Frequentemente eu me lembro de um dia em que a Ana Luiza era
pequena, bem pequena, naquela fase em que eu estava completamente envolvida com
o universo infantil em que as festas que eu ia eram festas infantis, toda a
programação (cinema, teatro, viagens, passeios, etc.) era com o foco no
interesse de crianças da idade dela, os meus assuntos rondavam a maternidade,
as dicas de alimentação, brincadeiras, desenvolvimento da criança, as gracinhas
e tudo o mais que é lindo, cativante, emocionante.
Nesse dia em especial uma amiga que já tinha um filho
entrando na adolescência chegou no trabalho toda feliz contando que tinha ido
ao musical “
Beatles Num Céu de Diamantes” e que o filho tinha ido com ela e o
marido. O que me chamou a atenção foi a alegria e deslumbramento dela em mostrar
para o filho os interesses e gostos dela. Em compartilhar um programa de igual para
igual. Não era uma mãe levando o filho ao teatrinho que ele tanto gosta, um
adulto indo a um programa infantil, coisa que ela fazia com enorme alegria e
satisfação. Mas agora a sensação era diferente, eram duas pessoas indo juntas compartilhar
o mesmo interesse. E ela contava sobre ver o filho crescer e sentir a troca entre
os dois quase em um mesmo patamar.
A emoção, os olhos brilhando e a empolgação no discurso da
minha amiga me marcaram, mas aquilo pra mim era muito, mas muito distante. Eu
estava mesmo deslumbrada e igualmente empolgada em oferecer e desfrutar do
universo da Ana Luiza, minha menininha, minha criancinha, meu bebê e assim
segui curtindo cada fase.
E de repente eu pisquei os olhos e me percebi sentindo aquela
emoção da Anna Cláudia. E acreditem que o primeiro programa que dividi com a Ana
Luiza sentindo que estávamos sendo companheiras no mesmo nível de interesse foi
o mesmo musical dos Beatles que tinha retornado ao cartaz. Contei neste post
AQUI.
Bom, falei isso tudo pra dizer que esses momentos
compartilhados estão mais frequentes na minha vida de mãe de adolescente. E a música é um ótimo aproximador de gerações. Dessa vez fomos ver “Cássia
Eller, o Musical” que voltou para os palcos cariocas.
Na primeira temporada, apesar de a Ana Luiza me pedir várias
vezes, não conseguimos comprar os disputadíssimos ingressos. Dessa vez ela
ficou mais esperta e assim que soube da estreia me avisou e compramos com a
devida antecedência.
O espetáculo tem duas horas e quinze minutos de duração, sem intervalo, mas a gente nem percebe o
tempo passar. O repertório é excelente e muito bem conduzido pelos
atores-cantores que integram o elenco. São trinta e quatro músicas que fizeram
parte do universo de Cássia Eller, desde a sua
adolescência até a sua morte em 29 de dezembro de 2001 e tem tanto as canções
desconhecidas (ou que não foram sucesso nas paradas) como Flor do Sol, quanto
àquelas inesquecíveis que mexem com as nossas lembranças e que foram
imortalizadas por ela.
O musical tem pouca produção cênica e não há mudança de cenário, bem típica desses
musicais. A história da carreira e da vida de Cássia Eller é contada no mesmo
palco, cuja decoração lembra uma gruta. Aliás, eu viajei no tempo e me
senti naquele show no Circo Voador que eu fui há anos. O foco do espetáculo está nas músicas, no espírito e essência da cantora.
A peça foi ótima como um todo, mas duas passagens foram especialmente emocionantes para mim:
- uma foi quando ela cantou “Malandragem”. Eu me lembrei daquela noite da soneca na
creche da Ana Luiza. No dia seguinte pela manhã quando fui, cheia de saudades e
expectativas, pegá-la na escola, nós, pais, fomos recebidos com uma apresentação
das crianças cantando essa música. Nem preciso dizer que as lágrimas escorreram,
né?
- a outra foi o encontro da Cássia Eller com Nando Reis e a música “All Star”.
[...] "Estranho é pensar que o bairro das Laranjeiras
Satisfeito sorri quando chego ali
E entro no elevador
Aperto o 12 que é o seu andar" [...]
Estranho é pensar que nós quase, mas quase mesmo, moramos no mesmo 12º andar, vizinha, parede com parede, de onde esse encontro de almas acontecia.
Foi incrivelmente
especial poder reviver essas histórias e compartilhá-las com a Ana Luiza, a
minha adolescente que pra mim sempre será uma garotinha.
O musical vale a pena e eu recomendo muito.
Serviço:
TEATRO CLARA NUNES - Shopping da Gávea.
Rua Marquês de São Vicente, 52
Tel: 2274-9696
De qui a sáb, às 21h. Dom, às 20h.
R$ 80 (qui), R$ 90 (sex) e R$ 100 (sáb e dom).
Duração: 135 min.
Classificação: 14 anos. Até 31 de maio.
Você pode me encontrar também