domingo, 13 de setembro de 2020

A Semana 36 de 2020 - Vigésima Sexta Semana de Quarentena

Tá muito chato esse negócio de contar as semanas dessa quarentena sem fim para poucos. Sim para poucos, porque para muitos simplesmente acabou. Estão ignorando as recomendações de segurança e se lançando na vida como se estivessem todos vacinados com a vacina da incredulidade e imunes. 

Eu pra falar a verdade cansei de tudo que me empolgava no início dessa quarentena. Aquela coisa de fazer um bolo por semana, de fazer pão em casa, arriscar na cozinha e experimentar pratos novos. Cansei!

Ler a pilha de livros que estavam para ser lidos e mais o tanto que comprei empolgada em dar utilidade ao meu tempo em casa. Desanimei!

Pintar todas as peças que estavam no armário e mais algumas que comprei para fazer a coleção de altares, as várias garrafas que eu doaria para algum bazar beneficente e mais as peças das amigas. Desinteressei!

Séries, lives, filmes... levo horas zapeando entre as plataformas e as opções e demoro a me interessar por algum. Mas ainda assim assisto ao um ou outro. 

Encontros virtuais, festinhas pelo Zoom Meeting já não empolgam. Quero contato, quero olho no olho. Mas não é possível ainda. Então o jeito é buscar ânimo, interesse e empolgação no que está ao nosso alcance, dentro das nossas possibilidades.

O que tem me deixado mais animada, mais feliz, tem sido as caminhadas e pedaladas que tenho feito. Sempre de máscara, com álcool 70 em mãos, levando a minha água e em horários mais vazios, parando apenas nos locais sem pessoas ao redor. 

Mesmo que eu vá no mesmo local já conhecido sempre busco um novo olhar. Nesse dia fui com a minha filha mais velha ver o pôr do sol na Lagoa Rodrigo de Freitas. 


Mais uma vez em companhia da minha filha mais velha fomos pedalar no Aterro, um velho conhecido. Porém esticamos o caminho até uma entrada em frente ao aeroporto Santos Dumont que permite uma vista linda da cidade e da baía. Vimos várias tartarugas nadando. Imagem que inspira tranquilidade, liberdade e esperança. 


Que saudade que eu estou de uma exposição de arte! Passei pelos famosos pilotis do MAM - Museu de Arte Modena - e lá estava uma instalação fazendo referência aos dois anos de incêndio do Museu Nacional. A referência é triste, mas fiquei feliz que mesmo nesse momento ainda tem gente se importando e preocupada com a restauração do Museu Nacional. 

A vontade de ver arte me motivou a pedalar, também com a minha filha mais velha,  até o Porto Maravilha onde estão vários painéis de arte pública. Quando revi o painel abaixo não pude evitar de completar a frase "Saudade é Amor - te sigo esperando"... VACINA!


Algo que eu tenho sentido muita falta é de cinema e da cabines de imprensa. Cinema pra mim não vai rolar tão cedo. Mesmo que liberem, eu não irei. Quanto a cabine de imprensa nessa semana teve uma cabine virtual. Assisti em casa ao filme "Espírito de Família" que estreia dia 17 de setembro em várias plataformas de streaming. Já postei no blog.



Como eu disse cansei de brincar de comidinha. Então deixei o restaurante vir até em casa. Pedimos comida fora e cada um pediu o que queria comer. Eu me deliciei com comida italiana quentinha chegando na minha porta. Me dei esse presente. Me dei esse descanso. Me dei esse luxo. Me senti merecedora. 




Este post faz parte da BC A Semana que tinha sido substituída pela BC #ReolharAVida em 2019 que veio substituir a BC #52SemanasDeGratidão que em 2017 substituiu a BC A Semana que por sua vez já tinha substituído a BC Pequenas Felicidades.




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sábado, 12 de setembro de 2020

6 Filmes Italianos

 

De 28 de agosto a 10 de setembro acontece a 8 1/2 Festa do Cinema Italiano. Claro que, devido a situação atual que vivemos, o festival foi totalmente online e, melhor ainda, gratuito. Eu que já andava procurando alguns filmes italianos para assistir caí dentro do festival e dos 20 filmes disponíveis assisti seis. 


