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terça-feira, 12 de abril de 2022

Livro “A Biblioteca de Paris”, de Janet Skeslein Charles

Eu gosto de filmes e livros baseados em fatos reais. Se é baseado em fatos reais já me interessa. Se é  sobre invasão europeia pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial, interessa mais ainda. Aí junta a isso ser em Paris e sobre livros. Todos os ingredientes para ser uma leitura envolvente para mim. E foi. 

A história foi publicada originalmente em 2020 e é baseada na verdadeira saga dos heroicos bibliotecários da Biblioteca Americana de Paris durante a Segunda Guerra Mundial. Fala de amor, força, amizade, família e sobre o poder da literatura em unir as pessoas.

Gostei muito da trama ser apresentada em dois tempo. O atual onde Odile mora em Montana e é vizinha de Lily, uma adolescente. O momento de vida une as duas, mas tem um passado intrigante a ser descoberto. Essa amizade tão improvável, mas com tanto em comum envolve e cativa o leitor. 

Livro “A Biblioteca de Paris”, de Janet Skeslein Charles


Sinopse: Paris, França, 1939. A jovem Odile Souchet tem tudo: um bonito namorado policial e o emprego dos sonhos na Biblioteca Americana em Paris. No entanto, quando a Segunda Guerra Mundial estoura e os nazistas marcham sobre a cidade, Odile corre o risco de perder tudo o que é importante para ela, incluindo sua querida biblioteca — afinal de contas, é sabido que os nazistas consideram que os livros contêm palavras proibidas e que as ideias devem ser destruídas.

Odile não pode permitir que isso aconteça. Com seus colegas de trabalho, ela se junta à Resistência com as melhores armas que possuem: os livros. E colocam a instituição à disposição dos judeus, que, expulsos de suas casas, se sentem seguros entre eles.

Porém, quando a guerra termina, em vez da liberdade, Odile sente o gosto amargo de uma indescritível traição. 

 Montana, Estados Unidos, 1983. Lily é uma adolescente solitária em busca de aventura. Sua velha vizinha solitária atrai sua atenção. Conforme Lily vai conhecendo mais sobre o passado misterioso da vizinha, descobre que elas compartilham o amor por diferentes idiomas, os mesmos anseios e o mesmo ciúme intenso, sem suspeitar que um obscuro segredo do passado liga as duas. 

Baseada na verdadeira saga dos heroicos bibliotecários da Biblioteca Americana em Paris durante a Segunda Guerra Mundial, esta é uma inesquecível história de amor, amizade, família e sobre o poder da literatura em nos unir.

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terça-feira, 5 de abril de 2022

Livro "O Pequeno Café de Copenhague"

 

Eu gosto de livros que me fazem viajar para destinos diferentes. Lugares que eu já fui e revisito através do ponto de vista da história contada e lugares que não conheço ainda. 

Por isso quando vi o título "O Pequeno Café de Copenhague", de Julie Caplin,  já me imaginei visitando as ruas e pontos turísticos da capital da Dinamarca que ainda não conheço e quero muito conhecer pessoalmente. Trouxe o livro pra casa e comecei o meu tour por Copenhague junto com Kate Sinclair e seu grupo eclético de seis jornalistas.


Livro O Pequeno Café de Copenhague


Kate Sinclair mora em Londres e trabalha com relações públicas. A princípio é a única de sua família que está realizando o sonho da mãe e sendo alguém na vida. Para isso batalha e sua muito a camisa para conseguir a tão sonhada promoção. Em paralelo ajuda o pai e os irmãos que digamos não têm profissões muito promissoras.  

Quando a tal promoção está prestes a sair, Kete leva uma puxada de tapete de ninguém mais, ninguém menos do que seu caso amoroso e também companheiro de trabalho, Josh. 

Duplamente abalada e querendo mostrar seu valor na empresa, Kate aceita o desafio de fazer uma ação para um cliente já considerado um caso perdido. 

É aí que Kate parte para a aventura em Compenhague para experimentar o conceito hygge dinamarquês. A viagem a trabalho se torna uma viagem de autoconhecimento, descobertas, novos vínculos criados e forma de ver a vida. 

Um romance clichê sim, mas que me fez, além de viajar pelos cenários dinamarqueses e seus pontos turísticos, conhecer um pouco mais da cultura e hábitos locais. 

Gostei da leitura e já quero ler os demais o volumes da série "Destinos Românticos"

Sinopse: "Em Londres, a assessora de imprensa Kate Sinclair tem tudo que sempre achou que quisesse: sucesso, glamour e um namorado irresistível. Até que esse namorado a apunhala pelas costas e consegue a promoção profissional com que ela tanto sonhava. Com o coração partido e questionando tudo, Kate decide aproveitar uma oportunidade de trabalho para se afastar do ex. Quando topa ciceronear um grupo de jornalistas e influenciadores pela linda Copenhague para atender ao pedido de um cliente importante, Kate não imagina os desafios que terá que enfrentar para conciliar tantos egos e exigências. Ao mesmo tempo, enquanto conhece a capital do 'país mais feliz do mundo', ela descobre as maravilhas da vida à moda dinamarquesa. Do costume de acender velas até os vikings simpáticos, altos e charmosos, passando pela experiência de comer o próprio peso em doces, a cidade ensina Kate a apreciar o significado das pequenas coisas. Agora só depende dela retomar as rédeas do próprio caminho e seguir em direção a seu final feliz.".


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quarta-feira, 30 de junho de 2021

Livro "O Café da Praia"

 

Sabe quando você está precisando daquela leitura divertida, leve, contagiante, que te transportar para o cenário e faz a boca salivar com os sabores?! Pois "O Café da Praia", de Lucy Diamond, foi exatamente o que eu estava precisando. 

O roteiro é bem típico dos Chick-Lits. Mulher por volta dos 30 anos que não está estabelecida financeiramente, nem emocionalmente e de repente algo acontece que a faz mudar de cidade e a mudança passa a ser um guinada de encontro consigo mesmo e transformação.


Assim, somos apresentados a Evie Flynn, uma inglesa com seus 30 e poucos anos, caçula de três filhas, onde as duas mais velhas são gêmeas e o único papel que resta para Evie é o de ovelha negra da família. Papel esse que até o momento ela desempenha bem. 

Evie sempre se percebeu desencaixada da família, meio peixe fora d'água. Mas com a sua tia Jo, irmã de sua mãe, era diferente. Rolava uma identificação. As duas são parecidas. Possuem um espírito mais livre, mais descompromissado, com um quê de rebeldia.

