segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Filme "A Nossa Espera"



Eu adoro curtir um cineminha no final do domingo. Esse foi um programa clássico durante um bom tempo pra mim. Isso na época em que todos os cinemas eram cinemas de rua e com aquele pipoqueiro fazendo pipoca de panela dentro da carrocinha de vidro. Cinema de shopping pode ter o seu conforto, reconheço. Mas cinema de rua tem o seu charme, ah tem!

Voltando ao cineminha do final de tarde de domingo, neste final de semana fiz isso. Fui caminhando para o cinema com a intenção de entrar na fila e comprar o ingresso para o filme. Coisas das antigas, né? Pois é! Quis ser vintage e quase me dei mal. O filme que eu queria assistir estava com as sessões esgotadas, o segundo filme da minha lista idem. Para evitar mais frustrações pedi os ingressos para a próxima sessão com disponibilidade independente do filme. Foi assim que entrei na sala 1 com o meu saco de pipoca do pipoqueiro da rua, sem expectativas e sem sinopse lida, para assistir “A Nossa Espera” (“Nos Batailles”, França/Bélgica).




"A Nossa Espera" é uma história que fala de batalhas que vivemos nesse mundo moderno para conciliar os diversos papéis que temos na sociedade, da dificuldade em conciliá-las e dar a devida importância ao que realmente é importante.

Olivier (Romain Duris) , personagem central da trama, é operário em um armazém de vendas online, dedicado e preocupado com seus funcionários, pai de dois filhos, marido de Laura (Lucie Debay).

Enquanto Oliver se dedica ao trabalho, a suas funções profissionais, aos seus subordinados, defende os direitos dos trabalhadores na dureza e aspereza do mundo do trabalho contemporâneo que exige produtividade acima de tudo.

Tanta dedicação à vida profissional acarreta em falta de tempo para a família que, por sua vez, acarreta sobrecarga em Laura que tem que se desdobrar entre as funções de mãe dedica, esposa, dona de casa e vendedora em uma pequena loja.

Essa sobrecarga afeta a saúde física e emocional de Laura que chega ao extremo de abandonar a família sem grandes explicações.

A partir daí Olivier vê sozinho, contando com a ajuda eventual de sua mãe e irmã, para cuidar dos filhos Elliot e Rose, administrar a casa e conduzir sua vida familiar e profissional, ao mesmo tempo que se pergunta: o que aconteceu com Laura? O que a motivou ter essa atitude? Será que ela volta? Conheceu outro homem ou apenas precisa de um tempo para si?

Uma história que muitas mulheres se identificam. Afinal, quantas já não tiveram um plano de fuga? Quantas já não pensaram, e mais de uma vez, em jogar tudo pro alto e simplesmente desaparecer? Eu já! E tinha o meu plano bem traçado. Mas que chega a esse extremo de abandonar a família e os filhos que ama é porque realmente estava esgotada e precisando de ajuda. E a história é contada de uma forma que não cria julgamentos, apenas empatia.

O filme fala de escolhas difíceis, de falhas que todos cometemos em vários aspectos das nossas vidas, fala de recomeço, de ressignificar e rever valores, da importância do diálogo e os efeitos do abandono. Mostra o cotidiano familiar de forma verdadeira com seus aborrecimentos e suas solidariedades. Mas tudo sem cair no drama, nem apontar culpados. Com sensibilidade, mas sem sentimentalismo.

A minha tentativa vintage de ir ao cinema acabou me fazendo entrar em uma sala de cinema qualquer e sair cheia de reflexões.



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domingo, 13 de janeiro de 2019

A Semana 2 de 2019 - Conforto


O ano começou com muitas emoções. A Ana Luiza embarcou para fazer intercâmbio na Austrália e nesta segunda semana, quando o meu coração ainda estava batendo fora de compasso com a ida da Ana Luiza, foi a vez da Sofia voar.

Fui para São Paulo, pois o voo da Sofia saía de lá. Planejei passar um dia fazendo alguns passeios pela Avenida Paulista, que eu amo, mas não rolou. A Sofia quis ficar dentro do quarto do hotel, descansando. E assim fizemos. Nos divertimos cantando, dançando, rearrumando a mala. O importante era nos sentirmos confortáveis e confortadas. 


