sábado, 6 de agosto de 2022

Filme "Boa Sorte, Leo Grande"

 

Assim que eu vi o anúncio do filme "Boa Sorte, Leo Grande" eu sabia que iria assisti-lo. Estava ansiosa pela estreia que aconteceu durante as minhas férias. Mas assim que cheguei de viagem, fui ao cinema conferir o longa que traz Emma Thompson em um personagem tão especial. 

filme "Boa Sorte, Léo Grande"


E não me arrependi. O filme superou todas as minhas expectativas. Difícil até escrever sobre ele. Fico pensando: Que filme! Que filme! Que filme! Apenas assistam. Saí do cinema impactada, reflexiva. E ainda estou assim. 

Os atores são excelentes e estão com uma sinergia incrível, os diálogos são perfeitos, as cenas têm profundidade e mesmo assim fazem rir de vez em quando, o enredo é tratado com gentileza e eficiência. 

Todo o desenrolar da história acontece em um quarto de hotel. Os detalhes são perfeitamente bem cuidados para percebemos as sensações envolvidas ali. Mesmo o desenrolar acontecendo em apenas um quarto isso não impede a fluidez da trama, devido a quantidade de nuances dos personagens. 

O filme traz para discussão questões importantes sobre a sexualidade feminina, a autoaceitação, sobre a liberdade de se permitir prazer. Um filme maduro, intimista, sensível, delicado, gentil. A diferença radical de personalidade dos personagens nos proporciona situações engraçadas que trazem leveza ao contexto. 

Ah, e adorei a música "Always Alright" na versão Alabama Shakes. A cena da dança ficou perfeita. 

Sinopse: "Nancy, professora aposentada interpretada pela premiada Emma Thompson, resolve romper com seus tabus. Para se redescobrir, ela contrata o jovem Leo Grande, interpretado por Daryl McCormack, um profissional do sexo. E a história se desenrola quando Nancy revela nunca ter tido um orgasmo ou uma relação íntima com prazer, pois seu casamento era estável, mas chato e sem emoção. Superar essas barreiras internas será necessário muito mais do que uma sessão com seu “terapeuta sexual”. 




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sexta-feira, 5 de agosto de 2022

BEDA - Quero ver beleza

 

Hoje eu me atrasei. Fiquei de preguiça e perdi a hora para ir de bicicleta para o escritório. Fiquei "hashtag chateada". Eu queria ver beleza. Queria ver o dia lindo. Queria ver as árvores vermelhas do Aterro que estão tão floridas.

Mas como fiquei de enrolação, teria que ir de metrô. Como ver beleza embaixo da terra?!, me perguntei.

Fui no caminho de casa até o metrô conversando comigo mesma sobre como eu sempre me arrependo quando fico na preguiça e como eu não aprendo isso, e tal, e blá-blá-blá e ti-ti-ti. É acho que acordei meio vítima de mim mesma.

Enfim, no percurso embaixo da terra me desliguei do drama. E quando saí para a luz do sol vi cores, linhas, luz e flores. 


Parei para fotografar a beleza da arquitetura dura em contraste com a maleabilidade da natureza. Me encantei com a essa beleza simples, corriqueira do cotidiano de muitos (inclusive a minha).



Enquanto estava ali fotografando a árvore vermelha (a mesma que eu queria ver florida no Aterro) e cuidando para não incluir na foto os funcionários que cuidavam do jardim, um deles catou duas flores no chão (ainda vi ele procurando as mais inteiras), veio na minha direção e me entregou as flores. Agradeci (fiquei agora "hashtag gratidão").



Segui o final do caminho até o escritório novamente conversando comigo mesma. A conversa tinha mudado. Fui falando pra mim mesma que no final vi a beleza que tanto queria porque na verdade a gente encontra o que a gente procura. 

Levei as flores recebidas para a mesa que escolhi nesse dia para trabalhar (no esquema híbrido não temos mais lugar fixo). Me posicionei de forma a contemplar a beleza do cenário.



Como estou voltando de férias eu levei alfajores para as pessoas, como uma forma de gentileza. Uma pessoa que trabalha comigo também estava voltando de férias e levou uma caixa de biscoito para mim.
Uma troca de gentilezas que fez o dia no escritório mais bonito. A beleza da gentileza!



