filme a relação dos adultos com a criança é de muito afeto, muito carinho, muito contato físico, com cena de Mehdi dando beijo no menino, cenas da tia abraçando. Isso foi proposital para colocar a cultura mais latina, já que o menino mora no Uruguai e já está adaptado aquela cultura, ou está mudando este perfil na França?

(Olivier Peyon) Efetivamente um dos motivos pelos quais eu queria filmar na América do Sul pelo sol, pela cor do sol, pela luz. Poderia ter sido um assunto duro. E é importante que o público francês sentisse o mesmo que o personagem de Ramzy sente o que ele descobre o país, uma certa doçura. O fato é que filmar aqui permitiu que esta ideia não fique só no aspecto teórico, mas que seja sentido. 
O filme já estreou na França e posso garantir que todo o público francês quer que Felipe fique na América do Sul.

8 - Meu comentário, mais do que uma pergunta, vai no sentido de como o filme ganha, ou pelo menos a mim ganhou como telespectadora, no momento em que os adultos vão na perspectiva da criança.

Essa é a história do filme. E como eu respondi na questão anterior, na França nós temos uma educação bastante rígida com as crianças. E no filme a Isabelle aprende a ser um pouco uruguaia, mais do sul. Ouvindo o desejo do filho dela.

9 - O personagem do Mehdi, um homem que vai acompanhar na perspectiva da crianças, e traz aos adultos um outro olhar que não é só o drama dos adultos, que já seria bastante grande, mas visto pelos olhos da criança.

Porque ele tem um distanciamento maior. 

O filme é lindo, de um sensibilidade incrível, e justamente por apresentar o drama gradualmente da perspectiva da mãe, no início, para outra perspectiva através do dia a dia de Felipe traz mais doçura e suavidade. 

Outro ponto que me chamou a atença foi a sensibilidade para relatar as dificuldades, dúvidas e culpas que as mães vivem em relação a própria capacidade de exercer a maternidade. No filme temos três mulheres exercendo a maternidade de formas intensas e distintas: a mãe afastada do filho por quatro anos que perdeu grandes etapas e precisa recuperar a relação, a avó que perdeu o filho (pai do menino) e não quer perder o neto, e a tia que abriu mão da própria vida para se dedicar ao sobrinho.

E o final é de arrepiar. Intenso e de muita ternura. 


Atores do filme O Filho Uruguaio no Festival Varilux de 2017






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A Semana 23 de 2017: Por onde for quero ser meu par


Andei gripada e precisando reorganizar a rotina ninha e da família. Com isso fique duas semanas sem postar aqui no blog e nem tive ânimo para fazer o post da semana 22. Pulei, apesar de saber que são nesses momentos é que devemos buscar mais pelo o que agradecer. São nesses momentos em que as coisas enrolam, mudam o curso e nos fazem buscar outros percursos, é que a gratidão traz mais força e atua de forma mais positiva.

De qualquer forma a semana que se passou já foi mais ajustada, mais tranquila e com as coisas se reacomodando com calma.

Começamos com a comemoração do aniversário de 12 anos da Sofia que nos enche de alegria. Ela escolheu comemorar o seu niver, o seu último ano como pré-adolescente e o início do caminho para a adolescência, viajando com três amigas para a casa da avó em Cabo Frio.
Infelizmente o pai não pôde ir, pois precisava dar suporte à mãe que está recém viúva. E claro que ouvi a pergunta: "Ma você vai sozinha?". Claro que não! Vou com quatro meninas!
Passamos um final de semana de muita aventura, animação, risadas e carinho. Vou contar mais detalhes aqui no blog.



Sou muito grata pela filha linda, alegre, do bem, amiga, sincera e sensível que eu tenho. Sou grata pelas amizades que ela faz. Sou grata pela minha mãe que recebe as netas com o maior carinho e amor.

No dia do aniversário mesmo fiemos uma comemoração surpresa em casa, apenas com a família e cinco amigas. Fiz tudo em casa e bem descontraído. Aqui também ouvi a pergunta: "Mas você fez tudo sozinha?". Claro que sim. Por que não?
Deixei a comemoração rolar à vontade. Tão à vontade que nem fiz fotos. Pode isso? Dá para imaginar uma mãe na era digital que não faz fotos do aniversário da filha e nem posta nas redes sociais?




