segunda-feira, 8 de julho de 2019

Exposição Djanira - A Memória do Seu Povo


Exposição + Jardim + Café = programa perfeito para um domingo de dia frio e com céu azul. Na verdade um programa perfeito para qualquer dia, mas eu aproveitei o domingo friozinho para correr ali na Casa Fundação Roberto Marinho e conferir a exposição "Djanira: a memória do seu povo" que inaugurou a pouco tempo e antes esteve no MASP, em São Paulo. 

Djanira a memória do seu povo

A exposição é cronológica e logo na primeira sala, que traz pinturas dos anos 1940, quando Djanira chega ao Rio e começa a pintar tudo o que ela vê a sua volta, tem um autorretrato da pintora.

Logo ali observei uma família de pai, mãe e filha pequena em que a meninha perguntava para mãe quem era aquela moça e fiquei parada ouvindo a explicação lúdica da mãe: "essa é a moça que fez todos esses desenhos que você vai ver nessa exposição. Sabe o nome dela? É parecido como da sua avó. É Djanira e ela a obra dela é considerada uma das mais importantes dentro do movimento moderno no Brasil.

Nesta primeira sala estão telas com  que retratam suas experiências pessoais no cotidiano do subúrbio do Rio e no bairro de Santa Teresa onde viveu. Nos deparamos com telas de parque de diversões, como essa abaixo.

Djanira a memória do seu povo

Eu adorei o "Sala de Leitura" que tem como cenário a varanda da casa da pintora em Braz de Pina e seus vizinhos como modelos.

Djanira a memória do seu povo

A segunda sala, a maior delas, exibe peças do anos 1950 com referências indígenas da época que ela viveu com a Tribo Canela, no Maranhão , e diversas festas populares, como a Folia do Divino, em Paraty.

Djanira a memória do seu povo

E algumas brincadeiras de criança como em "Empinando Pipa"

Djanira a memória do seu povo

E "Ciranda". Vendo o colorido e os detalhes das telas dá até vontade de voltar no tempo e brincar na rua.

Djanira a memória do seu povo


Em outra sala estão expostas pinturas da Bahia, em outra expõe "Imagens do Trabalho". Neste tem o retrato da "Costureira" que faz referência biografia da própria pintora já que ela trabalhou nesse ofício antes de se dedicar à arte. 

Uma última sala, pra mim a mais impactante, mostra os trabalhos de Djnaria dedicados a "Minas e Mineração", série sobre o extrativismo mineral que retratam as  mudanças na paisagem, o desmatamento e trabalhadores pálidos. Já naquela época, entre os anos 60 e 70, já despontava um caráter de denúncia ao que estamos vivenciando hoje com os rompimentos das barreiras.

Djanira a memória do seu povo

A mostra além de ter belos quadros bonitos de se contemplar é uma aula sobre o Brasil. Um programa para todas as idades. 

Eu fiquei encantada com essa senhora e o menino, que eu achei que fossem vó e neto, visitando a exposição. Parei um tempo sentada no meio da sala só observando os dois. A senhora contando para o menino sobre o trabalho na fazenda e ele a ensinando a fazer fotos no celular. Fiquei encantada com o carinho e a troca de experiências entre os dois. 

Os dois refletiram bem o que uma exposição de arte em família pode proporcionar. 


Djanira a memória do seu povo

A mostra traz 40 pinturas abrangendo quatro décadas da produção da artista. Apesar de serem feitas no século passado e retratarem o modo de vida da época, as questões sociais envolvidas continuam muito atuais. Assim como vó e neto.  

Djanira a memória do seu povo







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domingo, 7 de julho de 2019

A Semana 27 de 2019 - Calmaria na correria


Eu pisquei e o final de semana já estava de volta! Eu acho essas frases que começam com eu pisquei e algum tempo passou rápido tão lugar comum que eu fui até pesquisar no blog quantos posts eu usei essa frase. Cinco! Este será o sexto.

Mas realmente essa foi daquelas semanas em que eu não senti o tempo passar. Com dias em que entrei em sala de reunião às 15 horas e quando eu olhei no relógio já eram 19 horas, eu atrasada para a aula de pintura e com a sensação de que os ponteiros, ou melhor, o visor digital marcaria 16:00.

Exatamente nestas semanas que passam voadas é que este resumo, este tempo para olhar pra trás e ver o que foi feito faz mais sentindo. Faz com que esses dias mesmo corridos não passem despercebidos.

Comecei o sábado aborrecida, com a sensação de que tinham me tirado. Acordei cedo e enquanto todos dormiam (vantagem de ter filhas adolescentes) fui aproveitar o dia lindo lá fora e caminhar com uma amiga. E a semana que seria corrida começou com um sábado de inverno no Rio com caminhada pela manhã da Praia do Leme ao Arpoador, passeio pela Pedra do Arpoador, pedalada do Arpoador até a Enseada de Botafogo com a amiga.


E para completar um fim de tarde com pôr do sol na Urca com a filha. Dia daqueles que te lembram de estar, de ser, de viver e das pessoas que te devolvem.


Teve aula aberta da dança aérea da filha mais nova. O coração aperta ao ver ela tão alto, mas se enche de orgulho. 


