terça-feira, 28 de junho de 2016

Templo Budista Zu Lai - Um dia Zen em São Paulo



Passei um final de semana em São Paulo com a minha filha e aproveitamos para conhecer o templo budista Zu Lai, na que fica em Cotia. É bem perto de São Paulo e chegamos rapidinho. Passamos a manhã no templo conhecendo um pouco mais pouco mais sobre o Budismo e acalmando nossa mente. O lugar respira tranquilidade.

Assim que chegamos, ainda na área do estacionamento, somos recebidos por essa imagem do Buda sorridente e sereno transmitindo simpatia e acolhimento.



Após deixarmos o carro no estacionamento caminhamos acompanhando o muro de entrada encrustado de estátuas coloridas lindas de ver.



Passando pelo portão nos deparamos com a mesma imagem do muro, mas em tamanho maior.


Seguindo em frente mais uma surpresa! O Jardim dos 18 Arhats. Os Arhats (merecedor, honrado, digno, valioso) são monges iluminados que perceberam as verdades do “não eu”. A diferença entre um Arhat e um Buda é que o Buda alcança a iluminação por si mesmo, enquanto o Arhat atinge-a por seguir os ensinamentos de outrem.

As esculturas em pedra sabão superinteressantes.


E muito ricas em detalhes.


Depois de maravilhadas com o jardim e as esculturas seguimos a escada para entrada no tempo. Como eu estava lendo o livro “Manual de Limpeza de um Monge Budista” eu sabia que o caminho de acesso ao tempo é um espaço para a pessoa preparar o espírito para o momento do encontro com Buda. Então, até tentei entrar nesse clima.

Mas após passar pelo portal com arquitetura típica oriental chegamos a um pátio enorme com árvores bem cortadas ao redor e a sala do Grande Herói ao fundo. É nessa sala que podemos entrar para meditar e assistir à cerimônia religiosa, respeitando todas as regras de conduta do Budismo, é claro.

No pátio eu participei de um exercício junto com o pessoal do templo. Não sei exatamente qual exercício foi esse, só sei que foi muito tranquilizante executar os movimentos com calma, bem lentamente.


Subimos as escadas que levam ao templo principal observando os detalhes da decoração do corrimão de madeira com as flores de lótus entalhadas. Chegamos ao incensário local para agradecimento e prece.



Recebemos gratuitamente o nosso incenso e uma orientação de como fazer o ritual de agradecimento.


Deste ponto do incensário conseguimos ver o altar do salão de meditação com o Buda feito em pedra de Jade e as oferendas. Daqui podemos fotografar, mas lá dentro não é permitido.



Caminhamos pelo templo que é o maior da América Latina observando os detalhes, impressionadas com a limpeza e encantadas com a tranquilidade. Fizemos uma visita ao museu, entramos na lojinha, passamos em frente a cafeteria e observamos o altar lindíssimo da sala em memória aos antepassados (O nosso cemitério. Esta sala que guarda as cinzas dos ancestrais tem entrada proibida ao público como forma de respeito). Tem um restaurante vegano que serve comida feita pelos próprios monges e uma área com parquinho infantil.

Vale a pena olhar bem e ficar atento aos detalhes. Lá no fundo do parquinho infantil tem essa estátua pequena com ar sereno.


Atrás dela uma placa com a história de um pombo que participava de uma competição e pousou para descansar ao pé uma estátua de Bodisatva Kuan Yin ornamentada com pedras preciosas. Ao acordar estava com uma das pedra em seu bico. Entendeu que o diamante era um presente a ser doado aos necessitados, que esta seria uma missão recebida, refletiu que a fama e a fortuna resultantes da competição não se comparavam aos votos da missão recebida de bodisatva. Assim o pombo retornou à estátua diariamente levando sempre uma pedra preciosa para quem necessitava. Realizou esse trabalho até que não restasse mais pedras preciosas na estátua. 

