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segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

A Espetacular Garganta de Todra e o Oásis de Tinghir

Estou aqui nesses últimos dias de 2020, olhando para trás e revendo tudo o que vivi nesse ano, assim como os planos que ficaram para depois. Foi nesse olhar para trás que revisitei uma das viagens mais sensacionais que fiz, a road trip pelo Marrocos. E como eu sou péssimas com os posts de viagem, é claro que deixei de fazer um monte. Um deles foi desse trecho inesquecível! Um visual cinematográfico!



No dia anterior tínhamos visto o pôr do sol no Deserto do Saara. Achei que nada mais me surpreenderia. Mas o Marrocos é surpreendente do início ao fim. Quando pensamos que a natureza já nos mostrou toda a sua beleza, grandeza e esplendor, ainda temos muito mais com o que nos encantarmos. 

Seguimos estrada afora com destino a Ourzazate. Seriam quilômetros de estrada a serem percorridos nesse trajeto. Mas as estradas no Marrocos não cansam. Pelo contrário, nos empolgam. As paisagens variam bastante a cada trecho, a cada curva - montanhas, desertos, oásis, neve, lagos, pedras, rosas. O caminho em si já é uma atração. 



E no nosso roteiro teríamos duas atrações turísticas, do tipo imperdíveis, do Marrocos: Oásis de Tinghir e a Garganta do Todra.

Confesso que eu estava muito curiosa com o Oásis. Algo que eu só tinha visto em filmes e tinha aquela ideia de um espaço pequeno no meio de um deserto gigantesco. Mais uma vez me surpreendi! O Oásis é enorme! São alguns quilômetros de verde deslumbrante entre montanhas árias. Um contraste de cores de uma beleza avassaladora

O que fazer no Marrocos

Ao longo do oásis passamos por alguns vilarejos construídos ao seu redor, alguns povoados antigos fortificados, que foram construídos de barro, também chamados de Casbás ou kasbahs. A primeira primeira que passamos foi Tinejdad, localizada em Tafilalt, no Vale do Todra. 


O que fazer no Marrocos

É interessante observar como as construções são feitas para se integrarem com a paisagem. Achei isso de uma sabedoria incrível. 

E também para se adequarem as variações de temperatura no verão e no inverno. São construídas com uma mistura de barro e palha.




Em seguida, foi a vez de pararmos para tirar fotos em Tinghir, um dos pontos mais bonitos da estrada. A cidade está localizada em meio a um enorme palmeiral verde, que contrasta lindamente com as montanhas vermelhas do Alto Atlas e as casas construídas em barro.

Tinghir (também chamada de Tineghir ou Tinerhir) é um ponto imperdível na Estrada das Mil Kasbahs. A cidade, localizada no planalto que separa o Alto Atlas do Monte Saghro, uma das montanhas mais altas da cordilheira do Anti-Atlas com mais de 2700 metros de altura, é construída em terraços ao redor de uma parte mais alta dominado pelas ruínas de uma antiga residência, El Glaoui.


O que fazer no Marrocos

 
É uma região, que faz fronteira com o Saara, bem importante para a história do Marrocos. Faz parte da rota de comércio de sal, ouro e escravos entre a África negra e o Marrocos. 


O que fazer no Marrocos

Eu fiquei com vontade de caminhar no interior do oásis. Sei que tem essa opção de passeio e que o visual é incrivelmente belo. Porém não estava no nosso roteiro (infelizmente). 

Dali seguimos para as tais "Gargantas de Todra". Estamos seguindo a estrada passando pelas áreas de oásis, procurando tamareiras com frutas maduras, observando os kasbhas e apenas 17 km depois da cidade de Tinghir, de repente, após uma curva, a paisagem muda nos deparamos com essa maravilha da natureza. De perder o fôlego!

O que fazer no Marrocos

Como se não bastasse, entre os desfiladeiros corre o Rio Todra de águas limpas, transparentes e geladinhas. Não tem como resistir. Tive que seguir caminho por dentro d'água enquanto observava e absorvia a imponência, grandiosidade e beleza deste desfiladeiro.

