sexta-feira, 3 de julho de 2020

5 Destinos que eu quero voltar!


A saudade de viajar está grande. E o saudosismo tem sido outro sentimento potencializado nesse isolamento. Enquanto no podemos viajar sonhamos com as que faremos quando tudo isso acabar e voltamos ao passado relembrando e revisitando as viagens já feitas e sua histórias. 

Um post que eu sempre tive vontade de fazer era esse: o que mostrava os lugares que eu já viajei e que gostaria de voltar com as minhas filhas. Até que vi no blog "Pequena Jornalista", da Carol Daxium, o post "5 destinos que voltaria hoje mesmo!" e me inspirei. 

Na verdade eu sou daquelas que tem tanto, mas tanto lugar que quero conhecer que acho meio desperdício retornar a algum já visitado. Mas volto sim. Já retornei em alguns e retornaria mais uma vez. 

Principalmente esses que foram inesquecíveis e que quero repetir com as minhas filhas. Quero experimentar e compartilhar com elas.

Fernando de Noronha 

Estive nesse paraíso na terra por duas vezes. Na primeira passei 10 dias e foquei em mergulhar. Mergulhei praticamente todos os dias. E conheci toda a ilha. Todas as praias. Tive tempo para escolher algumas para simplesmente curtir o dia. Conheci pessoas locais, moradores da ilha, e fiz programa com eles. Visitei o projeto TAMAR. Vi o pôr do sol no Boldró (point da época). Não comi o famoso tubalhau porque o único lugar que vendia a iguaria estava fechado. Fiz loucuras, como subir o Morro do Pico (que já era proibido). Dancei forró. Comi o melhor aipim frito da vida. O aipim que a mãe do Chico plantava, colhido na hora e direto para a frigideira de óleo quente. Dancei forró. Vi a cena em aeroporto mais esdrúxula da vida, de filmes, de contos, de anetodas, etc.: um funcionário correndo pela pista, latindo para espantar as cabras e assim o avião poder aterrissar. Fui embora querendo ficar.

Voltei. Passei mais sete dias. Não mergulhei. Fiz passeio de barco. Vi golfinhos. Assisti ao pôr do sol no Cachorro (point da época). Entrei na água para um mergulho e nadei com tubarão "do bem" ao meu lado,bem ali na altura do joelho. Dancei forró. Comi lagosta em casa de pescador. Aluguei um bugre em que as nossas cabeças ficam acima do para-brisa. Dei a volta em toda a ilha. Fiz menos loucuras. Assisti as palestras no Projeto TAMAR. Adotei uma tartaruga (não trouxe pra casa, é claro. Uma adoção para ajudar a manutenção do projeto.). Fui embora querendo voltar.

Não encontrei as minhas fotos de nem um das duas idas a Fernando de Noronha. A única que sobrou foi essa do banho de balde. A ilha estava sem água e tínhamos apenas um balde por dia para nosso uso. Nas duas vezes em que visitei Fernando de Noronha a infraestrutura ainda era bem rústica. Não tinha pousadas de luxo, nem restaurantes. As pousadas era casas de moradores adaptadas para receber hóspedes. Os restaurantes eram nas varandas de moradores. E esse era o grande charme daquele paraíso. Ia além da beleza da natureza. Quero voltar. Quero muito ir com as minhas filhas. Mas tenho receio de não ter mais o encantamento do rústico e das vivências e histórias que ele proporciona. 



O que seria passar cinco dias dentro de um barco com mais 11 pessoas (9 amigos, 1 marinheiro que cozinhava maravilhosamente bem, 1 dono do barco e instrutor de mergulho), no meio do mar, com apenas cinco pequenas ilhas desabitadas ao redor?! Seria tempo demais? Não! Foi tempo de menos para esse paraíso.

