quarta-feira, 29 de abril de 2020

Paris - Jardin des Rosiers Joseph Migneret, um oásis de lembranças

O confinamento, o isolamento social, desperta sentimentos, questionamentos, dúvidas, saudades. Sensações que sempre tive, mas nesse período ficam mais intensas, e até mais estranhas.

Desejos que saem do fundo do subconsciente, como comer sanduíche de queijo com banana do Bob's. quando eu nem me lembrava que eu lembrava que isso existia. Devo ter comido esse sanduba no umas duas vezes na vida, no máximo. Mas em um desses quase 50 dias de quarentena eu acordei desejando estar em um fila enorme do Bob's, reclamando da lerdeza no atendimento, só para comer o queijo com banana.

Lembranças que pareciam completamente apagadas surgem vivas na cabeça e com imagens nítidas como eu criança bem pequena (tipo por volta 6 anos) entrando na casa da benzedeira Dona Chica em São Pedro d'Aldeia. Uma casa azul, com varanda de piso vermelho, vasos de plantas, cortina branca e ele usava uma tesoura para fazer a reza.

A Nostalgia está a flor da pele. Saudades de pessoas queridas, de coisas simples como estar embaixo de uma árvore, até de coisas esdrúxulas como andar na rua molhada pela chuva levantando aquela laminha que respinga na batata da perna e principalmente de momentos especiais como um piquenique no Parque Lage com amigas e filhos. Own... Sofia nem tinha nascido ainda.

Vontades de algo que nem sei bem o que é. Senti uma vontade muito grande de estar em um jardim. Com flores, verdes, bancos para sentar. Mas não sabia que jardim seria esse. Sabia que não era um jardim tipo Jardim Botânico, não era algo como um parque. Vontade de um jardim menor, mais aconchegante. Mas qual? Forcei a memória para me lembrar do tal espaço que agora eu sentia tanta vontade de estar nele. Seria um jardim de alguma casa da minha infância? Não. Mas também não era os jardins dos museus e Centro Culturais que já visitei, como jardim da Casa Roberto Marinho, Instituto Moreira Sales, Vizcaya Museum em Miami, Casa Rui Barbosa, Casa Firjan, do Museu da República, Museu do Açude que eu passeava pelo jardim com o meu pai, entre outros tantos.

Revisitei a minha memória para reconhece esse tal jardim que agora surgia forte como um desejo. Era um jardim de bairro, tipo um refúgio, algo que eu iria andando pela rua movimentada e de repente encontrava esse jardim. Algo tipo o Begijnhof em Amsterdam, mas não era esse. Seria um terreno baldio aproveitado pelos moradores e pensei em um jardim-horta que tem no Bairro das Laranjeiras, mas também não era.

Até que me lembrei do Jardin des Rosiers Joseph Migneret, no distrito de Marais, em Paris.


O Marais é um bairro movimentado, um bairro cult e modinha em Paris. Cheio de restaurantes, bares e cafés descolados, museus, manifestações artísticas, lojinhas. Esta no sexto e último dia de viagem em Paris. Eu, minha filha e minha mãe caminhávamos encantadas, porém cansadas pelo Marais querendo absorver tudo nessa despedida, mas ao mesmo tempo precisando de um refúgio. De um momento de calmaria. E de repente mais uma surpresa! Passando pela rue des Rosiers, uma rua de comércio, avistei uma portinha, no número 10 para ser mais exata.



Lá dentro uma área verde. Resolvi entrar e me deparei com um tipo de jardim secreto, Jardin des Rosiers Joseph Migneret.


Na verdade este paraíso verde de paz fora de vista, tão inserido e ao mesmo tempo tão afastado do burburinho urbano, este oásis verde no coração do Marais nasceu do encontro dos jardins privados de três belas mansões típicas do distrito: o Hôtel de Coulanges (atual Maison de l'Europe de Paris), Hôtel Barbes e Hôtel d'Albret.