O que fazer no Marrocos

O “canyon” é todo delimitado por paredes praticamente verticais. A parte mais impressionante são os últimos 600 metros no final da Garganta de Todra. Ali, os enormes paredões de rocha vermelha, que chegam a atingir 160 metros de altura, se aproximam ficando com apenas 10 metros de distância de uma parede a outra. 

O que fazer no Marrocos

A extensão total da Garganta de Todra é de quase 50 km, com várias opções de caminhadas e escaladas. Dizem que normalmente fica bem cheio tanto de locais que passam o dia se divertindo por ali, quanto de turistas que chegam para fotos e vão, como também dos amantes de escalada e caminhadas. Como fomos no final do inverno e chegamos mais para o final da tarde, pudemos aproveitar o local bem vazio. 


O que fazer no Marrocos

O Canyon de Todra é dramaticamente belo e a estrada é uma das mais espetaculares que vi. Fiquei impressionei com a magnitude, com a energia e as cores da Garganta de Todra. Não canso de dizer que o Marrocos é um país com alma. 



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sábado, 14 de março de 2020

Fábrica de Mosaico e Cerâmica em Fez, no Marrocos



O Marrocos é um país de cores intensas e coloridos. Grande parte dessa mistura, combinação e composição de cores é por conta dos mosaicos. Eles estão por toda parte fazendo parte da decoração, da arquitetura e da cultura.



Estão presentes desde os portões dos palácios reais


Até nos banheiros das lojas e casas. 


Andar pelos souks (comércios) e ficar enlouquecida com as louças e peças em mosaicos faz parte dos dias de quem está turistando pelo país. Andar pelas ruas e não ser impactado pelo colorido dos mosaicos é impossível.

A arte em mosaico faz parte da cultura marroquina. Logo conhecer esse artesanato é conhecer mais sobre a cultura do local que estamos visitando. Por isso visitar uma fábrica de mosaico e cerâmica em Fes se fez tão especial.

Fábrica de Mosaico e Cerâmica em Fez, no Marrocos

A tradição da cerâmica marroquina vem de Fes, cidade mais antiga do país e cuja medina é patrimônio mundial da UNESCO. A cerâmica esmaltada desenvolveu-se na cidade marroquina de Fes a partir do século XI.

Assim que iniciamos a nossa visita já começamos a aprender sobre o processo desse trabalho artesanal que está por trás de cada peça linda.

Tudo começa com a grés, material cerâmico a base de argila em tom cinza.



Cada peça ganha forma neste pequeno torno. Tudo é feito sem molde contando apenas com a habilidade do artesão. E nós com a simpatia e boa vontade dele em nos mostrar todo o processo. Olha que gentileza!


Depois vão ao forno onde queima em altas temperaturas. Neste processo a cor da peça se modifica, ficando praticamente branca e vitrificada. É um material altamente resistente.


As peças são desenhadas a mão por cada artesão e pintadas com corantes naturais de origem mineral. Não pode usar corantes vegetais ou animais pois esses perdem a coloração quando expostos a alta temperatura.

Outra curiosidade: não existem moldes. Os desenhos e pinturas saem da cabeça dos artesãos direto para as peças. Tu vem do trabalho de criação mental deles. Por isso quem começa a fazer a peça tem que terminar. Só ela conhece a ideia trabalhada na peça.

Depois de pintadas as peças voltam ao forno para fixar a coloração. Aí esses tons pasteis se transformam em cores mais vibrantes.


Já as placas de cerâmicas coloridas e lisas são cortadas para a confecção dos mosaicos.




Uma verdadeira montagem de quebra-cabeça. Um trabalho minucioso, detalhista e delicado.



Algumas peças são embelezadas e enriquecidas com fios de prata.


Esse trabalho manual, artesanal, criativo, sem pressa, resulta em trabalhos realmente lindos. 

