segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Livro "O Fio da Trama"


Apesar de eu gostar de livros de biografias, principalmente biografias de mulheres vencedoras e que superaram desafio, "O Fio da Trama" não seria um livro que chamaria a minha atenção, nem despertaria o meu interesse naturalmente. Eu não sou ligada em moda e mesmo que de vez em quando eu desse uma espiada no Instagram da @consueloblocker, não tinha grandes interesses na história da família. 

Foi em uma conversa pelo WhatsApp com uma amiga em que compartilhávamos amenidades e o que estamos fazendo para sobrevivermos nesse isolamento que ela me disse que estava lendo "O Fio da Trama" e adorando. Que a leitura estava fluindo, era envolvente e interessante. Fiquei curiosa, me interessei. 

Livro "O Fio da Trama"

"O Fio da Trama" é a recontrução biográfica da família Pascolato que saiu da Itália no pós Segunda Guerra Mundial. No Brasil construiu uma das maiores fábricas de tecido e revolucionou o mundo da moda no Brasil e no mundo. 

A história passa por três gerações de mulheres da família e começa com os relatos nos diários de Gabriela Pascolato. Achei super interessante ela ter mantidos os seus diários por 30 anos. Cada diário continha 5 anos de história, ou seja, foram seis diários completos. É muita disciplina, né? Eu acho. Fiquei pensando o quanto eu gostaria que minhas avós tivessem deixado diários assim. O quanto é enriquecedor conhecermos as histórias, angústias, superações dos nossos antepassados. 

Voltando ao livro ele é dividido em três partes: 

Gabriela e sua juventude na Itália, seu grande interesse por estudar e pouco interesse em casar já se mostrando uma mulher com visão a frente de sua época. O casamento com um membro do partido facista que não era a favor da guerra, nem dos horrores praticados por Hitler e Mussolini, a vida de privilégios e a perda de tudo durante a guerra, o nascimento dos filhos, as dificuldades em fugir da Itália com duas crianças pequenas, viver como refugiados na Suíça até conseguir vir para o Brasil. A força para construir uma fábrica de tecido do zero, a disponibilidade para aprender, de ser o suporte da família e apoiar o marido que tinha ido do topo ao chão. 

Eu gosto dessas histórias de superação, me surpreende sempre a capacidade superação do ser humano. Como o nosso corpo consegue sobreviver em condições adversas quando a nossa mente tem determinação, foco e fé. 

Constanza a filha de Gabriela nascida na Itália e que viveu o período da guerra e chegada no Brasil na infância. Se tornou a filha rebelde por se sentir abandonada pela mãe que focava no trabalho. Traz suas relações tumultuadas com a família, seus amores e como se tornou uma das principais referências da moda brasileira. Mais uma vez mostra uma mulher determinada, apesar de não ter passado por tantas dificuldades como a mãe. Pelo contrário, mostra como ter uma boa educação, ser exposto a arte e cultura facilita a vida e abre portas. 

O interessante na parte de Constanza foi ver como comportamentos se repetem. Mesmo se sentindo abandonada pela mãe, achando que Gabriela delegou a sua criação para a babá, Constanza acabou fazendo o mesmo quando se apaixonou.

Consuelo e Alessandra, filhas de Constanza e netas de Gabriela trazem a experiência de viver nesse meio de bastante facilidades financeiras e boa rede social. Isso não impede que tenham frustrações, dúvidas, problemas a superar. Mas na minha percepção do livro mostrou também o quanto ter acesso a boa educação, cultura, idiomas, múltiplas nacionalidades, facilita o caminho, as escolhas e abre oportunidades. Mesmo que tenha toda uma carga de seguirem a história da família e o peso fazerem algo tão relevante quanto seus antepassados. 

Li o livro de mais de 500 páginas rapidinho. Realmente a história e a forma como é contada me envolveu. Sem sombra de dúvidas a parte de Gabriela e sua experiência no pré-guerra, durante e após foi a mais interessante. 