Rotulado como espaço verde ecológico da EcoJardin, hoje classificado como monumento histórico, este gabinete de plantas é uma mistura delicada de três atmosferas diferentes, foi criado em 2007, concluído em 2014.


Inicialmente denominado de Jardin Francs-Bourgeois-Rosiers, foi renomeado em 2014 Rosier Garden Joseph Migneret em homenagem professor da escola Hospitalières-Saint-Gervais desde 1920 e depois diretor em 1937. A escola municipal é vizinha ao jardim.

Joseph Migneret combatente ativo da resistência durante a Segunda Guerra Mundial, entre as nações que salvaram as crianças judias da deportação. Das crianças dessa escola 165 eram deportadas. Joseph participou ativamente do resgate de várias crianças.


Caminhar por esses três jardins unidos é um encontro de paz e tranquilidade. Chegar com as pernas cansadas de caminha pelas ruas do Marias e com a cabeça fervilhando de novidades vistas e sentar à sombra dos castanheiros e bétulas, em alguns dos bancos de madeira deste jardim secreto, é revigorante.


O jardim é cercado por uma variedade impressionante de arbustos: bengalas da Provence, laranjeiras mexicanas e cornijas brancas.



Um local perfeito para uma parada estratégica para descanso e até para saborear um dos famosos Falafels (pão tradicional da culinária do Oriente Médio), que são oferecidos nos muitos restaurantes para levar localizados ao longo da rua.



Ou para uma leitura tranquila, um piquenique romântico ou momentos em família perto do playground.

Ali dentro, alheio ao movimento lá de fora, observando o entorno deste jardim, podemos ver as mansões burguesas do século XVII, a chaminé mais escondida do Marais e os restos de uma das 77 torres do Marais.



Deitada na minha cama, olhando para o teto e tentando reconhecer esse meu desejo de estar em um jardim em me lembrei do Jardin des Rosiers Joseph Migneret, um oásis no meio do burburinho do Marais. Um momento de relaxamento que tive com a minha mãe e minha filha na despedida dessa viagem. 

Essas lembranças funcionaram como uma escapada dos pensamentos acelerados, dos sentimentos conflitantes, dos desejos não identificados que o confinamento, o momento de pandemia que vivemos provoca. Lembranças de um oásis que funcionaram como um oásis no meu dia.

Serviço:
Há duas entradas para esse jardim tranqüilo, pela rue des Rosiers, n° 10 e pela Maison de l'Europe de Paris, na rue des Francs-Bourgeois, n° 35-37.
A estação de metrô mais próxima é o Saint-Paul.

Abertura do jardim:
Durante a semana - 8:00
Nos finais de semana e feriados - 9:00

Fechamento:
Horário de inverno até o final de fevereiro - 17:15
Mês de março - 18:00
1° de abril à 30 setembro - 19:00
1° de outubro ao início do horário de inverno - 18:00

Diário de viagem - Seis dias em Paris:





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segunda-feira, 27 de abril de 2020

Filme Grandes Olhos


Eu recebi a dica para assistir ao filme "Grandes Olhos" no meu trabalho como incentivo ao mês da criatividade, inovação e propriedade intelectual.



Assim que li o início da sinopse, "O filme é baseado na história da pintora Margaret Keane, conhecida por pintar pessoas com grandes olhos, e mostra a trajetória desta artista nos anos 50.", me interessei por ser inspirado em fatos reais e pela oportunidade de conhecer a pintora.

Margaret Keane é uma artista americana, nascida em 1927, que pinta imagens de pessoas, animais, etc. com grandes olhos por acreditar que estes são a janela da alma. Margaret que era conhecida em Nashville, no Tennessee — estado onde nasceu, com o nome de Peggy Doris Hawkins — pelos desenhos de anjos com olhos grandes e asas flexíveis, se baseia em seus sentimentos para pintar seus quadros.


O que tem de interessante na história dessa mulher e trajetória dessa artista para despertar o interesse do diretor Tim Burton?

A história que Tim Burton mostra em Big Eyes é a verdadeira história de Margaret Keane: uma artista que teve que lutar pela autoria de seu trabalho.

