Mais um livro que escolhi aleatoriamente na livraria. Sem indicação, apenas por intuição. Não conhecia a autora, nem tinha visto nada sobre o livro.
A capa me trouxe a sensação de que naquelas páginas eu experimentaria outros mundos. A sinopse me deu a impressão de que a história ali desenvolvida me levaria a reflexões e pensamentos sobre uma realidade ainda não conhecida por mim. Isso foi suficiente para me despertar o interesse na leitura. Afinal. é isso que quero com uma leitura, ser transportada para outro universo, outras realidades, outras experiências.
"Lua no Céu de Cabul" conta a história de Fereiba, uma mulher Afegã inteligente, determinada, forte, que luta desde sempre pela sua liberdade.
Fereiba perdeu a mãe ao nascer. Cresceu criada pelo pai e uma madrasta no regime mulçumano de uma Cabul livre e independente. Porém precisou enfrentar o pai para realizar o sonho de estudar. Mais tarde precisou enfrentar a madrasta para conseguir realizar um casamento. Em seguida lutou para conquistar o amor dentro daquele casamento arranjado conforme as tradições mulçumanas.
Quando finalmente Fereiba está realizada na profissão de professora, feliz na relação de respeito e admiração que conquistou com o marido, se sentindo completa com a maternidade, surgem ameaças externas que abalam o sossego e tranquilidade não somente de Fereiba, mas do povo Afegão.
Primeiro a guerra vinda com a invasão da União Soviética. Porém pior do que a própria guerra é quando o regime Talibã se estabelece. Toda a liberdade é cerceada. A violência do regime é mais cruel do que os bombardeio soviéticos.
Quando seu marido é morto pelo regime Talibã, Fereiba, agora mãe de três filhos, se vê sozinha e sem alternativa em um governo em que mulheres não têm direitos e são extremamente desrespeitadas. Sem opção de trabalho, de sustentar e alimentar os filhos, Fereiba enxerga apenas uma alternativa.
Temendo pela segurança de seus filhos, ela parte em uma jornada desesperada para a Inglaterra, onde sua irmã, casada com o primo de seu marido, encontrou asilo com sucesso.
A família refugiada parte em uma longa e arriscada jornada. Mais arriscada ainda por ser percorrida por uma mulher sozinha (afinal, considera-se que mulher sem um homem é sozinha) com três crianças.
Entre caminhões, trens, ônibus e barcos, a família vai percorrendo vários países. O início da jornada, apesar de arriscada, cansativa, até que flui bem. Fereiba e seus filhos possuem algum dinheiro e encontram pessoas no caminho que os ajudam.
Porém ao chegarem na Grécia, a porta da Europa, as portas emperram e as dificuldades aumentam. Salim, o filho mais velho, que com apenas 13 anos, se depara com a necessidade de amadurecer precocemente e se tornar o homem de família e proteger sua mãe e irmãos do perigo iminente. Salim toma atitudes desesperadas e que ele mesmo não concorda. Seus conceitos éticos são questionados por ele mesmo. O que a sociedade obriga os desesperados pela sobrevivência a fazer?!
O caminho perigoso e desesperado para a Inglaterra se torna mais longo e demorado do que o planejado. Outros imprevistos e necessidades surgem e a família de Fereiba começa a ficar sem fundos e opções. Na tentativa de resolver esse problema, Salim se separa de sua família.
Até então o drama da família entremeado com as questões históricas, políticas e religiosas estavam envolventes e com um bom equilíbrio entre momentos dramáticos e de pequenas alegrias. Eu devorei o livro até esse ponto. Mas a separação de Salim apertou o meu coração e eu travei a leitura por dois dias. Mas dei sequência.
Será que Fereiba consegue seguir o seu caminho e chegar ao destino com seus dois filhos menores? E Salim? Ele vai reencontrar a família?
Entre os milhares de refugiados de diferentes países que buscam asilo em simpáticos países europeus, a autora divide a narrativa de "Lua sob o Céu de Cabul" entre Fereiba, a matriarca da família, e Salim, o filho mais velho.
A leitura é envolvente, emocionante, e nos faz pensar sobre o nosso papel nesse mundo globalizado em que as fronteiras cada vez mais irão cair por terra. Aborda alguns problemas importantes, como tráfico de pessoas, imigração e campos de refugiados, que são predominantes no mundo nesse e em muitos momentos. No quanto o problema dos refugiados é nosso também. O quanto deixar as pessoas à deriva as faz seguir rumos que podem nos afetar diretamente.
A história contada por Nadia Hashimi não é verídica, mas baseada nas histórias de membros de sua família que realmente fizeram essas viagens. Isso traz uma veracidade incrível ao texto. Realmente acreditei que Fereiba e seus filhos eram reais, me envolvi com suas vidas e batalhas. Torci por seu destino.
Enfim, uma leitura muito oportuna e até necessária para entendermos melhor os tipos de provações que os deslocados sofrem em terras estrangeiras.
Sinopse: "Em uma narrativa emocionante, que mostra de maneira vívida o drama dos refugiados na Europa, Nadia Hashimi cria uma história épica sobre uma família que enfrenta as adversidades sem nunca recuar, buscando um lugar onde possam reconstruir suas vidas. “Com graça e sensibilidade, Nadia Hashimi joga luz sobre a angustiante odisseia e os numerosos perigos que os refugiados enfrentam na busca por um porto seguro.” – Booklist Casada com um engenheiro completamente apaixonado por ela, Fereiba leva uma vida feliz em seu mundo de classe média, no Afeganistão. Porém, tudo isso implode quando o país é imerso na guerra e o Talibã assume o poder. Seu marido vira alvo do novo regime fundamentalista e é assassinado. Forçada a fugir de Cabul com os três filhos, Fereiba só tem uma esperança de sobreviver: atravessar a Europa até a casa da irmã, na Inglaterra. Contando com documentos falsos e a bondade de estranhos que conhece pelo caminho, ela tem que fazer a perigosa passagem para o Irã sob o véu da escuridão. Exaustos, eles conseguem chegar à Grécia, mas, numa reviravolta apavorante, seu filho adolescente, Salim, some. Será que Fereiba terá coragem de seguir viagem com a filha e o bebê e deixar o menino para trás, no mundo obscuro dos refugiados que vagam pelas ruas europeias?"
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