Sou muito grata pela família e pelos amigos que compartilham esses momentos especiais conosco.

Em um momento de relaxamento em casa, aquelas horas que a gente tira para descontrair e renovar as energias, assisti ao filme "Lion - Uma Jornada para Casa". Simplesmente lindo e emocionante. O menino Saroo quando criança é interpretado por Sunny Pawar que faz uma atuação brilhante. que olhar! Os personagens cativam! A relação de amor, apesar das dificuldades, da família de Saroo é linda. Um exemplo! Sarro já mais velho é interpretado por Dev Pastel Mais uma atuação brilhante e cheia em que os sentimentos transbordam pela tela. E ainda tem a diva Nikole Kidman como mãe adotiva de Saroo fazendo uma das cenas mais fortes do longa.
Agora estou até lamentando não ter feito um post sobre "Lion - Uma Jornada para Casa". Vale muito a pena ver e rever várias vezes.
Ninguém em casa estava com vontade de ver o filme naquela hora e ouvi a pergunta: "Mas você vai ver sozinha?". Claro que sim! Por que não?



Sou muito grata por aprender com experiencias de outras pessoas, ao conhecer outras histórias. Esse filme nos proporciona isso.


Como eu estava me sentindo um pouco consumida pelas demandas da família, resolvi separar algum tempo somente para mim. Eu comigo mesma. Sozinha! Fiquei, inclusive, bem desconectada em alguns desses "passeios" cheios de conversa interna. Agora ao fazer o post da semana eu observei que eu nem fiz fotos desses momentos.


Fui à livraria, entrei peguei dois livros ao acaso, sentei-me no café e fiquei folheando os livros, ouvindo as conversas ao entorno, pensando, observando e deixando simplesmente o tempo passar. Até que, por acaso, uma amiga sentou-se sozinha na mesa ao lado. Conversamos assuntos variados e descontraídos. Voltei para casa leve, renovada, cheia de assunto e me sentindo mais interessante.
Ao sair para a livraria o marido me perguntou: "Mas você vai sozinha?" Claro que sim! Por que não?
Por coincidência, ou não, um dos tinha como título "Mas você vai sozinha?"



Sou muito grata por esses encontros ao acaso e que fazem a diferença no meu dia.


Reservei um tempo para ir ao salão me cuidar. Cuidar de mim e da minha autoestima. Ficar ali comigo mesma e me entregando aos cuidados dos profissionais. E apressadinha como sou, marquei tudo ao mesmo tempo. O momento que deveria ser de relaxamento total acabou sendo de trapalhada (contei aqui no Facebook). Mas ao final me diverti e tive mais histórias para contar.

Sou grata por saber rir de mim mesma ao mesmo tempo que me levo muito à sério.

Na sexta-feira o dia estava lindo no Rio de Janeiro e resolvi aproveitar a minha manhã como turista simplesmente passeando. Indo. Deixando me levar. E foi sensacional! Que manhã!
Mas antes de sair de casa ouvi a mesma pergunta: "Mas você vai sozinha?". Claro que sim! Por que não?

O acaso me levou a um parquinho infantil da minha infância e que me trouxe muitas recordações. Contei dessas emoções no Instagram @inventandomamae, bem AQUI. Saí de lá e segui caminhando para a Praia de Copacabana. Encontrei três meninos que me deixaram feliz com a felicidade e simplicidade deles. Contei a história no Instagram, bem AQUI. Dei continuidade ao meu passeio no Forte Copacabana com pausa para um delicioso café da manhã.


Sou grata por me sentir bem comigo mesmo e conseguir desfrutar de dias lindos. Tão grata que parei na capela de Nossa Senhora de Copacabana, dentro do Forte, para agradecer pela manhã que me fez tão bem.


Para completar a semana fui ao Festival Varilux de Cinema Francês. Fiz dobradinha no cinema.  Vi duas sessões seguidas. Duas comédias francesas ótimas e muita pipoca. Contei no post "Filme Tal mãe, tal filha com 10 respostas da diretora Noémi Saglio".