A arte de Margaret despontou entre os anos 50 e 60, onde a sociedade machista imperava (e ainda impera). Mulheres não tinham vez no mercado de trabalho, muito menos no mundo artístico. A situação se agrava e muito quando esta mulher era separada e com uma filha pequena para criar.

Pois Margaret (Amy Adams) já tinha largado um primeiro casamento, deixando casa e marido para trás, e partido apenas com a filha e algumas telas suas na bagagem. 

Na luta pela sobrevivência através de sua arte ela conhece o sedutor Walter Keane (Christoph Waltz), um suposto pintor de paisagens parisienses.

Movida pelo momento, pela pressão da sociedade, pelo risco de perder a guarda da filha por ser uma "mulher sem marido", Margaret aceita o charmoso pedido de casamento de Walter. A partir daí ela assume o sobrenome do novo marido e passa a assinar as suas pinturas como KEANE.


Margaret tem talento artístico, porém não tem tino comercial, além de que mulheres eram relegadas a segundo plano principalmente nas artes. Quantas artistas do sexo feminino precisaram usar pseudônimos para terem suas obras publicadas, expostas e comercializadas?


“Ninguém compra pinturas pintadas por mulheres”.
-Walter Keane, Grandes Olhos-

Walter Keane não tinha talento artístico, mas tinha um dom para o marketing e para vendas, poder de sedução e pouquíssimo caráter. Assim Walter  assume as vendas das artes do casal. Vendo que suas próprias pinturas não causam interesse ao público enquanto os quadros da mulher são admirados, ele assume a autoria dos "Grandes Olhos". Afinal, talento unido a uma assinatura masculina é o que agrada ao público da sociedade machista. 

Meio a contragosto, sentindo a dor de entregar a autoria, mas seduzida pelas ideias de Walter Keane, autorizou que ele se apropriasse dos créditos de seus quadros, pois só assim conseguiria dinheiro para sustentar a filha e ter uma vida melhor.

“A pintura diz ‘Keane’; Eu sou Keane, você é Keane. De agora em diante, somos um “.
-Walter Keane, Grandes Olhos-

A partir daí o caráter abusivo e manipulador de Walter começa a destacar. Quanto maior o sucesso de vendas das obras de Margaret, mais ambicioso alter se tornava. Vítima desse relacionamento abusivo, Margaret passava mais de 16 horas seguidas pintando. Ela foi afastada dos amigos e da própria filha para evitar que alguém descobrisse o segredo. Era vigiada, controlada e pressionada pelo marido. 

Nesse contexto Margaret começa um outro estilo de pintura e passa assinar como MDH Keane e faz um acordo com Walter para ter a permissão de também expor suas obras: "Grandes Olhos" continuariam sendo pintados e com a autoria assumida por Walter Keane.



A partir daí o incômodo de Margaret começa a crescer até a situação ficar insuportável e ela fugir com a filha. Porém continua sobre o domínio e manipulação do ainda marido Walter Keane.

Cansada de assistir de longe e com sofrimento suas pinturas se tornaram um fenômeno popular, passando a integrar até mesmo produtos, como pôsteres, cartões postais, cadernos. Cansada desta situação Margaret luta para reaver a autoria de suas obras e o lucro advindo delas.

Um filme que além de nos apresentar as obras da artista, de falar de direitos autorais, nos fala de machismo, da luta das mulheres por reconhecimento, de relação abusiva. Alguns muitos momentos gera revolta, como quando Margaret vai procurar ajuda em uma igreja e ouve do padre:

“Você teve uma educação cristã, você sabe o que eles nos ensinam: o homem é o chefe da família. Talvez, devesse confiar nisso. ”

Mas um bom filme para assistir e uma ótima história para conhecer.

PS: imagens obtidas na internet.


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domingo, 26 de abril de 2020

A Semana 16 - Sexta Semana de Quarentena


Estranho o que o isolamento social faz com a gente... O mês de abril sempre foi um mês esperado por conta dos feriados. Planos de um fugidinha. Uma viagem curta. Um passeio. 