Nesse momento de vida Evie está em um relacionamento de cinco anos com um namorado padrãozinho que se encaixa muito bem com a família dela. Não tem uma profissão fixa, está sempre pulando de emprego temporário em emprego temporário. Fazendo isso mais para agradar ao namorado do que a si mesma. Mas aparentemente a família de Evie encontrou uma solução para a ovelha negra: se formar como professora! A caçula está quase embarcando nessa, mesmo não estando feliz com a ideia. 

É a hora da guinada! Tudo muda quando um acidente de carro acontece e a Tia Jo falece. Para surpresa de todos ela deixa seu café na beira da praia na Cornualha para a sobrinha. 

Claro que o namorado e a família não acreditam que Evie vai dar conta de cuidar do café. Todos já decidiram que o melhor que ela tem a fazer é vender o café e seguir seu rumo se formando em professora com um dinheiro guardado no banco. Mas e Evie? Já se decidiu? Como ela vai fazer com o Mathew, seu namorado? Daria para manter um relacionamento à distância? Daria para administrar um café à distância? 

As coisas complicam no café e Evie precisa ir para a Cornualha. Será que é lá que Evie vai se reencontrar?

Um leitura fluida, com personagens leves, dramas não muito intensos. Fala de autoconhecimento, de aceitação, de não viver para agradar os outros e de senso de comunidade. 

A leitura me envolveu eu não conseguia parar. Aliás, parava apenas para comer bolo e tomar café. Nossa, são muitas referências a bolos e comidinhas gostosas. Passei vontade. Estou até agora desejando um bolo de gengibre e um bolo da Rainha Vitória.

Sinopse: "Evie sempre foi a ovelha negra da família: sonhadora e impulsiva, o oposto das irmãs mais velhas bem-sucedidas. Tentou fazer carreira como atriz, fotógrafa e cantora, mas nada deu muito certo. Às vezes, ao pular de um trabalho para outro, ela tem a sensação de que lhe falta um propósito.
Quando sua tia preferida morre em um acidente de carro, Evie recebe uma herança inesperada, um café na beira da praia na Cornualha. Empolgada com a oportunidade de mudar de vida, ela decide se mudar para lá, mas logo descobre que nem tudo são flores: os funcionários não são dos melhores e o local está caindo aos pedaços. Tudo bem diferente dos tempos em que passava as férias de verão com a tia.

Apesar das dificuldades, pela primeira vez Evie está determinada a ter sucesso. Ao lutar pelo café, ela busca secretamente dar um novo rumo à sua vida e, assim, pode acabar conquistando bem mais do que esperava no trabalho... e também no amor.".



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segunda-feira, 21 de junho de 2021

Livro O Homem Que Venceu Hitler

O livro "O Homem Que Venceu Hitler" chegou em minhas mãos por empréstimo. Confesso que, apesar de gostar de filmes e histórias sobre o tenebroso período da Segunda Guerra Mundial, provavelmente eu não teria escolhido esse título para ler, principalmente nesse momento m que tenho procurado mais leveza.

Mas a minha amiga disse que amou o livro, que leu em apenas um final de semana, que quando começou a leitura não conseguiu mais parar, que eu iria gostar muito e... pá, me emprestou. Só me restou começar a leitura. 



E assim que comecei, grudei e não consegui parar até terminar. 

A história de Chain Kramer, um judeu polonês que passou pelos horrores da perseguição dos nazistas dos seus 13 aos 15 anos quando finalmente conseguiu fugir para o Brasil. Aqui se estabeleceu, prosperou e constituiu família. Mas os horrores do que passou sempre estavam presentes em sua memória e nas histórias que contava para os filhos. Tão presentes e enraizados que Chain nunca teve coragem de retornar à Polônia, sua terra natal. 

Porém quando em 2004, Chain vem a falecer, seu filho David então com 50 anos, resolve ir até a Polônia conhecer Anna, a tal mulher que seu pai dizia que o entregou. Davis queria conhecer de perto os locais das histórias do seu pai e se possível, entender porque Anna fez isso com ele. Como poderia uma mulher ser tão cruel a ponto de entregar um menino de 15 anos?

Entre momentos atuais e lembranças do passado (da guerra) o autor mescla o texto com fatos históricos marcados em itálico. Inspirado em relatos reais e mesclado com ficção o livro envolve em um misto de aventura, suspense, terrore de guerra e romance.

A leitura de "O Homem Que Venceu Hitler" prende do início ao fim com algumas reviravoltas surpreendentes. Através de dois pontos de vista diferentes o autor nos mostra que "a vida é uma rua de mão dupla. Ambas podem estar certas ou erradas.". Nem toda verdade é única. Fala de tolerância, preconceito, amor.
 

Sinopse: "Duas famílias, duas perspectivas e uma situação histórica: o Holocausto. Narrada por personagens que viveram um dos mais dramáticos acontecimentos do século XX, fatos reais e fictícios se mesclam nesta obra para reconstruir histórias de vidas em meio à intensa e devastadora invasão do exército alemão nazista à Polônia. O prestigiado escritor e cineasta Marcio Pitliuk resgata aqui a saga de personagens marcados por encontros, desencontros e reencontros, em que o amor, a traição, o ódio, o medo e a dor se cruzam, para refletir sobre os significados da tolerância e do preconceito. Baseado em depoimentos reais de sobreviventes do Holocausto, Pitliuk constrói uma narrativa em que intercala ficção e episódios autênticos, em ritmo cinematográfico. Um thriller com profunda fundamentação histórica, que prende a atenção do leitor com recursos estéticos como flashbacks e descrições factuais minuciosas. O romance abre as portas para conhecer, por uma perspectiva literária, muito além do que já foi registrado sobre quem viveu a tragédia do Holocausto.".



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sexta-feira, 11 de junho de 2021

Livro Lua no Céu de Cabul

 

Mais um livro que escolhi aleatoriamente na livraria. Sem indicação, apenas por intuição. Não conhecia a autora, nem tinha visto nada sobre o livro. 

A capa me trouxe a sensação de que naquelas páginas eu experimentaria outros mundos. A sinopse me deu a impressão de que a história ali desenvolvida me levaria a reflexões e pensamentos sobre uma realidade ainda não conhecida por mim. Isso foi suficiente para me despertar o interesse na leitura. Afinal. é isso que quero com uma leitura, ser transportada para outro universo, outras realidades, outras experiências. 



"Lua no Céu de Cabul" conta a história de Fereiba, uma mulher Afegã inteligente, determinada, forte, que luta desde sempre pela sua liberdade.

