segunda-feira, 20 de março de 2017

Espaço Cultural dos Correios - Turistando em Niterói


Nos tempos de hoje recebemos informações de tudo e sobre tudo. Isso por um lado é ótimo, mas por outro dificulta as descobertas. Percebo muito esta situação em viagens e passeios. Já saímos com todas as dicas de locais e roteiros. Assim, aquela coisa de se perder, de pedir informações para alguém local e de descobrir um cantinho fica mais distante.

E eu adoro essas descobertas, esses locais surpresa, aqueles que a gente não esperava encontrar no caminho, o caso e por acaso.

Foi assim com o Espaço Cultural dos Correios em Niterói. Eu nunca tinha ouvido falar dele, nunca tinha visto uma foto sequer no Instagram, nunca tinha lido nada em blog nenhum, muito menos visto alguma menção no Facebook.

Simplesmente saí da Estação das Barcas, em Niterói, com destino ao Plaza Shopping. Quando parei no sinal e observei um prédio antigo, imponente, e com uma arquitetura art noveau bem interessante. A primeira coisa que pensei foi: "Nossa, como eu nunca tinha prestado a atenção neste prédio?!". Logo em seguida veio a curiosidade de saber o que ele abrigava.

Museus e Centros Culturais em Niterói


Estiquei o meu olhar e vi que era o Palácio dos Correios e que tinha duas exposições anunciadas na frente. Ou seja, é um prédio aberto à visitação pública. Fiz o que eu tinha que fazer no shopping e na saída resolvi disponibilizar uma horinha para conhecer o tal palácio.

Museus e Centros Culturais de Niterói

Logo na entrada já dá para ver que o espaço está todo reformado, bem novo, claro, amplo, arejado e com aquele toque de passado que faz a gente viajar e ficar imaginando como era a vida antigamente.

Pelo o que fiquei sabendo o prédio que foi inaugurado em 1914 e abrigou até 1986 a agência central de Niterói e a diretoria regional dos Correios no antigo estado do Rio de Janeiro. Depois passou a ser a principal agência dos Correios na cidade e a sede da Região de Negócios que atende Niterói, São Gonçalo (Rio de Janeiro) e Região dos Lagos.

Soube também que o prédio estava bem acabadinho, com pichações e o interior, onde ficavam os guichês de postagem, bem maltratado.

 Mas o palácio foi restaurado e reformado e em 2014 passou a ter também o Centro Cultural dos Correios.

O espaço conta com algumas salas no lado esquerdo do andar térreo e outras no primeiro andar. Neste dia tinham três exposições em cartaz. Duas no térreo e uma no primeiro andar.

Por sorte minha a exposição "Flor, Da Contenção À Expansão", da artista Myriam Glatt, estava sendo inaugurada. Além de ver em primeira mão, ainda pude falar com a artista e tomar uma taça de vinho.

Amei o trabalho feito com recortes de papelão descartado, sobrepostos que criam relevos e dão uma textura bem interessante.



Adorei a explosão de cores e o impacto que as obras causaram em mim.


As flores em pinturas acrílicas sobre tela também são lindas. E como não me encantar por um quadro de flor chamado Sofia?!


Depois de apreciar bastante a primeira exposição, passei rapidamente pela segunda e fui atraída pela escada. Gente, eu adoro essas escadas de prédios antigos. Sei lá, me dão a sensação de que tem algum mistério nelas. Vou subindo os degraus meio que esperando um portal para outra dimensão, para outro tempo, para uma viagem ao passado.

Passeios culturais em Niterói

Neste primeiro andar, que na verdade precisa de dois lances de escada para ser alcançado (tem elevador, mas preferi ir de escada e observar os degraus em mármore, o guard rail em ferro e o corrimão dourado), tem uma varanda que dá vista para a Baía de Guanabara. Desta varanda podemos ver melhor a fachada do prédio e os dois torreões que ostentam cúpulas metálicas. Bem bonito. Tão bonito que eu fiquei de bobeira apreciando os detalhes e me esqueci de fotografar.

Lá, neste andar, cheguei à exposição "Águas" de Jane Maria.


A coleção desta exposição traz um encantamento e uma sensação de tranquilidade.

