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sábado, 13 de agosto de 2022

Criando felicidade diante do ordinário


Saí para trabalhar em um dia nublado, chuvoso, seguinte a uma noite de ventos fortes que deixaram estragos em vários pontos. Daqueles dias que dá vontade de ficar em casa. Mas eu precisava ir.

E já que sairia, mesmo em um dia aparentemente feio, sem promessas de belezas, mas com risco de estragos, eu procuro ver belezas. Procuro enxergar cores, detalhes, sutilezas, 

Passei pela Enseada de Botafogo com o cenário lindo e incansável do Pão de Açúcar e apesar de ser um local muito cotidiano e rotineiro para mim, consegui mais uma vez me encantar com a beleza dele. 



Fiz a foto e postei nos stories do Instagram com a frase: não me canso desse cenário. Ele me mostra que o cotidiano sempre tem algo novo e raro para ser percebido.

Recebi algumas curtidas e comentários, mas um particularmente me fez pensar. Uma amiga comentou: Não tão novo e nem tão raro, mas certamente, lindo.

Pensei que a fotografia é uma forma de passar uma mensagem, expressar as nossas ideias, mas sem palavras. O que me encantou nessa foto, o que me fez ver o extraordinário, não necessariamente vai ser interpretado da mesma forma. E essa é a graça da coisa. Estimular a digestão ou não da mensagem. 

Outra questão que me fez pensar é que pra mim realmente existe muita beleza no meu dia a dia, e sou muito grata por isso. Mas me perguntei se consigo ver as belezas nas cenas do meu cotidiano com facilidade ou se vejo isso porque eu crio. Não importa! 

O que importa é que tudo é processo, é experimentação. Fotografo a beleza que enxergo para registrá-la em mim. Para reforçá-la em mim. São detalhes simples, mas que podem ser gigantes. E que nesse processo vão montando uma biblioteca de momentos particulares, visão única, sensações de afeto. Afetos de todo o tipo. 

E o que eu vi de raro e novo nessa imagem? Raro foi a árvore replantada, a vida querem um impulso para pulsar. A sobrevivência mesmo após a tempestade e ventos forte. De novidade: foi a composição do momento:  árvore crescendo, desse ângulo novo para mim, estar alinhada com a parte mais baixa dos morros e o contraste das cores. O chão molhado pela chuva ressaltou o vermelho da ciclovia e coloriu o cinza do dia. 

Que o exercício diário de buscar criar belezas torne detalhes simples em breves suspiros de alegria que acumulados nos deixem experimentar felicidade diante do ordinário.

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sexta-feira, 5 de agosto de 2022

BEDA - Quero ver beleza

 

Hoje eu me atrasei. Fiquei de preguiça e perdi a hora para ir de bicicleta para o escritório. Fiquei "hashtag chateada". Eu queria ver beleza. Queria ver o dia lindo. Queria ver as árvores vermelhas do Aterro que estão tão floridas.

Mas como fiquei de enrolação, teria que ir de metrô. Como ver beleza embaixo da terra?!, me perguntei.

Fui no caminho de casa até o metrô conversando comigo mesma sobre como eu sempre me arrependo quando fico na preguiça e como eu não aprendo isso, e tal, e blá-blá-blá e ti-ti-ti. É acho que acordei meio vítima de mim mesma.

Enfim, no percurso embaixo da terra me desliguei do drama. E quando saí para a luz do sol vi cores, linhas, luz e flores. 


Parei para fotografar a beleza da arquitetura dura em contraste com a maleabilidade da natureza. Me encantei com a essa beleza simples, corriqueira do cotidiano de muitos (inclusive a minha).



Enquanto estava ali fotografando a árvore vermelha (a mesma que eu queria ver florida no Aterro) e cuidando para não incluir na foto os funcionários que cuidavam do jardim, um deles catou duas flores no chão (ainda vi ele procurando as mais inteiras), veio na minha direção e me entregou as flores. Agradeci (fiquei agora "hashtag gratidão").