Fortunata

O primeiro filme que escolhi foi o drama "Fortunata", uma mulher que está em processo de separação do marido abusador e pai de sua filha. Durante esse processo Fortunata busca se sustentar financeiramente e cuidar da filha. Apesar da vida corrida, sempre com pressa, da agenda cheia de compromissos de trabalho para conseguir ganhar algum dinheiro, ela também tem sonhos.  

Um ótimo filme que retrata de forma íntima e pessoal a busca de uma mulher sobrecarregada pela liberdade e pela felicidade.


Filme Italiano Fortunata

O Sonho De Uma Família

O segundo foi um romance com toque dramático em que Alma, uma menina de nove anos esperta, espirituosa e inteligente, relata o que seria uma família para ela. Os três irmãos se encontram divididos entre a vida do pai e da mãe que estão separados. A mãe vive na frança com um novo marido. Aparentemente a mãe uda o seu modo de vida conforme o companheiro e atualmente leva uma vida tradicional de religiosa ortodoxa. Como está passando por uma situação difícil encaminha os três filhos para passarem uns dia com o pai. Este por sua vez não tem uma conexão com os filhos e seu foco é terminar o roteiro que está escrevendo. 

Nesse contexto de dualidade vamos sendo apresentados aos sonhos e realidades dos três filhos: a fofa e caçula Alma (Oro De Commarque) que sofre com a separação dos pais e tem a esperança que os dos voltem a viver juntos. O do meio, Jean (Ettore Giustiniani), tenta se encontrar na turbulenta fase pré-adolescência. E o mais velho (Milo Roussel) que provar a si mesmo que cresceu enquanto tenta lidar com novas emoções e sentimentos.

O filme mostra as questões de família "disfuncional", as mudanças que isso traz na vida de cada um e principalmente o impacto nos filhos. algo já muito comum nos cinemas, de forma leve, poética, fluida e bem equilibrada entre drama, romance e comédia. Bem no estilo a vida como a vida é.

Filme Italiano O Sonho De Uma Família

Bendita Loucura


Eu estava realmente precisando de uma comédia nesse dia. E consegui dar umas boas risadas com o filme "Bendita Loucura". Apesar de os protagonistas não serem lá muito carismáticos e não ter rolado uma química entre eles o filme diverte. 

Conta a história de Gugliemo, um homem que mudou de comportamento ao envelhecer se tornando tradicional, acomodado, com uma vida sem emoções. Bem diferente do aventureiro sonhador que sua mulher o conheceu 25 anos antes. No dia do aniversário de casamento dos dois, durante a própria comemoração, a mulher comunica que vai se separar. Isso acontece de cara, logo no início do filme. Eu gosto dessa objetividade. 

É aí que entra a personagem de Ilena Pastorelli, a jovem destrambelhada Luna. Ela resolve ajudar Guglielmo a sair dessa e apresentar o mudo dos aplicativos de relacionamento. Assim Guglielmo vai vivendo situações inusitadas e os dois vão se ajudando um ao outro. Gostei também do final não ser muito óbvio. 

Um filme leve, divertido que cumpriu bem o papel de me descontrair. 

Filme Italiano Bendita Loucura

"Uma Questão Pessoal"

Uma história que passa em Piemonte, na Itália, no ano de 1943, em plena Segunda Guerra Mundial. Conta a história de Milton, um homem romântico, sensível, tímido, apaixonado por Fulvia. Milton se junta a Resistência italiana e parte na certeza de que retornará para seu amor. Porém Fulvia parecia mais brincar com os sentimentos de Milton gostando apenas da intensidade de seus pensamentos e das cartas que recebe dele. 

É no período de luta enquanto está afastado que Milton descobre que Fulvia poderia estar apaixonada pelo seu melhor amigo de infância, Giorgio, também membro do movimento. Esta descoberta abala e perturba o rapaz apaixonado. 