Fereiba perdeu a mãe ao nascer. Cresceu criada pelo pai e uma madrasta no regime mulçumano de uma Cabul livre e independente. Porém precisou enfrentar o pai para realizar o sonho de estudar. Mais tarde precisou enfrentar a madrasta para conseguir realizar um casamento. Em seguida lutou para conquistar o amor dentro daquele casamento arranjado conforme as tradições mulçumanas. 

Quando finalmente Fereiba está realizada na profissão de professora, feliz na relação de respeito e admiração que conquistou com o marido, se sentindo completa com a maternidade, surgem ameaças externas que abalam o sossego e tranquilidade não somente de Fereiba, mas do povo Afegão. 

Primeiro a guerra vinda com a invasão da União Soviética. Porém pior do que a própria guerra é quando o regime Talibã se estabelece. Toda a liberdade é cerceada. A violência do regime é mais cruel do que os bombardeio soviéticos. 

Quando seu marido é morto pelo regime Talibã, Fereiba, agora mãe de três filhos, se vê sozinha e sem alternativa em um governo em que mulheres não têm direitos e são extremamente desrespeitadas. Sem opção de trabalho, de sustentar e alimentar os filhos, Fereiba enxerga apenas uma alternativa. 

Temendo pela segurança de seus filhos, ela parte em uma jornada desesperada para a Inglaterra, onde sua irmã, casada com o primo de seu marido, encontrou asilo com sucesso.

A família refugiada parte em uma longa e arriscada jornada. Mais arriscada ainda por ser percorrida por uma mulher sozinha (afinal, considera-se que mulher sem um homem é sozinha) com três crianças. 

Entre caminhões, trens, ônibus e barcos, a família vai percorrendo vários países. O início da jornada, apesar de arriscada, cansativa, até que flui bem. Fereiba e seus filhos possuem algum dinheiro e encontram pessoas no caminho que os ajudam. 

Porém ao chegarem na Grécia, a porta da Europa, as portas emperram e as dificuldades aumentam. Salim, o filho mais velho, que com apenas 13 anos, se depara com a necessidade de amadurecer precocemente e se tornar o homem de família e proteger sua mãe e irmãos do perigo iminente.  Salim toma atitudes desesperadas e que ele mesmo não concorda. Seus conceitos éticos são questionados por ele mesmo. O que a sociedade obriga os desesperados pela sobrevivência a fazer?!

O caminho perigoso e desesperado para a Inglaterra se torna mais longo e demorado do que o planejado. Outros imprevistos e necessidades surgem e a família de Fereiba começa a ficar sem fundos e opções. Na tentativa de resolver esse problema, Salim se separa de sua família.

Até então o drama da família entremeado com as questões históricas, políticas e religiosas estavam envolventes e com um bom equilíbrio entre momentos dramáticos e de pequenas alegrias. Eu devorei o livro até esse ponto. Mas a separação de Salim apertou o meu coração e eu travei a leitura por dois dias. Mas dei sequência. 

Será que Fereiba consegue seguir o seu caminho e chegar ao destino com seus dois filhos menores? E Salim? Ele vai reencontrar a família?

Entre os milhares de ​​refugiados de diferentes países que buscam asilo em simpáticos países europeus, a autora divide a narrativa  de "Lua sob o Céu de Cabul" entre Fereiba, a matriarca da família, e Salim, o filho mais velho.

A leitura é envolvente, emocionante, e nos faz pensar sobre o nosso papel nesse mundo globalizado em que as fronteiras cada vez mais irão cair por terra. Aborda alguns problemas importantes, como tráfico de pessoas, imigração e campos de refugiados, que são predominantes no mundo nesse e em muitos momentos. No quanto o problema dos refugiados é nosso também. O quanto deixar as pessoas à deriva as faz seguir rumos que podem nos afetar diretamente. 

A história contada por Nadia Hashimi não é verídica, mas baseada nas histórias de membros de sua família que realmente fizeram essas viagens. Isso traz uma veracidade incrível ao texto. Realmente acreditei que Fereiba e seus filhos eram reais, me envolvi com suas vidas e batalhas. Torci por seu destino. 

Enfim, uma leitura muito oportuna e até necessária para entendermos melhor os tipos de provações que os deslocados sofrem em terras estrangeiras.

Sinopse: "Em uma narrativa emocionante, que mostra de maneira vívida o drama dos refugiados na Europa, Nadia Hashimi cria uma história épica sobre uma família que enfrenta as adversidades sem nunca recuar, buscando um lugar onde possam reconstruir suas vidas. “Com graça e sensibilidade, Nadia Hashimi joga luz sobre a angustiante odisseia e os numerosos perigos que os refugiados enfrentam na busca por um porto seguro.” – Booklist Casada com um engenheiro completamente apaixonado por ela, Fereiba leva uma vida feliz em seu mundo de classe média, no Afeganistão. Porém, tudo isso implode quando o país é imerso na guerra e o Talibã assume o poder. Seu marido vira alvo do novo regime fundamentalista e é assassinado. Forçada a fugir de Cabul com os três filhos, Fereiba só tem uma esperança de sobreviver: atravessar a Europa até a casa da irmã, na Inglaterra. Contando com documentos falsos e a bondade de estranhos que conhece pelo caminho, ela tem que fazer a perigosa passagem para o Irã sob o véu da escuridão. Exaustos, eles conseguem chegar à Grécia, mas, numa reviravolta apavorante, seu filho adolescente, Salim, some. Será que Fereiba terá coragem de seguir viagem com a filha e o bebê e deixar o menino para trás, no mundo obscuro dos refugiados que vagam pelas ruas europeias?"
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domingo, 6 de junho de 2021

Livro "Bella Figura - Como viver, amar e comer à Italiana".

 

Tem uma sessão na livraria que eu gosto muito. É a sessão de turismo. Sempre paro por ali. Mas não busco guias turísticos de cidades e países. Paro nessa sessão em busca de livros que contam a história de pessoas em jornadas de viagens. Histórias que mostram muito mais do que lugares, pontos turísticos, trajetos e roteiros. Histórias que contam emoções, experiências, aprendizados e transformações. 

Foi nessa sessão que encontrei aleatoriamente o livro "Bella Figura - Como viver, amar e comer à Italiana". 

A princípio achei que era algo tipo uma outra versão de "Comer, Amar e Rezar", mas lendo a capa e a contracapa percebi que tinha algo a mais, algo bem diferente naquelas páginas. Fiquei curiosa e trouxe para casa. E que relato! Devorei o livro duplamente falando. Na leitura e comendo algumas receitas que ele traz.


