quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Gente com medo de gente



Uma ida ao cinema com as amigas acompanhada de risos, seguida de pizza com vinho acompanhada de conversa e risos. Gente sendo encorajada por gente. Programinha bom que trouxe um conforto especial e que me deixou mais feliz.

Uma volta para casa caminhando a pé por volta das dez da noite, acompanhada de conversa e sobressaltos. Coisas do tipo apressa o passo, não dá bobeira a essa hora na rua, olha o carro da polícia prendendo um homem, anda rápido, achei que tinha alguém me seguindo. Gente com medo de gente. Um pequeno trecho que trouxe certo desconforto e quase minou aquela sensação anterior de estar mais feliz. O que o cenário de violência faz com a gente?!

Paramos no sinal, eu atravessei para a esquerda sozinha e elas seguiram para a direita. Assim que atravessei a rua, eu cheguei a uma pracinha. Ali estavam três homens moradores de rua fazendo uma boquinha, dividindo uma quentinha em um prato de alumínio, sentados em um banco. Eu caminhando com duas meias garrafas de vinho, uma em cada mão, depois de dividir uma pizza com duas amigas.

— Boa noite, tia! Dá uma dessas aí pra gente?!

Apesar da simpatia na voz e a forma gentil de abordagem, um rápido sobressalto e pensamentos do tipo eles vão vir em cima de mim para pegar as garrafas passaram pela minha cabeça. Gente com medo de gente. Rapidamente resolvi parar, dar atenção e falar com a mesma gentileza. Resolvi ser gente encorajada por gente.

— Boa noite. Elas estão vazias — falei com tranquilidade e sorriso leve no rosto.
— Ih tia, bebeu todas, hein?

Mais um rápido sobressalto e pensamentos do tipo se eles acharem que estou bêbada podem vir em cima de mim. Gente com medo de gente. Respira, afasta esse tipo de pensamento e continua o diálogo com tranquilidade. Resolvi ser gente encorajada por gente.

— Que nada! Peguei essas garrafas vazias no lixo.

Na verdade uma das meias garrafas eu tinha bebido com as minhas duas amigas e a outra realmente peguei no lixo. Mas achei mais simples falar apenas que as peguei no lixo.

Os três riram. Na certa me imaginando revirando o lixo.


— Mas por que a tia pegou as garrafas no lixo?
— É que eu faço artesanato com as garrafas. Vou pintá-las.
— Ah que legal! Outro dia a tia traz uma garrafa pintada pra gente ver?
— Trago sim. Aproveito e trago cheia de suco. Pode ser?
— Pode ser, mas se a tia quiser trazer cheia de vinho,a gente vai gostar também.


E caíram na risada novamente.


— Combinado! Boa noite.
— Boa noite, tia. Vai com Deus.
— Ok. Fiquem com Deus.

Segui o resto do meu caminho mais leve. Com aquela leveza inicial que o filme e a pizza com as amigas tinham me proporcionado e o caminho para casa estava quase apagando. Aquela conversa improvável me trouxe um conforto especial, mesmo os três insistindo em me chamar de tia. Como é bom ser gente e não ter medo de gente! Quando seremos humanos a ponto de termos medos de fantasmas, monstros, baratas, aranhas, coisas assim?

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Mesas para enfeitar, colorir e florir


Eu estou ficando ousada nessa coisa de pintura! E estou gostando disso!


Resolvi mudar aquele pensamento de "eu não dou conta" por "sou capaz sim" e encarei pintar as mesas, com a orientação da professora Odila Freire


E me surpreendi comigo mesma.


 Fiz a mesinha vermelha para presentear a minha mãe.


E a preta para presentear uma amiga.


Pausa para foco nas taças.


Achei que as mesas mereciam taças especiais!


Voltando às mesas, elas são portáteis, abrem e fecham, e podem ser deslocadas com facilidade. São ótimas para levarmos para a varanda para tomar um vinho, para colocarmos ao lado do sofá para apoiar a pipoca enquanto assistimos a um filme, ou simplesmente para enfeitar, colorir e florir a casa.


Pintar essas mesas me deixou muito feliz. Espero que quem as receba também fique feliz com o presente. 