Segui o final do caminho até o escritório novamente conversando comigo mesma. A conversa tinha mudado. Fui falando pra mim mesma que no final vi a beleza que tanto queria porque na verdade a gente encontra o que a gente procura. 

Levei as flores recebidas para a mesa que escolhi nesse dia para trabalhar (no esquema híbrido não temos mais lugar fixo). Me posicionei de forma a contemplar a beleza do cenário.



Como estou voltando de férias eu levei alfajores para as pessoas, como uma forma de gentileza. Uma pessoa que trabalha comigo também estava voltando de férias e levou uma caixa de biscoito para mim.
Uma troca de gentilezas que fez o dia no escritório mais bonito. A beleza da gentileza!



Saímos em três para almoçar e escolhemos um restaurante "gourmet" com beleza na decoração.


E sabor na comida.


Fizemos fotos para registrar a beleza do encontro.


No final do expediente pude apreciar a beleza das cores do entardecer sobre a cidade. 



Podemos criar as belezas que queremos enxergar. Que podemos criar as belezas que queremos ver.

Postado inicialmente no Facebook.


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quarta-feira, 1 de junho de 2022

De onde eu tiro os meus roteiros, resposta para uma amiga

 

Uma amiga me perguntou de onde eu tiro os meus roteiros de passeios. A resposta poderia ser bem simples: pegando dicas com outras pessoas, pesquisando lugares, fazendo listas de locais que eu quero conhecer, dos destinos que eu quero retornar e até daquele que eu não quero voltar. Não porque esses últimos tenham sido experiências ruins, mas exatamente ao contrário. Porque foram experiências tão boas que eu não quero que a percepção inicial seja afetada.

Porém, pensando na resposta à pergunta da minha amiga me lembrei dos últimos roteiros que fiz.

O destino seria explorar um pouco do Vale do Café. Escolhi fazer um percurso de cachoeiras em um bugre unindo natureza, aventura e a sensação de liberdade. O roteiro do Circuito de Cachoeiras de Miguel Pereira incluía duas cachoeiras, uma ponte e um bosque.

Durante o percurso o guia citou uma cachoeira que estaria fechada devido a construção de uma usina hidrelétrica. Já me bateu a curiosidade de conhecer a tal cachoeira. Ao virarmos a esquerda ele apontou que o caminho para a Monet Líbano seria a direta, o tal caminho bloqueado. Não me contentei. Perguntei se não poderíamos chegar o mais perto possível, irmos até a barreira no caminho para tentarmos ver a cachoeira nem que fosse de longe. 

Assim retornarmos e seguimos para a direita. Para surpresa o caminho estava livre. A barreira não estava mais lá. Seguimos mais adiante e nos deparamos com um mirante preparado para visitação.



Encontramos também uma placa apontado o acesso a cachoeira. Claro que eu quis descer e chegar mais perto. O guia titubeou e foi verificar se tinha alguém para dizer se poderíamos chegar até a cachoeira. Tal pessoa não foi encontrada. Falei para o guia que se não tinha ninguém para nos dizer que podíamos ir, também não tinha ninguém para dizer que não podíamos ir. Logo fomos!

Descemos o tal acesso que no início tinha uma escada, mas mais adiante ainda se encontrava precário. Nada que impedisse que continuássemos. Apenas tornaria a nossa aventura mais desafiadora. Enfim chegamos a beira do rio com a queda d'água adiante. 

Me preparei para mergulhar. O guia se surpreendeu mais uma vez: "Vocês vieram para mergulhar?!  Nesse frio?! Achei que iam apenas fazer fotos". Ah, eu lá sou pessoa que vem para cachoeira e não mergulhar?! Não dou de ficar na beira, sou de entrar. 




