O musical "O Fantasma da Ópera" entraria em cartaz em São Paulo. Fãs que somos de musicais, não poderíamos perder essa oportunidade. Como a maioria desses espetáculos que fazem sucesso em Sampa não veem para Rio, o contrário acontece, teríamos que fazer a ponte aérea. Nada mal para nós que adoramos um passeio por aí.
Essa disposição afeta a mim e as meninas, o pai e marido não se habilita. Logo, seria uma viagem de nós três: mãe e filhas adolescentes. A ideia era irmos na sexta à noite, aproveitar bem o sábado passeando pela nossa vizinha, tão próxima e tão diferente, conferir o musical na noite deste sábado e ainda dar umas voltas no domingo antes de embarcar para o Rio.
Não sei o que acometeu o trio que o coração amoleceu e bateu aquela "dózinha" de deixar o Antonio sozinho em casa esse tempo todo. Sério, não sei o que deu na gente, mas resolvemos ir no sábado pela manhã, aproveitar bem esse dia e voltar no domingo pela manhã em tempo de um almoço em família. E foi isso que fizemos.
Partimos pela manhã cheias de sono e sem planejamento para o nosso dia. Sabíamos que chegaríamos no nosso hostel na Vila Mariana, deixaríamos a pouca bagagem e partiríamos para o desbravamento da metrópole multifacetada, o mais importante centro econômico do Brasil, a capital da cultura na América Latina, que faz nós cariocas supostamente descoladas nos sentirmos a família Buscapé chegando na cidade grande.
Depois de decolarmos no Santos Dumont em uma manhã de céu limpo sobre a Baía da Guanabara em direção ao Pão de Açúcar e termos a vista do alto da cidade maravilhosa (e que vista!) aterrissamos em Congonhas sobre os arranha-céus bocejando e com os olhos lacrimejando de sonolência.
Pegamos o nosso táxi rumo a Vila Mariana, um bairro com um quê meio vintage e meio modernista, cheio de bares, restaurantes, botecos. Tem uma pegada agitada, mas ao mesmo tempo tranquila.
Bom, a essa altura do campeonato já estávamos torcendo para o quarto no Brazilodge Hostel estar liberado para nos jogarmos nas camas, abandonarmos os planos de passear pela cidade, e abraçarmos os travesseiros e andarmos pelas vias dos sonhos.
Mas graças a Deus nossos pedidos não foram atendidos. O quarto não estava liberado!
A princípio sentamos no sofá e poltronas coloridos da recepção meio desoladas e sem saber o que fazer. A recepcionista começou a dar dicas de vários passeios, pontos turísticos e atrações da cidade: "Está acontecendo a Bienal! Vocês não vieram para a Bienal?". Não! Definitivamente, não!
Até que nos olhamos e a Sofia disse que gostaria de ir ao Beco do Batman, a Ana Luiza queria ir na Liberdade e eu tinha vontade de conhecer a Feira da Benedito Calixto. O que faríamos? Boa mão como sou, é claro que priorizaria as vontades das filhas, né? Mas com jeitinho, disposição e colaboração conseguiríamos fazer tudo. O combinado seria as outras duas aproveitarem o passeio escolhido da vez como se fosse seu. E assim definimos o roteiro:
Beco do Batman
Chegamos ainda cedo ao Beco do Batman, por volta das dez horas da manha, e já tinha movimento. O que mais impressiona quando saímos do Santos do Dumont e aterrissamos em Congonhas é a cor da cidade. São Paulo tem tonalidades próprias e ali no Beco do Batman conseguimos ver esses mais, muito mais, de 50 tons de São Paulo.

O Beco do Batman é um lugar para se ver arte de rua, ver muita gente de todas as tribos paulistanas misturadas com os turistas, e também para fazer muitas fotos. Tem a turma que vai produzida para isso.
A minhas adolescentes, naquele dia, resolveram achar que estavam com a cara inchada de sono e se recusaram terminantemente a emprestar as suas imagens para compor qualquer foto que fosse. E não adiante a mãe falar que não tem como uma adolescente com a pele cheia de elastina e o cabelo cheio de queratina não estar bem. Elas podem até não gostar da foto hoje, mas daqui a 20 anos vão olhar a mesma foto e se acharem bonitas, daqui a 30 já estarão lindas na mesma foto e daqui a 40 estarão perfeitamente maravilhosas. E acreditam que o mesmo aconteceu na outra vez que estivemos no
Beco do Batman?! A mina teen não quis tirar fotos?!
Já que não convenci as duas, eu mesma me esbaldei posando para as fotos e tirando onda de que sei fazer essas poses tumblr #sqn.
Como combinado, nós três curtimos o passeio escolhido pela Sofia. Menos de duas horas foi o suficiente para ir e vir no Beco do Batman, olhando todos os painéis, fazendo fotos nos preferidos e fazendo fotos de todos.
Dali seguimos para o meu passeio.