Para quem gostou das mesas, tem mais posts com outras peças que pintei com a técnica Odila Freire:






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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

A Semana 38 de 2017 - (Des)Ânimo


A semana começou animadíssima com Rock in Rio 2017. Esta foi a primeira vez que fui com a Ana Luiza e a Sofia juntas. Já tinha com apenas uma de cada vez. Curtimos muito os shows! Contei aqui no blog, no post "Rock in Rio 2017 - Nós Fomos!".






Sou muito grata por ter disposição e um espírito alegre que topa qualquer parada. Assim tenho a  oportunidade de desfrutar de momentos intensos e de aventuras com as minhas filhas. 

Rolou a pré-estreia do filme "Duas de Mim", o primeiro da Cininha de Paula, que tem estreia marcada para o dia 28/09.

Pré-estreia do filme Duas de Mim


Parte do elenco que conta com Thalita Carauta, Letícia Lima, Latino, Marcio Garcia, Maria Gladys, Gabriel Lima, Alessandra Maestrini, Luma Costa, Polly Marinho, Nizo Neto, Gil Coelho, Stella Miranda, além das participações dos chefs Claude Troisgros, Flávia Quaresma e Andre Mifano, estava presente, dando entrevistas (até o Vídeo Show estava por lá entrevistando o elenco e fazendo fotos. 



A comédia dirigida por Cininha de Paula é uma ótima oportunidade para dar boas risadas.

Sinopse: "Para Suryellen, 24 horas por dia não são o suficiente para fazer tudo que precisa para manter sua família. Cozinheira de mão cheia, sempre sonhou em ser chef, mas a realidade simplesmente não colaborou com seu desejo. Mãe solteira de Maxsuel, adolescente precoce, vive no subúrbio carioca com o filho, a mãe aposentada, Sonja, e Sarelly, sua irmã encostada. Como tantas mulheres que precisam se dividir em várias para dar conta de tantas tarefas, Suryellen só não tem tempo para ser feliz e realizar seus sonhos. Até que conhece uma boleira misteriosa que lhe concede a chance de realizar seu maior desejo. Só que na hora de fazer o pedido, o que aparece é uma cópia dela mesma. E o que duas Suryellen serão capazes de fazer?"

Fico grata por todas as oportunidades que o blog me proporciona.

Fui almoçar com uma amiga no restaurante Casa Momus, que eu não conhecia, e comi um risoto de rabada com agrião, maravilhoso! O almoço foi ótimo! Comida boa, lugar agradável, companhia excelente com ótimo papo, dicas e muito incentivo. 


Fico muito grata pelas amizades que eu tenho.

Depois desse início de semana animado, me bateu um certo desânimo. Eu senti necessidade e vontade de ficar mais devagar, de fazer pouca coisa, de descansar a cabeça. E foi isso que eu fiz. Desacelerei. 

Recebi duas mensagens de duas amigas diferentes. Ambas me enviaram fotos de cantinhos de suas casas com pinturas que eu fiz para elas. 

Aqui a a bandeja que fiz e está enfeitando o cantinho do café.


As garrafas que pintei para a outra amiga e está florindo a sala dela.


Fico muito grata por estar, de certa forma, presente na casa das minhas amigas. Fico muito grata por poder demonstrar a minha amizade com esse carinho. 

As duas mensagens até me deram ânimo para terminar de pintar esta mesa para minha mãe. Vou fazer um post mostrando mais detalhes das duas mesas que eu pintei. 




Algumas vezes, por estar acostumada a fazer muitas coisas, quando sinto vontade de fazer nada, a primeira impressão que tenho é que estou desanimada. Mas na verdade não precisamos ter sempre uma agenda cheia, nem muitas ideias para executar para ter uma semana boa, alegre e com motivos para agradecer. Fazer poucas coisas pode trazer a sensação e o sentimento de realização. De ter realizado a própria vontade.


Este post faz parte da BC #52SemanasDeGratidão proposta pela Elaine Gaspareto que neste ano vai substituir a BC A Semana que aqui no blog substituiu a BC Pequenas Felicidades.




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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Rock in Rio 2017 - Nós Fomos!