Sinopse: "Parece ficção, mas é tudo verdade: a trajetória das mulheres da família Pascolato, uma das maiores referências no mundo da moda brasileira, é apresentada aqui como um romance cheio de suspense e emoção. Na primeira parte do volume, "Alta Costura", o volume se concentra nos diários escritos pela matriarca italiana, Gabriella Pascolato, ao longo de 30 anos, descrevendo suas angústias de juventude, o casamento e as adversidades enfrentadas na Segunda Guerra, até a vinda da família para o Brasil. Na segunda parte, "Prêt-a-porter", o leitor desvenda os diários de Costanza Pascolato, filha de Gabriella, acompanhando os depoimentos emocionantes de Alessandra e Consuelo Blocker. Uma narrativa surpreendente, em que mulheres fortes confessam suas fragilidades, revelando como reconstruíram laços de família e superaram desafios de toda ordem.".



domingo, 16 de agosto de 2020

A Semana 32 de 2020 - Vigésima Segunda da Quarentena

 

Nessa semana o meu foco ficou mais direcionado a me atualizar e fazer alguns treinamentos online na minha área de trabalho. Com isso acabei fazendo menos de outras coisas, como ler e ver filmes e séries. 

Continuo tentando diariamente sair ao ar livre para me exercitar. Essa prática tem me trazido novos olhares e algumas surpresas.  Tenho observado os lugares já conhecidos com o olhar de quem vê pela primeira e única vez. Acho que parte pelo tempo que fiquei impossibilitada de sair e outra parte pelo medo de ser novamente necessário um isolamento total.

Pedalei pela Lagoa Rodrigo de Freitas.


Relaxei no Jardim da Casa Rui Barbosa.


Continuo no curso de fotografia, moda e arte. Nessa semana o tema foi Art Nouveau, o que me fez relembrar lugares que já visitei e despertou a curiosidade para visitar outros.


Como o foco foi de reciclagem e atualização, fiz dois treinamentos online. Nossa, fiquei impressionada como a minha capacidade de concentração para esse tipo de curso está falha. Demorei muito mais do que as oito horas para concluir o curso. A todo instante eu me pegava dispersa e tinha que voltar a aula. Mas enfim, terminei. Foi muito bom. 


Outro treinamento que realizei e gostei muito. 


Depois de ficar a semana toda no esquema trabalho e curso, eu estava louca por uma distração. Assisti ao filme "A Prima Sofia", uma comédia dramática francesa, com título original "Une Fille Facile". Já tem post sobre o filme no blog. 






Este post faz parte da BC A Semana que tinha sido substituída pela BC #ReolharAVida em 2019 que veio substituir a BC #52SemanasDeGratidão que em 2017 substituiu a BC A Semana que por sua vez já tinha substituído a BC Pequenas Felicidades.




sábado, 15 de agosto de 2020

Lembranças de um Caderno de Lembranças

Na minha adolescência uma das muitas modas era ter caderno de perguntas para as amigas e caderno de lembranças. O Cardeno de Perguntas rolava ao longo do ano. Já o Caderno de Lembranças, no final do ano. Lá deixávamos uma mensagem para a amiga ou amigo. Na verdade era mais uma coisa das meninas. Os meninos até escreviam mensagens nos nossos cadernos, mas raramente circulavam os próprios.

A blogosfera andou fazendo uma releitura dos Cardenos de Perguntas e eu até comprei um para as minhas filhas. Muito fofo! Vale a pena ver neste post AQUI.  Elas gostaram quando viram, e tal, mas não rolou. 

Hoje, no grupo de WhatsApp dos amigos do Segundo Grau (hoje se chama Ensino Médio), uma amiga que achou um desses cadernos da época, o de lembranças, me mandou as fotos da mensagem que eu deixei para ela.



Quando comecei a ler eu nem reconheci a minha letra. Achei que a mensagem era da Fabíola, que eu mantenho contato próximo e diário.


Achei divertida a filosofada e me surpreendi quando vi a assinatura. A mensagem era minha. A letra era minha. Bateu nostalgia.


Eu como uma boa aquariana nunca fui ligada nesses cadernos. Não era desses "romantismos" e mesmo quando cedi e fiz o meu, não guardei. Deixei se perder no tempo, nas mudanças. Mas fiquei com saudade e com vontade de guardado um, pelo menos um. 