Acordei como sal nascendo. Fiz todas as refeições no barco. Nadei com peixes e tartarugas. Vi corais. Caminhei em duas ilhas. Curti a natureza. Tomei banho no barco. Acordar, comer, ir para a água, voltar para almoçar, voltar para a água, voltar para o barco, apreciar a natureza, ver o pôr do sol, retornar para a água (mergulhar à noite é lindo), voltar pro barco, tomar banho, jantar, dormir, acordar com o sol. Pode parecer uma rotina repetitiva, mas os dias passavam voando. Os cinco dias passaram rapidamente. Voltei para a terra querendo mais mar. Sonhando com mais dias de sonho.


Chapada da Diamantina

Eu sei que o Brasil tem outras chapadas belíssimas e que merecem a visita. Mas a Chapada da Diamantina é deslumbrante. É inesquecível. Nunca senti o poder e a grandeza da natureza de forma tão intensa quanto na Chapada.

Fio uma viagem inesperada e sem planejamento. Estava em Morro de São Paulo e a ideia era ficar por lá um bom tempo. Depois seguir para Barra Grande e Itacaré. Os planos mudaram quando eu estava na Quarta Praia em Morro e apareceu um cara oferecendo voo de asa delta com motor. Topei. Mais alguém que estava por ali também aceitou a aventura. O meu companheiro de aventura estava em lua de mel com a mulher. Depois do voo de cada um ficamos na praia, conversamos, falamos de viagens, fizemos aquela amizade instantânea que só se faz em viagens. Eles iram no dia seguinte para a Chapada. Estavam de carro. Ofereceram carona. Eu não queria ser uma intrusa na lua de mel do casal. Eles insistiram. Ofereceram carona de volta para Morro de São Paulo. Não resisti. Aceitei. Mudei o rumo. Mudei o destino. Foi coisa do destino.

Me deslumbrei com o pôr do sol no Morro do Pai Inácio, a Pratinha, o Rio Roncador, a Cachoeira da Fumaça (que estava com pouquíssima água, mas mesmo assim provoca sensações pela altura), o Poço Azul, Poço Encantado, a cidade de Lençóis, as cachoeiras, o vale e os morros. Um deslumbre.

Cheguei sem esperar, sem expectativas. Saí sem querer, surpreendida. 



Aix en Provence

Ville d'Eau, Ville d'Art. Passei três meses em Aix, que é a capital do Condado da Provance, no Sul da França. Uma região linda. Aix é especialmente linda. Aconchegante. Respira juventude com suas diversas universidades. Respira arte com a sua história. Respira energia com as suas fontes. 

Equilibra tranquilidade com agitação, modernismo com tradição. Tem cultura, tem arte, tem feiras, tem gastronomia, tem charme, tem fontes. É impossível dissociar a cidade de Aix-en-Provence de suas fontes e centenas de fontes. Cada praça, cada esquina, cada rua estreita revela uma joia de fonte.

E tem todos os arredores da Provence que é encantador. Deixei Aix com sensação de saudade. Com medo de nunca mais voltar. Quero voltar. Quero andar novamente naquelas ruas, me deparar com as fontes. Quero descer a Cours Mirabeau, avistar a Rotonde, sentar em um dos muitos cafés. Quero explorar a Vieille Villea andando sem rumo por suas ruazinhas apertadas abertas as surpresas que elas me reservam. Visitar o atelier de Cézanne, passear pelas muitas praças e igrejas. E claro ir em uma das muitas feiras que acontecem por lá.



Portugal

Passei apenas uma semana em Lisboa e me encantei. Me deslumbrei. Além de conhecer Lisboa, fiz vários passeios de vai e volta. Sintra, Cascais, Óbidos, Nazaré, Batalha, Fátima, Coimbra. Cada local com seu encantamento. Quero voltar. Quero passar um mês em Portugal. Quero muito retornar em alguns lugares que fui e ir a outros ainda não visitados. 



Enquanto não posso viajar por aqui, por aí, por ali, por qualquer lugar, viajo nas viagens que já fiz. Nas memórias que já criei, nas histórias que já acumulei, nas lembranças que tenho e nas emoções que senti.

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quarta-feira, 1 de julho de 2020

Roosevelt Island em Nova York




Não fazia parte do nosso roteiro de oito dias em Nova York visitar a Roosevelt Island. A grande maioria dos turistas não colocam a ilha na sua lista de prioridades ou nem sabem que ela existe.