Sou de sentir, de experimentar. As fotos são registros, lembranças, memórias desses momentos de experiências e sensações. Quero sentir a água gelada nem que seja para sentir o calor ao sair dela. Quero a energia dos lugares, a sensação na pele, o cheiro no nariz, o som no ouvido, o sabor na boca, as cores nos olhos. Não apenas estar ali por alguns minutos, que me envolver com o lugar durante aqueles minutos.

Então, pensando nas histórias desse passeio e de muitos outros a resposta para a minha amiga é: os meus roteiros são construídos pela minha curiosidade, da vontade de devorar o mundo, por olhos que querem ver mais e além, da alma que pede novidade, do espírito que quer aventuras, da mente que quer ter histórias para contar. 

PS: a empresa da hidroelétrica comentou no post no meu instagram informando que fomos as primeiras a entrar na Monte Líbano após a reabertura. 






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quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Cenas de uma quarentena sem fim

 

A pessoa estava louca de desejo de tomar um determinado sorvete. A vontade mesmo era de sentar em uma mesa da cafeteria com uma amiga para uma boa conversa relaxada entre colheradas do tal geladinho saboroso. Apesar de tal evento estar oficialmente liberado, a referida pessoa ainda não se sente segura e confortável para isso (segue seguindo as orientações da sua médica). Então pediu a entrega de um sorvete em casa. Fato que acalmou o desejo temporariamente. Porém não resolveu. 


No dia seguinte o sabor do tal sorvete continuava rondando os sentidos, memórias e sensações na pessoa. A vontade ficou incontrolável a ponto de fazer valer a pena o terceiro banho e lavada de cabelo do dia (sácômé... saiu, voltou, desinfeta tudo, tira a roupa toda, coloca pra lavar, e vai pro banho). 

Lá foi a pessoa comprar o sorvete na esquina. Comprou. 


O desejo bateu forte. A gula e a neura entraram em conflito: "come agora, andando na rua, já passou álcool na embalagem". "Não abre o sorvete na rua, e a máscara?". 

A gula venceu! A pessoa abriu o sorvete, pegou um colherada, tacou na boca por baixo da máscara. 

A neura atormentou: "cara, espera para comer em casa...". E a pessoa na dúvida, mas totalmente dominada pela gula, mandou pra dentro a segunda colherada, ainda na dúvida, se perguntando se deveria desfrutar do tal desejado sorvete momento de prazer assim andando pela rua sorrateiramente por entre espaços cavados nas laterais da máscara. Eis que antes da terceira colherada... PLOFT! Algo marrom despenca do céu bem no centro do copo com a delícia gelada. 

A pessoa pára e olha incrédula! O que seria aquilo? Uma calda de chocolate enviada dos céus pela Nossa Senhora Protetora das Gulosas Amantes de Sorvetes?! A pessoa olha para o alto e avista um poste e nesse poste, um pombo. Incrédula, porém acreditando nos sinais enviados pela natureza, entende que a neura estava certa. Não era pra tomar o sorvete na rua. 

Mas a gula é forte, tipo brasileira que não desiste nunca. Insiste. Persiste. A pessoa retorna até a tal padoca, compra dessa vez dois copos do tal sorvete para viagem, dá um nó forte na sacola para não cair em tentação no caminho até em casa. Chega na residência com os potes intactos, passa álcool em tudo, tira a roupa, coloca para lavar, toma banho, lava os cabelos e finalmente senta para atender a sua gula. Agora com com a neura já sossegada. 

Saudades de quando era simples e corriqueiro tomar um sorvetinho inocente.




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terça-feira, 8 de setembro de 2020

Sensações normais no novo normal



"Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará

A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito"




Fui pedalar na orla do Leme e Copacabana. Fui bem cedo para evitar a circulação de pessoas e assim manter o distanciamento social.

Que saudade que eu estava de sentir a brisa do mar, de olhar o oceano e sua imensidão, de sentir o cheiro da maresia e ouvir o barulho das ondas. Mesmo sem pisar na areia, sem mergulhar, foi bom estar de frente para o mar e pensar que ele é como eu queria ser: bonito, misterioso, selvagem e livre. Foi um carinho na alma.