E lá foi ela toda feliz com algum medo, mas com muita segurança e confiança. E ver o sorriso dela com as muitas possibilidades que ali se abriam, me confortou.



Após o embarque da Sofia, ao retornar para o hotel, fiz uma viagem virtual com a Ana Luiza. Ela estava fazendo um passeio ao GoMA - GoMA - Gallery of Modern Art - em Brisbane e graças a tecnologia eu pude acompanhar com ela. Nada como encurtar as distâncias para confortar o coração.




Voltei para o Rio com o coração cheio de saudades, mas com a alegria de ver as minhas filhas crescendo e tendo a oportunidade de viver experiências enriquecedoras.


Fui a pré-estreia do filme "Amigos Para Sempre", é a versão americana do filme "Intocáveis" (2012). Lembrando que já rolou o remake argentino, Inseparáveis, em 2017.

Não tem como dizer que o filme não é bom, pois a história em si já emociona e tem muitos mensagens. O filme tem alguns momentos de comédia que nos tiram alguns risos e de emoção que não me arrancou lágrimas. Entretém, passa a mensagem, tem adaptações que fazem sentido, mas para mim deu aquela sensação de "pra que fazer uma versão se já temos um filme tão bom?".


Durante a semana fui recebendo noticias e fotos das filhas, falando com elas com frequência, mas o coração ainda estava, e está, em adaptação. Para dar uma acalmada na mente e na alma usei a minha hora do almoço no Museu de Belas Artes do Rio, que além das exposições permanentes, está com algumas temporárias e com gratuidade. Como dizem: "art should confort the disturbed and disturb the comfortable". Eu fui buscar conforto.


Fui almoçar com uma amigo. Escolhemos um bistrô acolhedor com comida gostosa. Muito bom ter amigas de todas as horas para todas as horas que nos confortam.


Na volta do almoço andando com calma e atenta ao caminho descobrimos essa escada linda e cheia de arte. Subimos e nos deparamos com um local agradável e descolado, cheio de conforto. Iremos voltar.


Pequenas coisas, momentos simples que trouxeram conforto para minha segunda semana do ano. 



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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

GoMA em Brisbane, Austrália - Viajando pelo olhar da filha


Eu adoro qualquer oportunidade de ir a São Paulo. Já penso em dar uma esticadinha para ver alguma exposição, dar uma voltinha pela Paulista, e coisa e tal. 

Como eu tinha que levar a Sofia para embarcar em Guarulhos, programei a nossa chegada para a véspera, assim eu teria praticamente dois dias e duas exposições programadas nas minhas intenções.

Acontece que a Sofia com o seu corpo adolescente completamente dominado por um dos 7 pecados capitais chamado preguiça não quis sair do quarto do hotel nem para comer. Queria apensa descansar para a viagem e ficar grudada comigo (sei? entendi e aceitei a chantagem).

Ou seja me dei mal. Passeio um sábado de sol com a Paulista a poucos metros de distância trancada em um quarto gelado, mas bem confortável. Tá não me dei mal nada. Estava com a minha filha, conversamos, rimos, comemos no quarto, ouvimos música e dançamos. Tá bom, né?

Mas no final do dia, depois que ela já tinha embarcado e e eu voltei sozinha para aquele quarto, fiquei pensando nela, na Ana Luiza que também está viajando e nas exposições que eu queria ter ido.

É neste momento em que eu olhava para o tento branco do quarto imaginando paredes coloridas com obras de uma exposição qualquer que o meu celular vibra com sinal de que chegou mensagem da Ana Luiza. Abri rapidamente e ela estava lá do outro lado do mundo, no começo do seu dia, me contando que iria ao GoMA - Gallery of Modern Art que é simplesmente a maior galeria de arte moderna e contemporânea da Austrália. e fica justamente em Brisbane bem perto de onde ela está estudando.