Para ser bem franca eu sabia da existência do tal bondinho que foi cenário de uma cena do filme do Homem-Aranha, mas só tinha ouvido falar do passeio do bondinho em si. Tipo ir e voltar. Assim, não vi muita vantagem em incluir o passeio no meu roteiro, diante de tantas outras opções que a Big Apple oferece. Nem mesmo sendo a nossa segunda vez na cidade que nunca dorme.


Mas estava no meu roteiro encontrar com um amigo de infância que mora por lá. Nesse dia de encontro com o Adriano ele sugeriu caminharmos por Rossevelt Island, apesar do frio. 


O passeio de bondinho é uma atração em si. Não vou negar. O visual sobre o East River é fantástico e o bondinho passa ao lado da Queensboro Bridge.



Mas além do bondinho essa simpática ilha oferece outros atrativos que fazem valer a visita.
Seguimos nosso passeio beirando o rio e caminhando em direção à ponta sul da ilha. É um trajeto que nos dá a oportunidade de ver Manhantan por um outro ponto de vista.


Podemos contemplar Upper East Side e ver prédios famosinhos, alguns já visitados por nós, como o Chrysler Building, Empire State, o prédio da ONU e até o One World Trade Center.


Todo esse percurso beirando o rio é  cheio de árvores que na época estavam secas, apenas os galho. O que deixa um visual interessante também. Mas fiquei imaginando o mesmo caminho em épocas em que as árvores estejam floridas. Também tem banquinhos para quem quiser sentar e relaxar contemplando o fluxo do rio.

Seguindo o nosso caminho chegamos a um dos pontos turísticos de Roosevelt Island,  ruínas do antigo Smallpox Hospital



O Smallpox Hospital, que tem muita história já tendo até sofrido com incêndios, em meados dos século 19 era famoso pela ala psiquiátrica com mais de cem leitos. Depois virou quartel de quarenta para imigrantes e escola de enfermagem.
Ficar parada em frente a essas ruínas, sabendo o que ali já foi, faz a imaginação ir longe. Ficamos ali, eu e meu amigo, conversando, imaginando histórias, angústias e alegrias vividas naquele local.

Seguindo em frente caminhamos com tranquilidade em direção a outro ponto turístico de Roosevelt Isaland, o Four Freedons Park.





É um parque construído em homenagem ao presidente Franklin D. Roosevelt. Tem uma escadaria, uma pegada moderna e um visual incrível do rio. É de lá que dá para avistar  o icônico letreiro da Pepsi, que fica em Long Island City.

Eu estava tão entretida em atualizar o papo com o meu amigo que nem fiz fotos dessa parte. Também estava bastante frio nesse dia. A vontade de deixar as mãos aquecidas dentro do bolso era tanta que dava até preguiça de fotografar. 



Engana-se quem pensa que o passeio termina na estação do bondinho na Roosevelt Island.




A ilha que foi durante o século XIX uma espécie de ilha-hospital, com algumas instituições para tratamento de varíola, o  hospital psiquiátrico que hoje é ponto turístico psiquiátrico e também asilos,  e que depois de uma temporada meio abandonada e a partir de 1970 começou a se tornar a ilha residencial que é hoje, tem seus atrativos. Um deles é a tranquilidade. Totalmente o oposto de Manhantan. É uma fuga para observar aquele burburinho de longe e recuperar o fôlego. 

Ah, seguindo para a ponta norte da ilha está o Lighthouse Park, com um farol e mais visual deslumbrante. Mesmo tendo ônibus gratuitos que circulam na ilha disponíveis, preferimos voltar para Manhatan e tomar um café quentinho na casa do meu amigo, agradecer o passeio e o carinho dele.


Esse é o 13º post do projeto #100EM1 que consiste em visitar 100 lugares no período de 1 ano e vi no blog Parafraseando com Vanessa. Achei que o projeto é uma ótima oportunidade para nos estimular a sair da rotina, buscar o novo, trazer aprendizado e reflexões. Dessa vez conheci um local novo dentro de um já conhecido.