Estando em quarentena e mês de abril chegou e os feriados foram esquecidos. Não foram considerados no planejamento. Precisou a empresa mandar um aviso lembrando que teria dois dias de feriado na semana e que as pessoas deveriam desfrutar e descansar. 

Pensando bem eu acho que foi a única vez que eu lamentei um feriado. Um não, dois! Em tempos de quarentena, o home office distrai, ocupa, ajuda a passar o tempo. Feriado deu a sensação de desperdício. Essa quarentena mexe mesmo com as pessoas!

Aproveitei os dias de feriado para fazer nada, deixar no sofá e apenas olhar para o teto. Respirar! Também aproveitei os dias fazendo coisas que gosto, tentando focar no positivo, me afastando de más notícias.

Mesmo eu dando como encerrada a coleção de garrafas, dizendo que começaria uma nova estampa, não resisti e fiz mais uma. A amarela! Agora chega. Vamos variar! Eu espero.


Aproveitei todo o movimento artístico e cultural que está movimentando as internet com as lives. Assisti a várias. É muito interessante ver esse processo de inovação comportamental que essa pandemia está nos provocando. 

Assisti a série "Nada Ortodoxa" e me surpreendi positivamente. Vale a pena seja pela história, pelo conhecimento de uma outra cultura, ou pela oportunidade de ver que existem comunidades nos tempos atuais tão próximas de nós, mas que vivem uma realidade tão distante. Fiz um post sobre a série.


Seguimos cozinhando. Outro sentimento estranho que a pandemia está causando em mim é o medo das coisas que entram em casa. Será que estão contaminadas? Isso está gerando um movimento de produzir em casa. Um retorno ao artesanal, aos tempos que tínhamos mais tempo e precisávamos menos de coisas prontas. Mais uma reformulação do dia-a-dia em tempos de quarentena, temos feito o nosso próprio pão. Tem receita no post "Pãozinho da Craudinha".


Pintei um oratório que a princípio seria para uma amiga. Mas ganhei esse São Camilo de Lelis, protetor dos enfermos, hospitais e seus trabalhadores, que resolvi ficar com ele. Também já tem post "Pintura e Origami - Oratório para São Camilo de Lelis".


A necessidade de confort food também é outra "esquisitice" que bateu forte nesse nesse isolamento social. Seguimos firmes e fortes na produção de bolos. Uma única receita fácil que possibilita diversas variações. O Bolo de Bolo da Vovó.



Recebi como dica do trabalho o filme "Grandes Olhos" que gostei bastante. O longa é baseado na história da pintora Margaret Keane, conhecida por pintar pessoas com grandes olhos, e mostra a trajetória desta artista nos anos 50. Deviso ao preconceito e machismo da época, Margareth acaba aceitando que o marido assuma a autoria de suas obras. 

A indicação do filme pelo meu trabalho foi com o foco em questões de direitos autorais, mas além de possibilitar conhecer as obras da artista que eu não conhecia, o filme fala de machismo, de relações abusivas, de violência psicológica e de que é possível se desvencilhar desse tipo de relacionamento. 


Sigo fazendo a minha parte, ficando em casa, protegendo a minha família e cuidando de quem posso. Tentando aproveitar os meus dias da melhor maneira possível, com equilíbrio entre ser produtiva e me permitir fazer nada. Aberta aprender com as novas necessidades apresentadas pela pandemia, remodelar os costumes, reformular o dia-a-dia , dar um passo atrás no que for necessário (como ter produções caseiras de alimentos e serviços) e dar um passo a frente no que temos ao nosso alcance (como o uso da tecnologia para o lazer e conexão com as pessoas).

Este post faz parte da BC A Semana que tinha sido substituída pela BC #ReolharAVida em 2019 que veio substituir a BC #52SemanasDeGratidão que em 2017 substituiu a BC A Semana que por sua vez já tinha substituído a BC Pequenas Felicidades.

