Exposição + Jardim + Café = programa perfeito para um domingo de dia frio e com céu azul. Na verdade um programa perfeito para qualquer dia, mas eu aproveitei o domingo friozinho para correr ali na Casa Fundação Roberto Marinho e conferir a exposição "Djanira: a memória do seu povo" que inaugurou a pouco tempo e antes esteve no MASP, em São Paulo.
A exposição é cronológica e logo na primeira sala, que traz pinturas dos anos 1940, quando Djanira chega ao Rio e começa a pintar tudo o que ela vê a sua volta, tem um autorretrato da pintora.
Logo ali observei uma família de pai, mãe e filha pequena em que a meninha perguntava para mãe quem era aquela moça e fiquei parada ouvindo a explicação lúdica da mãe: "essa é a moça que fez todos esses desenhos que você vai ver nessa exposição. Sabe o nome dela? É parecido como da sua avó. É Djanira e ela a obra dela é considerada uma das mais importantes dentro do movimento moderno no Brasil.
Nesta primeira sala estão telas com que retratam suas experiências pessoais no cotidiano do subúrbio do Rio e no bairro de Santa Teresa onde viveu. Nos deparamos com telas de parque de diversões, como essa abaixo.
Eu adorei o "Sala de Leitura" que tem como cenário a varanda da casa da pintora em Braz de Pina e seus vizinhos como modelos.
A segunda sala, a maior delas, exibe peças do anos 1950 com referências indígenas da época que ela viveu com a Tribo Canela, no Maranhão , e diversas festas populares, como a Folia do Divino, em Paraty.
E algumas brincadeiras de criança como em "Empinando Pipa"
E "Ciranda". Vendo o colorido e os detalhes das telas dá até vontade de voltar no tempo e brincar na rua.
Em outra sala estão expostas pinturas da Bahia, em outra expõe "Imagens do Trabalho". Neste tem o retrato da "Costureira" que faz referência biografia da própria pintora já que ela trabalhou nesse ofício antes de se dedicar à arte.
Uma última sala, pra mim a mais impactante, mostra os trabalhos de Djnaria dedicados a "Minas e Mineração", série sobre o extrativismo mineral que retratam as mudanças na paisagem, o desmatamento e trabalhadores pálidos. Já naquela época, entre os anos 60 e 70, já despontava um caráter de denúncia ao que estamos vivenciando hoje com os rompimentos das barreiras.
A mostra além de ter belos quadros bonitos de se contemplar é uma aula sobre o Brasil. Um programa para todas as idades.
Eu fiquei encantada com essa senhora e o menino, que eu achei que fossem vó e neto, visitando a exposição. Parei um tempo sentada no meio da sala só observando os dois. A senhora contando para o menino sobre o trabalho na fazenda e ele a ensinando a fazer fotos no celular. Fiquei encantada com o carinho e a troca de experiências entre os dois.
Os dois refletiram bem o que uma exposição de arte em família pode proporcionar.
A mostra traz 40 pinturas abrangendo quatro décadas da produção da artista. Apesar de serem feitas no século passado e retratarem o modo de vida da época, as questões sociais envolvidas continuam muito atuais. Assim como vó e neto.
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