A comédia romântica "Solteiramente", título original "Seriously Single", seria mais uma das muitas com uma configuração clássica: duas melhores amigas, Dineo (Fulu Mugovhani) e Noni (Tumi Morake), têm formas não somente diferentes de encarar o amor, mas também completamente opostas.
Seria tão mais do mesmo que eu naturalmente nem me interessaria em assistir no momento. Porém algo se destacou para mim, é uma comédia sul-africana. E eu gosto de conhecer produções de outros países. Ver como é o estilo de humor em cada local e como encaram os mesmos temas.
Dineo, é uma especialista em redes sociais bem-sucedida profissionalmente, jovem, bonita e descolada, e faz estilo o romântica, que quer encontrar a sua cara metade e viver feliz para sempre. Já Noni, também bem-sucedida profissionalmente, independente, faz a linha a selvagem, quer ter tanto sexo e tão pouco apego romântico quanto possível. Tipo solteira convicta.
Sempre que Dineo sofre uma decepção amorosa, e olha que são várias, é Noni que está ao seu lado dando apoio para que não somente vire a página, mas acima de tudo que acredite em si mesma, no seu valor e que a felicidade não está atrelada a um estado civil. Assim juntas as duas passam por ótimas aventuras e situações inusitadas.
Como falei eu achei superinteressante o filme ser sul-africano. As cenas se passam em Johannesbur, em Maboneng, um dos mais badalados redutos urbanos da África do Sul. Muito bom ver esse lado mais descolado da África com restaurantes, bares, boites, apartamentos e construções modernas. Acho interessante chegar ao mundo essa visão do país. É interessante também ouvir uma língua africana na tela, apesar de parte dos diálogos serem em inglês. Também a música africana rola solta. Assim como o colorido nas roupas, acessórios e decoração.
A temática do filme gira em torno da quebra de tabu de que, por incrível que pareça existe até hoje, mulher para ser feliz precisa de uma família, filhos, casa para cuidar e de um marido de cuide dela. Mesmo em um mundo que não se baseia mais nos relacionamentos tradicionais, é incrível que o tabu "mulher solteira não é feliz" ainda seja tão gritante.
Com base nessas crenças limitadoras enraizadas culturalmente algumas mulheres, como Dineo, não entende como definir sua felicidade sem um parceiro que as ame. O filme vem bater na tecla que, apesar de ser clichê ainda precisa ser repetida e reforçada que é preciso se apaixonar por você. Nem adianta revirar os olhos! É batido, é lugar comum sim, mas na prática não é bem assim. O amor próprio, o cuidado próprio, são muitas vezes incompreendidos e esquecidos, buscando que essa valorização venha do outro. É daí que muitas vezes vem o sacrifício da felicidade interior e da liberdade para garantir que não sejam deixados sozinhos. Mas o que é solidão? Mulheres precisam se apoiar em alguém? Onde está a liberdade de escolher o próprio caminho? O filme traz esses questionamentos e responde muito bem: é tudo uma questão de perspectiva. Solidão é o que você define, mesmo que todo o entorno, mesmo que a sociedade queira ainda impor ao contrário.

