Que saudade eu estou de fazer isso tranquilamente, naturalmente e sem receio.




Aproveitei o momento exercício físico e mental matinal e encontrei a amiga @fernandareali, nós duas de máscaras iguais (confecção da @mulhervitrola) - foto na sequência. Não pudemos nos abraçar, tivemos que conversar de longe, o tempo todo passando álcool nas mãos e de máscaras, mas já foi um carinho no coração.

Que saudades eu estava de estar com uma amiga, de trocar, de olhar nos olhos, ouvir e ser ouvida.

Que saudade eu estou de estar com as amigas com proximidade, de tocar, de ver o sorriso inteiro, de gargalhar sem medo.

Praia do Leme



"Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo no mundo

Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre"



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sábado, 22 de agosto de 2020

Existe beleza em dias nublados

 

Cariocas não gostam de dias nublados. Muito menos de dias de chuva e frio. Qualquer temperatura abaixo dos 20ºC se torna um inverno quase glacial, como diz a música "Inverno" de Adriana Calcanhoto. 

Todos se recolhem. Eu resolvi fazer diferente. Fui ver a praia. O mar revolto, a areia molhada. 

Os vários tons de ver da Mata Atlântica até onde o céu reuni-se à Terra. Se misturam. Nos dias ensolarados é sol que se esconde atrás das montanhas. Nos dias nublados, as montanhas se escondem atrás das nuvens. 


O contraste das cores no céu. O peso e a leveza compartilhando o mesmo espaço.


A luz surgindo em formas para quem soltar a imaginação (eu vejo um busto de uma pessoa de perfil. Vejo até que o cabelo é cacheado).


Enquanto as pessoas se recolhem nos seus abrigos a natureza se liberta. 


Frio, fome e preguiça.


A praia vazia. O silêncio de sons humanos. Os sons da natureza. Molhos os pés esperando o frio da água se juntar ao frio do ar e me fazer tremer. Surpresa! Temperatura de 16ºC no ar e o mar surpreendentemente quente. O mar revolto aquece. 


O horizonte avisa que a chuva forte está no mar, mas quer se aproximar.



Pode vir com seus tons cinzas que em terra tem cor e colorido para te receber, acreditando que ficará de pé e renovada após a sua passagem. Assim espero. 




Se olharmos bem existe beleza nesse movimento. Existe beleza nos dias nublados lá foram. Enquanto nos recolhemos, nos encolhemos, algo se expande. 

Algumas tempestades são anunciadas. Outras são inesperada. Elas chegam, mas elas vão.


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sábado, 15 de agosto de 2020

Lembranças de um Caderno de Lembranças

Na minha adolescência uma das muitas modas era ter caderno de perguntas para as amigas e caderno de lembranças. O Cardeno de Perguntas rolava ao longo do ano. Já o Caderno de Lembranças, no final do ano. Lá deixávamos uma mensagem para a amiga ou amigo. Na verdade era mais uma coisa das meninas. Os meninos até escreviam mensagens nos nossos cadernos, mas raramente circulavam os próprios.

A blogosfera andou fazendo uma releitura dos Cardenos de Perguntas e eu até comprei um para as minhas filhas. Muito fofo! Vale a pena ver neste post AQUI.  Elas gostaram quando viram, e tal, mas não rolou. 

Hoje, no grupo de WhatsApp dos amigos do Segundo Grau (hoje se chama Ensino Médio), uma amiga que achou um desses cadernos da época, o de lembranças, me mandou as fotos da mensagem que eu deixei para ela.



Quando comecei a ler eu nem reconheci a minha letra. Achei que a mensagem era da Fabíola, que eu mantenho contato próximo e diário.


Achei divertida a filosofada e me surpreendi quando vi a assinatura. A mensagem era minha. A letra era minha. Bateu nostalgia.