Saímos em três para almoçar e escolhemos um restaurante "gourmet" com beleza na decoração.


E sabor na comida.


Fizemos fotos para registrar a beleza do encontro.


No final do expediente pude apreciar a beleza das cores do entardecer sobre a cidade. 



Podemos criar as belezas que queremos enxergar. Que podemos criar as belezas que queremos ver.

Postado inicialmente no Facebook.


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terça-feira, 2 de agosto de 2022

Série documental "Pacto Brutal"

 

Em 1992 eu acompanhava a novela "De Corpo e Alma" em que ela atuava na época. Além disso eu tinha praticamente a mesma idade da atriz Daniella Perez. Vivia aquele vigor de estar começando uma carreia, a vida de adulto jovem, as oportunidades que a cidade do Rio de Janeiro nos oferecia diariamente, as portas do mundo escancaradas para o nosso futuro. 

Então aquele assassinato brutal, violento, inexplicável e aparentemente muito improvável (ser assassinada por um colega de trabalho, por pessoas da mesma idade, que viviam as mesmas experiências e tinham tanto futuro e possibilidades pela frente) chocou muito. Muito. Fez sentir medo. Acendeu a dúvida: será que tenho alguém psicopata ao meu lado?

Agora, 30 anos depois, foi lançada "Pacto Brutal" a série documental de 5 episódios na estrutura True Crime com insumos para mostrar a verdade sobre o crime que tirou a vida da jovem de 22 anos: depoimentos, cenas de reconstituição e imagens de arquivo. Mas engana-se quem espera que seja uma série com pegada jornalística. Não é. Ou não é apenas jornalística, tem um tom intimista com familiares e amigos expressando sentimentos e emoções vividas desde a fatal noite de 28 de dezembro de 1992 até hoje. 

Série Pacto Brutal

Assim que eu soube que a série seria lançada fiquei com vontade de assisti-la, mas sinceramente fiquei em dúvidas se conseguiria devido a brutalidade da história. Mas quando comecei a ver tive certeza de que iria até o final. E fui. De maratona. 

"Pacto Brutal" é dinâmica, a produção é impecável e envolvente. A luta, garra e amor da mãe para mostrar a verdade sobre o que aconteceu com a filha, para preservar a memória da filha, a necessidade da família de encontrar o culpado e o verdadeiro motivo, de conseguir um julgamento justo (se é que existe algum tipo de justiça para esse tipo de crime) para aí sim conseguir viver o luto, enfim, tudo desperta a vontade de chegar ao final daquela história. 

A série, mesmo 30 anos depois, era necessária. Necessária para relembrar a única verdade que ficou ofuscada por diversas versões mentirosas até o julgamento. Necessária para mostrar o quanto até hoje a vítima se torna culpada nesse país principalmente quando é mulher. Necessária para lembrar que os verdadeiros culpados estão soltos, vivendo suas vidas, mas são assassinos. Necessária para mostrar quanto a mídia sensacionalista e gananciosa prejudica pessoas éticas e inocentes e beneficia criminosos.

Necessária para trazer a certeza absoluta do que aconteceu naquela noite, naquele crime chocante. E para reforçar a dúvida se a justiça realmente foi feita. 




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segunda-feira, 1 de agosto de 2022

BEDA: Blog Every Day August - 2022

Agosto começando e despertando em mim a saudade de blogar. Vou aproveitar que é mês do BEDA para me estimular. 

Você já ouviu falar ou participou de algum BEDA? A minha primeira participação foi em agosto de 2020.  

Pra quem não sabe o que é, ou não se lembra, vou contar. BEDA é a abreviatura de Blog Every Day August. É um desafio (e que desafio?!) que rola duas vezes por ano, sempre em abril e em agosto. 

Isso significa que durante todo este mês de agosto teremos post diários aqui no blog. 

Eu gosto, ou gostava de postar no blog. Para mim, blogar serve como exercício de criatividade, um exercício para a memória, uma forma de contar para as pessoas e para mim mesma algumas das minhas histórias. Mas não sei bem o porque eu perdi o pique. Perdi a mão. Sei lá, 

Acho que foi um misto de cansaço pós-pandêmico (me cansei de muita coisa que eu gostava e que fiz muito durante a pandemia. Outra coisa, além do blog, que eu cansei foi de cozinhar. Não tenho mais a menor vontade de cozinhar) e a publicação constante nos stories do Instagram. Logo eu que sempre disse que blog é casa própria, redes sociais casa alugada. 