Quando o dono do jardim retornou, encontrou a estátua sem o seus adornos e o pombo morto ao pé da mesma. Sem pensar duas vezes o homem pegou o pombo morto e jogou no gramado.

Nesse ponto da história, eu com a minha mente ocidental, já pensei logo: nossa que história triste, seca e até meio brutal. Segui a leitura e vi o ensinamento por trás. 

"Kuan Yin é uma boditsava e o pombo também. Os boditsava são assim, não demonstram nenhum pesar ao empreenderem qualquer tarefa, sem nunca desistir ou esperar nada em troca, mesmo que ninguém saiba da grandiosidade de suas realizações.".

Outra área linda é o lago. 


Dá vontade de ficar ali relaxada só deixando o tempo passar



Para fazer a visitação levamos certa de duas horas de pura tranquilidade, serenidade, lavando a alma.

O Templo Zu Lai está aberto para visitação do público, mas é acima de tudo um local de descanso, meditação e prática religiosa. Por isso é importante respeitarmos as regras que estão afixadas nas paredes.

– Não vá com roupas inadequadas (Decote, regatas, bermudas, chinelos…);
– Não faça barulho;
– Não fume;
– Não se deite ou assuma postura desleixada em qualquer dependência;
- Não toque nos instrumentos de darma;
– Não fotografe nem filme as práticas e cerimônias religiosas sem autorização prévia;
– Não coma nem beba dentro do templo;
– Não ostente intimidades (beijos, abraços e carícias);
- Não use celular (desligue-o ou ative a função vibrar);
- Não fique entrando e saindo (mantenha atitude discreta e respeitosa não perturbando a concentração e o momento de oração dos praticantes).


Informações:
Site - http://www.templozulai.org.br/
Endereço: Estrada Municipal Fernando Nobre, 1461 (no Km 28,5 da Rodovia Raposo Tavares), Cotia, SP. Tel: 55 (11) 4612-2895 | Fax: 55 (11) 4702-5230.
Horário de visitação: De terça-feira a sexta-feira, das 12h às 17h. 
Sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 17h. 
Segundas-feiras: Fechado 
Entrada: Gratuita.

Eu soube que tem como ir ao templo de ônibus. Mas achei mais confortável ir de carro. Recebemos a indicação de motorista no hostel que ficamos em São Paulo, Brazilodge. O preço foi bem justo e valeu o custo/benefício.


segunda-feira, 27 de junho de 2016

Findi 26 - Cultural


O final de semana prometia muita agitação e animação e cumpriu o prometido com apenas um desvio no percurso.

Teve Feira Cultural e de Compromisso Social na escola. Vou confessar que depois de anos e anos de eventos desse tipo na escola das filhas, às vezes, bate aquele pensamento: "mais uma feira no final de semana... vai estar supercheia, tumultuada, barulhenta, e blá blá blá". 

Mas ainda bem que esses pensamentos passam batidos e lá vou eu para os eventos. É sempre motivo de orgulho ver os trabalhos feitos pela filha e seus amigos. Ver de perto o trabalho e a preocupação da escola. Além de ser uma excelente oportunidade para conhecermos melhor os nossos filhos. 

Esse ano a turma da Sofia fez um trabalho de autoconhecimento que me surpreendeu constatar a maturidade das crianças, perceber o processo de mudança e dúvidas que eles estão enfrentando e me dar conta de alguns conflitos que a minha pequena está passando. 


Foi lindo e emocionante ouvir o coral das crianças de várias turmas, anos e idades diferentes cantando juntas músicas, como: "A Paz", "Tempos Modernos", "Imagine", "Jesus Cristo" e "Semente do Amanhã".

Ficou linda a iniciativa do "Muro da Gentileza" pintado e preparado pelos próprios alunos.