Milton parte atrás de Giorgio na região de Langhe mesmo correndo todos os riscos inerentes ao período violenta da guerra. O objetivo dele é tirar a história a limpo, porém seu amigo é capturado pelos facistas. Surge aí uma dualidade de sentimentos: Milton que salvar o amigo pela amizade ou pela necessidade de saber a verdade?

Aquele tipo de filme que eu fui dormir e sonhei com ele. 

Filme Italiano "Uma Questão Pessoal"

"Como Um Peixe  Fora D'Água"

Outro dia que eu precisava de uma comédia. Mas confesso que o cartaz me deixou na dúvida sobre a escolha. Me fez lembrar filmes de história de adolescentes na praia tendendo a um besteirol. Ainda bem que eu pulei esse preconceito e arrisquei.

A comédia que faz rir vai bem além disso com sue sarcasmo social. Conta a história de Gioavanni um intelectual italiano, diretor de uma ONG relacionada a questões sociais, que está envolvido em um trabalho de buscar soluções para os problemas da periferias do país e  reduzir os abismos sociais e culturais. Gioavanni é um profissional capacitado, dedicado e extremamente conceituado. 

É quando sua filha adolescente Agnese (Alice Maselli), uma menina de classe alta romana filha de uma sofisticada perfumeira que mora na França se apaixona por e Alessio (Simone de Bianchi), um menino da periferia filho de pai presidiário e uma mãe que batalha para se sustentar, que Giovanni começa a realmente se aproximar da realidade pela qual ele batalha. 

O filme de forma leve, divertida, engraçada, trata as questões sociais, das diferenças econômicas e comportamentais, das diferenças culturais e questões sobre imigração e refugiados. Foi uma grata surpresa. 


Filme Italiano "Como Um Peixe  Fora D'Água"

E Agora? A Mamãe Saiu de Férias!

Outra comédia que vale a pena apesar de abordar um tema já conhecido que é a sobrecarga da mulher que vive dedicada a família, aos afazeres de casa, aos cuidados dos filhos.
Por um lado é interessante ver que as mulheres de outros países, outro continente, outra cultura também vivem e sentem as situações que vivemos. Que não é uma peculiaridade apenas da sociedade do meu país.
Foi interessante confirmar o que a minha psicóloga sempre me dizia: "sai de cena por uns tempos. Deixa eles (marido e filhas) se resolverem". Parece mesmo que esse seja o caminho.

O interessante é que esse filme é um remake de um filme argentino de 2017 "Mamá se fue de viage" que também tem uma versão mexicana com o mesmo título em espanhol e uma versão francesa "10 jours sans maman". E li que sairia um remake brasileiro. 

Filme Italiano E Agora? A Mamãe Saiu de Férias!


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sexta-feira, 11 de setembro de 2020

World Trade Center em Nova York

 

Um dia que marcou o século XXI, 11 de setembro de 2001. eu me lembro nitidamente da sensação que senti quando soube da notícia: estarrecimento! Passei a manhã inteira em uma sala de reunião sem saber do que estava acontecendo lá fora. Quando abri a porta, percebi um certo burburinho, as pessoas com caras de chocadas, meio incrédulas, meio assustadas. Fiquei sabendo da notícia. Um atentado havia derrubado as Torres Gêmeas em Nova York. 

O World Trade Center original era um complexo de sete edifícios, entre eles as Torres Gêmeas. O atentado além de derrubar as torres e matar mais de 2.700 pessoas, afetou também a estrutura dos demais edifícios do complexo original. A partir de então o complexo, localizada no extremo sul da cidade, foi todo reconstruído, mostrando a capacidade de recuperação de olhar para o futuro sem esquecer a história e o passado.

O complexo conta com novos seis edifícios e diversas atrações que são extraordinários em seu design, simbolismo e lembrança.Se tornando um ponto turístico obrigatório para quem visita Nova York. 