Eu como uma boa aquariana nunca fui ligada nesses cadernos. Não era desses "romantismos" e mesmo quando cedi e fiz o meu, não guardei. Deixei se perder no tempo, nas mudanças. Mas fiquei com saudade e com vontade de guardado um, pelo menos um. 

Hoje a minha letra não é mais essa. Hoje se eu tivesse que escrever no Caderno de Lembranças da Kátia talvez dissesse que me lembro do jeito alegre e exuberante dela, me lembro das nossas aventuras de Push e Mobilete pelas ruas de Cabo Frio, dos bailes de Carnaval no Tamoyo, de quando fomos nos esconder no Portinho e Praia do Siqueira (sempre de Push e Mobilete) porque estávamos suspensas das aulas. E do nosso início de faculdade quando viemos morar no Rio. Morávamos próximas e ainda nos encontrávamos para compartilharmos as nossas alegrias e problemas (e não tínhamos noção de que eram apenas probleminhas fáceis e básicos. Mas é a partir deles que aprendemos a enfrentar os próximos). De quando nos encontramos, mais tarde, no bar em São Pedro d'Aldeia e eu estava de porre e curtindo uma dor de cotovelo por um pé na bunda e mesmo assim rimos muito juntas das "cagadas" que eu estava fazendo. Enfim, tantas lembranças que essa mensagem no Caderno de Lembranças me trouxeram.  

Que bom que as redes sociais nos encurtam as distâncias e aproximam. Fiquei morrendo de vontade de atravessar a ponte e combinar uma caipirinha em frente a praia com muita conversa e risadas. Promessa para pós-distanciamento.


- Ale Helga, do blog Meus Amores.


BEDA - August 2020


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sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Neurotiquinha Exagerada? BEDA

Eu sempre fui, e ainda sou, pelo menos eu acho, já ando meio em dúvida, uma pessoa do tipo mais otimista e relax. Do tipo tranquilona que acredita que  pensamento positivo atrai coisas boas. 

Então sou daquelas que anda tranquilamente falando no celular pelas ruas do Rio de Janeiro, fazendo fotos e tal, sem medo de ser assaltada e muito menos de ser feliz. Ando por aí com a bolsa aberta (uma amiga fica agoniada e sempre fecha a minha bolsa). 

Em viagens sou aquela que come de tudo e bebe de tudo. Sabe aqueles avisos de: "vai para o México? Cuidado com o Mal de Montezuma! Não bebe água sem ser industrializa!" Pois eu sou das que tem certeza absoluta que esse mal não me pega. Relaxo, aproveito e meto o pé na jaca. 

Tudo no limite da responsabilidade, né? Não iria para a Amazônia sem estar com a vacina de febre amarela em dia. Sou otimista e tal né, mas o meu instinto básico de preservar a vida está em dia. 

Mas esse tal de Corona está me deixando meio reflexiva sobre essa minha característica. Estaria eu ficando neurótica, exagerando, ou os outros é que estão com o senso de preservação em off?

Dois fatos nessa semana me fizeram pensar sobre mim mesma e a minha relação com essa retomada de vida aos poucos. Sigo saindo apenas para me movimentar, pegar um sol, ter um contato com a natureza, manter a mente sã. 

Resolvi marcar um passeio de barco e aproveitar esses dias lindos. Por que me encorajei em agendar o passeio? Porque o barco é totalmente aberto e eu agendei uma passeio exclusivo. Somente eu e a minha filha estaríamos no barco, mais o barqueiro. Estaríamos de máscara, levo o meu álcool para limpar as superfícies de contato, e toalha para forrar os assentos que usaríamos. Nós na frente e o barqueiro atrás mantendo o distanciamento mais do que necessário.

Lá fomos nós pedalando e felizes com o passeio. Chegamos junto com o tal barqueiro que retornava de outro passeio: barco cheio, todos (absolutamente todos sem máscara), barqueiro sem máscara gentilmente dando a mão para cada pessoa descer da voadeira. Desisti! Avisei educadamente que lamentava, mas eu ia cancelar o passeio porque ele estava sem máscara e em contato com várias pessoas também sem máscara. Exagerada eu? Esse vírus tá me deixando neurotiquinha? 