Passeios turísticos em Niterói

Todas as seis salas de exposição do Espaço Cultural dos Correios são amplas, bem claras, com pé direito alto, arejadas, enfim, ótimas. Nesta eu observei ao canto esquerdo, ao alto, um recorte na pintura branca mostrando como era a pintura anterior à reforma.

A explicação para isto é que para ter salas de exposição que possam receber qualquer tipo de arte as salas precisavam ser pintadas de branco. Aquele espaço ficou reservado para manter a história. Mas não é somente ali. O Espaço Cultural dos Correios tem também uma sala histórica, com detalhes da arquitetura e características originais do prédio.

O que fazer em Niterói


 Nesta sala encontramos objetos históricos e duas plantas de arquitetura da fachada datadas de 1910.

Passeios Culturais em Niterói


Reza a lenda que no segundo andar ainda serão instalados um bistrô e uma livraria. Espero que sim.

Saí de lá para pegar o meu caminho de volta bem feliz com a visita.

Gostei muito da minha descoberta, gostei de abrir espaço ao acaso e por acaso permitir que a novidade atravessasse o meu caminho naquele dia já todo programado.

Passeios turísticos em Niterói

Que bom que eu permiti que meus pés mudassem a rota, que meus olhos ficassem atentos, a minha mente receptiva à novidade e o coração aberto para as surpresas.

O que fazer em Niterói


Serviço:

Espaço Cultural Correios
Av. Visconde do Rio Brando, 481 - Centro
24020-004 - Niterói - RJ
Telefone: 0XX 21 2622-3200
e-mail: rjeccniteroi@correios.com.br

Visitação:
De segunda-feira a sábado, das 11h às18h (exceto feriados).
Entrada franca.

Outros posts de passeios da série "Turistando em Niterói" nos links abaixo:

- Parque da Cidade;

domingo, 19 de março de 2017

A Semana 11 de 2017 - Novos Encontros


Como eu já sabia que a semana seria puxada porque eu estaria fazendo um curso de Design Thinking de segunda a sexta, das 9 h às 18 h, então procurei aproveitar bem o final de semana e me encher de energia e disposição.

Fomos ao Morro da Urca para ver a estreia do musical infantil "O Menino da Marchinhas - Braguinha par Crianças" a convite pelo blog. Foi um passeio ótimo! Com um visual lindo.


E ótimas companhias. Além de estar com a Sofia, uma amiguinha dela e a mãe desta amiga que está se tornando minha amiga, encontrei com as mães do Mamães do Rio de Janeiro, grupo que participo.


Sou muito grata pelas oportunidades que o blog me oferece. Além de ser uma forma de reconhecimento, me traz bons programas e pessoas novas. Melhor ainda quando consigo expandir essas oportunidades para alguns amigos, como foi o caso desse musical. Eu fiquei muito grata com a gratidão da mãe da amiga da Sofia que adorou o passeio e o musical. 

Também a convite através do blog, desta vez do "Clubinho de Ofertas", fui com a Sofia e duas amigas assistir ao musical "Beatles Para Crianças" no Teatro Bradesco. 

As três não são mais tão crianças assim, mas Beatles não tem idade. Gostamos muito de dançar e cantar os clássicos do Rock and Roll.


Mais uma vez tenho que agradecer as oportunidades que o blog me traz de desfrutar ótimos programas na companhia das minhas filhas. Fico muito grata com a gratidão das amigas da Sofia que sempre me agradecem pelos convites. Inclusive, no meu aniversário, recebi uma mensagem de parabéns de uma amiga da Sofia e na mensagem ela dizia que os meus programas são maravilhosos. Muito fofa, né? Fiquei toda emocionada. 

Passei um dia no clube com a família e amigos. Amigos meu, do Antonio, e das meninas. Todos com seus amiguinhos. Fomos brindados com um dia lindo, fizemos churrasco e para finalizar, a lua enfeitou o fim de tarde com brilho e encanto especiais.


Sou muito grata por dias assim, compartilhados com a família, com amigos e com a natureza.

O curso "Design Thinkig Experience" me proporcionou experiências incríveis que deram aquela chacoalhada em alguns conceitos e forma de pensar.


Abriu as janelas para uma nova visão, me exigiu, me cansou e também me divertiu demais.


Mais do que me encontrar com novas pessoas, me possibilitou um novo encontro comigo mesma.

Fico muito grata por eu ter me permitido viver essa experiência. 