Outros posts sobre Nova York:


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segunda-feira, 29 de junho de 2020

A Semana 25 de 2020 - Décima Quinta Semana de Quarentena


Nessa semana andei mais nostálgica, vendo fotos antigas, lembrando de histórias e viagens que já fiz. Encontrei a frase abaixo no Instaram Tempo Feio que combinou perfeitamente com o meu humor.


A memória traz de volta o que realmente importa. Acho que por isso os bolos, a confort food que para mim é a que mais remete a lembranças, tem sido tão presente e constante nessa quarentena. Ao mesmo tempo que traz à tona emoções, lembranças, histórias ao mesmo tempo que nos ajuda a criar novos momentos ao seu entorno.  O Bolo de Bolo dessa semana foi de frutas vermelhas. Caprichamos na framboesa, amora e blueberry.


Assisti a dois filmes baseados em fatos reais que contam e registram histórias vividas por outras pessoas e que podem vir a fazer parte das nossas lembranças, dos nossos momentos compartilhados, sentir emoções experimentadas através do olhar do outro e até reviver algumas de nossas lembranças.

O Filme "Milagres do Amor" foi uma ótima surpresa. Trata dom delicadeza questões de preconceito, deficiência, superação, amor, amizade e querer fazer o bem.

Sinopse: "Esta é a complexa história do casal Mizgin e Aziz. Ele é um homem com limitações físicas causadas por uma severa deficiência, e ela, a garota mais bonita do vilarejo, que, com muito amor e carinho, encontrou nele um companheiro de vida. Cansados dos problemas que tiveram em sua aldeia, o casal se instala em uma cidade no oeste. Em um mundo em que pessoas más e preconceituosas existem em todos os lugares, Aziz e Mizgin aprenderão a sobreviver sozinhos, a se apegar à vida, a se esforçar e trabalhar. Aziz começa a lutar com grande determinação para se livrar de seus defeitos e obstáculos para sua esposa, a quem ele ama, possa realizar o sonho de ser mãe.".




“Wasp Network: Rede de Espiões”, inspirado no livro de Fernando Morais “Os Últimos Soldados Da Guerra Fria”,  é baseado na história verídica de cinco agentes dos serviços secretos cubanos que viviam na Flórida, simulando terem desertado de Cuba em busca do sonho de liberdade americano. Porém atuavam a favor do governo cubano e contra grupo terroristas que investiam em ações para enfraquecer o governo de Fidel.

O filme mostra pontos de vistas dessa fase da história e tem um elenco latino de peso.


Assisti a segunda temporada da série "Coisa Mais Linda". Maravilhosa. Uma série brasileira que aborda o feminismo e racismo de forma brilhante. A história se passa nos anos 60 e, mesmo com algumas vitórias e melhorias no decorrer do tempo, se mostra bem atual.


Fechei a semana com um encontro virtual com amigas que foram do trabalho e se tornaram amigas de todos os lugares e horas. O encontro foi acompanhado de vinho e da live #festadogil. Encontro cheio de memórias, de histórias, risadas, relembrando emoções e criando novas lembranças e registros nesse "novo normal totalmente anormal".




Este post faz parte da BC A Semana que tinha sido substituída pela BC #ReolharAVida em 2019 que veio substituir a BC #52SemanasDeGratidão que em 2017 substituiu a BC A Semana que por sua vez já tinha substituído a BC Pequenas Felicidades.

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sábado, 27 de junho de 2020

O novo normal totalmente anormal



Na sexta-feira eu passei o dia com a sensação de estar no meu limite. A sensação de que não ia mais aguentar essa quarentena sem fim, esse home office sem volta. O dia correu, cumpri meus compromissos do dia, mas sentindo uma certa angústia. Nos intervalos eu ia até a varanda, olhava a rua lá embaixo, as copas das árvores, vi uma borboleta amarela voando e desejei borboletar. Olhava pro céu. Controlava a vontade de gritar. Respirava fundo e voltava.