Ir ao Rock in Rio é sempre muito emocionante. Para mim que fui a várias edições aqui no Rio, desde a primeiro em 1985, toda vez que os fogos começam e toca a música oficial, eu me arrepio, o coração bate mais forte. Os fogos estourando e colorindo o céu aliados com as palavras cantar, sonhar, amar, se dar e viver têm um poder de mexer comigo.
 


Viver essa emoção junto com as filhas não tem explicação! É muito bom!
Rock in Rio com crianças

Traz um companheirismo muito legal, nos coloca literalmente na mesma vibe.



Em alguns momentos quando eu estava lá cantando, gritando, pulando, percebo aqueles olhares tipo: "essa é a minha mãe?!". Sim, essa é a sua mãe! Por que não?!

O Rock in Rio desde a sua primeira edição melhorou bastante em termos de infraestrutura e de atrações. Para quem foi no perrengue do primeiro sente como a organização melhora a cada edição, apesar de sempre ter reclamações, é claro.

Esta versão de 2017 está grandiosa, ocupando o Parque Olímpico (mais um motivo de grande emoção: voltar ao Parque Olímpico), e cheia de atrações. Em apenas um dia de festival não deu para ver quase nada do tanto que a Cidade Olímpica oferece. Passamos Rock in Rio Boulevard e sua calçada da fama em homenagem aos grandes nomes da música mundial, fomos no palco Digital, passamos pelo palco Eletrônico, ficamos no palco Mundo.


E fomos no Mega Drop. Ui! Que frio na barriga!


Mas valeu ter a vista do alto de toda a Cidade do Rock e do mar de gente que estava lá embaixo.


Por ter uma estrutura grande demais acabei me movimentando menos do que nas outras edições. Com um espaço menor ficava mais fácil ir do Palco Mundo para o Palco Sunset e entre um show e outro, e retornar em tempo de ver o próximo. Acabei circulando apenas pela parte em azul no mapa da Cidade do Rock. Fiquei com gostinho de quero mais, como sempre fico em todas as edições.





Mesmo estado cheio foi bem tranquilo ir com as filhas, com já fui em anos anteriores. Basta levar bolsa pequena, documentos, um biscoito ou outro, roupas leves. Deu para comprar bebida e comida na boa (com uma certa fila, é claro, mas nada demais. Filas que encontramos em finais de semana nos shoppings.). Nem encontramos caos nem nos banheiros. Tinha fila sim, mas nenhum absurdo (costumo pegar filas maiores nos banheiros de shoppings ao término de uma sessão de cinema).

Fomos no dia 16/09 para os shows do Skank, Shawn Mendes, Fergie e Maroon 5.

Cadê a foto das pulseiras para eu colocar aqui?! Não acredito que não fotografei!





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sábado, 16 de setembro de 2017

A Semana 37 - Feliz por Tudo



Sentei para escrever este post com as pequenas felicidades da semana, com as coisas simples que me fizeram mais feliz, com os meus motivos para agradecer, com uma sensação enorme de leveza e alegria. Com a sensação de estar com o espírito livre. 

A semana foi boa sim. Boa como muitas outras. Com problemas a serem resolvidos e momentos para serem desfrutados. 

Teve tempo para tranquilidade, calmaria e muito carinho em casa.


Fico muito grata pela troca de carinho e amor que vejo na minha casa. Eles ensinam sobre a importância de regar as relações.

Teve almoço em família. 


Fico muito grata pelos momentos de lazer em família. Mais do que consumir uma boa comida, eles ensinam a se relacionar melhor.

Teve cinema em casa. Assisti ao filme "Os Nossos Meninos" baseado no livro "O Jantar". O filme trata de questões familiares, do papel dos pais, fala levemente da importância dos pais acompanharem o acesso à internet (é através de vídeos violentos que a violência dos adolescentes é estimulada), e fala principalmente moral, ética e proteção familiar, onde a escolha é sempre difícil.
Ótimo! Eu recomendo muito. Falei dele no post "Filme Os Nossos Meninos". Está gratuito no Now.


Fico muito grata sempre que consumo cultura de qualidade. Mais do que consumir cultura, esses momentos nos ensinam a ter uma visão menos ortodoxa da vida. 