Este post faz parte da BC #52SemanasDeGratidão proposta pela Elaine Gaspareto que neste ano vai substituir a BC A Semana que aqui no blog substituiu a BC Pequenas Felicidades.





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sábado, 18 de março de 2017

Filme "A Bela e a Fera". Wow!



Ontem eu fui assistir pela segunda ao filme "A Bela e a Fera". Sim, eu gostei tanto desta versão live-action do conto francês que repeti a dose. Aliás, veria pela terceira vez já que a primeira foi na cabine de imprensa em 2D e legendado, e a segunda foi em 3D e dublado. Fiquei com vontade de assistir em 3D e legendado.


Nessas duas oportunidades de assistir a "refilmagem" da animação de 1991 que na época concorreu ao Oscar de Melhor Animação e Melhor Filme, e ganhou o Oscar de Melhor Canção, eu pude perceber reações distintas no público.

Na cabine de imprensa, os comentários eram divergentes. Mas eu percebi a maioria dos grandinhos, muitos com a lembrança fresca na memória do filme de 1991, com a expectativa lá no alto e com o olhar crítico de cinema, meio decepcionados. Esperando algo a mais do que uma refilmagem.

E sabe que eu fiquei sem entender essa decepção? Eu saí do filme tão "wow"! Achando tão lindo e emocionante... Mas realmente não sou especialista em cinema, não estudei as técnicas, não conheço os critérios, apenas sei a experiência que o filme traz para todos os meus sentidos. E este me surpreendeu mesmo com a expectativa lá no alto.

Na sessão vip para convidados, que são espectadores assim como eu, a opinião era praticamente de unanimidade. O filme é ótimo! Um acerto!

Para mim, assistir "A Bela e a Fera" fio "wow"! Um belíssimo musical que ganhou vida com um elenco maravilhosamente talentoso e que encantou a minha visão com as imagem, me embalou com as músicas, me fez viajar na história, rir com Lefou, levar sustos com Gaston, me emocionar com a Bela e seu pai e ser cativada pelos os objetos falantes (muita fofura).  As duas horas de duração não me fizeram sentir que o filme é longo.

Xícara da Bela e a Fera

A história de Bela (Emma Watson) uma mulher sonhadora e revolucionária moradora de uma pequena aldeia francesa, já um feminista em sua época, toma o lugar de seu pai (Kevin Kline) que foi capturado por uma Fera. Trocando assim sua liberdade, algo que ela preza demais,  pela do pai. A partir daí ela passa a viver no castelo dessa Fera a princípio muito feroz. Aos poucos, com o convívio, Bela descobre que o castelo enfeitiçado não é tão sombrio assim. É cheio de objetos mágicos com sensibilidade humanas e que por traz das aparências existe algo muito maior e sentimentos muito melhores.

O que eu achei bem legal nesta versão é que traz explicações para situações que não estavam tão claras na versão anterior, como:
- A Bela e o pai foram parar nesta pacata vila do interior e o que de fato aconteceu a mãe da moça.
- O que fez o príncipe que recebeu o feitiço ser tão sem coração. 
- Que eram os objetos enfeitiçados que residiam no castelo e o porque eles cuidavam da Fera. 

Para mim esta versão de "A Bela e a Fera" é um lindo filme que encantou, me trouxe emoções atuais e ainda me reconectou com a memória e lembranças da animação de 1991 que vi e revi com as minhas filhas, e do clássico conto de fadas que tanto li e ouvi na minha infância.

Assisti, me diverti, me emocionei e reconectei com emoções antigas. Foi um experiência "wow".


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sexta-feira, 17 de março de 2017

Musical "O Menino das Marchinhas" no Morro da Urca


Nós fizemos um programa conjugado de altíssima qualidade. Fomos conferir a estreia do musical infantil "O Menino das Marchinhas - Braguinha para Crianças" no Morro da Urca.

Musical "O Menino das Marchinhas - Braguinha para Crianças"

Eu achei sensacional a ideia de juntar teatro infantil de alta qualidade com esse visual incrível. Assim o programa agrada a toda a família e aproveitamos para visitar um dos pontos mais bonitos da nossa cidade, o Pão de Açúcar.