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sábado, 25 de abril de 2020

Receita de Pãozinho da Craudinha


Nesses tempos de quarentena a cozinha tem sido um refúgio. Um ponto de encontro, área de lazer, local para voltarmos as origens e ao artesanal. 

As trocas de receitas fazem parte das dicas do que fazer nesses dias em casa. E nada como receber um receita escrita a mão. Dica de amiga para a amiga. Aquela testada, aprovada e com toques pessoais.


Esse pãozinho caseiro tem feito sucesso aqui em casa. Fazemos meia receita que rende em torno de 15 calzones de 10 centímetros aproximadamente.


O que utilizamos:

- 25 g de fermento biológico seco (2 e 1/2 colheres de sopa cheias);
- 1 xícara de água morna;
- 1/2 colher de sopa de açúcar;
- 500 g de farinha de trigo;
- 1/2 xícara de azeite (ou óleo);
- 1/2 colher de sopa de sal (um pouco menos de meia colher).

Como fizemos:

Dissolvemos o fermento e o açúcar na água morna. Faz aquela espuminha.
Em um recipiente misturamos a farinha e o sal. Fazemos um buraco no meio e colocamos uma parte do fermento dissolvido e do óleo. Misturamos. Vamos acrescentando os líquidos aos poucos até a massa ficar no ponto que não gruda na mão.

Polvilhamos farinha sobre a mesa, esticamos com um rolo um parte da massa, recheamos enrolamos e fazemos um corte suave na massa.




Colocamos em uma forma untada com azeite, colocamos uma cobertura para dar uma graça e identificar os diferentes recheios.



Levamos ao forno pré-aquecido a 200ºC por aproximadamente 20 minutos.

Como temos veganos e não veganos na casa variamos nos recheios.

Para veganos já fizemos:


  • tomate e cebola picados, bem temperados e polvilhados com orégano. Pode colocar um pedaço de queijo vegano também. Polvilhamos orégano sobre o pãozinho.
  • Banana cortada em fatias ao comprido polvilhada com canela. Salpicamos canela sobre o pãozinho também.
  • cachorro-quente vegano usando salsicha vegana.  




Para não veganos:

- queijo com presunto. Colocamos um pedaço de presunto e salpicamos queijo parmesão no topo;
- queijo com cebola e orégano. Salpicamos orégano e queijo parmesão no topo.


Cachorro-quente. Outra opção é linguiça calabresa com cebola.


Uma receita bem simples, fácil de fazer. Nem precisa deixar a massa descansar. E superversátil. É só usar a criatividade e variar nos recheios. Pode fazer também pães maiores. Nós preferimos nesse formato individual. 

"Pãozinho da Craudinha" é um nome dado por nós por brincadeira de ciumeira "dazamigas" (é que às vezes, mas só às vezes, falta maturidade). 





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sexta-feira, 24 de abril de 2020

Pintura e Amigurumi - Oratório para São Camilo de Lelis, padroeiro dos enfermos, hospitais e profissionais da saúde



Eu comecei a pintar este oratório para uma amiga. O objetivo sera presenteá-la com uma Nossa Senhora Desatadora dos Nós em amigurumi. Conjunto que eu amo: oratório em madeira pintado por mim com #técnicaodilafreire e santinho em amigurumi feito pela Renata do @crochererj.


Escolhi as cores pensando na minha amiga e na imagem da Nossa Senhora Desatadora dos nós.


Se a imagem da santa que a amiga amiga é devota tem as cores azul e vermelho, propositalmente escolhi outras para dar destaque.


