sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Filme Kursk - A Última Missão

A mesma pessoa claustrofóbica que assistiu ao terror claustrofóbico "Ameaça Profunda", no dia seguinte atreveu-se conferir o filme francês-belga "Kursk - A Última Missão". Foi a sensação de superação por ter sobrevivido ao primeiro filme. E valeu a pena.

Baseado em história verídica e adaptado do livro “A Time to Die”, de Rober Moore, o thriller dramático e traz uma versão do acidente que afundou o emblemático submarino russo K-141 Kursk, movido a energia nuclear. Fato histórico que ocorreu no dia 12 de agosto de 2000 no Mar de Barents.

A tropa russa do Mar do Norte se lança ao mar em execício militar. Nessa época a Rússia já não está mais nos seus áureos tempos e os equipamentos bélicos sofrem com a crise. Estão obsoletos e sem manutenção. Mesmo diante desse risco (ou negligência, como o filme mostra) o submarinho Kursk imerge em águas geladas para um exercício de lançamento de ogivas nucleares. Um grave acidente ocorre durante o exercício que leva a destruição de grande parte do Kursk e afundamento do mesmo. Grande parte da tripulação de 110 homens morre, porém 23 marinheiros sobrevivem e lutam pela vida na cabine principal.

O resgate pela Marinha Russa tem falhas devido aos mesmos equipamentos desgastados, avariados e sem manutenção, enquanto os sobreviventes lutam contra o tempo dentro do submarino liderados pelo capitão-tenente Mikhail Averin (Matthias Schoenaerts). Em paralelo a Marinha Inglesa, liderada pelo almirante David Russell (Colin Firth) tenta oferecer ajuda.

Em terra os familiares dos marinheiros luta por informações e para que as autoridades russas tomem as atitudes focadas nos seres humanos e não em estratégias bélicas. 

O filme equilibra muito bem os momentos de tensão no fundo do mar com as cenas fora do mar divididas entre a luta dos familiares e as estratégias governamentais. Nesse aspecto é muito bom. Torcemos pelos sobreviventes, admiramos as lições de liderança do capitão-tenente Mikhail, sentimos o pânico e a claustrofobia de um dos tripulantes, vibramos e nos emocionamos com a aflição dos familiares mostrando que guerra envolve muito mais do quem está em batalha, nos indignamos com o orgulho e a negligência da autoridade Russa.

Por outro lado achei o filme ainda bem tendencioso, ainda naquela linha de épocas de guerra fria querendo mostrar os russos como comedores de criancinhas. Mostra as famílias do marinheiros russos vivendo em conjunto habitacionais, em apartamentos pequenos e prédios sem manutenção. Traz foco para instalações deterioradas da Marinha Russa. Por mais que saibamos que a Rússia estava em crise, sem dinheiro, que os tempos de comunismo deixaram rastros, fiquei na dúvida se eram cenas que mostravam a realidade ou "com apelo poético" para uma certa indução de pensamentos. Outro ponto foi colocar o almirante inglês David Russel interpretado pelo charmoso e carismático Colin Firth em uma caracterização generosa, inteiro (atual), sem nenhuma segunda intenção que não seja salvar homens independente da nacionalidade e até correr risco em função desse ato. Enquanto no contra ponto o almirante russo Vladmir Petrenko foi interpretado por Max Von Sidow em uma caracterização arrogante, um homem velho (ultrapassado), que coloca a defesa de segredos russos ultrapassados na frente de salvar as vidas dos homens que deram a vida por sua pátria. 

Achei que mais do que apresentar uma versão verdadeira e com toque autorais, de trazer questões como a relação entre a população e a comunidade, mostrar o poder da voz das mulheres, questionar a quem a guerra afeta e interessa, o filme acabou caindo na politicagem e em uma visão tendenciosa. 

De qualquer forma é um filme que vale a pena ser visto mesmo para quem é fraquinha, como eu, para filmes que tragam temas claustrofóbicos.  


Sinopse - "Agosto de 2000. O submarino nuclear da marinha russa Kursk é naufragado durante um exercício nas águas do mar de Barents. Um desastre que é seguido por uma negligência acentuada do governo internacional que reúne olhares de todo mundo. Enquanto 23 marinheiros lutam para sobreviver presos dentro do submarino, suas famílias enfrentam desesperadamente os obstáculos políticos e a baixa probabilidade de resgatá-los.".