Muitas vezes só por ter aquele ponto turístico perto de nós e à disposição para irmos a qualquer momento, acabamos deixando para depois, para depois, e... a visita acaba não acontecendo. Então, a peça é um excelente pretexto para aproveitar e dar uma 'turistada' pela nossa cidade.


Musical "O Menino das Marchinhas - Braguinha para Crianças"

O musical "O Menino das Marchinhas - Braguinha para Crianças" é o segundo espetáculo do projeto Grades Músicos para Pequenos. O primeiro foi "Luiz e Nazinha - Luiz Gonzaga para Crianças", que nós tivemos o prazer de assistir e contar aqui no blog (é só entrar no link para dar uma olhada).

O projeto tem uma proposta muito legal que é levar para essa nova geração músicos e compositores importantes, resgatando assim a nossa cultura musical.


"O Menino das Marchinhas - Braguinha para Crianças", que já esteve em cartaz em outros teatros, voltou e dessa vez para o palco do anfiteatro do Morro da Urca. O espaço é ótimo! Amplo, arejado, fresco e com uma visibilidade excelente. Me deu saudades da minha época de Noites Cariocas. Nossa, já vi tanto show bom ali...

A peça conta a história de Carlinhos, um garoto que ouvia música em todo lugar por onde passava. O pai dele não aprovava o gosto do filho, pois achava que música era coisa de malandro. Ele queria que Carlinhos estudasse matemática, ciências exatas, coisas de gente inteligente, mostrando bem o preconceito que existia na época. A sorte é que Carlinhos tinha uma avó que o incentivava e estimulava. Também pudera, né? Essa avó querida era pianista clássica e enxergava o talento do neto. Junto de seus amigos de escola, e escondido do pai, Carlinhos cria um grupo musical: o Bando de Tangarás! O sucesso do grupo chamou a atenção do pai de Carlinhos que acaba se rendendo ao talento dos meninos, sem saber que o autor daquelas músicas é o seu próprio filho.


Musical "O Menino das Marchinhas - Braguinha para Crianças"


A história de Carlinhos é contada e cantada. Durante o espetáculo cantamos junto grandes sucessos, como “Balancê”, “Cantores do Rádio”, “Pirulito que bate-bate”, “Carinhoso”, “Chiquita Bacana”, “Pirata da Perna de Pau”, “Tem Gato na Tuba”, “Yes, nós temos bananas”.  Muito legal! Muito divertido!

Além de trazer música e diversão para as crianças, o musical fala também do valor da família, da amizade e das relações humanas, trabalha a autoaceitação e a perseverança na busca por um sonho, estimula a criatividade e a cooperação artística entre as crianças.

A diversão e a expectativa para o musical já começa na subida do @bondinho_oficial que para alguns dá aquele friozinho na barriga.


Morro da Urca

Lá em cima o visual é de babar, de cair o queixo e de tirar muitas fotos.

Praia Vermelah Morro da Urca


Lá em cima o encantamento é tanto que os adultos viram crianças.


E as crianças aproveitam.



Vale muito a pena o passeio. Vale também esticar até o Pão de Açúcar.
No Morro da Urca tem restaurante e algumas pessoas aproveitaram para almoçar por lá.

Já a minha pequena, que não é tão pequena assim, levou biquíni para fazer Stand Up na Praia Vermelha.

Dicas para quem quiser esticar o passeio e curtir um dia inteiro na Urca:

- visitar o Museu de Ciências da Terra;
- caminhar na Pista Cláudio Coutinho;
- Almoçar no Terra Brasilis, no Círculo Militar, e curtir a Praia Vermelha.

Outros posts sobre o Musical "O Menino das Marchinhas - Braguinha para Crianças" no Morro da Urca:

- Catarina Brinca - "Braguinha para Crianças no Morro da Urca";
- Prosa de Mãe - "O Menino das Marchinhas - Braguinha para Crianças".