Tudo pronto! Eis que a Nossa Senhora Desatadora dos Nós chega aqui em casa com São Camilo de Lelis, até então desconhecido por mim. Porém São Camilo deve estar muito ocupado nesta época, pois é o padroeiro dos enfermos, hospitais e profissionais da saúde.

padroeiro dos enfermos, hospitais e profissionais da saúde em amigurumi

Achei que a imagem de São Camilo combinou perfeitamente com o oratório. Achei que ela merecia ess

padroeiro dos enfermos, hospitais e profissionais da saúde em amigurumi

São Camilo foi uma criança difícil e um jovem problemático. Carregou as dores de uma ferida no peito do pé direito. Ela surgiu ainda na juventude, mais ou menos quando tinha 20 anos de idade. Iniciou, primeiro, como uma pequena bolha que, de tanto mexer, se tornou ferida e, aos poucos, foi tomando a perna inteira. Foi no hospital buscando cura para a sua doença que teve a inspiração de começar o seu serviço às pessoas enfermas. Ele dizia que o cuidado dado a um paciente de hospital deveria ser o mesmo que uma mãe dá ao seu filho único quando este está enfermo. Até que fundou a Ordem dos Ministros dos Enfermos.

"São Camilo de Lelis é considerado o precursor da Cruz Vermelha, pois fundou os Servos dos Enfermos e os enviou aos campos de batalha. Assim, 250 anos antes do nascimento da Cruz Vermelha Internacional, a “cruz vermelha” estampada nos hábitos dos filhos de São Camilo já brilhava nos campos de batalha como sinal de fraternidade." Fonte aqui.

Oratórios em madeira pintados a mão

Assim, como disse a minha amiga Renata em seu Instagram quando postou a foto do seu São Camilo de Lelis em amigurumi: "Que neste momento, ele interceda por todos que esperam e necessitam de cura e conforto, e proteja a todos que estão na linha de frente!!Um sábado de fé e esperança a todos!!".

Oração a São Camilo de Léllis
“Senhor, Deus de toda a consolação, Pai rico em misericórdia, vós sois amor. Conheceis nossas necessidades e estais presente em nossos sofrimentos. Escolhestes São Camilo para cuidar dos doentes e ensinar como servi-los. Pedimos, por vossa intercessão, o dom da caridade que ilumina, fortalece e leva à plenitude a nossa vida para amar-vos também em ossos sofrimentos e servir-vos com amor em nossos irmãos e irmãs doentes. Amém. São Camilo de Léllis, rogai por nós.”


E como fica a minha amiga e sua Nossa Senhora Desatadora dos Nós? Vão ganhar um outro oratório feito para elas com todo carinho e amor nas escolhas das cores. 

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Bolo de Bolo da Vovó e sua variações

Eu ando muito boleira por aqui. Desde que começou a quarentena que sinto vontade de ter bolo em casa. Como se estivesse pronta para receber um visita. A visita de nós mesmos.

Aliás, esse desejo parece não ser exclusividade minha tanto que nas primeiras semana o fermento em pó, tão necessário para fazer os bolos crescerem, sumiu das prateleiras do mercado.


receita de bolo mesclado simples


Acho que essa necessidade de ter um bolo fofinho sobre a mesa neste período difícil, de incertezas, medo, angústia e estresse (sério, a chegada das compras em casa se tornou um dos momentos mais tensos), vem da memória afetiva que a imagem do bolo traz.

O bolo para o lanche da tarde lembra casa de avó, lembra visita de tias, lembra de amizade entre vizinhas. Traz para o presente a histórias contadas em torno da mesa.

Eu me lembro da disputa divertida para lamber a massa crua que sobrava nas paredes do recipiente da batedeira. Me lembro da minha mãe querendo uma fatia de bolo quente. É assim que ela gosta: bolo quente com manteiga.

Em tempos de incertezas com o futuro as nostalgias com o passado ganham espaço na nossa alma. Bolo faz esse carinho no estômago e na alma.

Receita de bolo mesclado simples


Eu tenho utilizado a receita mais básica, mais tradicional, aquela de casa de avó que todo mundo sabe fazer de olho. A receita original é de bolo de bolo. Sem gourmetização (no máximo a irresistível calda de chocolate), mas com amor no coração.