A ideia do Muro da Gentileza parece ter surgido na cidade de Mashhad, no Irã. Uma pessoa colocou ganchos e cabides em um muro e escreveu: “Se você não precisa, deixe aqui. Se você precisa, leve.”. As pessoas começaram a deixar casacos, sapatos e outras roupas de invernos nos muros para moradores sem-teto e famílias pobres.

Achei bem legal a intensão de no muro da gentileza do colégio expandir o projeto para não apenas roupas, mas também incluir livros, CDs DVDs, poemas, imagens e quaisquer outras criações artísticas. O objetivo com isso é incentivar o crescimento cultural da comunidade e ajudar o outro com algo que um dia nos pertenceu, foi útil, mas que agora desejamos passar adiante.

Deu orgulho também de ver a exposição do "Glossário Político Poético" feito pelos alunos.



Após uma manhã de muitas emoções na feira cultura da escola fomos almoçar em família e na companhia de uma amiga da Sofia.



A diversão da noite ficou por conta de uma sessão de cinema em casa. Revimos o filme “Toque de Mestre” acompanhados de uma bacia de pipoca. Agora quero ver a continuação no cinema.


O domingo estava cheio de programação no Rio e eu com uma vontade louca de fazer o que é para mim um dos melhores programas do Rio, caminhar no Jardim Botânico. Só que a minha realidade de mãe que fez faculdade de matemática foi outra. Tive mesmo que fiar em casa estudando com as filhas. Mas só tenho que agradecer por ter duas filhas responsáveis com os estudos.


Sabe como é, eu não perco um oportunidade de encontrar as amigas virtuais. Então, consegui dar um intervalo nas aulas particulares e ir no evento Mundinho Geek dar um abraço nas amigas, bater um papinho rápido, olhar as oficinas que estavam rolando e ainda levar para casa uns docinhos para as filhotas. 



Este post faz parte da BC Coisinhas de Findi proposta pela Camila do Blog CasaMila.


A Semana 26 - Trazendo de volta a empolgação


Foi uma semana bem corrida em que fiquei muito envolvida com questões do trabalho e de casa. Tanto que me esqueci de reservar tempo e dar atenção aos meus momentos para as pequenas coisas que são válvulas de escape, aquelas coisinhas simples que me revigoram e me equilibram.

Faltei a minha aula de pintura, não li praticamente nada, não vi um filme e me dei conta disso quando já estava começando a me sentir irritada, com pressa para tudo e mais ansiosa do que o normal.

Reservei a minha hora do almoço para dar uma "turistada" rápida e rir com uma amiga. Fui dar uma voltinha pelo Largo de São Francisco da Prainha e voltei outra. Falei do passeio AQUI.


Marquei uma aula de culinária para fazer com a Sofia. Estávamos superanimadas com a oportunidade, mas euzinha aqui, na correria e envolvida com muitas questões, sem me dar tempo para estar presente comigo mesma, me enrolei e troquei a data. Resultado, fomos parar no local do curso na data errada. Mas para não perdermos totalmente a nossa empolgação, cozinhamos juntas quando chegamos em casa.

Fizemos a receita do Bolo Tudo de Coco e desta vez colocamos pedaços de abacaxi. A receita foi praticamente a mesma que já postamos AQUI. A diferença é que desta vez usamos o açúcar de coco, pedaços de abacaxi, e as nozes picadas substituíram a macadâmia.


Combinei com uma amiga de fazermos o cadastro para doação de medula. Reservamos a nossa hora de almoço para isso e saímos empolgadíssimas rumo ao Hemorio. Chegando lá levamos um balde de água fria. A partir de agora o cadastro só pode ser feito no INCA e até as 12 horas. Mas para não perdermos totalmente a nossa empolgação fomos experimentar um restaurante novo na Gomes Freire, o Refeitório. Comi um tabule de legumes maravilhoso. Vou fazer em casa.