No final do dia, no início da noite, tinha um encontro virtual. Um vinho com as amigas. Comecei a me preparar. Passei batom, hidratante e perfume (só não coloquei sutiã, nem sapato. Me recuso a fazer uso desses itens estando em isolamento social).

Arrumei a mesa. Teria a companhia da filha.




O encontro seria, e foi, embalado pela live #festadogil. Live em comemoração ao aniversário de 78 anos do cantor brasileiro.  Dancei xaxado, xote, forró, música Nordestina da boa até elas chamarem.




Conversamos, rimos, brindamos, demos Print Screen (a nova selfie de grupo nesse novo normal totalmente anormal). Brindei.




Me renovei, recuperei as energias. No final saí com a certeza de que eu tiro de letra essa quarentena sem fim, que esse home office sem volta é tranquilo, levo de boa. Ter amigas de trabalho, de isolamento, de qualquer lugar, de todo lugar faz mesmo toda a diferença.

Postado inicialmente no Facebook.




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sexta-feira, 26 de junho de 2020

Filme Milagres do Amor


Eu estava numa vibe de filmes franceses nessa quarentena. Percebendo que as minhas escolhas estavam sempre caindo no cinema francês, eu resolvi dar uma variada. Agora, depois de assistir o meu primeiro filme turco, "Laços de Liberdade", e ter visto ontem "Milagres do Amor", ambos na plataforma Cinema Virutal, acho que vou ficar na fase dos queridinhos turcos.

"Milagres do Amor" é um longa baseado em fatos reais, o que já despertou o meu interesse pela trama, que trata de tema preconceito com muita sensibilidade, delicadeza e emoção. Fiquei tão envolvida com a história que até sonhei com filme.


O filme com história passada entre 1960 e 1972 é narrado Mizgin (Biran Damla Yilmaz), uma mulher jovem, linda, que vivia em uma tribo ao leste da turquia, e sonhava com o dia do seu casamento. Mizgin foi prometida, por seu, a Aziz (Mert Turak) como recompensa pela bravura do pai do rapaz que salvou o pai da moça.

Mizgin conhece o noivo apenas no dia de seu casamento. É já vestida de noiva que ela descobre que Aziz tem limitações físicas, causadas por uma doença grave durante sua infância.

A moça mais linda do vilarejo vê seu sonho de casamento destruído, chora por dias, e no auge do desespero resolve aceitar e assumir o destino que a vida lhe preservou. Vai cuidar de Aziz. 


Além de enfrentar todas as dificuldades de cuidar de um homem deficiente, o casal sofre com o preconceito das pessoas de seu vilarejo. Na esperança de encontrar um lugar melhor com pessoas mais bondosas e menos preconceituosas, o casal, com ajuda do professor de Aziz, se mudam para Foça, uma cidade a oeste da Turquia, banhada pelo Mar Egeu.

A cidade é linda, com um visual belíssimo, cenário tranquilizador. Aziz vê o mar pela primeira vez. Muitas pessoas de Foça são bem receptivas e amáveis. O ambiente é de amizade e cooperação. Porém pessoas maldosas, preconceituosas existem em todos os lugares do mundo. E em Foça não é diferente. Por outro lado é em Foça que o casal encontra apoio, motivação e pessoas disposta a ajudar.

Motivado pela maldade das crianças e com a ajuda do professor e de um outro amigo Aziz inicia um processo de muita determinação em busca de melhorar sua condição física.

Com o passar dos anos, Aziz vai demonstrando o seu coração bondoso, sua alma pura, sua sensibilidade, determinação e encantamento com a vida. Vai conquistando amigos e o coração de Mizgin.


Eu gostei muito com a forma como o filme trata a questão do preconceito. Mostrou o quanto pessoas pensam que os deficientes não percebem e entendem as insinuações, comentários, maldades disfarçadas de brincadeiras e as maldades diretas. E como, sim, por dentro da deficiência tem entendimento, percepção, sentimentos. Gostei da sensibilidade do filme transformar comportamentos de intolerância em atitudes altruístas. A sutileza como ele mostrou que toda a estranheza causada pela chegada de uma pessoa deficiente na cidade não era por ele ser o único ali, mas porque as famílias "escondiam" seus próprios deficientes.