Teve Bienal do Livro 2017. Já contei aqui no blog, no post "Bienal do Livro, Felipe Neto e uma Mãe de Adolescente", a saga dessa mãe de adolescente em busca da senha para a filha tirar uma foto com ídolo do momento.


Fico muito grata sempre que vejo um sorriso no rosto das minhas filhas. Mais do que momentos alegres, eles me ensinam que tudo vale a pena.

Teve presente carinhoso. A Renata, que é nossa fisioterapeuta desde que eu estava grávida da Sofia, me deu um amigurimi lindo, fofo, meigo, feito por ela. Amei o carinho. 


Eu fico muito grata por toda relação que ultrapassa o profissional e transborda para a amizade. Mais do simples relações de amizade elas nos mostram que o respeito e a gentileza trazem frutos. 

Teve almoço com amiga em restaurante bom, bonito e saboroso.  


Fico muito grata quando uma amiga disponibiliza o seu tempo para estar comigo por um horinha. Mais do que uma única hora para satisfazer a fome, um hora de trocas que nos apresenta um material farto de experiências que podemos aplicar no nosso dia a dia. 

Teve teatro com amigas. Eu e mais três amigas! A peça "Feliz Por Nada", baseada nas crônicas do livro da Martha Medeiros de mesmo nome, fala na amizade entre duas mulheres que se conheceram após os 40 anos e se tornaram amigas de infância. Me identifiquei e identifiquei as minhas amigas em diversos momentos da peça.


Eu adoro misturar as minhas amigas, apresentar umas para as outras e torço que para deste encontro saiam grandes amizades. Fico muito grata sempre que tenho a oportunidade de misturar as minhas amigas. 

Teve comemoração do aniversário da amiga Simone no Paris 6. Como sempre adorei estar com elas e ainda experimentar um restaurante que eu não conhecia. 


Eu fico muito grata pelas risadas que damos juntas. Mais do que rir juntas proporcionamos felicidade umas as outras. 

Teve mais aniversário de amiga. Desta vez o encontro foi de amigas de infância. Amigas que fizeram os primeiros anos escolares juntas. Aliás, toda a vida escolar, desde o jardim de infância até a faculdade. Amigas que se viram crescer.


Fico muito grata por esses encontros. Nossa, como eles me fazem bem!

A sensação do espírito livre que senti no início desde post foi porque durante esta semana, como em praticamente todas as outras, eu busco estar onde eu quero, com quem eu quero, porque eu quero.

Como diz a Martha Medeiros no trecho da crônica "Mulher Independente", do livro "Feliz Por Nada", também citado na peça: "Independência é sinônimo de honestidade: estou onde quero, com quem quero, porque quero.". 

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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Em busca do cinema



Mais um "causo" da pessoa contato no Fabcebbok que vem para o blog para ficar guardado e de fácil localização.


A pessoa escolhe aproveitar o feriado indo ao cinema. Compra o ingresso na internet, imprime em casa e vai. Simples assim. Chega ao cinema com antecedência suficiente para comprar a pipoca, afinal cinema sem pipoca é tipo "avião sem asa, fogueira sem brasa, futebol sem bola", namorar sem beijar. Não rola! 

Sendo assim, a pessoa compra o seu saco de pipoca, pendura a bolsa no braço esquerdo, segura a pipoca com a mão esquerda e o ingresso (aquela folha de papel A4 impressa em casa) entre os dedos da mão esquerda. Na mão direita está o refrigerante porque pipoca sem refrigerante é tipo "Piu-Piu sem Frajola, Bochecha sem Claudinho, Circo sem palhaço", namorar sem beijar. Não rola. Ainda na mão direita, entre os dedos, está o pacotinho de sal para a tal pipoca. 

Com esta sensação muito comum de que houve um desvio na natureza que deu mais braços ao polvo do que às mulheres, já que está na hora de começar a sessão, a pessoa se encaminha para a sua sala. Mas qual é mesmo a sala? "Por que não viu esse detalhe antes?", a pessoa se pergunta. Buscando um dom malabarístico, com o dedinho mindinho da mão direita abre o papel do ingresso que está entre os dedos da mão esquerda e tenta descobrir a sala sem derrubar nenhuma pipoca (não dá para desperdiçar), nem o refri. 