Fábrica de Mosaico e Cerâmica em Fez, no Marrocos

Verdadeiras obras de arte. 

Fábrica de Mosaico e Cerâmica em Fez, no Marrocos

É uma arte passada de geração em geração, de pai para filho.

Fábrica de Mosaico e Cerâmica em Fez, no Marrocos


No final da visita, é claro que passamos pela loja que vende as peças produzidas ali. Nesse caminho já entendemos o valor dessas peças, o trabalho manual e criativo envolvido.

Fábrica de Mosaico e Cerâmica em Fez, no Marrocos

É tanto objeto lindo que a gente meio que pira. Dá vontade de trazer vários pedacinhos de Marrocos para casa.

Fábrica de Mosaico e Cerâmica em Fez, no Marrocos

Fazer a visita à Fábrica de Mosaicos e Cerâmicas vai muito além de apenas ver a cerâmica tradicional do Marrocos de perto. É um mergulho na produção dessa arte. É viver a experiência da produção, é pensar na história e nos sentimentos embutidos em cada peça, desde uma tigelinha que cabe na palma da mão, até móveis inteiros e painéis de parede. 

Fábrica de Mosaico e Cerâmica em Fez, no Marrocos




Esse é o décimo primeiro post do projeto #100EM1 que consiste em visitar 100 lugares no período de 1 ano e vi no blog Parafraseando com Vanessa. Achei que o projeto é uma ótima oportunidade para nos estimular a sair da rotina, buscar o novo, trazer aprendizado e reflexões. Dessa vez conheci um local novo dentro de um já conhecido.


Outros posts sobre o Marrocos:


Este post faz parte da BC A Semana que tinha sido substituída pela BC #ReolharAVida em 2019 que veio substituir a BC #52SemanasDeGratidão que em 2017 substituiu a BC A Semana que por sua vez já tinha substituído a BC Pequenas Felicidades.

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terça-feira, 10 de março de 2020

Medina de Chefchaouen - A Pérola Azul do Marrocos

Já vou avisando que vou pirar neste post. Não tem como economizar nas fotos. Não tem como ser sensata e selecionar apenas algumas. Não adianta! Eu pirei na Medina de Chefchaouen.


Chefchaouen, a cidade azul do Marrocos é aquele tipo de destino que tem que fazer parte de qualquer roteiro pelo país. É imperdível! Não é à toa que é uma das cidades mais famosas entre os turistas.

No nosso caminho de Tanger para Rabat tinha uma "Pérola Azul" Marroquina, a cidade de Chefchaouen. Eu já imaginava pelas fotos que tinha visto que seria realmente um lugar belo. Mas eu realmente não fazia ideia do que me esperava. Porém, algo no caminho já me sinalizava que o dia seria de ótimas surpresas. 



Assim que pisamos em Chefchaouen e começamos a caminhar pela cidade, os meus olhos sorriram instantaneamente. Encantada e meio hipnotizada com os tons de azul das construções.


Os pés de laranjas pelas calçadas, as carrocinhas padronizadas que vendia suco da fruta, as flores nas jardineiras, as pinturas nas pardes, as placas de sinalização em árabe, as pessoas circulando nas ruas, o cheiro de peixe de uma barraca de feira, o cheio do chá de menta na porta de um bar. Tudo era sensação despertada.


Praticamente todas as cidades do Marrocos possuem a parte antiga. Chaouen, para os íntimos (e eu já queria ser íntima daquele pedaço de céu na Terra) está dentro dessa estatística. Era para lá que nos direcionávamos, a Medina Chefchaouen. A nossa entrada foi pela Bab El-Ain, uma das portas da ao longo da muralha que delimita a Medina, construída no reinado de Muley Ali Ben entre 1471 e 1511. Tem tempo isso! E tem muita história por essa porta.




Mas vou confessar, eu já estava tão encantada com a parte nova de Chefchaouen e o tanto de coisas que tínhamos para explorar do lado de fora da Medina, que a minha primeira sensação entrar nesse arco foi de "puxa vida!".