Fui para o trabalho de bicicleta praticamente todos os dias aproveitando o caminho, aproveitando o meu tempo, e até me surpreendi. Em um dos dias resolvi errar o caminho e descobri uma prainha linda e desconhecida para mim, a Prainha da Marina da Glória.


Saí para almoçar com alguns da equipe de trabalho em um restaurante gostoso. Escolhemos um dia para comer com calma, com direito a entrada, prato principal e sobremesa. Um dia que deixamos a pressa do horário curto de almoço pra lá, que nos permitimos desfrutar.


Fui assistir ao filme "Cézanne e Eu" e me deixei envolver pela história, pelo cenário, pelas paisagens, pelas emoções e pelas lembranças que a paisagem me trouxeram. 


Em outro dia eu escolhi ser a minha própria e melhor companhia. Aproveitei que o dia estava frio e chuvoso e fui almoçar comigo mesma, comi uma massa quente, saboreei uma sobremesa e li calmamente entre uma garfada e outra.



A semana corrida, tão rápida que voou, tão atribulada que eu pisquei e ela acabou, teve seus momentos de calmaria, de tranquilidade, de esquecer a pressa e deixar acontecer, de relaxar e renovar, de não me cobrar porque ou já tinha feito o que devia fazer ou simplesmente ainda faria. São nesses dias de correria que precisamos nos permitir momentos de calmaria. 

Este post faz parte da BC A Semana que tinha sido substituída pela BC #ReolharAVida em 2019 que veio substituir a BC #52SemanasDeGratidão que em 2017 substituiu a BC A Semana que por sua vez já tinha substituído a BC Pequenas Felicidades.


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sexta-feira, 5 de julho de 2019

Filme Cézanne e Eu


Esta semana estreou nos cinemas o filme "Cézanne e eu"  (Cézanne et moi) que eu tive a oportunidade de assistir na cabine de imprensa. 


O filme conta a história da amizade e companheirismo entre duas grandes figuras da cultura francesa, o pintor Paul Cézanne e escritor Emile Zola. 

Para retratar essa amizade que começou nos tempos da escola, quando os dois eram meninos de 13 anos que corriam pelas paisagens de Aix-en-Provence e durou até a fase adulta, o filme começa em 
Médan, 1888.

Em casa, o grande romancista Emile Zola  está prestes a receber a visita de seu velho amigo, o pintor Paul Cézanne no que foi, supostamente, o último suposto encontro entre os dois grandes amigos.

Enquanto os dois conversam sobre o romance "A obra" no qual Cézanne sente-se retratado no personagem de um pintor fracassado, o filme vai e volta ao passado dos dois mostrando toda a construção dessa grande forma de amor que é a amizade. 

É nesse flashback constante que vamos nos envolvendo com a os dois personagens e suas diferenças de temperamento. Zola é um filho dos pobres que se transforma em um burguês bem estabelecido, com vida aparentemente equilibrada e bem sucedido em sua arte. Cézanne, de uma família rica, vive em permanente conflito com o pai, um banqueiro reconhecido que não aceita o caminho escolhido pelo filho, vive sem dinheiro e seu temperamento difícil o faz ser desprezado por seus contemporâneos. 

Mesmo diante de tantas diferenças, de escolhas de caminhos diferentes em busca do mesmo objetivo que é realizar o sonho de ver suas artes reconhecidas, de pontos de vistas contrários, a amizade resiste ao tempo e às diferenças sociais. 

Mas será que mesmo uma amizade tão profunda sobrevive ao ciúme e aos ressentimentos?

Eu gostei muito do filme, de como a história é contada através de idas e vindas no tempo, de conhecer mais sobre a vida e influência que os dois ícones da cultura francesa tiveram um sobre o outro, do turbilhoes de emoções e principalmente de ver os cenários de Aix-en-Provence. 

Eu passei três meses nessa cidade e um dos meus programas favoritos era visitar o último atelier de Paul Cézanne. Eu adorava passear por aqueles cômodos e imaginá-lo ali pintando em meio aos caos e calmaria. Talvez por essas lembranças eu tenha gostado tanto do filme, mas foi por por mais do que isso. 



Sinospse: "A história de amizade e rivalidade entre o pintor Paul Cézanne (Guillaume Canet) e o escritor mile Zola (Guillaume Gallienne). Paul é rico. Emile é pobre. Mas dessa união irá surgir uma amizade que resiste ao tempo e às diferenças sociais. Os amigos, que se conheceram no colégio Saint Joseph, aprenderam desde crianças a compartilharem tudo um com o outro.Mas, na busca por realizar seus sonhos, os dois vão aprender a enfrentar os desafios da vida e, principalmente, sobre o valor da verdadeira amizade.".