No romance escrito por Kamin Mohammadi, a escritora conta a sua própria história e experiência.

Kamin é de origem iraniana que aos dez anos se tornou exilada em Londres junto com a sua família. Cresceu, estudou e construiu a sua vida na capital inglesa se dividindo entre a cultura iraniana e ocidental. 

Cedeu à pressão dos padrões de sucesso londrino se tornando uma editora renomada em uma revista famosa de grande tiragem. Lutou contra os padrões de sucesso iraniano para as mulheres que é se tornar uma boa esposa, mãe e dona de casa. 

Em determinada fase da vida, por volta dos 37 anos, se viu pressionada no trabalho, estressada com a correria do dia a dia, uma carreira que lhe dava boas condições financeiras, mas com preço emocional muito alto. Em consequência de um trabalho que fazia bem a sua conta bancária, mas que não fazia bem a sua alma, se viu acima do peso o que não era um padrão bem-visto na sociedade moderna do seu lado inglês, nem na sociedade tradicional imposta por sua mãe que ainda esperava da filha um bom casamento. 

As questões culturais diversas também dificultava os relacionamento de Kamin que muitas vezes não se sentia compreendida. Com tudo isso sua autoestima estava bem abalada.

Nesse turbilhão que estava a sua vida Kamin passou por uma decepção amorosa e foi demitida do emprego maravilhoso. Sem o amor e o emprego dos sonhos se agarrou a oportunidade oferecida por uma amiga também escritora: que Kamin se hospedasse em sua casa na Toscana para ter tempo e sossego para escrever um livro. 

A ideia era Kamin escrever um livro sobre suas histórias no Irã. Pois sempre que ia visitar a família em sua terra natal, revisitava as suas origens e voltava cheia de histórias que ela contava para os amigos. O livro é "The Cypress Tree: A Love Letter to Iran" que, aliás, eu fiquei louca para ler, mas não achei traduzido em portugês.

Dessa experiência, de sua vivência na Toscana saiu também o livro "Bella Figura - Como viver, amar e comer à Italiana". 

"Bella Figura" conta em doze capítulos, um para cada mês do ano - período em que ficou no país escrevendo o livro - como foi sua chegada à Toscana, sua adaptação, as amizades que fez, seu encantamento com o cenário e a cultura local, os homens e amores que viveu, a comida que saboreou (receitas no livro). Como se identificou com a nova cultura e como mesclou com as que já tinha. Como se transformou e passou a se sentir uma "Bella Figura" no sentido amplo da expressão italiana. Como passou a se amar, ser amada e amar a Toscana.


Uma delícia de leitura!




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domingo, 23 de maio de 2021

Livro "Os Segredos da Felicidade"

 

Ultimamente eu ando muito dispersa e desconcentrada. Muita mais do que o normal. Algo que tem me incomodado. Percebi que essa dispersão vem da muita exposição às telas: trabalho online o tempo todo, estudo online, conversa com amigas online, lazer online, tempo nas redes sociais. 

Com isso resolvi ficar um pouco mais desligada das redes sociais, até vim pouco aqui no blog nesse mês de maio, e focar em lazer físico: cuidar das plantas, pintar e ler livros físicos. 

Acontece que está difícil dar foco na leitura. Texto mais rebuscados, tramas mais complexas, muitos personagens já me fazem perder a atenção e quando me dou conta estou pensando em outra coisa e perdida no fio da meada da leitura. Assim, os chick-lits, as escritas fluidas, as tramas simples, mas com personagens cativantes têm sido a melhor opção para mim, neste momento. 

Cheguei ao livro "Os Segredos da Felicidade", de Lucy Diamond sem nenhuma indicação. Apenas gostei da capa e lendo a sinopse achei que se encaixava no "meu tipo de leitura do momento".


Livro "Os Segredos da Felicidade"

E foi isso mesmo! Encaixou perfeitamente! O livro me ajudou a me desconectar no online, relaxar deitada na cama, concentrada na leitura. Me possibilitou horas em que desacelerei, acalmei a mente, me desloquei para a vida de Rachel e Becca, duas mulheres que se tornaram irmãs fisicamente, à princípio, pelas configurações familiares. Depois se tornam irmãs por escolha e por ligação emocional. 

Rachel, uma menina órfã de mãe, que tá os nove anos viva muito bem com seu pai que supria toda a ausência da mãe. Mas, de repente, essa configuração de dupla perfeita é modificada quando o pai de Rachel se apaixona por Wendy. De uma hora para outra a família de dois se torna uma família de quatro pessoas. Wendy se cada com o pai de Rachel e traz Becca, sua filha com apenas um ano para o novo lar. Pra ficar um pouco pior para Rachel, seu pai se encanta com Becca e assume o papel de pai da garotinha. Agora Rachel tinha uma madrasta para "substituir" sua mãe e uma "irmã" para dividir com seu pai. 

Rachel e Becca crescem fisicamente juntas, mas emocionalmente afastadas. Becca não entende porque Rachel não permite a aproximação. 

Quando já adultas e com temperamentos e estilo de vida totalmente diferentes, Rachel a irmã perfeita com vida perfeitamente invejável, desaparece. Os seus três filhos, sobrinhos de Becca, precisam de ajuda e recorrem à tia. 

Becca deixa sua vida de lado e vai ajudar os sobrinhos. A partir daí ela começa a descobrir algo mais sobre a irmã e sobre si mesma. 

A vida das duas irmãs vai se reconstruindo com lembranças do passado, descobertas e redescobertas. 

Uma trama bem previsível, daquelas que quando surge um personagem já sabemos o destino dele. Porém não sabemos como chegará a esse destino. E aí que o livro desperta a curiosidade. A história é envolvente, divertida, e os personagens cativantes. 

Um livro que fala em dar oportunidade para escutar o outro e a si mesmo. Fala de família, de amor, da importância de se permitir ser ajudado,  do bem que nos fazemos quando nos disponibilizamos a ajudar o outro. Fala sobre rever os ressentimentos e construir novos sentimentos. 

"Havia algo em se afastar de tudo, estar entre as colinas e os vales imutáveis, debaixo daquele velho céu imenso, que colocava todas as preocupações em perspectiva. O mundo ainda estava girando, o sol nascia e se punha, e as rochas e as árvores já tinham visto tudo isso antes. Pela primeira vez em semanas, a mente dela estava completamente em paz. O segredo da felicidade: subir uma montanha, pensou.".