Receita de bolo formigueiro

Nela vamos variando. Acrescenta achocolatado e o bolo deixa de ser de bolo para ser de chocolate. Polvilha um chocolate granulado e o bolo de hoje fica diferente, e Formigueiro. Divide a massa ao meio e coloca chocolate em um parte e teremos um bolo branco e preto. Se der uma misturada jeitosa nas duas porções, rola um mesclado. Troca o leite por suco de laranja e temos novo sabor. E a criatividade vai dando novos sabores, mas bem ali na base está o bolo de bolo, o melhor deles, o que mais traz lembranças, aconchego e conforto.

Receita de bolo formigueiro

Vamos a receita do Bolo de Bolo.

O que utilizamos:

- 3 ovos;
- 1 e 1/2 xícara de açúcar
- 4 colheres bem cheias de manteiga;
- 1 e 1/2 xícara de leite;
- 3 xícaras de farinha de trigo;
- 1 colher (sopa) de fermento em pó;
- 1 colher de chá de essência de baunilha.

Como fizemos:

Separamos as gemas das claras. Batemos as claras em neve e reservamos.
Em um recipiente batemos as gemas com a açúcar até ficar uma mistura homogênea e clara. Acrescentamos a manteiga e batemos bem. Adicionamos o leite e a farinha de trigo aos poucos e sempre mexendo. Colocamos a baunilha. Incorporamos as claras batidas em neve misturando levemente. Por último, o fermento.

Despejamos a mistura em uma forma de bolo com furo no meio, untada com manteiga e enfarinhada. Um toque nosso, dica da minha tia, para o bolo ficar brilhando no topo: colocamos pitadas de manteiga sobre a massa.

Assamos em forno médio, pré-aquecido a 200ºC, por aproximadamente 40 minutos, ou até passar no teste do garfo.



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segunda-feira, 20 de abril de 2020

Série Nada Ortodoxa

Apesar de a série "Nada Ortodoxa" ter aparecido em destaque em algumas das vezes que entrei na Netflix em busca do que assistir para animar a minha quarentena, ela não tinha despertado o meu interesse. 


Aliás, a série que estreou no Brasil no dia 26 de março não chamou mesmo a minha atenção. Não sei bem. O trailer me passou a impressão de seu uma história que aconteceu no início do século passado. Não deu aquele click.

Até que no feriado de quarentena, em isolamento social, procurando algo o que fazer, esperando a hora passar até começar um live que eu queria assistir, como já estava com o computador ligado mesmo, entrei na Netflix. Mais uma vez "Nada Ortodoxa" me surge em destaque. Passeio o olho rapidamente e atentei para dois detalhes: "minissérie" e "inspirada em uma história real". Meio reticente eu resolvi dar uma chance. Mas bem reticente mesmo. Quando vi que o primeiro episódio teria duração de 55 minutos, eu quase desisti. Mas era o tempo exato para a tal live começar.

Assisti ao primeiro episódio. Quase deixei a live de lado. Já estava bem curiosa para acompanhar o desenrolar da história de Esty (Shira Haas), uma adolescente de 17 anos que vive em comunidade judaica conservadora em Williamsburg, no Brooklyn (Nova Iorque). 
Tá, mas a série estaria ali me esperando. A live tem seu tempo e hora marcados. Assim que acabou a live voltei rapidamente para "Nada Ortodoxa". A minissérie tinha me pegado de jeito. Foi assim que "niquivi" eram uma e meia da madruga e eu tinha acabado de assistir aos quatro episódios. 
Inspirada na best-seller do New York Times Unorthodox, escrito por Deborah Feldman, a minissérie mostra detalhes da cultura judaica. Outro ponto interessante é que tem muitas cenas em iídiche, o idioma judaico.

A história se desenvolve no presente, porém mostra em flashbacks como Esther chegou na situação que está vivendo no momento. 

Criada pelos avós e um pai ausente, dentro das regras rígidas da cultura judaica ortodoxa, Esty entra em um casamento arranjado aos 17 anos. Apesar dos medos, dúvidas e inseguranças, ela neste momento ainda acredita que este realmente é o caminho que deseja para sua vida. Mesmo já se sentindo diferente das outras mulheres de sua religião, Esther ainda não tinha a dimensão do quanto as tradições de sua religião eram opressivas para ela.