O que fazer em Brisbane, Austrália

Foi aí que do meu quarto de hotel com 12 horas de diferença de fuso horário, pela tela do meu celular, eu peguei carona na visita da Ana Luiza ao GoMA e vi todo o colorido da exposição "APT9" - Asian Pacific Trienial os Contemporary Art.

O que fazer em Brisbane, Austrália

A mostra apresenta obra de mais de 80 artistas e grupos de mais de 30 países.

Conforme ela passava pelas obras ia fotografando e me enviando.  Eu eu com o meu corpo presente em São Paulo, mas com a mente viajando virtualmente com a Ana Luiza me impressionando com a complexidade e a singularidade de cada instalação.

A primeira foto trouxe "House - Spirit 2018 ”, do artista cambojano, Vuth Lyno, e eu me encantei


O que fazer em Brisbane, Austrália


Rapidamente entrei na internet e busquei informações sobra a exposição. Mandei uma foto de uma instalação na parede (sem título), de Jonathan Jones.


O que fazer em Brisbane, Austrália

E a Ana Luiza me retornou contando que estava justamente nesta sala e me mandou mais detalhes.


Em seguida, ela me manda essa foto de uma pintura de Zheng Guogu, que é uma presença marcante na arte chinesa desde os anos 90.


Mas o interessante neste momento, o que mais chamou a atenção, foi o fato de que as obras expostas, além da explicação padrão para os adultos, trazem explicações para crianças com uma linguagem adequada e incentivo para pensar sobre o que estão vendo.

Muito legal, né?


Aí foi a minha vez de mandar uma foto da exposição que eu encontrei na internet, mas não entendi. A Ana Luiza me enviou uma foto feita por ela na mesma instalação e explicou que é um espelho em que o visitante se vê do outro lado e com a sua imagem se misturado com quem está lá.


E assim fomos trocando fotos como se estivéssemos caminhando juntas e vendo as mesmas obras.


Trocando opiniões e comentários.


Encontrei a foto abaixo no Instagram @ajmaus e mais uma vez precisei da ajuda da Ana Luiza para entender melhor do que se tratava.


Um vídeo e a explicação veio em seguida. E a imagem capturada no Instagram passou a fazer todo o sentido.


Aí ela me manda essa explosão de cores vivas e de alta intensidade na instalação em estilo mural.


Pedi para chegar mais perto e me mandar mais detalhes de "Days of Bliss and Woe". Eu queria ver mais de perto esses "Dias de Felicidade e Aflição".


Mais uma vez a explicação do mural multicolorido.


E a mesma explicação com o foco no público infantil.


Não fui às exposições em São Paulo, aproveitei o dia com a Sofia, e à noite quando eu esperava apenas dormir, escapei por umas boas duas horas com a Ana Luiza, passei algum tempo viajando, explorando a distância, mas ao mesmo tempo tão perto, as galerias do GoMa, me perdi nesse mundo de instalações espetaculares, arte vibrante e cultura diversa.

Viajei para São Paulo, mas estive em Brisbane!



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quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Ponte aérea - que pressa é essa?

Sou daquelas pessoas que não entendem as pessoas que têm pressa para entrar no avião. Aquelas que nem chamou para o embarque ainda, apenas porque colocaram no painel qual será o portão, já estão lá em pé na fila como se estivessem esperando a abertura dos portões de uma mega promoção ou de um super show. 

Sou também daquelas pessoas que não entendem as pessoas que têm pressa para sair do avião. Sabe aquelas pessoas que quando o avião ainda está com o sinal de apertar cintos aceso, só porque o bicho está parando, já estão em pé no corredor batendo com suas mochilas e bolsas na cabeça de quem está calmamente esperando as portas abrirem e os passageiros que estão nas filas à sua frente saírem. O mais curioso é que essas normalmente são as mesmas que têm pressa para entrar.

Até que hoje, nessa falta de pressa para entrar no voo, do tipo que “ah, começaram a chamar agora... dá tempo de comprar um chocolate e tomar um sorvete. Vou ficar em pé na fila pra quê se vamos sair e chegar todos juntos?”, “ah, anunciaram que é a última chamada agora... dá tempo de ir ao banheiro com calma”, “e daí que eu estou no gate 1 e o meu embarque é no gate 12, nem chamaram o meu nome, então dá tempo?”, a pessoa perde o voo. Não deu tempo!