Outros pontos que me encantaram no filme foi o cenário, a ambientação, as histórias em paralelo. Sempre passava um jornaleiro anunciando a manchete do jornal e fazendo um paralelo do passar do tempo com fatos históricos da época.

Achei bem interessante ter mostrado as diferenças culturais, religiosas, e de desenvolvimento da Turquia Oriental da Turquia Ocidental abordando o tema da aceitação dessas diferenças.

O cinema Adara era o ponto de encontro e lazer de Foça, além da praia, é claro. Essa paixão pelo cinema fazia as pessoas terem uma brincadeira: dizer uma frase e descobrirem de qual filme ela é.





Alguém arrisca de quem é esse fala?

Acertou quem disse Charles Chpalin.

O único ponto que me incomodou foi o fato de Mizgin, mulher forte, dedicada, batalhadora, grande força motora de Aziz, mesmo sendo a narradora do filme ficava em segundo plano nas cenas. Talvez seja apenas um retrato da cultura na época.

Enfim, um filme cheio de encantamentos e surpresas, emocionante, que me fez rir em alguns momentos, sorrir e derramar lágrimas, e que trata de assuntos importantes como preconceito, discriminação, aceitação, superação, amor, amizade. 

Sinopse: "Esta é a complexa história do casal Mizgin e Aziz. Ele é um homem com limitações físicas causadas por uma severa deficiência, e ela, a garota mais bonita do vilarejo, que, com muito amor e carinho, encontrou nele um companheiro de vida. Cansados dos problemas que tiveram em sua aldeia, o casal se instala em uma cidade no oeste. Em um mundo em que pessoas más e preconceituosas existem em todos os lugares, Aziz e Mizgin aprenderão a sobreviver sozinhos, a se apegar à vida, a se esforçar e trabalhar. Aziz começa a lutar com grande determinação para se livrar de seus defeitos e obstáculos para sua esposa, a quem ele ama, possa realizar o sonho de ser mãe.".




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quarta-feira, 24 de junho de 2020

Salada ou Jardim?


Trazendo para cá mais um post meu que foi publicado no Recanto das Mamães Blogueiras, blog que está abandonado, dando e ninguém cuidando dele. Como meus textos ficam lá perdidos, eu tenho trazido um ou outro e republicado aqui. Este que trago hoje foi postado originalmente em janeiro de 2015. Nesta época minhas filhas ainda eram uma criança e outra adolescente e eu batalhava para elas comerem saladas.

Segue o texto na íntegra. Já vou adiantando que elas continuam sem comer rabanete e já não ficam na expectativa pela salada do dia. Mas eu ainda gosto de preparar uma saladinha bonita e decorada.

Todo mundo sabe que a gente come com os olhos, né? Um prato bonito, bem apresentado, abre o nosso apetite. E a gente sabe da dificuldade de fazer as crianças comerem saladas. Então, pra ajudar no incentivo duas dicas legais são: incluir ingredientes que elas gostam como frutas, por exemplo, e fazer uma bela arrumação na salada.

Essa salada de folhas (alface americana que as minhas filhas adoram, alface baby verde e roxa que elas não gostam tanto), rabanetes que elas não gostam, cenouras e azeitonas que elas gostam, e cravina (flor comestível que elas não conheciam) foi um sucesso.


Primeiro pela apresentação que fez elas acharem um prato bonito.

Segundo porque comeram rabanetes, coisa que não faziam antes.

Terceiro porque trouxe o inusitado, o diferente e despertou a curiosidade.

Fica a dica: vale a pena investir na criatividade e fazer saladas variadas, coloridas e bonitas. Aqui em casa as crianças já ficam na expectativa de qual será a novidade na salada do dia.