Já que não tinha, até então, incluído nada cultural na minha semana fechei a semana indo ao teatro ver a peça "Meu Passado Me Condena", com Fábio Porchat e Miá Melo. Muito divertida. Ri bastante. Foi ótimo para descontrair e recarregar o espírito de empolgação para o final de semana.




É importante estarmos presentes com nós mesmos e atentos ao que o nosso corpo e os nossos sentimentos estão nos alertando. Sim, eles nos indicam o que está acontecendo, dão alertas que estamos saindo dos trilhos. Mas na maior parte do tempo não percebemos esses sinais, nem ouvimos esses avisos, porque não estamos atentos e não damos a devida importância a esses alertas. 

E justamente por não nos "ligarmos" em nós mesmos, por estarmos distraídos, "ligados" nos aparatos da rotina e dos afazeres é que entramos em desequilíbrio, temos reações inesperadas, ficamos ansiosos, apressados e irritados.

Eu tento não entrar nesse ciclo de emoções carregadas treinando o meu olhar para mim mesma, tentando perceber sempre que algo começa a me incomodar, sempre que sinto a pressa exterior apressando os meus sentimentos e aí procuro restaurar o equilíbrio colocando no meu dia pequenas coisas que me fazem bem. Tipo aqueles 15 minutos de chutar o pau da barraca, de aparente ausência exterior, mas de presença comigo mesma. Isso tem me feito muito bem.

Este post faz parte da BC A Semana que aqui no blog substituiu a BC Pequenas Felicidades.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Um passeio pelo Largo de São Francisco da Prainha


Estive mais uma vez no Largo de São Francisco da Prainha. Mas o que você foi fazer por lá? E não é que eu ouvi essa pergunta de muitos cariocas?



Além de ser um canto cheio de riqueza histórica desta cidade que foi capital do Brasil Colonial, recebeu a corte real portuguesa em 1808, foi capital do Brasil Império entre 1822 e 1888 e capital da república até 1960, ali está o famoso Angu do Gomes, um legítimo pé-sujo carioca que agora ganhou ares de boteco mais arrumadinho, digamos assim. Agora ele ocupa dois sobrados na esquina.

Angu do Gomes

Mas antes ele ficava em um sobrado velho no meio do largo. Foi lá que eu comi o "Sundae de Feijão", receita que participou do Comida di Buteco. Se ficou curiosa para ver como era é só entrar neste post AQUI.

Mas a história do Angu do Gomes é bem mais antiga. O angu foi trazido para o Brasil pelos escravos africanos que desembarcavam nesta região onde ficou abrigado o Porto do Rio. Foi inclusive descrito pelo pintor francês Debret – aqui a serviço da Corte Portuguesa – como iguaria suculenta e gostosa.

Já em 1955, o português Gomes teve uma brilhante ideia de iniciar a comercialização desse prato forte em carrocinhas de angu pelas ruas cariocas.


Por isso tem uma carrocinha amarela bem na entrada do restaurante. Esse prato popular e democrático da gastronomia carioca é cercado de histórias. Dizem que JK sempre que vinha ao Rio se fortalecia com a iguaria. Já Jorginho Guinle, aquele playboy figurinha das antigas, afirmava que o Angu do Gomes é afrodisíaco. 

Bom, eu só sei dizer que é muito bom. Por ser servido nos pratinhos de alumínio ainda fica cheio de charme. 

Dessa vez eu e a minha amiga carioca, que não conhecia o Angu do Gomes até então, experimentamos o angu com frutos do mar. Uma dica: o pudim de leite é do tipo cremoso. Só digo isso!

Angu do Gomes

Depois de preenchidas e aquecidas pelo almoço fomos dar um rolezinho rápido pela área.

Largo de São Francisco da Prainha

Que é o patrimônio cultural da cidade, abriga outros dois bares-restaurantes.


Ruas charmosas.

Largo de São Francisco da Prainha

Sobrados antigos.

