segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Mãe que inveja mãe



O programa de sábado já planejado desde o início da semana seria levar a Sofia com mais duas amigas para passarem o dia no clube. Um programa bem animado e agitado para elas que teriam piscina, vôlei, basquete, espaço e brincadeiras, muitas brincadeiras. Um programa bem tranquilo para mim, já que as meninas estão em uma idade que não demandam que eu fique atrás. O meu papel é só de suporte, tomar conta das coisas na mesa, lembrar de passar o protetor solar, pedir a comida, nada que exija grandes esforços físicos nem mentais.

Sabendo que eu teria bastante tempo coloquei na bolsa dois livros. Chegamos cedo, felizes e animadas. Sentei em uma mesa embaixo da árvore, com uma vista linda, as meninas largaram as mochilas, deixaram os sapatos, saíram correndo e eu peguei os meus livros. Li algumas crônicas, curti o visual, li algumas páginas do outro livro, olhei os barcos, coloquei os pés para cima, li outras crônicas, observei os passarinhos e assim o dia foi passando tranquilamente. 

As meninas voltaram para mesa, comeram, saíram correndo, eu pensei na vida, li, observei o visual, descansei. Feliz! E o dia foi passando tranquilamente. 

Fiquei um pouco cansada da leitura, sem posição na cadeira, aproveitei que as meninas estavam jogando vôlei e fui fazer as unhas. 

Voltei para a mesa, as meninas chegaram rapidamente, pediram sorvete, contaram algumas novidades, comeram e saíram correndo. Eu de unhas feitas voltei a ler, curtir o visual, pensar na vida. E assim o dia foi passando tranquilamente.

Cansei dos livros, cansei do visual, cansei de tanta tranquilidade. E o meu dia que ainda estava pela metade ia passando tranquilamente.

Mudei de cadeira para observar de outro ponto de vista. Percebi a mãe na mesa ao lado que tinha uma criança pequena. Ela tinha chegado junto comigo, largado as coisas na mesa e partido para o parquinho. Voltou algum tempo depois, trocou a roupa da criança e foi para a piscina, voltou, enrolou a criança em uma toalha, deu o almoço prometendo voltar para o parquinho assim que a filha acabasse de comer, voltou para o parquinho, voltou para a piscina e neste momento estava batendo corda para a menina tentar pular.

Olhando o dia movimentado daquela mãe sabe que me bateu uma certa saudade de quando o dia não passava tão tranquilamente assim? Em um breve momento de tédio com as minhas poucas demandas de mãe de menina grande que faziam o meu dia passar tranquilamente, eu senti certa inveja daquela mãe de menina pequena cheia de solicitações que faziam o dia passar tão enlouquecidamente. 

Com o olhar perdido na mãe que batia corda e cantava para a filha, de repente, comecei a viajar no tempo, me vi quando a Ana Luiza e a Sofia eram pequenas e relembrei como eram nossos dias no clube. 

Eu chegava com carrinho, carregada de bolsas (bolsa com brinquedos de areia para o parquinho, bolsa com coisas para a piscina, bolsa com roupas para o banho), largava tudo na mesa. Partia parquinho! Brincava na areia, balançava, escorregava. Levava ao banheiro, voltava para o parquinho. Agora não quer mais parquinho, quer piscina. Ia para a mesa, deixava as coisas do parquinho, trocava a roupa da piscina, mergulhava, brincava de tubarão, brincava de peixinho, brincava de jacaré, brincava de baleia. Chega de piscina! É hora do almoço! Voltava para a mesa, dava o almoço. Quer mais parquinho! Lá ia eu com a bolsa de brinquedos! Feliz! 

Foi aí que eu me lembrei de mim mesma cansada, exausta no meu dia de clube que ainda estava pela metade, invejando as mães de crianças maiores e pensando: quando as minhas estiverem maiores eu vou vir para esse clube, sentar na cadeira, ler meu livro e passar o dia tranquilamente curtindo o visual e relaxando. 