Até estou pensando em passar na livraria para adquirir outros títulos de Lucy Diamond. 

Sinospe: "Rachel e Becca são irmãs postiças que nunca se deram bem. Rachel é considerada a bem-sucedida da dupla: um casamento feliz, três filhos e uma casa grande, além de uma carreira invejável. Enquanto isso, a artística Becca pula de um emprego sem futuro a outro, divide um apartamento precário com uma colega excêntrica e já desistiu de encontrar o amor. Com o passar dos anos, elas se afastaram e acabaram perdendo contato, mas um dia, quando Rachel não volta para casa à noite, seus filhos chamam Becca para ajudar. Uma vez lá, logo percebe que a vida da irmã não é tão perfeita assim: ela se divorciou, as crianças vivem em pé de guerra e sua carreira glamorosa desmoronou. E o pior de tudo é que ninguém tem ideia de onde ela possa estar. À medida que desvenda os segredos de Rachel, Becca é forçada a encarar algumas verdades desagradáveis sobre a própria vida, e o futuro parece incerto. Mas às vezes a felicidade pode aparecer nos lugares mais inusitados...".



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terça-feira, 13 de abril de 2021

Livro "Clube do Livro dos Homens"


A concentração está em falta por aqui. Então só estou conseguindo levar adiante leituras mais leves, descontraídas e fluídas. Comédias românticas normalmente preenchem esses requisitos. Um dos motivos que eu escolhi "Clube do Livro do Homens".


Assim que olhei para a capa e título eu devolvi o livro à bancada. Sério, não me interessaria mesmo por saber o que rola em um clube de homens leitores. Confesso que fui preconceituosa imaginando um cenário bem machista besteirol. Tentei corrigir o meu preconceito onde eu mesma estava sendo machista e peguei o livro novamente. 

Aí me surpreendi com seguinte cenário: um clube do livro formado por homens, meio óbvio pelo título, que buscam na leitura de romances a ajuda para compreender melhor, quem? As mulheres, é claro! Suas respectivas companheiras e assim melhorar seu relacionamento. 

Até me lembrei de um amigo de trabalho que lia todas as revistas ditas como femininas, tipo: Marie Claire, Cláudia, Nova, etc. Ele me contava que fazia isso para entender melhor a forma de pensar e ver o mundo das mulheres, para melhorar a comunicação com a mulher dele, etc. 

Comecei a ler o livro cheia de expectativa de um bom enredo. 

Realmente a trama aborda assuntos importantes e interessantes, como as dificuldades de mulheres que ainda hoje abrem mão de suas vidas pessoas para se dedicarem a família e abrirem espaço para o marido se dedicarem as suas carreiras. Fala de orgasmo feminino trazendo à tona a questão que ainda hoje mulheres fingem que atingiram. De como traumas do passado podem afetar as nossas vidas e da importância da transparência e diálogo em uma relação. Tudo isso com doses de erotismo. Tudo para render um ótimo livro. 

Acontece que eu achei os diálogos totalmente infantis. As motivações pequenas os desentendimentos e as reações desproporcionais. Sei lá, não sei se sou eu que ando chata com esse isolamento, mas me o casal Gavin e Thea me pareceu adolescentes de dezessete anos que casou porque engravidou e tem maturidade zero para encarar as relações. Do tipo que faz bico, sai batendo o pé e vai dormir no quarto ao lado. A irmã Liv uma chatinha mimadinha interferindo, dando respostinhas atravessadas pro marido da irmã. Os amigos de Gavin com umas brincadeiras bobas, apesar de darem bons conselhos para o amigo. As falas, e boas falas sobre feminismo, na boca desses homens me soaram forçação de barra. 

E o pior, a autora parece criança que aprendeu uma palavra nova e fica repetindo o tempo todo. Então, a palavra grunhido aparece quase em todas as páginas. Ô personagens para grunhirem por tudo, sério?

De qualquer forma, por ser uma leitura leve, fácil, fluida e que até desperta alguma curiosidade para saber o próximo passo, eu consegui ir até o final. Não empaquei. Achei interessante também ter um livro dentro do livro, o "Cortejando a Condessa". É um livro sobre lutar pelo seu relacionamento, pelo o que importa na sua vida, em estar aberto a mudar o seu ponto de vista e se abrir. 

Um livro meio bobo, meio irritante pela bobeira, mas legalzinho. Deu para divertir e distrair. Ah, eu só vi críticas boas na internet. Será que a chata sou eu? 

Sinopse: "Primeira regra do clube do livro é: não fale sobre o clube do livro
Gavin Scott é um astro do beisebol, devotado ao esporte. No auge de sua carreira, ele descobre um segredo humilhante: a esposa, Thea, sempre fingiu ter prazer na cama. Magoado, Gavin para de falar com ela e acaba piorando o relacionamento, que já vinha se deteriorando. Quando Thea pede o divórcio, ele percebe que o orgulho e o medo podem fazê-lo perder tudo.
Bem-vindos ao Clube do Livro dos Homens
Desesperado, Gavin encontra ajuda onde menos espera: um clube secreto de romances, composto por alguns dos seus colegas de time. Para salvar seu casamento, eles recorrem à leitura de uma sensual trama de época, Cortejando a condessa. Só que vai ser preciso muito mais do que palavras floreadas e gestos grandiosos para que Gavin recupere a confiança da esposa.".

Esse post faz parte do projeto/desafio BEDA 2021:

Também estão participando do BEDA 2021:
Clau, do Mãe Literatura.



Beda Abril 2021
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sexta-feira, 2 de abril de 2021

Livro "A Segunda Vida de Missy"


Comecei o ano de 2021 com a intenção de ler um livro por semana. Comecei bem. Cumpri a proposta no mês de janeiro e início de fevereiro. Aí empaquei na autobiografia de Woody Allen. Adoro ele, gosto da escrita divertida e tal, mas ele faz várias referências a personagens do show business que eu não conheço. Bom, empaquei. O chato de empacar em um leitura é que quebra o ritmo. Pelo menos para mim, quebra. 

Para recuperar o ânimo e seguir na minha proposta eu percebi que precisava de uma leitura leve, fluida, divertida, com pitadas de romance e gotas de drama. Em uma saída rápida para ir a padaria quando ainda não tínhamos retomado o isolamento eu entrei na livraria e peguei um livro. A escolha foi pela capa. Achei que tinha a cara do tipo de livro que eu precisava para desempacar a leitura. E funcionou!



