Lomografia – A
revelação
Revelamos o nosso
primeiro filme da Diana F+, aquele do workshop.
Primeiro veio a enorme
ansiedade da espera, na verdade, a ansiedade por não saber o que esperar já que
não tem essa paradinha de ver como a foto ficou nem antes nem depois. Não dá
pra ver a foto antes porque o visor da máquina não está interligado com a
lente, ou seja, temos uma noção, uma orientação apenas, do que estamos focando.
Segundo a decepção.
Quando eu e a Ana Luiza vimos as fotos achamos que ficaram muito ruins. Eu até
disse pra Ana Luiza que não ficaram tão ruins assim, que eram apenas as
primeiras, que os erros seriam importantes pra gente aprender e melhorar e
coisa e tal. Até que é verdade, mas o meu objetivo era incentivá-la a continuar
experimentando e arriscando.
Depois fui rever as fotos
com a Ana Luiza, pesquisamos na internet, vimos outras fotos feitas com a mesma
máquina, lemos sobre outras experiências e começamos a achar que até que nós
fomos bem demais pra primeira experiência.
Fica mais fácil da
gente entender melhor o ar retrô das fotos lomográficas conhecendo as 10
“regras de ouro” que são base do estilo lomo.
1 - Leve a sua Lomo onde você for.
Essa
é fácil. Eu sempre levo a minha máquina fotográfica para onde eu vou. Sou tão
doida com esse negócio de foto que levo duas máquinas para o caso de perder uma.
Nunca tiro todas as fotos de um passeio em uma única câmera. Pior do que perder
a máquina é perder todas as imagens. A questão é que agora tenho mais uma
máquina na bolsa: a digital e a analógica.
2 - Fotografe durante todo o tempo, em qualquer hora, seja
dia ou noite.
Essa
também é fácil. Já fotografo a qualquer momento, ou a todo momento. Um mesmo
caminho que faço diariamente pode se tornar totalmente diferente quando olhado
por outro ponto de vista. A máquina fotográfica me estimula a procurar ver os
detalhes, observar por outro ângulo.
3 - A lomografia não interfere na sua vida, ela é parte
dela.
Aqui
não sei se chego lá, apesar de estar curtindo muito essa novidade que a Ana
Luiza me apresentou.
4 - Aproxime-se o máximo que puder de seu objeto de desejo
lomográfico.
Essa
também é fácil. Eu já experimentava essa proximidade antes e com as fotos
analógicas estou tornando isso mais frequente. Quanto mais próxima das coisas,
mais percebemos os detalhes. O problema vai ser quando eu for no Zoológico.
5 - Não pense.
Essa regra tá
difícil por enquanto. Como não pensar se tenho que calcular o enquadramento do
que eu quero fotografar já que o visor não está interligado à lente? Como não
pensar se tenho que me lembrar da asa do filme que estou usando e se esta está
adequada para a claridade? Como não pensar se preciso verificar se a distância
está conforme o foco ajustado na câmera? Bom, com o tempo isso vai estar no
sangue e aí vamos poder ser só instinto.
6 - Seja rápido.
Como
eu sei que um segundinho apenas pode mudar completamente o cenário a ser
fotografado, o momento que queremos capturar (principalmente quando fotografamos
crianças), já deixo a máquina preparada. No caso das máquinas analógicas já
rodo o filme assim que bato a foto, é bom criar um método. Como não estou muito
adaptada, por enquanto, e ajusto o foco
para a série de fotos, me posiciono conforme o foco ajustado para não
perder tempo manuseando a máquina.
7 - Você não precisa saber antes o que fotografou.
Essa
tá difícil. Depois dos visores das máquinas digitais que mostram a imagem que
está sendo clicada é difícil deixar o instinto fazer o enquadramento. Mas é
uma questão de adaptação pra Ana Luiza e readaptação pra mim.
8 - Nem depois.
Essa tá muito difícil.
Segurar a ansiedade, não dar um segundo e terceiro click para garantir a foto
(estamos com filmes de rolo que tem uma quantidade muito limitada de poses) e
esperar a surpresa está sendo uma experiência e tanto. Mas até que é divertido.
9 - Fotografe sem olhar no visor.
Essa
tá muito, muito difícil. Mas com o tempo, com a experimentação e o conhecimento
vamos trazer o visor para a nossa cabeça e vamos conseguir imaginar o
enquadramento.
10 - Não se preocupe com as regras.
Essa é a melhor
de todas! Ela possibilita a brincadeira.
E foi com essa
última regra que passamos a gostar das nossas primeiras fotos com a Diana F+. O
importante é a diversão.
Então vamos às imagens:
Para essas primeiras fotos, em um dia de sol, usamos o filme lomography color e regulamos a câmera posicionando no sol.
A Ana Luiza foi de ISO 400 no modo 16 poses. Saíram 13 fotos, algumas ficaram escuras e outras boas. E de primeira ela já brincou com a sobreposição de imagens.
Eu fui de ISO
100 no modo 12 poses. Saíram todas as fotos, mas a maioria ficou com o reflexo da marcação do filme.
A Ana Luiza está brincando bastante com a sobreposição.
E eu até que não estou tão ruim assim no enquadramento.
Bom, levando em consideração que essas foram as primeiras fotos analógicas da vida da Ana Luiza, as minhas primeiras fotos com câmeras lomo, nos lembramos do estilo lomo em que a "foto não é um espelho do momento e sim
um leitura dele" e interpretamos que a nossa leitura até que foi divertida. Vamos continuar experimentando, arriscando e quebrando as regras.
AQUI nós falamos pela primeira vez sobre a Diana F+ e sobre o workshop.