Sabe aquele filme que quando acaba você fala: "Nossa, que filme!"?! É esse! Forte! Impactante!
"Um Amor Impossível" inicialmente parece um romance, mas é um drama intenso. Porém está longe de ser um dramalhão hollywoodiano, e sim um drama no melhor estilo francês. Que vai nos apresentando as angústias com sutileza.
Acontece que Raquel é uma jovem provinciana de 26 anos e Phillipe um cara de família rica da capital. Ele é culto e fala várias línguas. Isso encanta Raquel, mas também faz com que intimamente ela se sinta ligeiramente inferior. Philippe usa muito bem sua cultura e educação para sutilmente humilhar a moça.
Apesar da paixão ardente que surge entre os dois Philippe deixa claro desde o início que não casaria com uma moça de origem humilde e do interior. Uma relação dessa não valeria a sua liberdade.
O trabalho de Philippe em Châteauroux chega ao fim e o rapaz retorna a Paris deixando Raquel, mas mantendo a relação casual dos dois.
Raquel engravida de Chantal (Ambre Hasaj como bebê, Sasha Alessandri-Torrès Garcia quando criança, Estelle Lescure na sua adolescência e Jehnny Beth na fase adulta). Philippe não reconhece a menina como filha, nem assume as responsabilidades de pai.
Mesmo lutando para que o pai assuma Chantal e coloque seu nome certidão de nascimento, Raquel continua envolvida com Philippe e tendo encontros casuais quando ele resolve aparecer.
A história vai se desenrolando com o crescimento de Chantal e as relações de Raquel com a filha e Philippe.
Raquel aparentemente uma mulher forte e um passo a frente de sua época e sociedade em que está inserida, independente a ponto de criar a filha sozinha, tem sua confiança e autoestima minada pela personalidade manipuladora de Philippe.
É angustiante ver como uma relação tóxica pode cegar uma pessoa inteligente. É isso que vemos acontecendo com Raquel no final dos anos 50. É isso que ainda acontece hoje em dia com muitas pessoas.
Raquel constrói uma relação de extrema cumplicidade com a filha, porém a reaproximação de Philippe consegue abalar essa estrutura. É angustiante ver como uma pessoa destrutiva, fazendo uso do seu charme e inteligência consegue desestabilizar e iludir a sua vítima.
Enfim, "Um Amor Impossível" é um filme que traz questionamentos muito além dos amores impossíveis a nível de romance, de casal. Faz questionamentos sobre o amor paternal e o amor maternal. Fala de relações tóxicas, preconceitos, questões familiares, deveres morais e éticos, sobre autoestima.
Apesar de ser um filme forte e intenso, é bom de assistir. O envolvimento psicológico é levemente suavizado pelos os cenários e paisagens francesas trazendo um equilíbrio prazeroso.
Um filme que quando acaba pensamos: "nossa, que filme!" e também torcemos para não cruzarmos com pessoas tóxicas, manipuladoras e perversas como Philippe nos nossos caminhos, nem no caminho de quem amamos. E que se isso acontecer que estejamos com a autoestima em dia e os olhos bem aberto para percebermos e nos livrarmos rapidamente.
O filme está disponível no "Festival Varilux em Casa", na plataforma Looke.
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