Hoje a minha letra não é mais essa. Hoje se eu tivesse que escrever no Caderno de Lembranças da Kátia talvez dissesse que me lembro do jeito alegre e exuberante dela, me lembro das nossas aventuras de Push e Mobilete pelas ruas de Cabo Frio, dos bailes de Carnaval no Tamoyo, de quando fomos nos esconder no Portinho e Praia do Siqueira (sempre de Push e Mobilete) porque estávamos suspensas das aulas. E do nosso início de faculdade quando viemos morar no Rio. Morávamos próximas e ainda nos encontrávamos para compartilharmos as nossas alegrias e problemas (e não tínhamos noção de que eram apenas probleminhas fáceis e básicos. Mas é a partir deles que aprendemos a enfrentar os próximos). De quando nos encontramos, mais tarde, no bar em São Pedro d'Aldeia e eu estava de porre e curtindo uma dor de cotovelo por um pé na bunda e mesmo assim rimos muito juntas das "cagadas" que eu estava fazendo. Enfim, tantas lembranças que essa mensagem no Caderno de Lembranças me trouxeram.  

Que bom que as redes sociais nos encurtam as distâncias e aproximam. Fiquei morrendo de vontade de atravessar a ponte e combinar uma caipirinha em frente a praia com muita conversa e risadas. Promessa para pós-distanciamento.


- Ale Helga, do blog Meus Amores.


BEDA - August 2020


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sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Neurotiquinha Exagerada? BEDA

Eu sempre fui, e ainda sou, pelo menos eu acho, já ando meio em dúvida, uma pessoa do tipo mais otimista e relax. Do tipo tranquilona que acredita que  pensamento positivo atrai coisas boas. 

Então sou daquelas que anda tranquilamente falando no celular pelas ruas do Rio de Janeiro, fazendo fotos e tal, sem medo de ser assaltada e muito menos de ser feliz. Ando por aí com a bolsa aberta (uma amiga fica agoniada e sempre fecha a minha bolsa). 

Em viagens sou aquela que come de tudo e bebe de tudo. Sabe aqueles avisos de: "vai para o México? Cuidado com o Mal de Montezuma! Não bebe água sem ser industrializa!" Pois eu sou das que tem certeza absoluta que esse mal não me pega. Relaxo, aproveito e meto o pé na jaca. 

Tudo no limite da responsabilidade, né? Não iria para a Amazônia sem estar com a vacina de febre amarela em dia. Sou otimista e tal né, mas o meu instinto básico de preservar a vida está em dia. 

Mas esse tal de Corona está me deixando meio reflexiva sobre essa minha característica. Estaria eu ficando neurótica, exagerando, ou os outros é que estão com o senso de preservação em off?

Dois fatos nessa semana me fizeram pensar sobre mim mesma e a minha relação com essa retomada de vida aos poucos. Sigo saindo apenas para me movimentar, pegar um sol, ter um contato com a natureza, manter a mente sã. 

Resolvi marcar um passeio de barco e aproveitar esses dias lindos. Por que me encorajei em agendar o passeio? Porque o barco é totalmente aberto e eu agendei uma passeio exclusivo. Somente eu e a minha filha estaríamos no barco, mais o barqueiro. Estaríamos de máscara, levo o meu álcool para limpar as superfícies de contato, e toalha para forrar os assentos que usaríamos. Nós na frente e o barqueiro atrás mantendo o distanciamento mais do que necessário.

Lá fomos nós pedalando e felizes com o passeio. Chegamos junto com o tal barqueiro que retornava de outro passeio: barco cheio, todos (absolutamente todos sem máscara), barqueiro sem máscara gentilmente dando a mão para cada pessoa descer da voadeira. Desisti! Avisei educadamente que lamentava, mas eu ia cancelar o passeio porque ele estava sem máscara e em contato com várias pessoas também sem máscara. Exagerada eu? Esse vírus tá me deixando neurotiquinha? 



Museu Casa Rui Barbosa, um verdadeiro oásis em plena rua movimentada do bairro, reabriu para visitação seguindo os protocolos. Um lugar ótimo para manter o distanciamento, pois é grande, aberto e pouco frequentado principalmente no horário do almoço. Eu fiquei superfeliz com a reabertura e fui dar uma relaxada. Usar a minha hora do almoço para ficar no jardim lendo um livro.