Sala 5! Lá vai a pessoa olhando meio para o alto em busca da sala 5. De repente o semblante de pessoa atrapalhada ligeiramente apressada vai se transformando em um semblante de pessoa confusa ligeiramente perdida. "Cadê a sala 5 desse cinema? Sequestraram a sala 5? Com a crise fecharam a sala 5?" Perguntas internas surgem, mas o mais provável é que a pessoa tenha visto o número errado. Mais uma sessão de malabarismo e confirma que realmente a sala é a 5. "Mas este cinema não tem sala 5!" 

Mas esta rua tem outro cinema NET. Eureca! A pessoa descobre então que está no cinema errado. Sai correndo com a bolsa que está pendurada no braço esquerdo balançando, a pipoca na mão esquerda saltitando como se estivesse na panela aberta e deixando um rastro no caminho como se fosse os miolos de pão que o Joãozinho deixou para marcar o caminho na floresta (lembrar das histórias infantis é cacoete de mãe que já contou 9.999 vezes cada uma delas), o refri da mão direita levantando gás com o sacolejo e fazendo do pacotinho de sal uma papa.
Finalmente a pessoa chega esbaforida, mas chega, ao cinema certo, na sala certa e a cadeira certa. E lá está uma senhora sentada em seu lugar. 

Mas quem vai se importar?! Afinal, a senhora naquela idade acertou o cinema, coisa que não é fácil já que são dois na mesma rua e com o mesmo nome (sim o mesmo nome só muda o sobrenome, mas quem se liga em sobrenomes hoje em dias?) e a sala. Deixa a senhora lá e senta em outro lugar porque os trailers acabaram de acabar e o filme começou a começar. 

A pessoa senta, relaxa e se identifica com o filme em vários pontos. Na hora que o pai Homero fala para a filha Rosa sobre a importância de rir de si mesma, a pessoa imagina a cena daquela "pessoa" que vai para o cinema errado e sai correndo pela rua deixando quase toda a pipoca pelo caminho.
Enfim, "Quem se diz muito perfeito / Na certa encontrou um jeito insosso / Pra não ser de carne e osso" trecho da música de Zélia Duncan que o Pedro diz para Rosa. 

Ah, qual o filme? "Como Nossos Pais".




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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Bienal do Livro, Felipe Neto e uma Mãe de Adolescente






Lá em 2011 a pessoa aqui já tinha dito: “Bienal?! Tô fora!” e tinha sido vencida por um pedido da filha que queria ver a Thalita Rebouças que estaria na feira em um dia nublado de feriado de meio da semana. Imagina só?! Praticamente toda a população do Rio de Janeiro sem trabalho, sem escola e sem praia estaria onde? Acrescente aí que neste mesmo dia, estariam também na Bienal Anne Rice, que levantava multidões com seus livros sobre vampiros, e o Pe. Marcelo. Agora nem a mente mais imaginativa conseguiria imaginar a loucura que estaria aquilo lá.

Pedido de filha é algo que seduz a pessoa aqui e faz com que ela mude de opinião facinho, facinho. Então, fui na tal Bienal com o espírito “tá na chuva, se molha e aproveita para pular nas poças”.

Mas saí de lá jurando bem juradinho, tipo de pé junto, que nunca mais me deixaria vencer, seduzir, sucumbir. Que Bienal, nunca mais! Mas nunca mais mesmo! Nunca, tipo never de jeito nenhum.

A pessoa estava bienalmente cumprindo a sua promessa. Já estava até bem tranquila em relação ao assunto. Nem aquele pânico de “lá vem Bienal, lá vem filha me pedir para ir, Bienal chegando, estou ouvindo os passos das filhas se aproximando...” estava rolando mais.

Até que neste ano, já nos últimos dias, Bienal quase chegando ao fim e a pessoa aqui passando intacta pelo megaevento literário, a filha mais nova chega informando que Felipe Neto estaria no último dia da Bienal.

Tá, e daí? E eu com isso? Felipe Neto é escritor também?

O Youtuber famoso entre muitas teens, incluindo a filha amada, lançou um “livrão” que está mais para uma revista e estaria no último dia da Bienal. As bad news, para mim, não paravam por aí. Ele iria tirar foto com os 500 primeiros fãs que chegassem lá.