Postar nos stories do Instagram me dá a sensação de que as histórias já foram contadas. Mas a verdade é que foram brevemente contadas e são levadas ao vento das 24 horas. Outro ponto são as fotos. Eu gosto de post com foto na horizontal, mas para os stories as fotos são na vertical. Aí na hora de postar não tenho as fotos que gostaria e acabo deixando passar. 

Mas quero recuperar a mão das postagens e voltar a deixar meus registros aqui. Por isso Tô levando fé que esta edição do BEDA será especial. Após esse hiato de postagens aqui no blog, estou cheia de ideias de posts. 





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quarta-feira, 1 de junho de 2022

De onde eu tiro os meus roteiros, resposta para uma amiga

 

Uma amiga me perguntou de onde eu tiro os meus roteiros de passeios. A resposta poderia ser bem simples: pegando dicas com outras pessoas, pesquisando lugares, fazendo listas de locais que eu quero conhecer, dos destinos que eu quero retornar e até daquele que eu não quero voltar. Não porque esses últimos tenham sido experiências ruins, mas exatamente ao contrário. Porque foram experiências tão boas que eu não quero que a percepção inicial seja afetada.

Porém, pensando na resposta à pergunta da minha amiga me lembrei dos últimos roteiros que fiz.

O destino seria explorar um pouco do Vale do Café. Escolhi fazer um percurso de cachoeiras em um bugre unindo natureza, aventura e a sensação de liberdade. O roteiro do Circuito de Cachoeiras de Miguel Pereira incluía duas cachoeiras, uma ponte e um bosque.

Durante o percurso o guia citou uma cachoeira que estaria fechada devido a construção de uma usina hidrelétrica. Já me bateu a curiosidade de conhecer a tal cachoeira. Ao virarmos a esquerda ele apontou que o caminho para a Monet Líbano seria a direta, o tal caminho bloqueado. Não me contentei. Perguntei se não poderíamos chegar o mais perto possível, irmos até a barreira no caminho para tentarmos ver a cachoeira nem que fosse de longe. 

Assim retornarmos e seguimos para a direita. Para surpresa o caminho estava livre. A barreira não estava mais lá. Seguimos mais adiante e nos deparamos com um mirante preparado para visitação.



Encontramos também uma placa apontado o acesso a cachoeira. Claro que eu quis descer e chegar mais perto. O guia titubeou e foi verificar se tinha alguém para dizer se poderíamos chegar até a cachoeira. Tal pessoa não foi encontrada. Falei para o guia que se não tinha ninguém para nos dizer que podíamos ir, também não tinha ninguém para dizer que não podíamos ir. Logo fomos!

Descemos o tal acesso que no início tinha uma escada, mas mais adiante ainda se encontrava precário. Nada que impedisse que continuássemos. Apenas tornaria a nossa aventura mais desafiadora. Enfim chegamos a beira do rio com a queda d'água adiante. 

Me preparei para mergulhar. O guia se surpreendeu mais uma vez: "Vocês vieram para mergulhar?!  Nesse frio?! Achei que iam apenas fazer fotos". Ah, eu lá sou pessoa que vem para cachoeira e não mergulhar?! Não dou de ficar na beira, sou de entrar. 




Sou de sentir, de experimentar. As fotos são registros, lembranças, memórias desses momentos de experiências e sensações. Quero sentir a água gelada nem que seja para sentir o calor ao sair dela. Quero a energia dos lugares, a sensação na pele, o cheiro no nariz, o som no ouvido, o sabor na boca, as cores nos olhos. Não apenas estar ali por alguns minutos, que me envolver com o lugar durante aqueles minutos.

Então, pensando nas histórias desse passeio e de muitos outros a resposta para a minha amiga é: os meus roteiros são construídos pela minha curiosidade, da vontade de devorar o mundo, por olhos que querem ver mais e além, da alma que pede novidade, do espírito que quer aventuras, da mente que quer ter histórias para contar. 

PS: a empresa da hidroelétrica comentou no post no meu instagram informando que fomos as primeiras a entrar na Monte Líbano após a reabertura. 






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