Chegando lá escolhi um banco no meio do jardim, com uma árvore enorme (um pé de lichia) morada de muitas maitacas, de frente para um laguinho cheio de peixe. Cenário encantador e relaxante. 

Mas na hora de me sentar no banco eu fiquei pensando em quem sentou ali antes, se espirrou em cima do banco, se tossiu e se deixou seus Coroninhas por ali. A neura não foi problema porque além de estar com o meu borrifador de álcool 70 e estava com uma canga na bolsa. Forrei. Sentei. Relaxei. Li ao som da gritaria das maitacas. Delícia.


Acabou o meu tempo disponível, recolhi a minha canga, coloquei no saco plástico e segui meu rumo. Mas fui pensando se essa pandemia mudou o meu jeito relax e otimista de ser. Tá posso até estar meio neurotiquinha exagerada, mas respeitando a mim e aos outros e fazendo o meu máximo.



- Ale Helga, do blog Meus Amores.


BEDA - August 2020


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quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Filme "A Prima Sofia"

 

O cenário de uma praia pequena com águas transparentes e uma promessa de uma comédia francesa era tudo o que eu precisava depois de ter usado o meu horário livre, praticamente a semana todo, para fazer um treinamento online. 

Foi assim que cliquei no botão assistir do filme "A Prima Sofia". Sem ter informações sobre o filme eu até achei que seria um longa com a pegada teen. Mas tudo bem! Eu queria apenas relaxar, contemplar o cenário de Cannes, na Côte d'Azur, e curtir o humor francês.

Filme Une Fille Facile


Porém me surpreendi. Primeiro eu não sei de onde que eu tirei a informação de que se tratava de uma comédia. Tá mais para drama.  


"A Prima Sofia", "Une Fille Facile" como título original, conta a história de Naïma (Mina Farid), uma a jovem de 16 anos que vive em Cannes. As férias de verão iniciam e sua prima Sofia (Zahia Dehar), de 22 anos, chega de Paris para passar as férias.

Sofia, que perdeu a mãe há pouco tempo, tem um estilo de vida que ela chama de liberdade, de espírito livre. Na verdade ela usa a sua beleza, corpo, poder de sedução e até inteligência para seduzir homens ricos e assim aparentar uma vida de glamour. 

Naïma tem valores e princípio diferentes, tendo uma visão mais simples da vida. Está feliz com sua posição social em que a mãe é arrumadeira em um condomínio de luxo, com seus amigos, e suas pretensões para o futuro (apesar de não ter muita certeza ainda do que realmente deseja).


Sofia, a mais velha, de certa forma influencia Naïma. É quando as duas conhecem dois homens ricos de um dos muitos iates que aportam em Cannes que Naïma começa a balançar entre os dois mundos. Afinal, 16 anos é a aquela idade em que as influências podem mudar o seu destino e valores. 




Será que a relação com Sofia, o deslumbramento com bolsas e joias que ganha da prima, vão abalar as relações de Naïma com a mãe, com os amigos? Será que Naïma seguirá o exemplo da prima ou vai se manter em seus princípios e valores? 

O filme aborda muito bem a questão entre classes sociais. Em uma cena em que o luxuoso iate está ancorado e as pessoas que passeiam pelo cais param para admirar, fazer selfies, etc. Phillipe, que na verdade é empregado de Andrès, se sente incomodado com a exibição do luxo e a admiração da pessoas. Chegando a questionar se a ostentação não chega a ser uma forma de violência. A conversa sobre ser rico e ser pobre envereda para a teoria de que um precisa do outro "é preciso ser um pouco pobre para ser realmente rico. E vice-versa. Para suportar a pobreza, você precisa saber que a riqueza existe." Mas qual é a verdadeira riqueza? A de moral e de espírito ou a material? Onde estão realmente os valores? E a liberdade? Será que Sofia se sente realmente livre?

Um filme com cenários belíssimos, bom com entretenimento, mas também com boas reflexões. 

- Ale Helga, do blog Meus Amores.


BEDA - August 2020


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