Toda essa sensação de quero ficar mais tempo lá fora se transformou em quero ficar aqui dentro e explorar cada cantinho assim que ultrapassei a porta, avistei a primeira fonte e o que se abria ali dentro.


Um mundo azul decorado com detalhes que encantam.



Tudo, simplesmente tudo na Medina de Chefchaouen é tingido de azul. Paredes, portas, janelas, chão, etc.


Dentro da Medina, com suas milhares de vielas estreitas e casas caiadas os tons de azul se intensificam.
 


E os outros detalhes se destacam.
 


Descobrir becos e escadas.
 


Observando cada detalhe azul desse paraíso é como se perder no tempo. Não sei se a tranquilidade que o local emana vem do azul, ou se realmente ali o tempo passa mais devagar.



É impressionante como os moradores locais dão um toque de arte com simplicidade e criatividade a cada cantinho. Um simples canteiro ganha charme com pedaços de azulejos.




As portas e entradas das casas são um convite a imaginar como a vida segue lá dentro.
   



Será que é com a mesma tranquilidade que segue do lado de fora?

 



Já em outra viela o acesso a uma casa inspira um certo mistério. Quem vive naquela porta entreaberta no topo dessa escada estreita?

   


Azulejos, vasos, tapetes, tudo é usado para compor o cenário e colorir esse pedaço de céu.
   


Mais uma porta belíssima e aberta. Será que é um convite para entrarmos? Eu não arrisquei.

   


Assim como a cor azul, os gatos são figurinhas fáceis nos caminhos da Medina.

   


Os Souks (lojinhas de tudo que é tipo de produto) também estão espalhados pelas vielas. O azul parece que intensifica e destaca as cores dos produtos expostos e pendurados pelas paredes.

   


Um convite para uma foto.

   


Aliás, a Medina como um todo é um convite para fotos, muitas fotos. Isso justifica este post está cheio delas, né?
   




Passear pelas Medinas das cidades do Marrocos é sempre interessante, divertido, um estímulo a todos os nossos sentidos. Mas a Medina de Chefchaouen se torna especial, única, justamente por causa do azul.

Reza a lenda que todo esse azul da medina de Chefchaouen foi utilizada inicialmente pelos judeus, que faziam alusão aos objetos sagrados do Velho Testamento, que eram tingidos de azul, servindo assim como lembrança do poder de Deus sobre os judeus. Outra lenda sobre a motivação do azul é que a cor azul simbolize o próprio paraíso. E a terceira hipótese é que a cor azul tenha sido usada para espantar mosquitos. Será? Realmente eu não senti nenhum mosquito por lá.

Foi realmente maravilhoso explorar a Medina de Chefchaouen, o melhor passeio a fazer na cidade. Durante a nossa caminhada fizemos uma pausa para almoço no restaurante Casa Andaluz com decoração e comida típica, e atendimento gentil e espirituoso como é comum no Marrocos.




Depois de muito caminharmos e ouvirmos histórias sobre Chefchaouen seguimos nosso caminho em direção a Rabat. Já na estrada olhei para trás como quem queria absorver um pouco mais daquele lugar que vai deixar saudade e talvez eu nunca retorne,

Ali no alto da cidade de Chefchaouen, no topo da montanha deu para avistar a Medina Azul fundada em 1471 por mouros vindos de Andaluzia após a Reconquista, cidade que acolheu também, judeus de diversas partes da Espanha que fugiam da Inquisição Espanhola. E que hoje acolhe seus moradores e os turistas que ali chegam cheios de curiosidades. 



Esse é o décimo post do projeto #100EM1 que consiste em visitar 100 lugares no período de 1 ano e vi no blog Parafraseando com Vanessa. Achei que o projeto é uma ótima oportunidade para nos estimular a sair da rotina, buscar o novo, trazer aprendizado e reflexões. Dessa vez conheci um local novo dentro de um já conhecido.

Outros posts sobre o Marrocos:

- Pra cá de Marrakech;
- Jardim Majorelle;
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