Hoje deveria ser post da semana, mas como eu sou ótima de mudar o meu planejamento e só consigo postar o que estou com vontade de contar no exato momento em que começo a teclar, vou falar da minha pedalada nessa manhã de domingo nublado no Rio de Janeiro.
Saí pela manhã para me movimentar. Apesar do dia nublado, dos resquícios de chuva forte nas ruas, acredito que é sempre possível encontrarmos belezas. Basta olhar com esse foco, reduzir o ritmo, desacelerar e parar para contemplar.
Entre tantas possibilidades de contemplar belezas no Rio de Janeiro, hoje eu escolhi a Lagoa Rodrigo de Freitas. Com certeza a caminhada nos permite olhar com mais atenção, perceber mais detalhes. Mesmo assim eu escolhi fazer o passeio de bicicleta o que me permitiria um percurso maior. Seria como andar a pé com mais agilidade.
A primeira cena que me despertou o olhar foi a tranquilidade e a paz desse pescador em seu barquinho. Do meu ponto de vista, ele ali entre as árvores, tão próximo e tão distante, tão alheio ao movimento ao redor e tão conectado com a natureza me fez admirar a cena, parar, registrar, cantarolar o refrão da músico "Pescador de Ilusões" e pensar que valeu a pena sair de casa nesse domingo nublado e preguiçoso.
Segui meu caminho com calma e olhar atento ao redor. Avistei uma árvore bem florida. Eram muitas flores brancas. Ao longe me fez lebrar um palco cheio de bailarinas que executavam alguma coreografia com seus tchu tchus. Mas de perto não consegui um ângulo que registrasse esse semelhança que eu enxergava. De qualquer forma a imagem me levou para a frase de Carlos Drumond de Andrade: "Entre a raiz e flor há o tempo".
Quantas cores temos em um dia cinza?
Seguia pedalando com calma, atenta ao redor, querendo absorver a paisagem, a natureza, as histórias que aconteciam naquela calmaria. Passei por um casal no exato momento em que o homem falava: "falei e estou desfalando". Adorei. Parei nesse deck com a frase dele me fazendo pensar. Realmente podemos e devemos "desfalar" nossas falas. Podemos mudar de opinião. Isso é crescer, aprender.
Quantas falas já desfalei, quantas ainda irei desfalar, e quantas falas desfalaria se me lembrasse que falei um dia. Ri com esses pensamentos.
Fui adiante olhando reflexos e com reflexões em mente.
Procurando estar no presente, sentir o momento. Quero pensar no passado, no futuro, deixo a mente flanar até voltar ao presente para que eu possa seguir o caminho.
Paro nesse ponto. Aqui tem um deck ótimo para contemplar a paisagem.
Sento para ver a vida acontecer. Sempre tem algo simples acontecendo. Sempre tem movimento. Deixo o tempo fluir. Leio algumas páginas do livro, paro ao ouvir um peixe pular, volto à leitura, paro ao perceber o movimento de um pássaro, retorno à história do livro, paro para ouvi a história de pessoas que se aproximaram.
Observo o fluxo, absorvo o clima.
Estou concentrada na leitura quando ouço um criança no deck ao lado falar bem alto: não atira no pássaro! Meio no susto, descolo os olhos do livro e percebo de imediato que o meu olhar alcançou o mesmo ângulo do olhar da criança. O mesmo ponto de vista, provocam sentimentos diferentes.
Tive que rir e registrar. E seguir nesse dia cinza mas com muitas cores e percepções.
O simples e o extraordinário estão muito próximos. Ali, juntinhos, no nosso cotidiano só esperando para serem captados e valorizados por nós, para nós.
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