Tá, e daí? E eu com isso?

Eu não teria nada, nadica de nada com isso, se a partir desta informação encontrar com Felipe Neto e tirar uma foto com ele não tivesse se tornado o sonho da vida da minha filha linda e amada.

De 2011 até 2017 alguns anos se passaram, a pessoa aqui mudou, melhorou, amadureceu, coisas que acontecem com todos os seres humanos. Mas algo continua igualzinho: a pessoa continua facilmente seduzida por pedido de filha e muda de opinião mais rapidamente do que come um brigadeiro.

Então, lá foi a pessoa encarar a loucura da Bienal imbuída do tal espírito “tá na chuva, se molha e aproveita para pular nas poças” e “quem chegar primeiro é mulher do padre” (lembrando que desde que Pe. Fábio de Melo lançou seus perfis nas redes sociais a brincadeirinha de criança mudou a frase).

Saiu de casa cedo, em um horário que para um domingo pode ser considerado madrugada, ficou na fila em pé por duas horas antes da Bienal abrir. Assim que os portões abriram correu feito um guepardo, mais rápido do que correria se a primeira a chegar assistisse Chaning Tatum dançando ao estilo Magic Mike, e chegou na outra fila para pegar uma das 500 primeiras senhas, ficou mais 30 minutos na segunda fila e conseguiu as senhas, viu a filha e a amiga pulando e vibrando de emoção por terem conseguido, correu até a próxima fila das pessoas que já tinham senha, mas queriam fazer a tal foto o mais rápido possível, ficou mais 2h30 em pé nesta fila até a filha fazer a tal foto. 

Felipe Neto na Bienal 2017


E no final das contas valeu muito a pena mudar de ideia, se deixar seduzir pelo pedido da filha só para ver o sorriso dela, sentir a sua alegria e ouvi-la dizer que este foi o dia mais feliz da vida dela.

Bom, mas agora já deu de Bienal para a pessoa aqui. Bienal, nunca mais! Mas nunca mais mesmo! Nunca, tipo never de jeito nenhum.


PS: eu adoro ler, incentivo a leitura, acho que eventos como a Bienal são importantíssimos e incríveis, fico feliz em ver o público interessado e participativo. Porém, as feiras já ficam cheias o suficiente e a minha presença não vai fazer a diferença. O meu incentivo e estímulo à leitura e autores fica por conta de idas frequentes a livrarias, participação em lançamentos, fazendo troca e doação de livros.




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terça-feira, 12 de setembro de 2017

Filme "Os Nossos Meninos" - Para todos os pais


Está em cartaz nos cinemas o filme “O Jantar” com Richard Gere, adaptação do besteseller de Herman Koch, de mesmo nome.

Antes de assistir a esta nova adaptação resolvi conferir a versão italiana para a história que aborda qual o limite da ética dos pais quando o assunto são os filhos. Até onde os pais vão por seus filhos?

“Os Nossos Meninos” é o título em português para o italiano “I Nostri Ragazzi”.



Filme para pais de adolescentes


A história gira em torno de Massimo e Paolo, dois irmãos com visão de vida opostas.

Massimo é um advogado bem-sucedido, um pai mais ausente que prioriza o trabalho à família. Paolo, um pediatra empenhado socialmente, atencioso com a família e que procura um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

Massimo mais pragmático e objetivo. Paolo mais emocional e sensível. A diferença de personalidade dos dois e o caminho profissional de cada um fazem com que eles tenham visões éticas completamente diferentes.

Apesar disso, como forma de sustentar a tradição italiana de manter a família unida, encontram-se, uma vez por mês, em um mesmo restaurante de luxo. A tradição se repete há anos e a conversa gira em torno do superficial: receitas de cozinha, a estreia do último filme francês, o aroma frutado de um vinho branco ou de mais um escândalo de corrupção. O que já é suficiente para que as
diferenças surjam e as críticas ao modo de vida de cada um também.

Os filhos de Massimo, Benni, e Paolo, Micheli, ambos com 16 anos estudam na mesma escola e, além de primos, são amigos e estão vivendo o processo da adolescência juntos, porém com dilemas diferentes.