Neste momento voltei da minha viagem, aterrissei novamente, me peguei observando com o olhar perdido a mãe da menina pequena que me observava com o olhar perdido. 

Sorri para a minha vizinha de mesa e disse: aproveita que passa muito rápido. Daqui a pouco ela vai estar por aí correndo com as amigas. 

A mãe sorriu de volta e me respondeu: aí eu poderei ficar o dia todo com a perna pra cima lendo um livro e admirando o visual. 

Eu nem contei que ela iria ficar com os pés dormentes, com a bunda formigando e por um momento invejando uma mãe de criança pequena que invejava uma mãe de criança grande. 

Voltei para a minha cadeira, voltei para o meu livro, voltei para o visual e o dia foi passando tranquilamente.






A Autora:
Chris Ferreira

Chris Ferreira

Eu, uma mãe integral mesmo trabalhando em horário comercial, que procura equilibrar os diferentes papéis da mulher com prioridades e alegria.

Acredito que podemos levar a vida a sério, mas de forma divertida e é isto que eu tento mostrar no blog.

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10 comentários:

  1. hahaha disse tudo! eu nesse momento,"invejo" mãe de criança grande, mas esses momentos de brincar junto, é muito bom e especial né? tenho curtido bastante a filhotinha que está com 3 anos, e na crise, fiquei desempregada e desesperada, mas há tempo para tudo e esse meu tempo agora com ela, lá na frente, sei que vai ser inesquecível. beijoka, adoro vir aqui :-)

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    1. Oi Josi, brincar com os filhos é tudo de bom. A gente pode até ficar cansada e em alguns momentos de exaustão até torcer para eles crescerem logo, mas que nos faz muito felizes, nos faz.
      Neste momento eu também fiquei desempregada e estou aproveitando para ficar mais com as filhas. Vai ser inesquecível sim. beijos

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  2. Chris, amei seu relato! Enquanto eu lia, meus pensamentos foram exatamente onde acabou seu texto. Pensava comigo mesma que a outra mãe devia estar com invejinha de você! kkkk é assim mesmo, a nossa alma criança, como dizia Mário Quintana.

    Clau

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  3. Rsrs exatamente assim eu estou no momento de invejar a mãe de criança grande rsrs

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  4. a vida voa né? E vocês compartilharam ambas da mesma sensação, de desejarem a vida uma da outra nem que seja por alguns instantes para uma resgatar a sensação das crianças pequenas, mais dependentes, mais exigentes de você e a outra querendo a tranquilidade que os filhos mais velhos proporcionam para que ela veja algum tempo exclusivamente dela. No fundo a gente quer um pouco das duas coisas e o tal do equilíbrio é o x da questão né?
    Ótima reflexão!

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  5. Ótima reflexão Chris! O tempo passa rápido demais e eu tb acho que vou sentir falta dessa loucura de ser mãe de pequenos kkkk

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  6. Que texto lindo. Pois é, passa rápido mesmo. Eu ainda estou na fase da mãe da mesa ao lado hahaha. Não paro um segundo com duas pequenas, mas confesso que a minha invejinha branca é de você ... sentada tranquilamente acompanhada de uma boa leitura hahaha.

    http://www.arianebaldassin.com/

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    1. Sensacional essa reflexão Chris!! Quando Bia era pequena, não via a hora de sentir esse sossego!! Atualmente,sinto falta dessa correria, desse momento tão intenso!! A gente sempre acha que a grama do vizinho é mais verde!!
      Bjs

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  7. Chris querida
    Adoro suas reflexões pq estamos na mesma fase.
    Consigo curtir bastante este meu momento e não tenho muita saudades da correria de quando eram pequenos...rs
    Amei sua foto e seus livros :)
    Bjks mil e saudades de vc

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  8. É por isso que eu aproveito cada fase intensamente!!!! <3 Tudo passa, tudo é fase, e só fica a saudades! <3

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