É uma enorme alegria ver a minha adolescente descobrindo o mundo, acompanhar mais essa etapa e redescobrir parte desse universo junto com ela. Conforme ela cresce eu cresço junto.
Ao mesmo tempo que ela me traz novidades e me apresenta um mundo de possibilidades eu tenho vontade de trazer para ela como foi o meu mundo nessa mesma fase. Quais foram os meus interesses, o que não existia, as dificuldades, as diferenças, as coisas boas, o que eu faria de novo, o que eu faria diferente, enfim me reconhecer em mim mesma e me mostrar para ela.
E foi assim, para mostrar um pouco dos meus interesses, que eu comprei o livro “Fernão Capelo Gaivota” de Richard Bach para ela. Um dos livros da minha adolescência que me marcaram, talvez por ter sido dado pelo meu pai, e que eu me lembro até hoje.
Na verdade a Ana Luiza ainda não leu. Mas eu estava no final de semana em casa, a Sofia me pediu para ficar deitada ao lado dela enquanto jogava no iPad e resolvi ler um livro. Fui até a estante e peguei “Fernão Capelo Gaivota”, o livro que mostra que o aprendizado é uma jornada capaz de levar aonde o desejo quiser.
Comecei a leitura, ou melhor, a releitura e só parei quando acabei. Como sempre marquei algumas frases:
“Fernão Gaivota descobriu que o tédio, o medo e a raiva são as razões pelas quais é tão curta a vida das gaivotas, e, com essas limitações longe de seus pensamentos, viveu, na verdade, uma longa vida.”
“Nada aprenda e o próximo mundo será o mesmo que este, com todas as mesmas limitações e pesos de chumbo para superar.”
“Tudo que nos limita tem que ser afastado.”
“Não acredite no que os olhos dizem. Tudo o que eles mostram é limitação. Olhe com compreensão, descubra o que já sabe e descobrirá a maneira de voar.”
Acabei a leitura, a Sofia parou de jogar e me trouxe da cozinha um biscoito da sorte. Peguei o meu biscoito e li a mensagem.
Coincidência ou não, a verdade é que me arrepiou.
O que eu quero dizer com isso tudo? Eu peço todos os dias que eu saiba deixar as minhas filhas voarem, que não seja eu que lhes apresente as limitações, que eu perceba a hora que deixá-las errar é a coisa certa. Que as minhas filhas voem e que eu esteja aqui para recebê-las a cada retorno porque recuar pode ser um passo para o próximo degrau.





