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quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Filme Ameaça Profunda



Imagina uma pessoa claustrofóbica e que pula 3 metros na cadeira a casa sustinho de qualquer filme de suspense, que morre de medo de filmes de terror. Aí se pergunta o que essa pessoa está fazendo na sala de cinema para assistir a uma espécie de Alien que substitui as alturas do espaço sideral pelas profundezas das fossas marinhas.

Foi o que eu me perguntei assim que começou a música de abertura do filme “Ameaça Profunda” que estreia hoje, dia 09 de janeiro, no circuito. Juro, achei que não ia conseguir ficar até o final, mas consegui e não foi tão aterrorizante assim, apesar de ter dado uma meia dúzia de pulos na poltrona. 




“Ameaça Profunda” conta a história de seis sobreviventes de um laboratório de pesquisa localizado a 11 mil metros no fundo do mar que é praticamente destruído por um misterioso e estranho terremoto. Após o terremoto a única área da instalação submarina que não foi destruída está sendo inundada, sem comunicação e sem possibilidade de sobrevivência. A única alternativa para a tripulação é atravessar o fundo do mar e alcançar uma plataforma de petróleo abandonada. Não bastasse todos os riscos inerentes a uma caminhada naquela profundidade, é no percurso que eles descobrem a existência de uma espécie totalmente desconhecida. E esses seres não são nada amigáveis, pelo contrário, são monstruosos predadores marinhos. 

O filme, no estilo terror claustrofóbico, na verdade cumpre bem o seu papel, não é muito longo, é frenético, com muita ação, vai direto ao ponto. Tem um elenco de peso que convida o público a assistir: Kristen Stewart (que para mim é sempre a Bella da Saga Crepúsculo em qualquer papel que ela faça, mas aqui está fazendo da Norah uma quase Ripley), T.J. Miller, Jessica Henwick e Vincent Cassel.
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terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Livro Jantar Secreto


Entrei em uma livraria com a minha filha e ela pegou o livro "Jantar Secreto" dizendo que estava doida por esse livro. Já tinha lido outras publicações do autor e adorou. Inclusive, tem um dos livros dele que é indicado como leitura na escola.  

Levamos o livro pra casa. A Ana Luiza deitou no sofá e passou o final de semana com ele nas mãos. Leu do início ao fim em uma tacada só e me recomendou a leitura. Acabei fazendo o mesmo. Li de uma única vez. Comecei e não consegui parar. 


Já no primeiro parágrafo: "Na madrugada do dia 18 de junho de 2016, um homem entra na 15a DP do Rio de Janeiro, no bairro do Jardim Botânico, e pede para falar com o delegado de plantão. Suas mãos tremem, mas ele mantém o olhar firme. Veste um smoking ensopado de sangue", o tom de suspense envolve o leitor.

O livro com a história de quatro amigos que deixam a sua pequena cidade no interior do Paraná e vão fazer faculdade no Rio de Janeiro. Felizes com a conquista da suposta independência e cheios de sonhos para um futuro brilhante. Porém, depois de algum tempo já cursando a tão sonhada "facul" e vivendo na promissora Cidade Maravilhosa, a situação do país não ajuda e o rumo das vidas de Dante, Miguel, Hugo e Leitão segue diferente do ideal de liberdade financeira. 

Diante de uma dificuldade financeira, da possibilidade de verem todos os seus sonhos e planos irem por água abaixo e, pior ainda, tendo como alternativa retornar para Pingo d'Água, os quatro amigos precisam ser criativos, empreendedores e correrem algum risco.

É neste momento que juntando as habilidade individuais surge a ideia de preparar um jantar comum para arrecadar dinheiro já que Hugo é um exímio chef de cuisine. Leitão, responsável pela divulgação, resolve fazer uma brincadeirinha e propor um jantar com um ingrediente inusitado: as melhores carnes humanas do mercado do Rio de Janeiro. 

A partir daí o suspense realmente envolvente, absorve, faz pensar, incomoda no bom sentido, choca e até lembra cenas no melhor estilo Quentin Tarantino. 

"O paladar é o único sentido isento das questões éticas que governam os demais. Imagine um performer que mutila um animal numa galeria de arte ou um músico q tortura um animal, porque acha o som agradável... Casos impensáveis! Ainda assim, há anos, nós matamos, mutilamos e torturamos animais simplesmente porque eles são saborosos. As pessoas toleram muito sofrimento em sua comida. Em nome do paladar, tudo é possível, meu amigo".