Museu Casa Rui Barbosa, um verdadeiro oásis em plena rua movimentada do bairro, reabriu para visitação seguindo os protocolos. Um lugar ótimo para manter o distanciamento, pois é grande, aberto e pouco frequentado principalmente no horário do almoço. Eu fiquei superfeliz com a reabertura e fui dar uma relaxada. Usar a minha hora do almoço para ficar no jardim lendo um livro.

Chegando lá escolhi um banco no meio do jardim, com uma árvore enorme (um pé de lichia) morada de muitas maitacas, de frente para um laguinho cheio de peixe. Cenário encantador e relaxante. 

Mas na hora de me sentar no banco eu fiquei pensando em quem sentou ali antes, se espirrou em cima do banco, se tossiu e se deixou seus Coroninhas por ali. A neura não foi problema porque além de estar com o meu borrifador de álcool 70 e estava com uma canga na bolsa. Forrei. Sentei. Relaxei. Li ao som da gritaria das maitacas. Delícia.


Acabou o meu tempo disponível, recolhi a minha canga, coloquei no saco plástico e segui meu rumo. Mas fui pensando se essa pandemia mudou o meu jeito relax e otimista de ser. Tá posso até estar meio neurotiquinha exagerada, mas respeitando a mim e aos outros e fazendo o meu máximo.



- Ale Helga, do blog Meus Amores.


BEDA - August 2020


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segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Olhar o mesmo de forma diferente - BEDA

Tenho percebido em mim que esses dias de isolamento total de alguma forma modificaram o meu olhar. Com esse brecha, essa porta entreaberta, a oportunidade do breve respirar, tem que ser muito bem aproveitada. Percebo que isso tem despertado mais ainda a minha curiosidade. A vontade de descobrir detalhes, de encontrar algo novo no velho, de encontrar novidade no corriqueiro.

Entendo esse momento de flexibilização como uma mudança de atitude que exige muito mais responsabilidade. Antes o nosso papel era ficar em casa. Agora é escolher os momentos de sair, fazer bom uso deles, e ser cuidadoso no uso da máscara, de manter o distanciamento, lavar as mãos e tal. 

Assim escolho o meu momento de "pular a janela" para cuidar do meu corpo me exercitando e da minha mente. Aliás, no fundo eu tenho medo que venha uma segunda onde e voltemos para o isolamento total e eu não tenha usado esse hiato entre confinamentos para me reabastecer de energia. 

Enquanto rezo para que realmente sigamos melhorando no combate ao vírus, desfruto a minha liberdade condicional para contemplar e essa contemplação tem me trazido ótimas surpresas.

Faço um percurso de bicicleta frequentemente. Um caminho que também faço a pé e de carro. Um caminho comum, já percorrido repetidas vezes. Esse caminho beira  a Baía de Guanabara. Acho que por isso o meu olhar sempre esteve em direção ao mar.

Dessa vez resolvi retornar pela calçada oposta e observar o lado que contempla a Baía de Guanabara. Me deparei com fachadas lindas e coloridas que sempre me passaram despercebidas. Com certeza, se eu estivesse em outra cidade como turista já teria me encantado com essa arquitetura.  Mas na nossa cidade, acho que pelo senso de que a oportunidade está ali disponível a todo momento, deixamos passar, nos perdemos nos nossas questões do dia a dia.


Mais adiante, na mesma calçada que beira a via onde passam os carros, entre prédios, bares e restaurantes, uma surpresa. Apenas um passo a mais e parece que saí da cidade e entrei no campo. 


Eu nunca tinha percebido essa área de horta comunitária com compostagem e muitas mudas. Mais alguns passos e deixei a cena inusitada dentro de um centro urbano para trás. Porém com uma sensação boa de descoberta. 

