Na semana passada a Sofia começou a dar uns chiliques, querer fazer valer a vontade dela na base do choro e da pirraça. Conversei bastante com ela e em todas essas conversas saíram a frases do tipo:
- Sofia, você é uma menina grande, já vai fazer 7 anos, já sabe ler, essa bobeira não combina com o seu tamanho.
Bom, a Sofia dormiu e acordou convencida de que era uma menina grande. E parece que tirou o dia para me horrorizar.
Fomos à piscina e ela:
- Mãe eu vou deitar aqui para pegar um bronze.
- Ahnnnnn .... Sofia, vem brincar de mergulhar, pular, nadar. Nada de ficar aí esturricando no sol.
- Mas mãe eu gosto de ficar com a pela bronzeada.
Onde já se viu uma pirralhote dessas querendo se bronzear? Pensei.
- Tá, mas o bronze mais bonito é esse que as crianças pegam brincando dentro d’água.
- Ah é? Então vamos brincar.
Ufa, a minha mocinha continua uma menininha
Voltamos para casa e a Sofia lança outra novidade:
- Pai, por que você não faz uma tatuagem bem aqui (apontou para a lateral do tronco)?
- Eu não gosto muito de tatuagem. Você gosta?
- Eu gosto de homem com tatuagem.
Hor-ro-ri-zei! Como assim, essa guriazinha gosta de homem com tatuagem? Ai Jesus, o que me espera?
E a crise de precocidade não parou por aí. Algum tempinho depois.
- Mãe, cansei de ter cabelo comprido. Quero cortar o cabelo bem curto.
- Mas Sofia o seu cabelo é tão lindo ...
- Mas eu cansei desse cabelo comprido e com franja. Coisa de menina pequena.
- Nada disso cabelo curto que é coisa de menina bem pequena que o cabelo ainda nem cresceu.
- Ah é? Então quero cortar o cabelo no ombro.
- Tá legal. No ombro vai ficar ótimo
Que bom que a minha argumentação funcionou. Já estava imaginando a minha menina com um corte modernoso e radical.
Logo em seguida a Sofia saiu com mais uma novidade.
- Mãe, eu gosto de piercing na sobrancelha e na orelha. Mas não gosto de piercing na língua.
- Ah, eu também não gosto de piercing na língua, não!
- Eu quero colocar um piercing na orelha. Você acha que vai doer?
- Dói sim porque nessa parte tem cartilagem (nem sei se o piercing fura a cartilagem).
- Mas dói muito?
- Pelo o que eu sei dói muito, as vezes inflama, incha ...
- Ãããããããã ... então vou esperar um pouco para colocar o piercing.
Ai Meus Deus do céu! O que deu nessa menina hoje? Vai esperar um pouco, não. Vai esperar muito.
- E tatuagem? Eu posso fazer uma tatuagem aqui? (apontou para o pulso)
- Pode, pega lá as suas tatuagens e escolhe uma para colocar aí.
- Não mãe, eu quero aquelas que não saem.
- Mas crianças não fazem essas tatuagens definitivas.
- Por que? (Por que sempre tem um por que?)
- Porque a sua pele vai crescer, vai esticar e a tatuagem vai ficar toda desbotada.
Aí tive a ideia de demonstrar em um bola, papo ou bexiga, sei lá. (A essa altura do campeonato eu já não não estava sabendo de nada. Estava só esperando qual seria a próxima ....)
Desenhei uma borboleta na bola meio vazia e expliquei que assim seria a tatuagem quando a criança ainda era pequena.
Expliquei que conforme a criança cresce a pele estica e olha como ficaria a tatuagem.
A Sofia se animou com a brincadeira da bola e deixou a tatuagem para muito depois.
Bom, a crise aguda de meninice precoce passou. Durou só um dia. Ainda bem.