Quando estivemos na cidade em 2012 parte do complexo já estava reconstruído, mas acabamos não fazendo a visita. Dessa vez, no início de 2020, fizemos o passeio e fomos conhecer esse centro que marcou a história e que estarrece até hoje quem por ali passa.

World Trade Center em Nova York

Nós começamos a nossa experiência no World Trade Center pela "Oculos", a estão ferroviária supermoderna que conecta diversas linhas de metrô e o trem PATH para Jersey.

O espaço que além de estação contempla também uma praça e um shopping é simplesmente imperdível. Com um design único e moderno dá a sensação de que tem um ritmo cadenciada, fácil, que flui. Inspira leveza e fluidez. 

THE OCULUS

O design externo foi feito para se parecer com uma pomba. Eu realmente não sei dizer se fiquei mais impressionada com a parte interior ou o exterior da estação. Eu sei que lá dentro eu me senti como Pinóquio andando no interior da baleia. 

THE OCULUS

Da estação seguimos caminhando para o One World Trade Center, ou Freedon Tower, que foi construído bem ao lado de onde as torres gêmeas se localizavam. O edifício com 541 metros de altura (incluindo a antena) é o arranha-céu mais alto do hemisfério ocidental e o mais alto de Nova York. 

Parar embaixo dele e olhar para o alto dá uma sensação de enormidade uma mistura de céu e concreto. Ver o reflexo das nuvens correndo em suas janelas refletoras dá uma sensação de movimento, de velocidade. É algo que encanta. E dá um frio na barriga saber que podemos estar lá no topo. 

ONE WORLD OBSERVATORY



Sim, no alto do One World Trade Center está o One World Observatory. Esse era o nosso objetivo. Entrar no modernoso edifício e chegar no topo 102º andar pelo Sky Pod e de lá ter a visão 360º da cidade.


ONE WORLD OBSERVATORY

Vamos lá, Sky Pod é o nome do elevador do One World Trade Center. Esse elevador é uma loucura. Aliás, esses elevadores porque são ao todo cinco que vão do térreo até o 102º anda em 60 segundos. Isso, mesmo! São 500 metros em um minutinho apenas. E eu que estava que o reflexo das nuvens na fachada do prédio davam a sensação de velocidade... nem sabia o que me esperava. Mas não rola frio na barriga, não! Durante a subida é exibido um filme com imagens do surgimento do prédios da Big Apple e sua famosa sky line atual. 

Chegando no 102º andar somos levados a uma sala onde é exibido um filminho bem interessante que mostra o ritmo frenético da cidade. Não vou estragar a surpresa, mas esteja preparado (ou não esteja, talvez seja até melhor) para o final do filme. É muito épico.

Mas não é 102º que está o observatório, descemos para o 101º andar com três restaurantes, todos com vista incrível. Mas nós passamos batidas. Descemos mais um andar. Aí sim chegamos ao deck do observatório. São 360 graus de vista que possibilita reconhecer vários pontos de Manhattan como a Estátua da Liberdade, Nova Jersey, Brooklyn Bridge, Empire State Building, Hudson River, Staten Island, Brooklyn e por aí vai.. Eu adoro essa vista do alto da cidade. É ótimo para nos localizarmos. 

Há também o Sky Portal - um piso de vidro com imagens diretas de uma câmera ao vivo apontada para baixo.

Era tanta vista linda que nem dava vontade de descer. 


ONE WORLD OBSERVATORY

Mas descemos e seguimos o nosso passeio para o Memorial 11 de Setembro com duas enormes piscinas instaladas onde ficavam as Torres Gêmeas. As piscinas com queda d'água infinita. As cascatas simbolizam as lágrimas pelos pelos mortos no atentado. 



E um memorial com os nomes de todos as pessoas que perderam suas vidas em 11.09.2001 e também no primeiro atentado ao WTC, em 26.02.2003. Os nomes estão gravados em placas de bronze. 

É comum encontrarmos rosas brancas como homenagem ao aniversário da pessoa. 