Antes de sair para o cinema ouvi a mesma pergunta que me acompanhou nesta semana: "Mas você vai sozinha?". Dessa vez, não. Mas iria numa boa!


Fico muito grata pelas amigas que me acompanharam nessas sessões e compartilharam comigo as suas opiniões sobre os filmes.

Foi muito reconfortante ter esses tempos comigo mesma, esses espaços para estar em contato com as minhas emoções, acalmar a minha mente, simplesmente relaxar. É ótimo ter uma vida cercada de pessoas que amamos, mas é muito bom sabermos estar sozinhas e conectadas conosco. Em uma conversa com as minhas filhas na mesa do almoço, falando sobre sair sozinha, ficar consigo mesma, aproveitei que as pessoas estão alterando as fotos de perfil para o dia dos namorados com um verso da canção "Andança" e falei que o meu verso é: "por onde for quero ser meu par"Quando conseguimos estar bem sendo nossos próprios pares, seremos também ótimos pares para quem amamos. Eu tenho quase certeza disso.

Este post faz parte da BC #52SemanasDeGratidão proposta pela Elaine Gaspareto que neste ano vai substituir a BC A Semana que aqui no blog substituiu a BC Pequenas Felicidades.




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sábado, 10 de junho de 2017

Filme "Tal mãe, tal filha" com 10 respostas da diretora Noémi Saglio




Eu já falei aqui neste blog algumas vezes que eu adoro filmes franceses e principalmente quando o gênero é comédia. Sendo assim, imagina como eu fico quando está rolando o Festival Varilux de Cinema Francês?! Louquinha de olho na programação querendo ver todos os filmes.

Ontem eu fiz uma dobradinha no cinema. Duas sessões seguidas! Duas comédias francesas que estão em cartaz no Festival Varilux! Resultado disso? Saí leve, feliz, com vontade de dançar e de contar aqui no blog.

Os filmes que assisti foram:
  • "Uma Agente Muito Louca", uma comédia previsível, mas que faz a gente rir, relaxar e torcer por Johanna (Alice Pol), uma recruta desajeitada e totalmente desastrada. E ainda tem o Dany Boon cheio de charme.
  • "Tal mãe, tal filha", com nada mais, nada menos, do que Juliette Binoche em um papel cômico. Adorei a comédia romântica que fez a sala do cinema dar boas risadas. E no final da sessão ainda tivemos um bate-papo com a diretora Noémie Saglio que é supersimpática.
Vou falar com mais detalhes de "Tal mãe, Tal filha" que é um dos filmes mais esperados deste festival, tanto que é uma foto dele que está no encarte do programa e na divulgação do festival.

Tal mãe, tal filha no festival varilux de cinema francês




"Tal mãe, tal filha", com título em francês "Telle mère, telle fille", conta a história da relação de mãe e filha superdiferentes, que têm os papéis meio invertidos, mas mesmo assim, ou justamente por isso, são inseparáveis.

Avril (Camille Cottin), 30 anos, é casada, assalariada e organizada com a sua vida e carreira, do tipo caretona e contida. Já a sua mãe, Mado (Juliette Binoche), é o lado reverso dessa moeda. Mado diferentemente da filha é descontraída, relaxada, despreocupada, uma eterna adolescente amalucada, linda e modernosa. Acontece que para levar a vida neste estilo Mado é totalmente dependente da filha, tanto financeira, quanto emocionalmente a princípio. Desde que se separou do famoso e charmoso Maestro Marc (Lambert Wilson), pai de Avril, Mado mora com a filha e o genro. Temperamentos opostos e vivendo sob o mesmo teto é certeza de embate e conflitos, né mesmo? Toda a situação se agrava quando Avril anuncia que está grávida. Mado, em plena crise de adolescente cinquentona, não se enxerga como avó. Ao mesmo tempo Mado descobre que também está grávida e agora é Avril que não se sente preparada para ter um irmão e não consegue enxergar a sua mãe... sendo mãe.

A história se desenrola com situações engraçadas que tiraram boas risadas da plateia. Avril, com os hormônios à flor da pele fica mais careta ainda. Já Mado continua alternativa e tranquila.