A narrativa ocorre em primeira pessoa de forma fluida e em tom de relato de confissão, repleto de elementos cotidianos e de pontos de identificação principalmente para quem mora no Rio e conhece as ruas de Copacabana onde grande parta de história acontece. Tem momentos de texto como a  transcrição de uma conversa de Whatsapp, diversas referências da cultura pop e trechos de poemas supostamente escritos em portas de banheiro público (aqueles que realmente podemos encontrar por aí). Tudo isso dá a narrativa um tom realidade que faz nos sentirmos dentro a história.






O livro traz uma crítica a situação do país, um paralelo com a crise que vivemos a partir de 2016 no Rio de Janeiro quando a expectativa era de crescimento e na verdade desabamos em índice de desemprego. Mas acima de tudo faz uma crítica a fomo como lidamos com a comida. Até onde somos capazes de ir pelo movidos pelo instinto de sobrevivência e até onde somos capazes de ir movido pelo desejo. Será que necessidade de sobrevivência e desejo têm limites diferentes?


Sinopse: "Um grupo de quatro jovens deixa Pingo d'Água, uma cidadezinha no interior do Paraná, para estudar no Rio de Janeiro. Eles dividem um apartamento em Copacabana e fazem o possível para alcançar seus sonhos na cidade grande. Dante, o narrador, trabalha como vendedor numa livraria e cursa administração. Leitão, um hacker de humor escrachado, frequenta aulas de ciência da computação, mas prefere mesmo jogar video game e comer pizza. Miguel, o certinho do grupo, estuda medicina. E Hugo é um aspirante a chef e dono de uma vaidade sem limites. Em meio às dificuldades de pagar o aluguel e conseguir um bom emprego em um país em crise, os quatro amigos têm uma ideia para finalmente ganhar dinheiro: realizar jantares secretos para clientes ávidos por uma aventura exótica. Mas o que começa como brincadeira de repente assume proporções inimagináveis. Eles mergulham num sufocante caminho de desconfiança, paranoia e ambição, assumindo uma índole perversa que jamais imaginaram possuir. Passando por matadouros clandestinos, grã-finos excêntricos e uma espiral de crimes, Jantar Secreto une humor negro e suspense numa trama hiperbólica, misto de fábula sobre a violência e retrato de uma juventude sem rumo.".




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segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Projeto #100em1 - Copacabanando


Era sábado. Todos dormiam na casa. Os que estavam em casa. Enquanto eu na sala, já acordada desde cedo, pensava na lista de afazeres: feira, comprar pão para o café da manhã que iria acontecer na hora do almoço, ir ao mercado vegano comprar coisas para a filha, etc. Todos os itens se referiam a família como um todo. Nenhum específico para mim. Lembrando da família. Esquecendo de si. 

Meio na preguiça de tomar uma atitude, sentada no sofá "zapeava" pelas redes sociais até que chega uma mensagem de uma amiga no Instagram: "Saudades. Sonhei com você. Se for na Feira do Lavradio, me chama.". Meio de impulso respondi: "Vamos. A que horas te encontro e onde!".

Imediatamente após a resposta dela titubeei. Fiquei na dúvida se deveria mesmo ir, deixar a família em pleno sábado. Lembrando da família. Esquecendo de si. 

Mesmo com uma culpa pesando, olhei o relógio e vi que daria tempo de fazer as unhas antes do encontro. Lembrei de mim. Espanei a culpa dos ombros e parti para o salão. 

Como chovia levemente no Rio naquele fim de manhã de sábado trocamos a ida à Feira do Lavradio por um barzinho em Copacabana. Bem ao lado de uma Casas Pedro. Entrei no empório e comprei os itens veganos da filha. Atenuei mais ainda a minha culpa, afinal mesmo cuidando de mim eu ainda estava cuidando deles. Cheguei no bar às 12h47min conforme combinei com a minha amiga. Saquei o celular para fazer a foto da hora no relógio digital que fica em frente ao tal bar. Mas nesse tempo de pegar celular, digitar senha, entrar na câmera, os segundos pularam para 12h48min. Esquece foto. Senta. Relaxa. Conversa. Ri. Ouve confidências. Desabafa. Come empada aberta de siri. Bebe caipivodka de caju. Lembra de si. Não esquece a família. Esquece que não tinha tomado café da manhã.