 
Em outro passeio de bicicleta pela Lagoa Rodrigo de Freitas, também um local bem habitual para mim me encantei com um espaço nunca percebido.

Eu morei na Lagoa por alguns anos, dar a volta de bicicleta e usá-la como área de lazer era o meu dia a dia. Como dizer que a Lagoa era o meu quintal. E que quintal, né? Pois é, tantas voltas e eu nunca tinha me dado conta desse espaço. Aliás, pelo visto, nem eu, nem a maioria dos visitantes. A área com areia, muita sombra, patos nadando, pássaros cantando e vista para o Cristo Redentor estava completamente vazia. E foi justamente essa busca por isolamento que me fez olhar para essa área. 

Em uma caminhada pelo meu bairro para me exercitar e em busca de lugares vazios, ruas transversais sem comércio, evitando a circulação de outras pessoas me despertou o interesse por entrar nesse caminho que seria de um estacionamento. E realmente é. Por traz das cercas verdes estão as vagas.


Mas lá no final, após uma subida, onde aparentemente eu chegaria ao fim da rua sem saída eu encontrei essa igrejinha, a capela de Nossa Senhora das Graças que eu tinha visto em um filme. Linda!

Esse desviar das pessoas está me permitindo encontrar outros caminhos, novos pontos de vistas, olhar o mesmo de forma diferente.


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BEDA - August 2020


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sábado, 1 de agosto de 2020

Um Parque de Possibilidades - BEDA 2020



Eu olhei a cena da minha canga com o meu par de havaianas com estranheza. Me peguei com aquele olhar que franze as sobrancelhas e cai a cabeça levemente para esquerda pensando: por que eu estou achando estranho? Me dei conta que era a grama. Canga e havaianas sempre foram item de praia, combinam com areia. 


Observando esse estranhamento me dei conta que estava fazendo algo que nunca tinha feito aqui no Rio, ou melhor, aqui no Brasil. Aproveitando um parque como uma área para tomar sol, relaxar e ler.

Me lembrei dos europeus em seus parques. A primeira vez que pisei no velho continente foi em Londres e achei engraçado, enquanto caminhava no Hyde Park, ver as pessoas deitadas na grama tomando sol.

Usamos muito os nossos parques, sim. Eu mesma desfruto muito do Aterro do Flamengo, da Lagoa Rodrigo de Freitas. Mas a circulação por ali é normalmente com objetivo e movimento. Vamos para caminhar, correr, pedalar, fazer um passeio em movimento. Até fazemos piqueniques, mas em grupos, em comemorações, enfim, em movimento. Raramente tem alguém sozinho ou em par apenas sentado, lendo, absorvendo.


E eu estava ali deixando o tempo passar, aproveitando o calor do sol nas minhas pernas, desfrutando do frescor da sombra na minha cabeça. Folheando o meu livro, absorta na história das páginas e nos meus próprios pensamentos. Deitando, olhando as nuvens, contemplando o céu. E que céu!



Pensei em como o fato de ter a praia sempre disponível e como opção me limitou a ver outra possibilidade. 

Esse período de isolamento e distanciamento tem mostrado outros pontos de vista. Muitos enquadrados de dentro de alguma janela, mas outros amplos e com novas possibilidades. As limitações e restrições podem nos estimular a buscar caminhos que, apesar de estarem sempre ali disponíveis, nunca foram percorridos simplesmente porque estávamos no piloto automático.

Este post faz parte do projeto Beda (Blog Every Day August). Este desafio acontece duas vezes por ano, sempre em abril e em agosto e eu nunca participei. Aliás, nesses anos de blog acho que nunca consegui postar diariamente nem por uma semana. Mas resolvi encarar. Estou participando do projeto individualmente, mas já vi duas amigas que estão nele também:

- Carol, do Pequena Jornalista.

Inclusive ganhei um banner personalizado da Clau. Muito obrigada pelo carinho.




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