Feira da Benedito Calixto
Chegamos à Feira da Benedito Calixto antes do meio dia. Já estava com algum movimento, mas não muito.
A primeira sensação ao caminhar entre as primeiras barracas de artesanato e antiguidades é que estávamos em um evento bem parecido com a
Feira do Lavradio, no Rio. Aquela sensação de "ôps, estou em casa!". Mas caminhando mais, observando mais, sentindo mais a energia que ronda a praça ocupada por muitos paulistanos e alguns turistas, voltamos a sentir São Paulo.
São Paulo, mesmo em uma feira de descolada e descontraída, tem um ar de compostura que contrasta com o clima de descompostura do Rio.
Outra coisa que São Paulo tem é uma moda própria. Uma moda que podemos sim usar em outros lugares, mas temos que ficar atentos porque tem também uma moda que só fica boa, que só cai bem, que só combina com São Paulo.
E foi empolgada com essa moda que eu me apaixonei por um caso que vi na feira. As filha me avisaram: "Mãe, você tem certeza de que gostou disso?! Você não vai usar esse caso no Rio, nem em outro lugar que não seja São Paulo.". Eu não me convenci e comprei o tal casacão paulistano lindão que assim que aterrissou no Rio se transformou, entrou no armário e nunca mais saiu.
Depois de darmos toda a volta na feira, pararmos para comer um paste na área de alimentação, comprarmos uma coisinha ou outra, e como combinado curtimos o passeio como se fosse escolhido pelas três, pegamos um Uber em direção a próxima parada, a escolhida pela Ana Luiza.
Liberdade
São Paulo tem diversidade, é uma cidade plural, e isso pode ser sentido a flor da pela na Liberdade. Ali também somos envolvidos pelo som e pelo cheiro de São Paulo.
Caminhamos calmamente em meio ao burburinho e vai e vem das apressadas. Paramos com calma nas vitrines que no interessavam, nas barracas dos ambulantes que chamavam a nossa atenção, em frente aos músicos que tocam nas calçadas e despertavam nossos ouvidos, e dos pontos de comidinhas que nos faziam salivar.
Foram umas três horas percorrendo a principal rua da Liberdade, meio que viajando dentro da própria viagem. Estar na Liberdade é como sair de São Paulo sem sair de São Paulo.
Estávamos cansadas? Um pouco. Mas queríamos sugar tudo que pudéssemos nesse único dia na nossa Nova Iorque brasileira. Empolgadas com a cultura oriental, fui apresentar a Japan House para a Ana Luiza que neste dia estava realmente interessada na cultura japonesa.
Japan House
Não é à toa que Sampa é também conhecida como a capital cultural da América Latina. São muitas as opções culturais disponíveis. A
Avenida Paulista é top neste sentido. Eu adoro caminhar fazendo zig zag por suas calçadas movimentadas, cruzando a avenida só para entrar naquele outro centro cultural que fica do outro la da via.
Nos alimentamos mais um pouco com a cultura japonesa e com os sabores da culinária oriental na exposição que estava em cartaz, "aromas e sabores".
Restaurante Pasta Nostra - Vila Mariana
Depois de tanto perambular e absorver São Paulo, o pastel saboreado na Benedito Calixto e o crepe japones na Liberdade já tinham sido devidamente digeridos e a barriga dava sinais de que is começar a roncar com força. Retornamos ao nosso charmoso bairro Vila Mariana tão bem servido de bares, restaurantes, botecos e padocas para todos os gostos.
Escolhemos um restaurante de massa, afinal já estávamos bem de sabores orientais, e estando em São Paulo podemos aproveitar mais da diversidade que a cidade oferece caindo dentro de um bom prato italiano, mesmo não estando no Bexiga.

A essa hora a nossa refeição já foi um almojanta que ficou mais saboroso com a companhia da minha Adriana, que mora ali no bairro, bem na esquina, e nos deu o prazer e a alegria de uma conversa entre garfadas saborosas.
Fome saciada e pernas descansadas, nós merecíamos e precisávamos de um bom banho antes de nos arrumarmos para o evento que foi o motivador de pegarmos a ponte aérea e desembarcamos na conhecidíssima terra da garoa para um sábado intenso.
O Fantasma da Ópera
Muitos musicais com nível de qualidade igual e até superior aos "famosérrimos" parentes da Broadway entram em cartaz em São Paulo e não dão ar da graça nos palcos vizinhos. Por isso nós cariocas que amamos musicais temos que vez ou outra fazer esse brave viagem até ali ao lado. E vale a pena. Valeu quando fomos assistir "
Wicked" e valeu agora quando fomos assistir ao "Fantasma da Ópera".
Vale pelo espetáculo em sim, pela emoção, por estar na noite paulistana e até pelo frio e pela oportunidade de usar aquele casaco que compramos na feira da Benedito Calixto e só fica bem em São Paulo.
Um sábado intenso, divertido e de muita cumplicidade vivido em São Paulo.
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