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terça-feira, 23 de junho de 2020

Madri - Mercado de San Miguel


A saudade de viajar tá grande, né? E como está. Por isso ando viajando nas lembranças das minhas viagens. Hoje eu estava aqui me lembrando do nosso retorno do Marrocos. Fizemos escala em Madri, bem no último dia da cidade sem caso confirmado de Covid-19. Teríamos algumas horas na cidade. Mesmo sendo poucas horas, mesmo estando cansada após doze dias de road trip pelo Marrocos, mesmo tendo acordado cedo naquele dia, pego voo, e tendo que acordar cedo no dia seguinte, eu não desperdiçaria o tempo no hotel. 

Como teríamos poucas horas a escolha do local a visitar tinha que ser certeira. Tipo algo imperdível! Escolhemos conhecer o Mercado San Miguel. 


Eu adoro mercados locais. Acho que são ótimas oportunidade de conhecer um pouco da cultura local. O mercado é uma beleza em si. Tem história e tem comida!!! Aproveitaríamos o passeio para comer. Não gastaríamos tempo procurando restaurante. 

Este é o único mercado de ferro que sobreviveu até os dias de hoje, além de ser o mais antigo de Madri. Originalmente, no local, havia uma igreja do século XIII, chamada Iglesia de San Miguel de los Octoes. Esta foi destruída por um incêndio. A partir de então, e a área foi usada como um mercado ao ar livre. Com o intuito de melhora área a cobertura de ferro foi inaugurada em 1916. Porém com o tempo o mercado decaiu e acabou sendo fechado. Somente em 2003 despertou o interesse de investidores que resolveram fazer do local um mercado gourmet.

O mercado é uma obra de arte por si só com uma arquitetura  segue o estilo dos mercados parisienses, de ferro e com enormes janelas de vidro. Olha essas colunas de  ferro fundido e o tecto.



O Mercado San Miguel é um dos principais pontos turísticos de Madri. Afinal, a capital espanhola significa comida e comida da boa. Então tem gente que vai dizer que o passeio é uma armadilha, que os preços são altos se comparados com outras áreas da cidade e que vai estar repleto de turistas. Okay!  Mas, a comida é fantástica e variada. E o vinho? Delícia!

Passeando pelas barracas encontramos iguarias de toda a Espanha. E eu já estava ansiosa para sentir esses sabores.

Logo na entrada me deparei com esses cones cheios de Jamón. Já garanti logo um paramim. 



Viro para o outro lado e dou de cara com essa explosão de sabores em uma só vitrine. Já garanti mais alguns.


Adoro uma bruscheta com burrata! 


Finalmente consegui passar do corredor de entrada. Hora de pegar algo para beber e acompanhar as muitas outras delícias que experimentaria nesse tour gastronômico pelas especialidades da culinária regional da Espanha.

Que tal experimentar um vermut?  Um vinho fortificado aromatizado com vários vegetais muito popular na Espanha. É claro!




No nosso caminho tinha uma barraca de empanadas! 


Fui praticamente obrigada a parar.



Uma das especiarias mais famosas e procuradas no mercado são a enorme variedade de frutos do mar e conchas trazidos para a capital do Mar da Cantábria. Tudo muito colorido. 



O Mercado São Miguel, por ser um mercado gourmet, não é um mercado onde as pessoas vão para fazer compras semanais, apesar de ser possível e da variedade de produtos. De presuntos e queijos gourmet a frutas e legumes frescos, encontramos de tudo. As pessoas usam o mercado como um ponto de encontro. Isso deixa o ambiente bem alegre, festivo, descontraído.

Foi um passeio que fez as minhas poucas horas em Madri bem desfrutadas. Em pouco tempo viajei pelos sabores de várias regiões da Espanha. Uma explosão de cores, aromas e sabores. 

Ah, como o Mercado de San Miguel fica a cinco minutinhos a pé da Plaza Mayor, é claro que demos uma esticadinha no passeio. 

Esse é o 11º post do projeto #100EM1 que consiste em visitar 100 lugares no período de 1 ano e vi no blog Parafraseando com Vanessa. Achei que o projeto é uma ótima oportunidade para nos estimular a sair da rotina, buscar o novo, trazer aprendizado e reflexões. Dessa vez conheci um local novo dentro de um já conhecido.


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