Serviço:

O Menino das Marchinhas – Braguinha para Crianças
Temporada: De 12 de março a 9 de abril
Anfiteatro do Morro da Urca (acesso pelo Bondinho – Avenida Pasteur 530, Urca)
Pela internet: Guichê Web
Telefone: (21) 2546-8433
Dias e horários: Domingos, às 11h
Ingressos: R$ 60 e R$ 30 (meia-entrada)
Lotação: 500 pessoas
Duração: 55 minutos
Classificação: Livre


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quarta-feira, 15 de março de 2017

O bem que vai, retorna

Vou contar um segredinho. A pessoa é do tipo que compra vestido novo para fazer uma entrevista.
Tá bom, tá bom, vou confessar. Na verdade a pessoa estava desejando o tal vestido há algum tempo, mas está no modo contenção de despesas ON. Mas tão ON, tão ON, que o botão está até colado com esparadrapo para não correr o risco de sem querer, assim como não quer nada, a pessoa colocá-lo em OFF. Aí a tal entrevista se torna um motivo para ir lá, tirar o esparadrapo e passar esse botão de contenção de despesas para OFF.

Mas essa pessoa também é do tipo que se esquece de tirar a etiqueta do vestido novo. E, ainda por cima, é do tipo que sai toda se achando poderosa em cima do salto, trabalhada na make sutil, escovão na juba, esmalte nas garras, vestido novo e... lá vai ela desfilando na passarela, ou melhor, na Rio Branco mesmo, com a etiquetona pra fora balançando ao sabor do vento e do balanço dos cabelos.

Acontece que a pessoa também é do tipo que quando vê alguém em uma situação meio constrangedora na rua vai lá e avisa.

Sabe aquela moça que saiu do banheiro e deixou a saia presa na calcinha? A pessoa aqui chaga junto da tal moça desconhecida e avisa discretamente. E aquele cara que saiu do banheiro e se esqueceu de fechar o zipper? A pessoa não tá nem aí se o tal camarada vai pensar que ela é uma tarada que fica olhando para aquela região, ela vai lá e avisa. Tem aquela garota que está com a mochila nas costas e a cada passo vai levando o vestido e já está pagando bundão de fora na escada rolante? A pessoa sobe de dois em dois degraus, chega na menina, e avisa. E quando tem alguém com a etiqueta da roupa para fora? A pessoa chega bem pertinho e avisa. Mas aqui, neste ponto, já que a pessoa está sendo sincera, ela tem que contar: antes ela dá aquela conferida nos dados da tal etiqueta. Mas não é ver a loja ou o preço não! É para ver o tamanho. É para saber se a tal desligada portadora de etiqueta para fora é PP com velcro e a pessoa aqui se rasga de inveja, ou se é GG com elástico e a pessoa aqui cai na empatia. Tudo bem, tudo bem, de qualquer forma, no final das contas, na inveja ou na empatia, a pessoa fez a sua boa ação.

E como dizem por aí todo o bem que você faz retorna em dobro. Né não?

E não é que enquanto a pessoa desfilava na Rio Branco, com passos confiantes no poder do cabelão escovado, do salto, das unhas, da make, do rebolado, do sorriso, se achando... uma alma caridosa, generosa, desinibida e com senso de humor aguçado, dá três toquinhos no ombro da pessoa aqui e fala baixinho com aquele sorriso que sai só de um lado da boca: "Nessa crise temos que aproveitar mesmo as promoções. E essa estava boa, né?".

A pessoa fica com aquela cara de que não está entendo nada por alguns segundos. Tipo: Ãããã? Como assim? Você é vidente? Como sabe que comprei na "promo"? Você também comprou um igual?

Vendo esta pessoa que vos fala, ou melhor, que vos escreve, com cara de interrogação, a amiguinha humorista foi mais clara: a etiqueta do vestido está para fora.

Gente, não era uma simples etiqueta comum que já chama a atenção normalmente. Esta era uma etiqueta poderosa. Daquelas que se fosse uma mulher iria estar trabalhada no cabelão, no salto, nas garras, no batom. Só que para ela, etiqueta, é bem mais simples. Basta ter o preço antigo riscado com pilot vermelho e o preço novo também anunciado em vermelhão.
A pessoa arranca a tal "dedo duro de frequentadora de liquidação", amassa rapidamente e coloca na bolsa, porque a rua não merece ter aquela delatora fazendo parte da decoração.
Finalmente a pessoa agradece a amiguinha solidária e engraçadinha. Mas agradece muito. Quase de joelhos. Porque pior do que mostrar que o vestido é novo, que foi comprado na liquidação, é mostrar o tamanho que está vestindo. Isso, não. Isso não dá.
Mais uma vez, muito obrigada pessoa desconhecida, engraçadinha, mas solidária e até empática.

História contada no Facebook e repassada para o blog.
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