Domingo. Tempo nublado. Combinei com uma amiga de caminharmos pela manhã. Acordei. Me arrumei. Saí. Cheguei na portaria do prédio vento friozinho foi sentido na pele. Alguns pingos de chuva também. Pensei em desistir. Possibilidades de chuva no caminho. Um mesmo caminho de outras caminhadas. Poucas possibilidades de novidades. Ainda refiz o percurso na minha mente tentando imaginar algo novo que poderia me surpreender naquela rota tão conhecida. Nada. Continuei parada na portaria. Mais um vento fresco sentido na pele. Sensação boa de estar ao ar livre, fora das paredes.
Vou caminhar. Sentir o vento, respirar o ar fresco mesmo através da máscara, ver o sorriso da amiga mesmo que apenas nos olhos e até sentir a chuva se ela caísse já valeria a pena a caminhada mesmo que fosse pelas mesmas ruas.
Encontrei a amiga, caminhamos, atravessamos o bairro, chegamos em outro, fizemos a primeira mesma parada. Ela estava diferente. A chuva acumulou água que possibilitou reflexos. Reflexos que possibilitaram novos olhares. Novos olhares que possibilitaram reflexões.
Seguimos o nosso mesmo percurso. Em determinado momento nos demos conta que no caminho tinha uma ladeira e que nunca, nem uma de nós duas, tínhamos passado naquela rua. Resolvemos seguir por ali. Surpresas. Vista linda. Novo caminho. Novos olhares.
Já seguindo o nosso caminho de volta e comentando como foi bom ter descoberto a ladeira, ter nos permitido mudar o percurso, após passar pela mesma praça de sempre e chegar na mesma calçada de sempre, vimos um pai saindo com dois filhos do mesmo portão que já tínhamos passado por ele diversas vezes.
Esse pai com seus filhos despertou a nossa curiosidade para ver o que tinha além daquela verde que beirou a calçada em muitas das nossas caminhadas. Essa cerca abriga uma área de preservação do verde e de plantio de mudas para reflorestamento de áreas da cidade, a Área Verde Senhor dos Milagres da Ramon Castilla.
Entramos pelo portão. A sensação de ter atravessado um portal que nos levou para um ambiente de paz e tranquilidade.
Quando desligamos o piloto automático e nos permitimos um olhar curioso podemos encontrar surpresas, nos encantar e ativar os sentidos.
Terminei a caminhada muito agradecida a mim mesma por não ter desistido.













