"A Segunda Vida de Missy"  é aquele livro envolvente que vai aquecendo o coração conforme conhecemos melhor a personagem principal. A história emocionante e cheia de mensagens lindas que nos faz pensar sobre as nossas escolhas. 

Millicente Carmichael, é Missy, é uma mulher de setenta e nove anos que viveu sua vida dedicada ao marido e aos filhos. Abriu mão da sua vida profissional pelo casamento. Abriu mão de si pelos filhos. Abriu mão de criar o seu círculo de amizades para viver na bolha do marido. 

Agora, viúva e com os filhos adultos e morando longe ela se vê solitária, desanimada, sem se reconhecer, sem seus interesses próprios. 

Sim, ela viveu um grande amor, era muito apaixonada pelo marido intelectual, inteligente e reconhecido. Viveu todas as dores e as delícias da maternidade. Mas se anulou durante anos. Agora precisa seguir em frente. Será que tem tempo de se reencontrar ou é melhor ficar em casa esperando as poucas visitas dos filhos?

Um simples passeio na praça dá início a um processo de mudança e de redescobertas. Missy começa a construir novos vínculos. Mas é quando, muito relutantemente, Missy aceita cuidar da cadela Bob que o coração de Missy realmente se abre as possibilidades que a vida oferece. 

Uma história sobre o poder da amizade sem fronteiras de idade, sexo, espécie. Uma criança, um cachorro, uma mãe solteira, uma mulher adulta, homem. Sobre o amor, solidão, escolhas. Mas acima de tudo sobre recomeçar. Sempre é possível! Sobre sobre passado, erros, arrependimento. Mas acima de tudo sobre presente, acertos e perdão. Sobre o perdão mais importante: perdoar a si mesma. 


Sinopse: "Em 1959 Millicent Carmichael, a Missy, casou-se com o homem que amava. Passados cinquenta anos, sem ele e com dois filhos criados e distantes, ela está sozinha. Embora se apresse em dizer que considerava seu papel de dona de casa e mãe pouco satisfatório, a verdade é que Missy devotou toda uma vida à família e suprimiu qualquer ideia de carreia em função do sucesso do marido. Agora que ele não está mais a seu lado, que ela brigou com a filha e que o filho se mudou para a Austrália com o neto que Missy tanto ama, ela passa os dias bebendo xerez, evitando as pessoas e vagando pela casa enorme e mal decorada esperando não se sabe o quê. Missy não lembra, mas ela é fabulosa. Um pouco difícil, sim, e cabeça-dura, mas também generosa e espirituosa, um tanto à moda antiga. Sua falta de traquejo para lidar com a vida esvaziada de tudo que antes lhe conferia valor começa a parecer um caminho sem volta, até que, em uma de suas raras saídas à rua, um desmaio em pleno parque faz com que uma desconhecida se aproxime. Esse é o primeiro de uma série de acontecimentos fortuitos - uma invasão, uma cadela adorável sem raça definida precisando de uma lar - que, aos poucos, vão carregando ao redor da mulher solitária um grupo improvável de maravilhosos estranhos. Rodeada por essa comunidade alegre e diversa que encarna as várias formas de amar, Missy encontra uma nova razão para viver. A personagem de quase oitenta anos poderia parecer uma protagonista distante demais para quem é jovem, mas enquanto Missy nos conta a própria história vão se revelando tantas verdades, expectativas e complexidades da vida comum que, em qualquer idade, é impossível não se identificar. Retrato emocionante e reflexivo sobre a vida adulta e o envelhecimento, com direito a uma reviravolta final que dá vontade de de voltar as páginas e buscar todas as pistas. A segunda vida de Missy é uma celebração de como os dias comuns podem ser extraordinários quando se está cercado das pessoas certas.".

Esse post faz parte do projeto/desafio BEDA 2021:

Também estão participando do BEDA 2021:


- Clau, do Mãe Literatura.



Beda Abril 2021


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sábado, 13 de fevereiro de 2021

Livro "O Menino, a Toupeira, a Raposa e o Cavalo" - páginas de gentileza

 

Eu vi algumas citações ao livro "O Menino, a Toupeira, a Raposa e o Cavalo" no instagram. O pouco que eu vi foi o suficiente para aguçar a minha curiosidade a respeito do livro que no final de 2019 foi escolhido um dos livros do ano pela Waterstones despontando como “melhor sugestão de livro para presente de natal”. Porém, até então só tinha visto essas referências, fotos ou citações para o título em inglês "The Boy, the Mole, the Fox and the Horse".



Nessa semana eu me deparei com um exemplar em português (descobri agora que a versão traduzida chegou ao Brasil em maio de 2020). Não resisti. Mesmo já tendo visto praticamente todas as páginas no Instagram do autor Charlie Mackesy eu quis ter um exemplar. Quis lê-lo em português.

A capa é linda e o livro é todo manuscrito. 


Charlie Mackesy é ilustrador e cartunista inglês,  com trabalhos exibidos em galerias de Londres e Nova York. Por isso não é de se estranhar que o livro seja composto principalmente por imagens.


Foi após a perda de um grande amigo que ele começou a compartilhar os desenhos com frases curtas em seu perfil no Instagram de forma totalmente despretensiosa. 

As frases que acompanham as ilustrações, segundo o autor, derivam de conversas suas com amigos sobre o que a vida realmente significa. 


É um livro lindo, delicado, sigelo que fala de amor próprio, amizade, gentileza, compaixão. 


Na introdução do livro o autor diz que espera que o livro "inspire a viver corajosamente, com mis gentileza em relação a si mesmo e aos outros. E que incentive a pedir ajuda quando necessário.".


Com uma história bem simples, é um livro que toca a alma. Um belo presente para pessoas de todas as idades. São páginas de gentileza.






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sábado, 30 de janeiro de 2021

Livro "meu corpo minha casa", de Rupi Kaur


Eu gosto de ter por perto um livro de crônicas e ou poemas. Aqueles livros com leituras rápidas que servem como respiro em alguns momentos. Por exemplo, estou no trabalho e entre uma reunião ou outras, naqueles poucos minutos de intervalo, posso abrir uma página aleatoriamente e ler algo. Assim consigo desviar a mente, relaxar e voltar a entrar no foco.

Comprei o livro "meu corpo minha casa", a terceira coletânea de poesias de Rupi Kaur, com esse objetivo. Colocá-lo na minha mesa do home office e ir lendo aleatoriamente. Mas não rolou! Li o livro todo! Direto e reto!