Mas Esty não se encaixa naquele padrão de regras e limitações. Ela tem desejo de liberdade, de conhecer e experimentar mais sobre a vida. Se vê sufocada, desenquadrada e sem saída. Resolve fugir e reconstruir a sua vida longe daquela comunidade castradora. 

Eu que conheço pouco sobre os costumes judaicos ortodoxos realmente ao ver as cenas desse contexto, a forma como as mulheres se vestem, como são tradadas, como realizam o seu papel na comunidade, achei que a história se passava em um passado longínquo. Algo tipo no início do século passado. Porém, a história é atual. Aconteceu em 2006. Percebemos isso quando Esther finalmente consegue sair dos limites da comunidade em que vive. A sensação é que ela ao entrar no táxi rumo ao aeroporto passou por um portal do tempo. 

É emocionante acompanhar as descobertas de Esty, vê-la se surpreender ao se deparar com situações tão corriqueiras no mundo atual e que eram tão desconhecidas para ela, sentir os prazeres da conquista da liberdade e do poder de fazer as próprias escolhas.



"Nada Ortodoxa" foi uma ótima surpresa! Além de mostrar mais sobre essa cultura, traz mensagens de luta pelos ideias, que sempre é possível recomeçar, que vale a pena ter coragem para arriscar e buscar a liberdade. 

Saber que a história é real e atual torna tudo mais surpreendente, interessante e relevante de ser mostrado para o mundo.


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domingo, 19 de abril de 2020

A Semana 15 de 2020 - Quinta Semana de Quarentena


Confesso que não está fácil. Mas também tenho que agradecer porque não está tão difícil assim. Na verdade a dificuldade está vindo de dentro de mim. O meu entorno está até bem tranquilo diante da situação.

Para buscar a positividade e acalmar o coração intranquilo procuro focar em boas notícias, situações leves, coisas divertidas, momentos de descontração. Respiro. Deixo o tempo passar. Tempo para dar um tempo. Penso na natureza que está se recompondo. Tendo tempo. 

No meu tempo nesta semana fiz comidinhas gostosinhas para saborear com a família. 



Assisti a comédia sem graça "As Trapaceiras". Escolhi As Trapaceiras, uma inversão de gênero da comédia Os Safados, pelo gênero e por ser com as atrizes Anne Hathaway e Rebel Wilson. Apesar do cenário lindo da Riviera Francesa, e da dupla de protagonista, o filme decepcionou. A princípio eu achei que o meu humor é que não estava para humor e insisti. No final percebi que realmente filme caminhou por humor forçado e um discurso feminista que não decolou.

Sinopse: "Refilmagem dos clássicos, Bedtime Story (1964) e Os Safados (1988), mudando o gênero dos protagonistas. Duas vigaristas, uma de alta classe e outra desleixada e bem menos sofisticada, fazem uma aposta na qual a perdedora deve deixar a cidade.".



Finalmente pintei a última peça do velho jogo de inox. Fiquei feliz com o resultado, com o colorido e com a sensação de tarefa concluída. 


Mais do que li a autobiografia da Rita Lee. Ouvi as músicas, assisti as cenas, experimentei o livro.


Dei aconchego para o estômago e para a alma. Fiz bolo. Aliás, desde que começou a quarentena eu emendo um bolo no outro. Vou fazer um post sobre isso.


Segui meu tempo. Ora angustiada com as irresponsabilidades lá fora, ora feliz com a onda de solidariedade. Ora tranquila e grata pelo cenário no meu mundinho, ora agitada pela falta de liberdade. Mas no geral, no resultado das somas e subtrações, acreditando nos aprendizados, superações, reconstruções, e equilíbrio que resultarão desse momento que estamos pendendo na corda bamba.


Este post faz parte da BC A Semana que tinha sido substituída pela BC #ReolharAVida em 2019 que veio substituir a BC #52SemanasDeGratidão que em 2017 substituiu a BC A Semana que por sua vez já tinha substituído a BC Pequenas Felicidades.

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