A caipvodka no café da manhã faz efeito. Para amenizar, a amiga convida para ir em uma padaria ali perto que tem doces maravilhosos. Eu adoro uma padaria e uma novidade, gostei da ideia. Fui conhecer o local com nome de cereal utilizado desde o Egito antigo e cultivado durante séculos na região do Mediterrâneo, Farro.

Na entrada, em plena Nossa Senhora de Copacabana, meus olhos brilharam e a boca salivou com tantas delícias expostas. Explosão de cores e sabores. Decidi ali no balcão de entrada que experimentaria esse tal cruffin que eu nunca tinha ouvido falar. 


Entrando no espaçoso salão térreo do sobrado de três andares, com as pernas meio moles pelo efeito da caipivodka, com a boca desejando o sabor do doce, com a cabeça pedindo um café, com o coração aquecido pelo efeito da amizade e a alma satisfeita por estar fazendo algo por mim, fui me encantando com o ambiente. 


O meu pedido, cruffin e capuccino, chegou e o sabor me fez lembrar da viagem que fiz com a minha mãe a Praga. Sabor traz memória. Comida realmente conecta. Conecta lembranças, sentimentos, emoções, laços.


O pedido da minha amiga chegou. Sonho. Me lembrei da infância. Da padaria na praça de São Pedro d'Aldeia. Do pão quentinho e do sonho que o Seu Terrinha me dava sempre que eu ia lá e ele estava no balcão. Época em que eu sonhava com aqueles sonhos.


Saboreei o momento, o inesperado, a novidade, a companhia.


É bom comer bem, é bom estar em boa companhia, é bom se permitir.


Agradeço a minha amiga pela saudade, pelo convite para Copacabanar, por trocamos o café da manhã pelo almoço e vice-versa, por me tirar da rotina, por me ajudar a varrer a culpa, por me empurrar a lembrar de mim. 


Lembrei de mim, mas não esqueci da família.

A Farro faz, além dos doces e cafés, bufê de almoço e pizzas em pedaços, uma panificação em que entram sal, água e farinha. Pães deliciosos. Escolhi um bem vegano para levar para casa.

Esse momento delicioso de estar comigo em ótima companhia conhecendo um lugar novo e me recarregando de energia foi possível porque eu abri os meus olhos para a oportunidade que surgiu na minha frente e me conectei com o que eu realmente queria para a minha manhã de sábado enquanto todos dormiam.

Estar atenta a esses pequenas chances que a vida oferece nos possibilita ver que a vida pode ser estimulante a qualquer momento e mesmo nas ocasiões mais simples e inesperadas. Essas pequenas oportunidades aparecem para nós diariamente disfarçadas de pessoas e situações. Precisamos estar com os olhos abertos para percebê-las, abraçá-las e até procurá-las, se for o caso, bem ao nosso redor.

Esse é o segundo post do  projeto #100EM1 que consiste em visitar 100 lugares no período de 1 ano e vi no blog Parafraseando com Vanessa. Achei que o projeto é uma ótima oportunidade para nos estimular a sair da rotina, buscar o novo, trazer aprendizado e reflexões.

Outros posts do Projeto #100em1






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quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Projeto #100em1 - Trilha da Pedra do Telégrafo


Eu via as fotos no Instagram e ficava babando. Mas por ser aqui no Rio e estar à disposição eu acabava deixando o passeio para depois. Por outro lado, apesar de ser na cidade, não é tão perto assim. Outro motivo pelo qual a Pedra do Telégrafo, mesmo com todo o seu encanto, perdia o seu lugar na lista de prioridades.

Até que ao acompanhar o perfil de um artista do Cirque Du Soleil acabei caindo em outro perfil de outro artista do mesmo grupo. E me surpreendi. O cara é belga, viaja o mundo todo, tem fotos em lugares fantásticos, mas a foto do perfil dele, a escolhida, é no que seria a Pedra do Telégrafo. Mais uma vez constatei que o ponto turístico da vez no Rio de Janeiro é realmente imperdível. E eu estava perdendo. 

Juntando a isso, a Ana Luiza recebeu em nossa casa um amigo vindo do Espírito Santo para conhecer a Cidade Maravilhosa pela primeira vez. Pronto! Foi a deixa! Acabaram-se os motivos para adiar o passeio! Incluímos a Pedra do Telégrafo no roteiro. E mesmo com a expectativa lá no alto, nos surpreendemo muito positivamente. 