Como ou outros dois livros da autora "outros jeitos de usar a boca" e "o que o sol faz com as flores", "meu corpo minha casa" é uma leitura densa. Trata assuntos pesados, como depressão, abuso sexual infantil, relações abusivas. Mas também fala de amor, de sobrevivência, de força. 

Em alguns momentos a leitura incomoda, dói, dá nó no estômago. Mas essa é a intenção. Trazer esses assuntos à tona, para reflexão, para que outras pessoas possam se identificar e não se sentirem sozinhas em suas dores.




O livro está dividido em quatro capítulos: mente, coração, repouso e despertar.

Em mente, Rupi Kaur, fala de ansiedade, angústia, depressão. Como ela mesma diz em seu Instagram, é um símbolo de que ela sobreviveu. 

Em coração estão os poemas sobre amores, seus tipos e suas formas: relações abusivas, relações saudáveis, masturbação e amor próprio, amizade e família. Fala de relações humanas. 

O capítulo do repouso definido pela autora em seu instagram "o capítulo que eu não queria escrever, mas tive que escrever. este capítulo me permitiu mapear como proteger minha saúde mental e física da doença da produtividade e da auto-aversão". 



Esse capítulo fala de capitalismo, imigração, produtividade, culpa, cobrança e em como se posicionar nesse meio.


Os poemas desse capítulo foram os que mais me trouxeram identificação nesse momento. 


Até fiz uma pausa para me divertir sem medo de passar vergonha e fugir do tempo. 




A última parte, despertar, falar de poder, de força, de se reconhecer e de feminismo.



Além de escrever os poemas, Rupi Kaur, escritora e poetisa canadense também ilustra as suas próprias páginas. Eu particularmente gosto muito das ilustrações dos livros dela. 

Uma leitura que acho importante, que gostei de ler e gostaria que as minhas filhas lessem. 

Sinopse: "A terceira coletânea de poesias de Rupi Kaur, maior fenômeno da poesia mundial nos últimos anos. Um dos temas mais frequentes na obra de Rupi Kaur é a importância que há em crescer e estar sempre em movimento. Em Meu corpo minha casa, ela leva leitoras e leitores a uma jornada de reflexão através da intimidade e dos sentimentos mais fortes, visitando o passado, o presente e o potencial que existe em nós. Os poemas dessa coletânea, ilustrada pela autora, inspiram uma conversa interna em cada um, lembrando que precisamos nos preencher de amor, de aceitação e de confiança em nossas relações familiares e de comunidade. E, sempre precisamos estar de braços abertos para as mudanças em nossas vidas."




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sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Livro de Crônicas Minha esposa tem a senha do meu celular

Aprendi a gostar de livros de crônicas no metrô. Cansei de perder a estação porque estava envolvida na leitura de algum romance, aventura, suspense, sei lá mais o quê. Me encontrava na leitura e me perdia no tempo. Foi com um livro de crônicas que me dei conta que a leitura de uma crônica era o tempo certo entre as estações. Assim passei a ter sempre um livro de crônicas na minha bolsa, na minha mesa, à mão. 

Normalmente não leio um livro de crônicas de batida. Leio intercalado com outros, leio aleatoriamente. Mas esse último, "Minha Esposa Tem a Senha do Meu Celular", foi diferente. Li de cabo a rabo. 

Livro Minha esposa tem a senha do meu celular de Fabrício Carpinejar


Eu já tinha lido uma coisa ou outra do Fabrício Carpinejar, só isso. Mas eu estava na livraria, na fila para pagar o livro que comprei e a capa do Carpinejar chamou a minha atenção. Peguei, abri aleatoriamente em uma crônica e li ali na fila. A tal crônica, de título "Centopeia de Espírito" começava assim: 

"Nunca vi nenhuma mulher selecionar os seus sapatos para a campanha de agasalho (até porque elas acreditam que sapato não é agasalho). São generosas e oferecem roupas novas, recentes, que não servem mais. Realizam limpas no armário mensalmente, separam o que não agrada com bonança. Nunca deixam nada parado, sem utilidade para o próximo. Mas sapato, não."

Discordei. Eu doo sapatos. Aliás, só para contrariar, quando cheguei em casa eu fiz a limpa nos meus sapatos. Mas, não sei bem o que me deu, acho que baixou o espírito centopeia e fiz a compra online de alguns pares de sapatos para substituir os doados.

Mas eu estou aqui pra falar do livro. Peguei o exemplar, ainda não convencida se levaria para casa, e me sentei em uma área aberta da livraria que estava vazia. Segui a leitura. Li 50 das 142 páginas. Uma crônica atrás da outra. Nem sempre concordando com o conteúdo, mas sempre admirando a a escrita, a escolha das palavras. Frases inspiradoras, detalhes divertidos. Algumas identificações, como em "Maladragem Familiar"

"Quando alguém de casa me pergunta se eu vi determinada coisa, não está, na verdade, me questionando, está me culpando e me pondo a trabalhar para achar. " É exatamente assim que eu me sinto. 

"A incriminação é falsa, um oportuno artifício para ganhar a atenção."
 Eu nunca tinha pensado por esse ângulo. Sempre assumo a culpa automaticamente. 

"Pois tenho que provar a inocência de uma hora para outra. Sou obrigado a cessar as minhas preocupações, por mais importantes que sejam, para investigar onde a pessoa deixou o objeto."  Exatamente isso, paro o que estou fazendo e vou "resolver" a minha suposta "culpa".

Não teve jeito. Tive que voltar para a fila. Eu levaria "Minha Esposa Tem a Senha do Meu Celular", mesmo eu não tendo a senha do celular do meu marido, nem querendo ter, nem ele tendo a minha. Nada a esconder. Apenas privacidade, existir individualmente mesmo sendo parte de um par. 

A crônica que dá título ao livro foi publicada no perfil do Facebook do autor. Nela, Carpinejar conta que sua mulher tem a senha do seu celular e ele tem a dela. Nunca conversaram a respeito - simplesmente aconteceu. Ele entende isso como uma demonstração de confiança, transparência, fidelidade. Eles, o casal, não entendem como invasão de privacidade, mas sim um convite para que esta seja dividida entre os dois. Lindo! Romântico!

Euzinha aqui já sinto e penso de forma diferente. Não tenho nada a esconder, justamente por isso não preciso dar provas disso. Eu confio, justamente por isso não preciso de provas. Não tenho nada a esconder, mas tenho privacidade a manter. Por exemplo, algumas amigas podem desabafar seus segredos comigo pelo WhatsApp que os segredos delas serão mantidos comigo. Não corre o risco de ninguém ver. E não estou escondendo nada, estou apenas mantendo em segredo o segredo que não é meu. Pontos de vistas. 

