A saudade de viajar está grande. E o saudosismo tem sido outro sentimento potencializado nesse isolamento. Enquanto no podemos viajar sonhamos com as que faremos quando tudo isso acabar e voltamos ao passado relembrando e revisitando as viagens já feitas e sua histórias.
Um post que eu sempre tive vontade de fazer era esse: o que mostrava os lugares que eu já viajei e que gostaria de voltar com as minhas filhas. Até que vi no blog "Pequena Jornalista", da Carol Daxium, o post "
5 destinos que voltaria hoje mesmo!" e me inspirei.
Na verdade eu sou daquelas que tem tanto, mas tanto lugar que quero conhecer que acho meio desperdício retornar a algum já visitado. Mas volto sim. Já retornei em alguns e retornaria mais uma vez.
Principalmente esses que foram inesquecíveis e que quero repetir com as minhas filhas. Quero experimentar e compartilhar com elas.
Fernando de Noronha
Estive nesse paraíso na terra por duas vezes. Na primeira passei 10 dias e foquei em mergulhar. Mergulhei praticamente todos os dias. E conheci toda a ilha. Todas as praias. Tive tempo para escolher algumas para simplesmente curtir o dia. Conheci pessoas locais, moradores da ilha, e fiz programa com eles. Visitei o projeto TAMAR. Vi o pôr do sol no Boldró (point da época). Não comi o famoso tubalhau porque o único lugar que vendia a iguaria estava fechado. Fiz loucuras, como subir o Morro do Pico (que já era proibido). Dancei forró. Comi o melhor aipim frito da vida. O aipim que a mãe do Chico plantava, colhido na hora e direto para a frigideira de óleo quente. Dancei forró. Vi a cena em aeroporto mais esdrúxula da vida, de filmes, de contos, de anetodas, etc.: um funcionário correndo pela pista, latindo para espantar as cabras e assim o avião poder aterrissar. Fui embora querendo ficar.
Voltei. Passei mais sete dias. Não mergulhei. Fiz passeio de barco. Vi golfinhos. Assisti ao pôr do sol no Cachorro (point da época). Entrei na água para um mergulho e nadei com tubarão "do bem" ao meu lado,bem ali na altura do joelho. Dancei forró. Comi lagosta em casa de pescador. Aluguei um bugre em que as nossas cabeças ficam acima do para-brisa. Dei a volta em toda a ilha. Fiz menos loucuras. Assisti as palestras no Projeto TAMAR. Adotei uma tartaruga (não trouxe pra casa, é claro. Uma adoção para ajudar a manutenção do projeto.). Fui embora querendo voltar.
Não encontrei as minhas fotos de nem um das duas idas a Fernando de Noronha. A única que sobrou foi essa do banho de balde. A ilha estava sem água e tínhamos apenas um balde por dia para nosso uso. Nas duas vezes em que visitei Fernando de Noronha a infraestrutura ainda era bem rústica. Não tinha pousadas de luxo, nem restaurantes. As pousadas era casas de moradores adaptadas para receber hóspedes. Os restaurantes eram nas varandas de moradores. E esse era o grande charme daquele paraíso. Ia além da beleza da natureza. Quero voltar. Quero muito ir com as minhas filhas. Mas tenho receio de não ter mais o encantamento do rústico e das vivências e histórias que ele proporciona.
O que seria passar cinco dias dentro de um barco com mais 11 pessoas (9 amigos, 1 marinheiro que cozinhava maravilhosamente bem, 1 dono do barco e instrutor de mergulho), no meio do mar, com apenas cinco pequenas ilhas desabitadas ao redor?! Seria tempo demais? Não! Foi tempo de menos para esse paraíso.