O grande ponto alto do filme é a participação da musa francesa, Juliette Binoche, em um papel cômico, algo que o público não está acostumado a ver. Mas como disse a própria diretora do filme, Noémie Saglio, Juliette consegue colocar emoção, sensibilidade e sentimentos em qualquer personagem.

Como disse anteriormente ao final da sessão tivemos a oportunidade de conversar com Noémie Saglio, diretora de "Tal mãe, tal filha". A diretora é conhecida por "Conasse", um programa humorístico baseado em câmeras ocultas, exibido a partir de 2013 no Le Grand Journal do Canal+, que mostra as aventuras de uma parisiense debochada interpretada por Camille Cottin, a Avril de "Tal mãe, tal filha". Dirige em 2012, com Maxime Govare, o filme televisivo "Les vois impénétrables" e em 2014, a comédia romântica de grande sucesso, "Beijei uma garota", que marca a estreia da dupla no cinema. O filme recebeu no ano seguinte o Grande Prêmio do Festival Internacional do filme de comédia de L’Alpe d’Huez. Ainda em 2015, inicia as filmagens de "Connasse, Princese des Coeurs", com Camille Cottin, uma adaptação para os cinemas do enredo de seu programa de sucesso. Dá para ver que a parceria de Noémie Saglio com Camille Cottin é de longa data.

Vou contar aqui algumas perguntas feitas para Noémie e as respostas simpáticas e inteligentes da diretora.
1 - Para fazer a Mado você se inspirou na sua mãe?

Sim. Ela pediu para não contar isso. Pediu inclusive para nos créditos escrever que era obra de ficção e que não tinha inspiração em ninguém. Mas é inspirado nela sim. A diferença é que a minha mãe não ficou grávida junto comigo, mas ela é bem assim relaxada, descontraída e eu mais contida, mais certinha.

2 - Como você conseguiu colocar a Juliette Binoche loura?

Eu precisava que ela fosse uma mulher de 50 anos com um ar bem jovial e achei que brincar com a cor do cabelo seria bom. Ela também gostou do resultado.

3 - Por que a escolha de Juliette Binoche para um papel cômico?

Porque eu precisava vender o filme no Brasil (risos). Não, brincadeira! Porque a Juliette é excelente e ela consegue colocar sentimento e emoção em qualquer papel. Ela pode fazer uma palhaça e vai trazer emoções e sentimentos para o papel. Juliette fez as relações de Mado com Avril e com Mark ficarem com mais emoções.

4 - Qual foi a cena mais divertida de fazer e a cena mais difícil?

Bom, como eu sou mulher, na minha equipe tem muitas mulheres. Eu gosto de trazer as mulheres para trabalhar comigo. Então a cena mais divertida foi quando Lambert Wilson fica pelado. As mulheres adoraram. Nós mulheres nos divertimos muito (risos e mais risos).
A cena mais difícil foi no início quando a Mado aparece bebendo. No início foi mais difícil para a Juliette entrar no papel cômico.
E acontece de eu como diretora não gostar muito de uma cena ou outra e vocês, público, adorarem. Acontece.

5 - Você apresenta o filme em vários países e sente alguma diferença de aceitação entre o público brasileiro e o público de diversos países? Você tem a percepção da diferença de aceitação do público?

Eu estou impressionada com o público brasileiro, porque eu estou vendo que as salas estão rindo. O que o público acha engraçado na França aqui também funciona. Então, como diretora, é realmente uma coisa boa.
Outra coisa, tem várias sobre a parte psicológica dos personagens que são bem profundas que o público brasileiro está me fazendo. Faz perguntas que ninguém nunca fez. Eu acho que neste ponto os brasileiros são mais inteligentes que nós franceses.

6 - No filme o casal mais novo vivia com medo. E eles são justamente a geração mais nova. Você acha que hoje a geração mais nova vive com mais medo do que as outras gerações? Você acha que isso está acontecendo na França? Ou seja, gerações mais novas onde se esperava que fossem mais livres estão vivendo com mais medo? 

