Quando falo deixar ir ao banheiro sozinha, digo banheiro em lugares públicos.
Eu me considero uma mãe bem paciente e bastante presente. Adoro brincar com as minhas filhas; ler com elas ou para elas; estudar; passear; levar na natação, inglês, escola; ficar junto vendo televisão, enfim participar de tudo. Mas tem uma coisa que me irrita, é ter que levar ao banheiro nos lugares públicos.
Eu conheço todos os banheiros de todos os restaurantes da cidade, todos os banheiros de todos os andares dos shoppings, todos os banheiros das áreas de lazer que frequentamos. Como as duas são meninas, sempre sobra para mim essa tarefa.
Se estamos em um restaurante, é só chegar o meu prato para uma das duas anunciar que quer ir ao banheiro. Respiro fundo e lá vou eu. Quando chega a sobremesa é a vez da outra querer ir. Impressionante como elas nunca têm vontade ao mesmo tempo.
No mês passado estávamos fazendo um programa familiar em um shopping, com direito a almoço, cinema, "compritchas" e sorvete. Eu já tinha perdido as contas de quantas vezes eu já tinha visitado os banheiros quando a Ana Luiza anunciou que estava com vontade. Bom, era um shopping que costumamos frequentar então ela conhece bem, o banheiro era no mesmo piso e próximo de onde estávamos, então falei:
- Vai lá sozinha.
O pai respondeu:
- Sozinha, claro que não.
Aí fiz o meu discurso: ela já está grande, precisa ficar independente, você vê problema porque não é você que leva, fica arrumando atividade para mim, vou ter um filho homem só para você ter que levar sempre ao banheiro, blá, blá, blá... E quando vi, lá estava o pai levando a Ana Luiza ao banheiro. Alguns minutinhos depois eles voltam, a Ana Luiza com os olhos arregalados:
- Meu pai é doido, entrou no banheiro de mulheres comigo.
Pensei: é doido mesmo, neurótico, etc... mas falei:
- Não é doido não. Ele é preocupado e cuidadoso com você.
Exatamente uma semana depois, estávamos eu e a Ana Luiza no mesmo shopping e quando passamos em frente ao tal banheiro feminino fiquei dura, estatelada assistindo a seguinte cena: o segurança tirando dois moleques de rua, moleques de rua mesmo, tipo sem camisa, descalços, short sujo e largo, que deviam ter entre 14 e 16 anos, de dentro do banheiro feminino.
Fiquei imaginando se eu tivesse deixado a Ana Luiza ir sozinha ao banheiro e ela encontrasse com aqueles garotos lá dentro. Deus me livre. O pai tem toda razão. A hora de ir a banheiro em lugares públicos sozinha não é agora. Foi adiada e não sei até quando.
Obs.: esse shopping tem banheiro família e ficava em outro andar e muito distante de onde estávamos. De qualquer forma era uma opção para o pai não entrar no banheiro feminino. O incrível foi que nenhuma mulher reclamou. Devem ter achado tão surreal que não conseguiram esboçar uma reclamação.
Obs.: a Ana Luiza está querendo ir ao shopping com as amigas. Eu estarei lá e uma das regras será essa, na hora de ir ao banheiro me encontra e eu vou junto. Traumatizei.