Como eu disse, a Pedra do Telégrafo não é tão pertinho assim, pelo menos, pra mim. Ela fica localizada no Parque Estadual da Pedra Branca, a 354 metros de altitude no topo do Morro de Guaratiba. O que significa que teríamos uma distância a percorrer e um caminho a trilhar.

Pesquisamos e daria sim para irmos sozinhos, mas preferi o conforto e contar com a experiência de um guia. Acho legal incentivar o turismo local, apoiar quem trabalha na área e me livrar de possíveis roubadas. Encontramos o Fernando do @pedra_do_telegrafo que além de guia é fotógrafo. Uma mão na roda! Sério, tirar foto dessa galera jovem que fica gerando mídias não é fácil não! Eu já fico tensa!

Bom, guia fechado, data e horário agendados! Iríamos sair de casa às 6h30 da manhã para chegar ao cume ainda relativamente cedo e não pegar muita fila para fazer as tais fotos que bombam. Na véspera o nosso guia manda uma mensagem sugerindo reagendar a saída para às 5 horas da manhã. Isso mesmo! Escrevi certo. Por que esse exagero? Porque a fila para fazer as fotos tem ficado enorme. Mas enorme em um nível inacreditável. Mais surpreendente do que a vista que temos lá de cima.

Um ponto positivo para termos marcado com o guia: sem ele sairíamos de casa por volta das 7 horas da manhã achando que estávamos madrugando e provavelmente chegaríamos no topo em tempo de pegar mais de quatro horas de fila.

Saímos às 5 horas da manhã em direção à Barra da Tijuca. Como nesse horário não tinha trânsito nenhum, fizemos o percurso pela orla curtindo todo o visual do início da manhã nas praias da Barra, da Reserva, Recreio, Macumba, Prainha, Grumari até chegarmos a Barra de Guaratiba. As praias estavam tão vazias nesse horário que deu até vontade de desistir da trilha e ficar por ali mesmo. Mas seguimos a nossa meta.

Em Barra de Guaratiba seguimos pela Estrada Roberto Burle Marx até o final. Ao invés de pararmos lá embaixo, o nosso guia já tinha um acordo com um estacionamento bem na subida da trilha. Sabe aquele último local que dá para estacionar, o mais perto possível do início da trilha?! Era a vaga reservada para o nosso guia.

Mais um ponto para estarmos com o guia: economizou estresse para conseguir vaga, poupou nosso tempo de caminhada, nossa energia e nossa panturrilha. Essa parte inicial, que nem é a trilha ainda, é justamente a mais íngreme e mais cansativa do que a trilha em si.

Mesmo com um bom trecho de rua poupado ainda subimos a última ladeira até a cerca de entrada na trilha. Nesse ponto tem um quiosque que vende sacolé, Gatorade, água, refrigerante, etc. Como chegamos bem cedo ele ainda estava fechado. Não foi problema para nós, pois estávamos abastecidos de garrafas com água.

A Pedra do Telégrafo bombou apenas nos últimos anos, mas a trilha é das antigas por ser a mesma que dá acesso a trilha para as cinco praias selvagens da região.

Como agora pedra instagramável anda famosinha nas redes sociais, o movimento está intenso e com isso a trilha principal até o topo está bem aberta, larga e com sombra. Porém é preciso prestar atenção nas bifurcações que levam até as trilhas para as praias e nas marcações do símbolo da pegada pintado nas pedras e nas árvores.

O início da trilha é de subida, subida e mais subida. Depois melhora um pouco com os trechos de subida intercalados por pequenos trechos planos.


Quando pensamos em desistir, se pensarmos nisso em algum momento, se abe a nossa frente um visual que estimula e incentiva a seguimos em frente e darmos os próximos passos.


Quando alcançamos cerca de 70% da trilha chegamos ao Mirante do Telégrafo com uma vista sensacional da Restinga de Marambaia. Por mais que seja tentador parar ali para fazer fotos nesse momento de cansaço, a dica é seguir em frente e deixar as fotos para a volta. Lembre-se da fila para fazer as fotos na "pedra principal".


Mais alguns metros acima e gotas de suor abaixo.


Chegamos em outra bifurcação com duas pedras que proporcionam vista deslumbrante. Mais uma vez a dica é: deixe essas fotos para depois das fotos do precipício.


