A região de
Visconde de Mauá é repleta de cachoeiras lindas, com águas cristalinas e muito verde ao redor. Mas a cachoeira que mais me surpreendeu nesta região foi a Cachoeira do Alcantilado. Até hoje me lembro da sensação que tive quando cheguei lá pela primeira vez.
E é claro que eu tinha vontade de retornar a esse lugar de tirar o fôlego levando as minhas filhas para experimentarem a sensação de deslumbramento diante da natureza.
Então, nesse final de ano, aproveitamos que estávamos passando uns dias em
Maringá para realizar esse desejo.
As cachoeiras do Alcantilado, que são nove quedas com características distintas, ficam no Vale do Alcantilado, no Sítio Cachoeiras do Alcantilado que é uma propriedade particular.
Apesar do caminho de Maringá até o Alcantilado ser de apenas 5 km e de fácil acesso, optamos por fazer o passeio com a equipe da
Remorini que leva até lá de 4x4. Na entrada do sítio tem estacionamento e um quiosque onde se pode fazer um lanche e pagar a taxa para entrar na propriedade.
Para alcançarmos a Cachoeira do Alcantilado (aquela marcada na foto com a seta) precisamos percorrer 1,5 km de trilhas cercada de natureza deslumbrante e uma enorme riqueza de vida natural. A trilha é um pouco íngreme sim, mas temos oito quedas d'água para nos refrescarmos e apreciarmos o visual até chegar a nona e última cachoeira que dá nome ao local. Aliás, Alcantilado que dizer escarpado e realmente a última queda é a mais escarpada de todas.
A caminhada começa fácil para esquentar os músculos e bem próximo já tem a primeira queda que se chama Cachoeirinha. Ótima para banho! Acredito que para as crianças essa seja a melhor, o poço é grande, bate sol, tem gramado, alguns bancos para sentar. Vale um mergulho na ida e uma parada na volta para aproveitar o banho de cachoeira.
Já energizados e com a curiosidade de ver o que temos pela frente seguimos mais alguns metros de trilha muito bem-cuidada, com corrimão de corda e degraus de madeira e chegamos no Poço de Areia. Aqui a queda d´água é menor, mas o poço é bem largo. A cachoeira fica praticamente coberta pela mata tendo pouco sol. O cenário é belíssimo, parece que estamos em uma gruta formada por árvores.
Já descansados seguimos subindo até a entrada para o Poço das Raízes e Cachoeira do Açude.
Primeiro descemos pela mata até o Poço das Raízes, mais um local para banho. Aqui a Sofia e a Ana Luiza acharam um pouco difícil entrar na água pela quantidade de pedras.
Retornamos, agora já era uma subidinha, e fomos ver a Cachoeira do Açude. Essa foi a parte da trilha mais difícil. Se bem que a Sofia curtiu muito a adrenalina, mas eu confesso que fiquei meio que com o coração na mão em alguns momentos (coisas de mãe). A queda é bonita, tem um poço para banho, mas o acesso é estreito e tem que ir de duas ou três pessoas por vez. Logo na "boca" do poço tem outra queda que é embarreirada por pedras. Eu achei meio perigoso para as meninas e não deixei elas entrarem, apenas apreciaram o visual.
A partir daqui a trilha começou a ficar mais íngreme, pelo menos para mim, a Sofia estava tirando de letra. Eu parei várias vezes para apreciar a vista antes de chegarmos na Cachoeira das Muralhas. Realmente parece que a água está caindo por uma grande muralha e o poço para banho é bem calmo e com uma profundidade ótima para crianças. Posso dizer que essa foi a cachoeira que a Sofia mais gostou e ficou mergulhando por mais tempo.
O trecho entre a quinta cachoeira (Cachoeira das Muralhas) e a sexta (Cachoeira do Lajeado) é o mais longo e que para mim foi o mais cansativo. Mas a vista do Mirante da Candeia compensa todo e qualquer esforço.
Sentar em um dos banquinhos disponíveis e observar a frente todo o vale em seus tons de verde e os pássaros é gratificante. Ver o nosso ponto de partida e o quanto já alcançamos nos permite experimentar uma sensação de conquista muito gostosa.

Olhar para trás e ver que a nossa meta está bem mais próxima é estimulante.
Depois da parada para observar a natureza e absorver as sensações seguimos nosso caminho até a Cachoeira do Lajeado que tem um pequeno poço, muito raso, que escorre pelas pedras largas e lisas. Dá para ficar sentado molhando as pernas.
Atravessamos a ponte parando para apreciar a cachoeira de todos os pontos de vista e seguimos para:
A partir daqui a trilha entra pela mata um pouco mais densa, com degraus de pedra, é bem íngreme, mas é tranquila.
A Cachoeira Toca do Penhasco é apenas uma queda d'água escorrendo pelas pedras. Não dá para tomar banho. O mais interessante foi a trilha em si e passar por baixo dessa pedra que deve dar o nome à cachoeira.
Subimos alguns degraus, passamos por um caminho de pedra e prendemos o ar ao ver a Cachoeira da Gruta do Granito. A queda d´água é forte, volumosa, tem um bom poço para banho e está cercada por pedras enormes. O tronco de árvore que estava caído no meio da queda em 1996 quando eu estive lá, continua até hoje firme e forte, no mesmo local, apesar da força da água.
Mais alguns metros acima e o deslumbramento final: a Cachoeira do Alcantilado. Aqui não pode tomar banho apenas apreciar esse quadro vivo.
Já extasiados, alegres e saltitantes descemos direto até a primeira queda para mais banho e relaxamento.
Um passeio incrível, com muita aventura e contato com a natureza. Simplesmente imperdível!
Eu vi muitas crianças, algumas menores do que a Sofia, fazendo esse percurso e elas aguentaram bem. Vi um casal com um menino de cinco anos que optou por subir direto até a última cachoeira e voltar parando nas demais quedas. Achei que a nossa opção de ir fazendo as paradas, seguindo com calma, observando os animais e as características do caminho foi bem proveitosa. Esperamos voltar em breve.