A visita ao memorial emociona, traz muitas reflexões sobre seu significado. Afinal o Memorial está ali para lembrar as perdas, reconhecer a resistência daqueles que sobreviveram, a coragem daqueles que arriscaram suas vidas para salvar outras pessoas e a compaixão de todos que apoiaram que precisava. 



Ali no memorial também está Survival Tree (árvore sobrevivente) que tem uma história bem interessante. Ela foi a única árvore que sobreviveu ao redor do World Trade Center. Foi encontrada pelos bombeiros e levada para tratamento. Resistiu aos destroços e está viva como um milagre da natureza. Está ali representando a resiliência e a esperança. Nós vimos no inverno por isso não estava florida. mas curiosamente ela é sempre a primeira a florescer quando chega a época. 


É impossível estar no World Trade Center e não querer o tempo todo olhar para o alto e contemplar o One Worl Trade Center que é visto de vários pontos da cidade. 


Próxima parada foi no Museu Nacional do 11 de Setembro. Um local em que experimentamos uma montanha-russa de emoções enquanto visitamos o acervo riquíssimo em seus  30 mil m² bem amplos, mais de 20 mil fotos, 10 mil artefatos e 2 mil gravações que tratam de manter viva a história do inesquecível 11 de setembro, o dia que deixou o mundo estarrecido. 


MUSEU NACIONAL DO 11 DE SETEMBRO

Os detalhes do dia são apresentados por meio de tantos meios e visuais comoventes. Estar de frente com a Última Coluna, uma coluna de 36 pés de altura coberta de lembranças, cartazes e outros itens memoriais feitos por trabalhadores e equipes de resgate oferecem lembretes assustadores da devastação, é de tirar o fôlego.


MUSEU NACIONAL DO 11 DE SETEMBRO

Ver o estado que ficou a antena que se localizava no topo de uma das torres faz imaginar o horror daquele dia mesmo para quem estava no hemisfério oposto. 

MUSEU NACIONAL DO 11 DE SETEMBRO

Estar frente a frente com caminhão de bombeiros pertencente à FDNY Ladder Company 3 totalmente mutilado é imaginar o arrepio e a tensão que as pessoas que se dedicaram a ajudar sentiram. É de admirar mais ainda a coragem e entrega dos socorristas que correram em direção ao perigo enquanto outros fugiam. Uma visita realmente impactante. 

MUSEU NACIONAL DO 11 DE SETEMBRO


Ainda circulamos pela área, fomos comer no Eataly que tem ali perto e antes de retornarmos passamos na St Paul's Chapel, uma  pequena e charmosa igreja de 300 anos. O que nos chamou a atenção foi esse prédio antigo contrastando com a modernidade atual da área. Ela parecia coisa de filme com as lápides antigas fincadas na grama verde entre árvores sem folhas. Ficamos curiosas e entramos. 



Na verdade o lugar de paz e oração também fez parte da história daquele fatídico 11 de setembro. A capela serviu como refúgio para equipes de resgate que cuidavam do local do World Trade Center. Muitos foram para a St. Paul em busca de comida, abrigo e descanso. 

Um ponto interessante é que a St. Paul's Chapel o viveu à sombra das torres gêmeas, bem próxima e, no entanto, quando elas caíram e abalaram todo o entorno fazendo com que os demais prédios tivessem que ser demolidos, a igreja que é a construção mais antiga de Manhattan se manteve intacta. Nenhuma pedra no pátio da igreja foi danificada, nem um dos vidros se quebrou. Incrível, né?

Parada ali no meio do pátio da igreja enquanto admirava o contraste da resistência do passado com a fragilidade do futuro mais uma vez admirei a beleza o World Trade Center. 


Esse é o 16º post do projeto #100EM1 que consiste em visitar 100 lugares no período de 1 ano e vi no blog Parafraseando com Vanessa. Achei que o projeto é uma ótima oportunidade para nos estimular a sair da rotina, buscar o novo, trazer aprendizado e reflexões. Projeto prejudicado pelo período que estamos vivendo. 