Viu? Essa é uma pergunta que ninguém fez na França.
Sim. Eu queria que o filme contasse essa diferença de geração que está acontecendo na França. Porque os nossos pais que são da geração maio de 68, protestavam. E a minha geração, eu tenho 30 anos hoje, a gente foi criado de repente com AIDS e desemprego. E com essa ideia de que tinha que ficar na linha, namorar a mesma pessoa desde cedo. Então a gente realmente não se divertiu.

E isso ficou mais evidente durante a minha gestação que eu não bebi uma gota de álcool sequer. E a minha mãe falava: calma eu bebi quando te esperava, eu fumei. A minha mãe sempre fala: você é muito careta, chata.

Quando eu deixo a minha filha com ela, ela só faz besteira. A minha filha vai para casa da minha mãe e não tem rotina, faz o que quer. Lá em casa, comigo, tem que ser tudo certinho, tudo dentro da rotina. Na casa da minha mãe ela diz: sua filha está feliz comigo, ela está peladona, mas está feliz.

Eu queria mostrar isso, que hoje os nossos pais são os adolescentes.

7 - Eu acho que depois do filme vai ter mais bebês na França. Eu acho que os franceses não são muito chagados a bebês. Você teve alguma intenção de incentivar esse lado de se ter mais bebês?

Por isso que eu fiz o filme "politica de nascimiento" (Noémie tentando falar em português) (risos).
Eu sempre faço comédia para que as pessoas possam sair sorrindo, mas também dançando, fazendo sexo, comédia é para isso.

8 - É o terceiro filme dela. Os outros dois já foram lançados aqui? Você costuma sempre abordar este tema ligado à mulher? 


O primeiro "Beijei uma Garota" foi lançado no ano retrasado, no Festival Varilux. O outro, "Connasse, Princese des Coeurs" não foi traduzido para o português. A personagem é uma parisiense que fala alto o que todo mundo pensa e não tem coragem de dizer. Ela é muito chata e realmente se acha. Muito engraçado é que é filmado com uma câmera escondida. Alguém está hesitando para comprar o filme. Quatro anos depois do lançamento é mais barato (risos).

9 - Os filmes que você faz costumam ser feministas, abordar sempre o tema mulher, gosta de mexer como tema feminismo nos seus filmes. 

O primeiro é uma história de amor. Se a gente como diretoras mulheres não der papeis importante para mulheres, sobre as mulheres, sobre estas temáticas, ninguém vai fazer. É muito importante pra gente.

10 - Adorável a ideia de ter posto uma grávida andando pelos telhados de Paris, como uma gata. A grávida sempre tem o direito de fazer algo inusitado?

Sim. Eu queria mostrar, como mulher, que gestante não quer dizer que você tem limitações pra tudo. Quando você contrata uma mulher não precisa perguntar se ela pretende engravidar, se ela está grávida, porque a gente pode continuar trabalhando. Eu queria mostrar que ainda existe a angústia na França de contratar uma mulher grávida, mas que isso não precisar ser um problema. As mulheres grávidas podem andar em telhados e tá tudo bem. Eu quis mostrar que mulheres grávidas podem fazer tudo. Podem trabalhar. Eu como mulher sinto que preciso mostrar essas coisas no meu trabalho.

Nesta parte eu me surpreendi. Juro que eu pensava que na França esta questão machista de preconceito no trabalho com mulheres por questões de gravidez não existisse. Isso muito pela minha experiência quando trabalhei na L'Oréal. Eu fiquei grávida no início de um projeto e precisei avisar ao meu diretor que era uma francês. Ele me surpreendeu positivamente me dando os parabéns e falando: Fica tranquila, nós precisamos que as mulheres tenham filhos. Nascendo mais gente isso aumenta o nosso mercado. Precisamos de consumidores. E, por favor, tenha filha mulher para ser uma cliente L'Oréal no futuro.

O filme foi delicioso, divertido, leve, fala da relação de mãe e filha, de amor, de família, de questões femininas em relação à gravidez, de aceitação e de reconhecer as semelhanças, mesmo nas diferenças.

A conversa com a diretora foi muito agradável, descontraída e mostrou mais sobre os pontos de vista dela em relação ao filme "Tal mãe, tal filha" que é, aliás, uma ótima pedida para mães e filhas assistirem juntas.


Noémi Saglio no Festival Varilux de Cinema Francês







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