Em uma determinada noite, as câmeras de segurança filmam um episódio de violência urbana. As famílias constatam que seus filhos podem ter cometido o tal ato criminoso.

A partir daí começam a ter reações diversas. Como agir em tal situação? Diante do xeque-mate, começam a questionar seus valores, princípios e deveres éticos para decidirem qual passo devem tomar para resolverem o problema.

O filme trata de questões familiares, do papel dos pais, fala levemente da importância dos pais acompanharem o acesso à internet (é através de vídeos violentos que a violência dos adolescentes é estimulada), e fala principalmente moral, ética e proteção familiar, onde a escolha é sempre difícil.

Faz pensar em como é fácil sermos morais e éticos quando somos apenas espectadores da situação. E quando somos os atores principais? Vamos agir  conforme nossos conceitos e valores? 

O filme vale muito a pena e o final é surpreendente.







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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Filme "Como Nossos Pais"


Desde que vi o trailer do filme "Como Nossos Pais" eu fiquei interessada em acompanhar a vida de Rosa (Maria Ribeiro), uma mãe de família que, como a grande maioria de nós mulheres, tenta dar conta de suas obrigações pessoais e profissionais.



Já no trailer senti uma certa identificação com a Rosa. 

Depois fui convidada para a cabine de imprensa deste filme que além de ter recebido o prêmio de Melhor Filme escolhido pelo público no Festival de Cinema Brasileiro de Paris, ainda ganhou seis Kikitos no Festival de Cinema de Gramado: melhor filme, melhor direção, melhor atris, melhor ator, melhor atriz coadjuvante e melhor montagem. Muitos merecidos melhores!

Infelizmente eu não pude ir na cabine e a minha amiga @marcia.cantahede foi me representando. Eu postei no Instagram a opinião dela sobre "Como Nossos Pais", o que só me deixou com mais vontade de assisti-lo.

Isso tudo para dizer que finalmente eu fui conhecer a vida de Rosa que é como a vida de muitas mulheres por aí. Muitas de nós que queremos dar conta de tudo e não damos. Muitas de nós que nos impomos uma perfeição impossível de atingir. 

Em determinada cena Felipe relembra para Rosa os versos da música "Carne e Osso", de Zélia Duncan e Moska "Quem se diz muito perfeito / Na certa encontrou um jeito insosso /Pra não ser de carne e osso".

A busca por esta perfeição em todos os aspectos da vida: profissional, como mãe, como filha, como esposa e amante, leva Rosa ao estresse, a exaustão, a crise no casamento e no trabalho. Soma-se a isso problemas com o pai, com a mãe e com a filha mais velha que está entrando naquela fase da pre-adolescência. 

Filhas na pré-adolescência... como me identifiquei! Em uma cena de diálogo entre a Rosa e a mãe, as duas falando sobre filhos crescendo, Clarice diz: "os filhos começam a ir embora quando nascem." Sim, isso mesmo, crescem a cada dia, a cada dia conquistam a independência e se soltam um pouco dos pais. 

Outra verdade dita por Clarice, uma mãe que não se culpa por sua trajetória não muito convencional, é que "chega uma hora em que a definição de mãe no dicionário é: não sabe nada.".

No decorrer dessa busca pela reinvenção, Rosa se descobre mais careta do que os pais e esta característica molda as suas relações com as filhas. É durante este percurso de busca por si mesma que o título "Como Nossos Pais", mesmo da música de Belchior, se justifica. Apesar de buscar ser diferente dos pais, Rosa repete muito da vivência deles, e principalmente da mãe.

"Minha dor é perceber 
Que apesar de termos feito tudo o que fizemos 
Ainda somos os mesmos e vivemos 
Ainda somos os mesmos e vivemos 
Como os nossos pais..."

Um filme lindo, emocionante, que trata as relações familiares com sinceridade e um excelente roteiro. Um filme em que nós mulheres nos identificamos do início ao fim. Se não estamos vivendo os dilemas de Rosa neste exato momento, com certeza, temos alguma amiga que está. 

A Fernanda Reali também falou do filme no post "Como Nossos Pais". Vale a pena clicar no link e dar uma olhada.