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quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Cenas de uma quarentena sem fim

 

A pessoa estava louca de desejo de tomar um determinado sorvete. A vontade mesmo era de sentar em uma mesa da cafeteria com uma amiga para uma boa conversa relaxada entre colheradas do tal geladinho saboroso. Apesar de tal evento estar oficialmente liberado, a referida pessoa ainda não se sente segura e confortável para isso (segue seguindo as orientações da sua médica). Então pediu a entrega de um sorvete em casa. Fato que acalmou o desejo temporariamente. Porém não resolveu. 


No dia seguinte o sabor do tal sorvete continuava rondando os sentidos, memórias e sensações na pessoa. A vontade ficou incontrolável a ponto de fazer valer a pena o terceiro banho e lavada de cabelo do dia (sácômé... saiu, voltou, desinfeta tudo, tira a roupa toda, coloca pra lavar, e vai pro banho). 

Lá foi a pessoa comprar o sorvete na esquina. Comprou. 


O desejo bateu forte. A gula e a neura entraram em conflito: "come agora, andando na rua, já passou álcool na embalagem". "Não abre o sorvete na rua, e a máscara?". 

A gula venceu! A pessoa abriu o sorvete, pegou um colherada, tacou na boca por baixo da máscara. 

A neura atormentou: "cara, espera para comer em casa...". E a pessoa na dúvida, mas totalmente dominada pela gula, mandou pra dentro a segunda colherada, ainda na dúvida, se perguntando se deveria desfrutar do tal desejado sorvete momento de prazer assim andando pela rua sorrateiramente por entre espaços cavados nas laterais da máscara. Eis que antes da terceira colherada... PLOFT! Algo marrom despenca do céu bem no centro do copo com a delícia gelada. 

A pessoa pára e olha incrédula! O que seria aquilo? Uma calda de chocolate enviada dos céus pela Nossa Senhora Protetora das Gulosas Amantes de Sorvetes?! A pessoa olha para o alto e avista um poste e nesse poste, um pombo. Incrédula, porém acreditando nos sinais enviados pela natureza, entende que a neura estava certa. Não era pra tomar o sorvete na rua. 

Mas a gula é forte, tipo brasileira que não desiste nunca. Insiste. Persiste. A pessoa retorna até a tal padoca, compra dessa vez dois copos do tal sorvete para viagem, dá um nó forte na sacola para não cair em tentação no caminho até em casa. Chega na residência com os potes intactos, passa álcool em tudo, tira a roupa, coloca para lavar, toma banho, lava os cabelos e finalmente senta para atender a sua gula. Agora com com a neura já sossegada. 

Saudades de quando era simples e corriqueiro tomar um sorvetinho inocente.




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terça-feira, 8 de setembro de 2020

Sensações normais no novo normal



"Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará

A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito"




Fui pedalar na orla do Leme e Copacabana. Fui bem cedo para evitar a circulação de pessoas e assim manter o distanciamento social.

Que saudade que eu estava de sentir a brisa do mar, de olhar o oceano e sua imensidão, de sentir o cheiro da maresia e ouvir o barulho das ondas. Mesmo sem pisar na areia, sem mergulhar, foi bom estar de frente para o mar e pensar que ele é como eu queria ser: bonito, misterioso, selvagem e livre. Foi um carinho na alma.

Que saudade eu estou de fazer isso tranquilamente, naturalmente e sem receio.




Aproveitei o momento exercício físico e mental matinal e encontrei a amiga @fernandareali, nós duas de máscaras iguais (confecção da @mulhervitrola) - foto na sequência. Não pudemos nos abraçar, tivemos que conversar de longe, o tempo todo passando álcool nas mãos e de máscaras, mas já foi um carinho no coração.

Que saudades eu estava de estar com uma amiga, de trocar, de olhar nos olhos, ouvir e ser ouvida.

Que saudade eu estou de estar com as amigas com proximidade, de tocar, de ver o sorriso inteiro, de gargalhar sem medo.

Praia do Leme



"Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo no mundo

Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre"



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