Mas finalmente, alguns voos depois, a pessoa que não entende quem tem pressa para entrar no avião finalmente consegue embarcar correndo, esbaforida e jurando que daqui pra frente vai ser sempre a primeira a entrar nas aeronaves (Xi... vai se tornar daquelas que ficam em pé na fila antes mesmo de começarem a chamar para o embarque ou será que dá para usar a barriga positiva para sugerir um prioridade?). 

Senta, relaxa, faz fotos do visual e finalmente pousa atrasadíssima em solo carioca. É aí que a pessoa que não entende as pessoas que têm pressa para sair do voo, aquelas que já estão em pé nos corredores quando o avião nem apagou o sinal de apertar cintos ainda, se vê como a primeira na fila dos em pé no corredor com a mochila nas costas batendo na cabeça dos menos apressados enquanto os sinal de apertar cintos ainda está aceso, as portas da aeronave ainda estão fechadas e os passageiros das vinte fileiras que estavam inicialmente à sua frente ainda estão sentados imaginando qual o problema daquele ser (seria claustrofobia, medo de avião, dor de barriga?). Enfim, entrei na lista das pessoas que eu não entendo (mais uma vez).

Ficam aqui os registros desse voo. Deixando São Paulo e sua selva de pedra, com o respiro do Ibirapuera, para trás.


Ponte aérea Rio - São Paulo

Chegando ao Rio e o seu gigante adormecido.

Ponte aérea Rio - São Paulo

Beleza a perder de vista.

Ponte aérea Rio - São Paulo

Ah ha, uh hu, o Maraca é nosso!

Ponte aérea Rio - São Paulo

O Cristo sempre de braços abertos.

Ponte aérea Rio - São Paulo





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terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Café da manhã para elas


São as pequenas gentilezas, carinhos, cuidados do dia a dia que demonstram o amor que sentimos e reforçam as relações. Eu acredito muito nisso. 

Por isso estou sempre preparando uma surpresa ou outra pras minhas filhas. Na verdade eu já estou até achando que nem são mais surpresas. Acho que elas já esperam. E justamente por isso, quando faço o mesmo, tento fazer de forma diferente e dar um toque inesperado. 

Nesse período de festas de final e início de ano junto com férias tivemos duas ocasiões de café da manhã especial.

O primeiro foi para a Ana Luiza.


mesa de café da manhã

Tudo preparado com carinho, pensado especialmente para ela, com as coisas que ela gosta de comer. 

mesa de café da manhã

 Para o nosso café ficar mais feliz tivemos a companhia da madrinha.

mesa de café da manhã

A motivação para o café da manhã especial foi a viagem de intercâmbio. Como a Ana Luiza vai ficar um tempinho fora de casa, quis que ela levasse na bagagem todo essa carinho.

mesa de café da manhã

Arrumei a mesa bem colorida com algumas peças que eu mesma pintei e outras pintadas pelo minha professora, a Odila Freire.


mesa de café da manhã


Uma semana depois foia a vez da Sofia partir rumo ao seu intercâmbio e deixar o coração dessa mãe com mais saudades, mas muito feliz.

mesa de café da manhã

Preparei o café para a Sofia com também colorido, florido e com os sabores que ela gosta.

mesa de café da manhã

Mais uma vez tivemos a presença da madrinha para trazer mais carinho para este momento.

mesa de café da manhã

Arrumei a mesa com jogos americanos pintados por mim.

mesa de café da manhã

Canecas e bowls pintados pela professora.

mesa de café da manhã

Tudo demonstrando alegria.

mesa de café da manhã

E dedicação.

mesa de café da manhã

Por um lado é difícil ver os filhos voarem, é preciso ter coragem, fé e confiança. Mas por outro é muito gratificante ver que estão ganhando asas com a segurança de que sempre terão apoio, carinho, muito amor e uma mesa colorida para se sentarem e compartilharem histórias.




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