Eu adoro viajar! Quando estamos viajando tudo se torna extraordinário ao olhar do turista. Mesmo aquele local, aquela flor, aquela brisa tão comum para quem está ali rotineiramente, para o turista tem um encantamento. Viajar nos faz enxergar que o ordinário da vida pode ser extraordinário, basta termos o olhar de turista para os lugares, pessoas, histórias ao redor.
Por isso eu sempre procuro viajar mesmo estando na minha cidade, no meu local de rotina. Se tantos turistas passam por aqui com olhar de encantamento por que eu vou desperdiçar isso na minha rotina?
Foi assim que em um sábado qualquer resolvi quebrar a rotina e ir tomar um café da manhã em um hotel do Rio, o Sheraton, e aproveitar a Prainha do Vidigal.
Vira e mexe eu faço isso de tomar um café da manhã em hotel. Acho uma delícia! Não só pela variedade do cardápio, mas pela sensação se sim. É uma delícia se sentir turista e estar com o olhos atentos para as miudezas, sutilezas e belezas ao nosso redor. Coisas simples que deixamos passar despercebidas no dia a dia. É uma delícia me sentir merecedora de desfrutar momentos de lazer, descanso e descobertas.
Já falei do café da manhã do Sheraton no post "4 hotéis na orla do Rio de Janeiro para um excelente café da manhã". Então, essa não foi a primeira vez que estive lá. Mas foi diferente. Primeiro que o café da manhã não está sendo servido no restaurante das piscinas, pois este ainda está em reforma devido às chuvas de fevereiro que causaram um estrago enorme no hotel.
Mesmo quando estamos repetindo um lugar ele pode ser muito diferente e ter muitas novidades. E não são novidades apenas por estar em outro local, com outro visual, outra decoração, ou novos itens no cardápio. As maiores novidades são apresentadas pelas histórias envolvidas.
Ouvimos a história do garçom que nos atendia de como foi a tal chuva, como o hotel ficou, como foram os dois meses fechados, mas de muito trabalho para limpar e reformar tudo.
Observamos os estrangeiros encantados e deslumbrando com os sabores que para nós são tão comuns, tão corriqueiros.
É isso, ao nos tornarmos turistas em nossa própria área nos permitimos ver o ordinário com novos olhos e, assim, desenvolver nossa percepção a ponto de enxergá-lo como extraordinário.
Que extraordinário é o sabor das nossas frutas! Que extraordinária é a cor do nosso mar que contemplávamos através da janela.
Depois do café da manhã descemos pelo acesso do próprio hotel para a Praia do Vidigal.
Bem em frente ao hotel Sheraton, tem uma pequena faixa de areia com uma grande pedra no meio que dá todo um charme a praia com vista para as vizinhas famosas: Leblon e Ipanema.
O acesso a essa faixa de areia de mar claro e com ondas que atraem surfistas é dificultado pelo hotel em si, pela falta de estacionamento próximo, e pela menor oferta de transporte público. Isso faz da praia menos movimentada, sendo frequentada basicamente por hóspedes do hotel, que acessam pelas instalações do próprio Sheraton, e moradores da favela do Vidigal, que acessam a praia pela escadaria ao lado do hotel.
Aqui no Rio temos muitas praias, muitas mesmo! E são variadas. Para todos os gostos. Das mais urbanas as mais selvagens. Das com águas transparentes até as infelizmente impróprias para banhos. Desde as mais famosas até as mais desconhecidas.
A Praia do Vidigal fica entre as mais desconhecidas do carioca. Não chega a estar entre as pras com difícil acesso, mas com acesso mais restrito, eu diria.
Com tanta variedade e possibilidade, nós cariocas, em nossa maioria, acabando indo sempre nas mesmas praias, naquela que já conhecemos e que encontramos a nossa galera. Um pecado! Vale a pena vestir o espírito desbravador do turista, colocar na cabeça o chapéu cheio de curiosidade que o mesmo turista usa e conhecer as nossas praias.
Neste dia a Praia do Vidigal estava especialmente linda. Com água muito azul, completamente transparente, mar tranquilo, temperatura da água superagradável, limpa, segura e pouco movimentada.
Da areia sem ambulantes e com vista livre de barraquinha, sombrinhas, e pessoas, avistávamos as praias do Leblon e Ipanema e víamos como estavam superlotadas. Que diferença! Que bom que estávamos ali aproveitando a beleza e a tranquilidade da cidade ao lado de alguns turistas e poucos moradores.
Que bom que brincamos de ser turista. Viajamos sem sair da nossa cidade.
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