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Praias escondidas do Rio de Janeiro - Prainha da Marina da Glória



Hoje eu acordei cedo no horário para dar tempo de ir para o trabalho de bicicleta. Ainda na cama ouvi o vento lá fora. Soprava forte. Derrubava coisas. Batia portas. Pensei nesse vento e ventilei a possibilidade de ficar mais na cama e desistir de pedalar até o trabalho, mesmo sabendo o quanto os meus dias fluem melhor quando vou de bike. Rolei pra lá, rolei pra cá, o vento soprou mais algumas rajadas. Pensei no vento refrescando o meu caminho. Pulei da cama. Ainda ouvi o marido e a moça que trabalha lá em casa me falarem do vento que ventava lá fora. Respondi que o vento poderia estar forte só no alto (moro no 8° andar), que na rua poderia estar mais tranquilo e que eu iria tentar de qualquer forma. Se o vento realmente me atrapalhasse eu deixaria a bicicleta em outra estação e seguiria de metrô. Não desisti. Insisti. Escolhi ventar. Peguei o meu caminho com sol, dia lindo, temperatura boa e vento a favor.


O vento que poderia me atrapalhar, o mesmo vento que quase me motivou a desistir, me ajudou. Ajudou tanto que fiz o percurso em menos tempo. Como estava adiantada resolvi parar, pisar na areia, beber uma água de coco.




Mais adiante ainda com tempo de sobra me permiti errar o caminho. Não virei à esquerda, segui em frente naquela pista que eu sabia sem saída. Por que errar propositalmente? Para me permitir. Para experimentar. Cheguei lá e me surpreendi.



Prainha em frente a Marina da Glória


Um deck. Uma prainha deserta e até então desconhecida pra mim (descobri que é chamada de Prainha Marina da Glória). Um visual de tirar o fôlego. Parei a bicicleta.


Prainha em frente a Marina da Glória

Me sentei no chão de frente para o mar.

Prainha em frente a Marina da Glória

Peguei o livro, li uma das crônicas, desfrutei da vista linda, senti o sol na pele, respirei o vento, ventilei as ideias.

Prainha em frente a Marina da Glória



Peguei a bicicleta e voltei para o meu caminho. Nesse retorno encontrei, por acaso, com uma amiga que trabalha comigo e que estava pedalando para o trabalho. Seguimos juntas conversando sobre como o nosso dia corre melhor quando vamos pedalando para o trabalho.

E o vento? Soprando a favor. Que ele continue soprando a favor por toda a semana. E que a gente enxergue o lado bom das coisas.


Veja outra praia escondida do Rio, a Praia do Vidigal.



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quarta-feira, 3 de julho de 2019

Filme Boas Intenções - A intenção era fazer rir?



Ouvi comédia francesa?! Já fico ligada! Gosto muito! As comédias francesas me fazem rir, o que já muito bom em tempos de notícias tensas pelo mundo, e normalmente me fazem pensar porque normalmente mantêm a intensidade dos assuntos abordados.

Imagina então quando rolou a cabine de imprensa do filme "Boas Intenções", que esteve no Festival Varilux e vai entrar em cartaz no circuito nesta semana, em um horário que eu poderia comparecer?! Fui cheia de boas intenções, mas saí...


Isabelle (Agnès Jaoui), uma mulher de 50 anos, casada e mãe de dois filhos adolescentes se sobrecarregada com o envolvimento que ela mesma se propõe. Voluntária em várias instituições de caridade. 

A história no começo até arranca uma risadinha quando Isabelle "rouba as roupas da filha adolescente para doar para os pobres", mas só. Logo em seguida os exageros da bem-intencionada Isabelle, além de aborrecer a todos que a cercam: marido, filhos, irmão, mãe e até aos alunos que ela pretende ajudar; começa a incomodar o espectador também. Ou pelo menos me incomodou. 

Mesmo cheia de boas intenções em ajuda aos necessitados, Isabelle busca satisfazer o seu ego, sua necessidade de ser amada que Isabelle e para isso prejudica as pessoas que fazem parte de suas relações pessoais. É em uma dessas situações que ela mais entra em competição no centro social onde ela trabalha ... Ela então vai embarcar seus alunos das aulas de alfabetização, com a ajuda de um instrutor muito tolo, em busca da carteira de habilitação.

Neste ponto o filme se tornou bastante preconceituoso. A turma de analfabetos de Isabelle é comporta por refugiados de vários países. Esses refugiados que na verdade podem ser analfabetos em francês, mas não em seus países de origem, são mostrados de forma estereotipada e extremamente exagerada. 
A personagem Búlgara reclama que as mulheres de são país são vistas, pelos franceses com putas, mas faz um papel sexy e acaba fazendo sexo com o instrutor. A Chinesa, a princípio a única com alguma estrangeira apresentada com alguma inteligência, por exemplo, é especialista em massagem erótica. O africano (não me lembro o país) tem todos os filhos presidiários. O brasileiro, é ridículo, chega a dar raiva de como ele é mostrado. Sempre com uma camisa da seleção brasileira e completamente abobalhado a ponto de não reconhecer as cores do sinal de trânsito. 

Mostram os estrangeiros dessa forma quando na verdade a única realmente analfabeta naquela turma é a francesa que está em seu país e não sabe escrever na própria língua.

Cheguei no cinema cheia de boas intenções na expectativa de dar boas risadas e sair leve, mas na verdade deixei a sala meio revoltada. Pelo visto boas intenções não necessariamente fazem bons filmes.



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