Entrei na livraria rapidamente com foco e objetivo de comprar o livro "Uma Terra Prometida", do Barack Obama. Mas no caminho para o caixa uma capa amarela com o título "Na Corda Bamba" chamou a minha atenção.
Muitas vezes me sinto na corda bamba equilibrando todos os papeis da vida de mulher dos tempos atuais, me sinto na corda bamba pela instabilidade do mundo ao redor. Assim eu fiquei curiosa pela história que levaria àquela corda bamba.
O comentário na capa me fez decidir trazer o exemplar para casa: "Um livro sobre racismo, riqueza e divisão de classes. De forma sutil, ilustra como o racismo estrutural se manifesta e como acabamos perpetuando-o no dia a dia.".
Li o livro no embalo! A a escrita leve e fácil me conduziu pelas páginas sem eu perceber o tempo passar, a sensação de que os personagens eram pessoas reais me envolveu.
A história segue o período de vida em que os caminhos de Emira Tucker e Alix Chamberlain. Se cruzam. Emira é uma mulher negra de 25 anos de Sewell Bridge, Maryland, prestes a fazer 26 anos e perder o direito de ser dependente no plano de saúde dos pais. Isso significa que ela precisa encontrar um caminho na sua vida. Ela trabalha meio período como digitadora, mas ainda não sabe se é essa a profissão que quer seguir. Enquanto luta para encontrar seu lugar no mundo, na tentativa de complementar a sua renda, Emira se candidata a uma vaga de babá.
Alix é uma mulher branca de 30 e poucos anos, casada, mãe de duas filhas, que mora em Nova York. Onde tem uma vida confortável e uma carreira promissora como blogueira e influenciadora. Até que Peter, seu marido, recebe uma oportunidade de emprego melhor, na Filadélfia. Chegando lá Alix precisa contratar como babá para sua filha de 3 anos, Briar. Apesar de ser Alix ser privilegiada, rica, e viver sua vida de sonho, ainda se sente insegura sobre si mesma
Aí que Emira bate à porta de Alix. A vida das duas se cruzam e vamos sendo apresentadas a cada um dos personagens e suas motivações.
É quando Alix tem uma emergência familiar e recorre a Emira (que está vestida com roupas de festa) que a babá é falsamente acusada de sequestrar Briar, que Alix fica obcecada em fazer as coisas certas para Emira, em estreitar a relação e fazer amizade com a babá de sua filha.
Neste momento somos apresentados a Kelly que não somente estava presente no episódio na mercearia, como filmou todo o corrido. Outro personagem que resolve fazer o melhor, no ponto de vista dele, para Emira.
Mas será que a intenção de Alix e Kelly é realmente fazer o melhor para Emira ou para interesses próprios? Não estariam, Alix e Kelly, usando seus relacionamentos com Emira para provar a si mesmos que são pessoas justas e honestas? São questionamentos que vão sendo levantados no decorrer da história.
Enquanto Emira luta para encontrar a identidade própria sem a intervenção de pessoas brancas, vamos sendo apresentados a alguns dos preconceitos raciais e comportamentos microagressivos que não chegam aos noticiários todos os dias.
Em paralelo tem a Brian. Own... que fofura! A pequena Briar de dois anos, a personagem mais cativante do livro. Sabe aquela pessoinha que enche o coração de alegria?! É essa garotinha e seu relacionamento com Emira era lindo.
Gostei do livro! Achei a história instigante, com temas realistas e que precisam ser discutidos. Eu mesma não tinha ouvido falar de complexo de branco salvador e fui pesquisar sobre o assunto, após a leitura. A forma sutil como as questões raciais e de divisão de classes são mostradas nos faz Faz você parar e pensar de muitas maneiras. Gostei da escrita, do desenvolvimento dos personagens e da progressão da história.
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