Largo de São Francisco da Prainha

Já no nosso caminho de volta fomos conhecer a Igreja de São Francisco da Prainha que fica na encosta do Morro da Conceição, parcialmente escondida por um muro alto. O acesso é por uma ladeira de pedra com degraus largos. Apesar de o acesso ser bem fácil eu nunca tinha me dado conta da existência dela.

Igreja de São Francisco da Prainha

Dizem que a capela fica assim no alto porque ali era uma praia chamada Prainha. O interior da capela, que tem a fachada no estilo barroco jesuítico, é uma graça. Bem claro, simples e charmoso.

Igreja de São Francisco da Prainha

Aproveitamos para fazer nossos agradecimentos e os três pedidos que dizem que devemos fazer sempre que entramos em uma igreja pela primeira vez.

Se você for conhecer a Igreja de São Francisco da Prainha não deixe de observar todos os detalhes e principalmente o piso. É lindo!


Igreja de São Francisco da Prainha

Ao retornar da igreja reparamos em mais beco cheio de cor e charme.

Largo de São Francisco da Prainha

Eu já fiz o passeio do Porto Maravilha ou Rio dos Escravos que abrange essa área, mas não tinha olhado para o Largo de São Francisco da Prainha com tanta atenção. Para quem vai fazer um passeio pela Praça Mauá vale a pena dar uma esticadinha até aqui. São apenas dois quarteirões.

A www.riofreewalkingtour.com.br faz passeios gratuitos no Porto Maravilha. É legal ficar de olho na programação:

  • Terças e sextas às 14h;
  • Sábados às 10h;
  • Ponto de encontro: Praça Mauá (Avenida Rio Branco nº 1) próximo ao Píer Mauá (metrô mais próximo Uruguaiana). Por favor, chegue com 10 minutos de antecedência.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Mães detestam gritar, mas...



Outro dia uma amiga chegou ao trabalho arrasada porque tinha gritado com o filho na noite anterior. Nessas horas as mães se identificam, se consolam uma a outra, contam as suas experiências. Afinal, qual mãe nunca perdeu a paciência com os filhos e soltou os seus gritos mesmo tendo total consciência de que este não é o melhor caminho? Mesmo tendo experiências anteriores e sabendo que vamos nos arrepender depois?

Saímos em um grupo pequeno de mulheres, todas mães, e o destemperamento da noite anterior ainda atormentava a minha amiga. O assunto na mesa do almoço rolou em torno dos nossos gritos. Gritos que mesmo que não sejam frequentes, que estejam dentro de uma “normalidade”, já que mães e pais são pessoas reais e não criaturas com pureza mítica, muito menos personagens de contos angelicais, fazem nos sentirmos as verdadeiras vilãs de histórias de terror.

Compartilhamos algumas situações em que nos destemperamos. Eu mesma contei de algumas vezes que me transformei na vizinha louca e desequilibrada (quem nunca ouviu uma vizinha dando os seus gritos e pensou “nossa, essa mulher é louca...”?!). Até já falei de forma humorada sobre o livro “Quando mamãe virou um monstro”.

O fato é que todas concordam plenamente de que gritar não é a solução, gritar não resolve, não cria laços, não acolhe. Pelo contrário, gera distanciamento e desentendimento. Gritos não educam os filhos e causam arrependimento nos pais. Não faz bem para nem um dos lados. Então, por que mesmo tendo essa consciência damos os nossos berros vez ou outra?

Em nossos desabafos, entre garfadas de boa comida, concordamos também que é fato que gostaríamos que nossos filhos fossem supereducados, que atendessem as regras acordadas sem que precisássemos repetir zilhões de vezes, mas acima de tudo queremos que sejam felizes, nosso principal objetivo é eles aprenderem a superar dificuldades que a vida vai apresentar ao longo dos anos e permaneçam felizes. E que não é através dos gritos que eles aprenderão isso. Então, por que mesmo tendo esse desejo às vezes soltamos a voz no mais alto tom que alcançamos?