Acordei como sal nascendo. Fiz todas as refeições no barco. Nadei com peixes e tartarugas. Vi corais. Caminhei em duas ilhas. Curti a natureza. Tomei banho no barco. Acordar, comer, ir para a água, voltar para almoçar, voltar para a água, voltar para o barco, apreciar a natureza, ver o pôr do sol, retornar para a água (mergulhar à noite é lindo), voltar pro barco, tomar banho, jantar, dormir, acordar com o sol. Pode parecer uma rotina repetitiva, mas os dias passavam voando. Os cinco dias passaram rapidamente. Voltei para a terra querendo mais mar. Sonhando com mais dias de sonho.
Chapada da Diamantina
Eu sei que o Brasil tem outras chapadas belíssimas e que merecem a visita. Mas a Chapada da Diamantina é deslumbrante. É inesquecível. Nunca senti o poder e a grandeza da natureza de forma tão intensa quanto na Chapada.
Fio uma viagem inesperada e sem planejamento. Estava em Morro de São Paulo e a ideia era ficar por lá um bom tempo. Depois seguir para Barra Grande e Itacaré. Os planos mudaram quando eu estava na Quarta Praia em Morro e apareceu um cara oferecendo voo de asa delta com motor. Topei. Mais alguém que estava por ali também aceitou a aventura. O meu companheiro de aventura estava em lua de mel com a mulher. Depois do voo de cada um ficamos na praia, conversamos, falamos de viagens, fizemos aquela amizade instantânea que só se faz em viagens. Eles iram no dia seguinte para a Chapada. Estavam de carro. Ofereceram carona. Eu não queria ser uma intrusa na lua de mel do casal. Eles insistiram. Ofereceram carona de volta para Morro de São Paulo. Não resisti. Aceitei. Mudei o rumo. Mudei o destino. Foi coisa do destino.
Me deslumbrei com o pôr do sol no Morro do Pai Inácio, a Pratinha, o Rio Roncador, a Cachoeira da Fumaça (que estava com pouquíssima água, mas mesmo assim provoca sensações pela altura), o Poço Azul, Poço Encantado, a cidade de Lençóis, as cachoeiras, o vale e os morros. Um deslumbre.
Cheguei sem esperar, sem expectativas. Saí sem querer, surpreendida.
Aix en Provence
Ville d'Eau, Ville d'Art. Passei três meses em Aix, que é a capital do Condado da Provance, no Sul da França. Uma região linda. Aix é especialmente linda. Aconchegante. Respira juventude com suas diversas universidades. Respira arte com a sua história. Respira energia com as suas fontes.
Equilibra tranquilidade com agitação, modernismo com tradição. Tem cultura, tem arte, tem feiras, tem gastronomia, tem charme, tem fontes. É impossível dissociar a cidade de Aix-en-Provence de suas fontes e centenas de fontes. Cada praça, cada esquina, cada rua estreita revela uma joia de fonte.
E tem todos os arredores da Provence que é encantador. Deixei Aix com sensação de saudade. Com medo de nunca mais voltar. Quero voltar. Quero andar novamente naquelas ruas, me deparar com as fontes. Quero descer a Cours Mirabeau, avistar a Rotonde, sentar em um dos muitos cafés. Quero explorar a Vieille Villea andando sem rumo por suas ruazinhas apertadas abertas as surpresas que elas me reservam. Visitar o atelier de Cézanne, passear pelas muitas praças e igrejas. E claro ir em uma das muitas feiras que acontecem por lá.
Portugal
Passei apenas uma semana em Lisboa e me encantei. Me deslumbrei. Além de conhecer Lisboa, fiz vários passeios de vai e volta. Sintra, Cascais, Óbidos, Nazaré, Batalha, Fátima, Coimbra. Cada local com seu encantamento. Quero voltar. Quero passar um mês em Portugal. Quero muito retornar em alguns lugares que fui e ir a outros ainda não visitados.
Enquanto não posso viajar por aqui, por aí, por ali, por qualquer lugar, viajo nas viagens que já fiz. Nas memórias que já criei, nas histórias que já acumulei, nas lembranças que tenho e nas emoções que senti.
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