Siga a seta em direção a Pedra do Cavalo. Mas como assim? Não estamos indo para a Pedra do Telégrafo? Sim e não. É que a pedra famosinha é uma outra pedra localizada mais abaixo da pedra do telégrafo. Por isso que no início desse post eu me referi ao que seria a Pedra do Telégrafo. O nosso foco principal e a nossa corrida contra a fila que só aumenta é chamada de Pedra da Bigorna também conhecida como Pedra do Cavalo e Pedra do Abismo. Cheia de apelidos, né?

A partir daí é só descida até chegarmos no nosso ponto. Nós chegamos exatamente às 7h31min e a fila estava com cerca de 20 pessoas na nossa frente. Não fiz foto da fila, mas pela lente dos meus óculos dá para ter uma ideia.


Fiquei tão deslumbrada com o visual que nem senti a uma hora de espera na fila passar. Cercada por mata verde com três (Praia do Meio, Praia Funda e Praia do Inferno) das cinco praias selvagens abaixo, seguida por Grumari, a vista ainda alcança as Praias da Macumba e do Recreio e a Pedra da Gávea ao fundo. Um visual que nem a mais perfeita do profissional mais capacitado consegue retratar.


Além de desfrutar da vista, fazer algumas fotos na parte da pedra que não atrapalha quem está na vez, é bom aproveitar o tempo de fila (se for razoável) para ter ideia das poses que vai fazer na sua vez. No nosso caso, o guia era fotógrafo que já trabalhou por três anos como fotógrafo na pedra.

Outro ponto positivo de ter o guia: ele sabe se posicionar e dar dicas das melhores poses para as fotos terem os efeitos esperados.


Mesmo quem tem medo de altura consegue fazer as fotos. É que na verdade, é tudo uma questão de  enquadramento da foto. 


 Embaixo da pedra tem um espaço relativamente grande e que dá pra ficar em pé. Nessa foto abaixo (esqueçam a barriga e foquem nos pés de bailarina), por exemplo, eu estava em pé na plataforma e apenas pulei tocando os calcanhares nas nádegas. 


Feitas as nossas fotos individuais em em grupo


Liberamos espaço para a fila andar e seguimos o nosso caminho de volta. Aí sim passamos na verdadeira Pedra do Telégrafo que tem uma corda para quem quiser se aventurar na subida. Juro que tentei, mas não senti muita firmeza na tal cordinha não. Então apreciamos o visual no entorno dela.


A Pedra do Telégrafo tem esse nome por ter servido de instalação militar na Segunda Guerra Mundial. Ali era um ponto de observação e as mensagem eram transmitidas por equipamentos de telégrafo.

Fizemos o caminho de volta agora sim parando em todos os mirantes, nos encantando com o visual, descansando e fazendo mais fotos.


Não é uma trilha fácil, mas também não é difícil. Eu levei cerca de 50 minutos fazendo devagar, parando brevemente para respirar. Apesar de ser na sombra é importante levar água porque fica quente mesmo com a brisa do mar. No topo tem o fotógrafo que cobra 10 reais por três fotos e dois ambulantes que vendem água e açaí. No horário que eu fui apenas o fotógrafo já estava lá. Encontrei com os vendedores de água e açaí enquanto fazia a descida.

Valeu muito a pena ter feito a trilha e desfrutado desse ponto turístico do Rio de Janeiro. Dá para fazer a trilha sozinha sim. Muitas pessoas fazem dessa forma, inclusive turistas estrangeiros. Porém eu vejo vantagem em ir com um guia, pelo menos na primeira vez.

Para aproveitar mais o dia voltamos parando nas praias que já estavam bem cheias. Fizemos uma parada em Grumari.


Na Prainha


Na Praia do Secreto


Passamos no Recreio para mostrar os jacarés para o nosso hóspede capixaba que não acreditou que em uma passarela qualquer de uma rua qualquer de um bairro de uma megacidade como o Rio de Janeiro, os jacarés são figurinhas fáceis.


Finalmente a última parada para mergulho na Praia da Joatinga.


Como o Mirante do Joá estava no nosso caminho de volta, mesmo exaustos fizemos uma parada para contemplar a vista. Afinal as paisagens da Cidade Maravilhosa nunca cansam a vista.



Esse post vai ser o primeiro do projeto #100EM1 que consiste em visitar 100 lugares no período de 1 ano e vi no blog Parafraseando com Vanessa. Achei que o projeto é uma ótima oportunidade para nos estimular a sair da rotina, buscar o novo, trazer aprendizado e reflexões.

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