Sinopse:
"Rosa é uma mulher que quer ser perfeita em todas suas obrigações: como profissional, mãe, filha, esposa e amante. Quanto mais tenta acertar, mais tem a sensação de estar errando. Filha de intelectuais dos anos 70 e mãe de duas meninas pré-adolescentes, ela se vê pressionada pelas duas gerações que exigem que ela seja engajada, moderna e onipresente, uma supermulher sem falhas nem vontades próprias. Rosa vê-se submergindo em culpa e fracassos, até que em um almoço de domingo, recebe uma notícia bombástica de sua mãe. A partir desse episódio, Rosa inicia uma redescoberta de si mesma.".






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domingo, 10 de setembro de 2017

A Semana 36 de 2017 - Só na tranquilidade



Pintar é ótimo. Pintar para presentear amigos e familiares é melhor ainda. E a minha semana começou com muita pintura.

Pintei, com a ajuda da Ana Luiza, essas três garrafas para a minha amiga e madrinha dela. Escolhi usar esse tom de laranja-escuro, que é uma cor que eu não gosto, justamente para quebrar barreiras. Para mostrar que não existe o feio, que podemos transformar algo que não gostamos em algo que gostamos muito. E eu adorei o resultado!



Finalizei os cachepôs que pintei para minha mãe, estes com a ajuda da Sofia. Mostrei no post "Cachepôs Pintados à Mão". E ainda pintei uma mesa para presentear outra amiga. 

Fico grata por colocar um pouco de cor e alegria na casa de pessoas queridas, por demonstrar o meu carinho com esses objetos pintados por mim.

Fui dar um passeio rápido pela Feira Hippie de Ipanema, comer bolinho de estudante, buscar umas sapatilhas que eu encomendei e apreciar um pouco da arte desses artistas.


Fico grata por momentos simples de tranquilidade e arte. Colocar arte nos meus dias me faz um bem interno muito grande. 

Fomos convidadas para a estreia do musical infantojuvenil "Lá Dentro Tem Coisa". Aproveitei a oportunidade para levar a Sofia e uma amiga. Todas nós adoramos a peça baseada na obra "Partimpim" da Adriana Calcanhotto. Foi uma delícia cantar com as duas as músicas que fizeram parte da infância delas. 


Fico grata pelas oportunidades que o blog me traz. O espetáculo é maravilhoso e falei dele aqui no blog.

Depois de várias tentativas frustradas seguidas de resolver pequenas coisas e não perder a paciência, nem o rebolado, me presenteei com uma garrafinha de vinho e um pedaço de queijo. Depois eu conto melhor essa história.


Fico muito grata por me sentir tranquila e merecedora.

Fui assistir ao filme "Como Nossos Pais". Simplesmente maravilho. Vou falar melhor dele em um post exclusivo. Enquanto isso deem uma espiadinha no blog da Fernanda Reali, ela falou deste filme no post "Como Nossos Pais".


Fico grata quando vejo filmes de qualidade que me fazem pensar, refletir, me emocionar, relaxar e ter aquela sensação gostosa de tranquilidade interior.

Fui com duas amigas assistir ao filme "Castelo de Vidro". O filme é baseado no livro autobiográfico da jornalista Jeannette Walls (Brie Larson) que foi publicado em 2005 e traduzido para mais de 30 idiomas.

Uma história verídica chocante que retrata a história de uma família que procura viver fora dos padrões e de forma nômade. Uma família desajustada com uma mãe negligente, um pai alcoólatra e incapaz de lidar com seus dramas internos. Apesar de tudo isso, o amor está presente de forma intensa.

Os quatro filhos crescem neste cenário de sentimentos conflituosos. Por um lado o abandono e a violência psicológica. Por outro lado o amor, o carinho e a presença.



O filme causou certo incômodo principalmente por ser uma história real. Aí fomos aliviar a pressão, recuperar a tranquilidade, com pizza, uma taça de vinho e algumas risadas.


Fico muito grata pelas amigas que eu tenho. 

Este post faz parte da BC #52SemanasDeGratidão proposta pela Elaine Gaspareto que neste ano vai substituir a BC A Semana que aqui no blog substituiu a BC Pequenas Felicidades.




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