Muitas crônicas  me despertaram exatamente pela identificação. Outras, o oposto. E acho que foi justamente por trazer alguns pontos de vistas diferentes do meu que algumas das crônicas me interessaram tanto a ponto de eu ler o livro de batida. Muitas vezes me sentia uma verdadeira aquariana lendo textos de um canceriano. Fui até pesquisar o signo do autor, ele é escorpião. 

O livro fala de amor, de liberdade e de confiança. Fala de entrega, de doação. Fala de casamento, de rotina, de quebrar a rotina, de ver beleza na convivência diária e de se divertir com "os defeitos". Fala de fidelidade e e respeito. Fala de romance. As crônicas de narrativa biográficas são voltadas para a relação entre marido e mulher.




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segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Livro "A Troca"

A primeira leitura do ano foi uma comédia romântica, leve, com leitura fluida, personagens carismáticos e que emociona. Apesar da trama ser bem clichê e bastante previsível, aborda assuntos atuais e realistas de maneira madura. 

Livros de Beth O'Leary



"A Troca" retrata o momento de vida de Leena, 29 anos, e sua avó 79 anos. As duas passaram por um ano difícil, com acontecimentos marcantes e traumáticos. Estão tentando se recuperar, e até achando que estão indo bem nessa direção. Porém, no fundo, lá no fundo, não é bem assim que as coisas estão acontecendo. Mas nem sempre é possível simplesmente seguir em frente. Alguns traumas, algumas situações da vida necessitam de um passo atrás e até uma guinada radical.

Nessa jornada Leena, a neta, mora em Londres, em um apê descolado, bem-sucedida profissionalmente, tem um namorado aparentemente perfeito e amigos. Eileen, a avó, mora no interior na cidade de pouquíssimos habitantes onde sempre viveu. Uma vida, a princípio, pacata. 

Leena em seu ritmo totalmente urbano e workaholic, na verdade está fugindo do trauma da perda, achando que está enfrentando o luto da melhor maneira. Porém se vê obrigada a desacelerar, a tirar um período sabático forçado. 

Eileen está acomodada na calmaria da vida de cidade pequena, dentro da sua zona de conforto. O conformismo como fuga dos traumas causados por perdas e luto. 

"o relacionamento dos dois era mais uma parceria com a qual tinham se conformado do que um casamento."

É quando Leena resolve visitar a avó em Yorkshire que ela descobre que Eileen, quando jovem, tinha um sonho de viver uma aventura em Londres. E assim surge a ideia de fazerem uma troca: Leena passaria os seus dois meses de férias forçadas na casa da avó, experimentando a calmaria da cidade pequena, e Eileen iria para a casa da neta em Londres para finalmente viver a sua grande aventura.

É nessa troca de rotina que não se limita apenas a troca de casas, mas também de celulares, computadores e até de alguns projetos, que as duas desvendam sentimentos guardados, afloram emoções, se redescobrem e reinventam.
gas. 
"A Troca" é um estilo chick lit bem no roteiro padrão de uma mulher por volta dos 30 anos com vida encaminhada e que passa por determinada situações que a fazem mudar o estilo de vida: cidade, trabalho e amor. No início já sabemos qual será o fim. Porém não sabemos o como. E é aí que estão as reviravoltas. E mais do que isso é nesse percurso que estão os temas interessantes, como luto e dor e família. Em como cada um tem o seu jeito e o seu tempo para lidar com as coisas. 

"Às vezes é mais fácil ficar com raiva do que ficar triste".

Fala sobre senso de comunidade, como cada um pode ser importante para o todo, de solidariedade, de altruísmo, de empatia, do poder da amizade. Questiona até que ponto não nos envolvermos (para não sermos do tipo palpiteiros. Já que palpiteiros não são bem vistos) passa a ser omissão. Aí entra o tema sororidade. 

"É assim que acontece com velhas amigas, Nos entendemos até quando não há palavras suficientes para tudo o que deve ser dito."

Fala sobre superação, aceitação, redescoberta, autoconhecimento e coragem para mudar o que precisa ser mudado. E fala também como esse caminho às vezes precisa ser solitário, mas pode também ser mais fácil com o apoio das pessoas que realmente nos querem bem.

"Se está abraçando alguém o apertado suficiente, você pode ser ao mesmo tempo quem oferece o ombro e quem chora.".


Fala de família.

"Família pode ser um negócio complicado, mas, se escolhermos nosso próprio jeito de lidar com ela, podemos acabar com algo bem próximo da perfeição".


Fala sobre amor na terceira idade, sobre nunca ser tarde para a realização dos sonhos e que pessoas idosas podem ser cheias de energia, aventureiras, amigas, amantes, sábias e surpreendentes. 

E acima de tudo fala de liberdade, nunca ser tarde para aproveitar a vida, em não se acomodar. 

Acabei o livro listando alguns sonhos a serem realizados e algumas aventuras a serem vividas.

Sinopse: "Eileen está cansada de ter 79 anos. Leena está cansada da vida na casa dos vinte. Talvez seja hora de elas trocarem de lugar... Quando a superestimada Leena Cotton é obrigada a tirar dois meses de férias forçadas após estragar uma grande apresentação no trabalho, ela foge para a casa de sua avó Eileen para descansar um pouco. Eileen acabou de ficar solteira e está prestes a fazer oitenta anos. Ela gostaria de uma segunda chance no amor, mas sua pequena vila em Yorkshire não oferece muitos cavalheiros elegíveis. Depois que Leena descobre a situação romântica de Eileen, ela propõe uma solução: uma troca de dois meses. Eileen pode morar em Londres e procurar o amor. Enquanto isso, Leena cuidará de tudo na zona rural de Yorkshire. Mas com vizinhos fofoqueiros e dinâmicas familiares difíceis de navegar pelo norte, e colegas de apartamento da moda em Londres e encontros online para enfrentar na cidade, colocar-se no lugar do outro é mais difícil do que qualquer um deles esperava. Leena descobre que um relacionamento à distância não é tão romântico quanto ela esperava que fosse, e então há o irritantemente perfeito - e distraidamente bonito - professor, que continua aparecendo para superar seus esforços para impressionar os moradores locais. De volta a Londres, Eileen é um grande sucesso com seus novos vizinhos, mas será que seu par perfeito está mais perto de casa do que ela pensava?"



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