Concordamos também que se gritar fosse um método de educação eficiente nossos filhos seriam educadérrimos e nós seríamos pais brilhantes. Após uma sessão de gritos estaríamos satisfeitos com o nosso desempenho e os filhos perfeitamente felizes. Então, por que mesmo sabendo disso nos destemperamos?

E ainda sabemos que somos exemplo, que nossos filhos aprendem com os nossos exemplos. Foi unanimidade concluir que fica muito confuso querer ensiná-los a se comportarem bem e terem paciência, perdendo a paciência e nos comportando mal.

Entre desabafos, autoanálise, reflexões, conclusões e culpas (mães não desgarram dessa danada), percebi que estou em uma fase grito zero (que isso se mantenha ad eternum, “pufavô”) e me lembrei das minhas épocas mais pólvora que me faziam berrar com as pessoas que mais amo na vida. O que acontecia comigo? Eu fiz algo para melhorar?

- Nas minhas fases mais gritantes não eram as minhas filhas que estavam mais mal educadas e sim eu que estava mais estressada, mais irritada, mais cansada. E identificar isso ajuda muito a resolver a questão.
- O que está motivando o meu estresse? Excesso de atividades? Então, que tal colocar o pé no freio, priorizar, fazer primeiro o mais importante, delegar o que for possível e pedir ajuda?
- O que causou a minha irritação? Descarregar nos filhos vai ajudar. Que tal se afastar um pouco, se dar um tempo, respirar fundo e quando estiver mais calma voltar a tratar o assunto? Nem sempre é fácil. Já aconteceu de eu tentar me afastar e as filhas virem atrás insistindo no assunto. Ai o melhor que eu fiz foi explicar claramente que eu estava irritada e poderia perder a paciência e isso não seria bom pra ninguém.
- Me sentindo consumida pela rotina casa X trabalho? Tirar umas horinhas para fazer algo para mim antes de voltar para casa é um santo energético. Uma pizza com as amigas, um cineminha, uma parada no salão para dar um up no visual, coisas do gênero são renovadoras de energia.

- Nas minhas fases mais gritantes não eram as minhas filhas que estavam diferentes e sim eu que estava com expectativa diferente.
- Ou eu esperava chegar em casa depois de um dia de trabalho e ser recebida por crianças alegres e carinhosas, ou eu esperava chagar em casa depois de um dia de trabalho cansativo e encontrar crianças calmas e tranquilas. Então que tal não criar expectativas e perceber que as filhas também têm seus momentos e suas expectativas? Criei o hábito de no caminho de casa dar aquela ligadinha básica para as filhas, saber como elas estão e já falar do meu estado de espírito. Alinhar as expectativas é tudo de bom.

E procuro sempre ter em mente que:

- crianças são crianças, mas são pessoas também com dias bons e ruins como eu. Adolescentes são adolescentes, mas são pessoas também com mais dias ruins do que bons (e a adolescência passa graças a Deus). O problema é quando tanto elas, quanto eu, estamos em dias ruins. Aí o melhor que eu tenho a fazer é ficar bem para ajudá-las a ficarem bem também;
- nem sempre eu posso controlar ou prever as atitudes e o humor das minhas filhas, mas posso controlar a minha reação;
- muitas vezes eu sou o problema, não elas. Eu que estou precisando gritar para extravasar algum outro problema;
- cuidar de mim me ajuda a ser mais paciente;
- gritar não resolve as coisas e só faz com que me sinta pior;
- sou uma pessoa real e não uma fada boa que brilha, nem um unicórnio colorido. Logo, por mais que eu me esforce para ser melhor a cada dia vou dar aquela escorregadinha básica e esbravejar. Aí o jeito é pedir desculpas e não sentir culpa.
- Paciência acima de tudo. Devo ter paciência até com a minha impaciência.
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