domingo, 11 de junho de 2017

Filme "O Filho Uruguaio" mais bate-papo com diretor Olivier Peyon


Realmente não estou sabendo lidar com este Festival Varilux de Cinema Francês. Está bom demais! A sétima arte francesa será sendo celebrada em 55 cidades do país desde o dia 07 de junho e vai até o dia 21 junho. Serão 18 dias de exibições com total de 19 filmes excelentes.

Daí eu não resisti a tanto filme bom, e a vontade de assistir a todos, e fiz mais mais uma dobradinha hoje (ontem eu também fiz dobradinha e contei no post "Filme 'Tal mãe, tal filha' com 10 respostas da diretora Noémi Saglio". Desta vez também assisti a dois filmes sensacionais seguidos, um atrás do outro, na mesma sala para não perder tempo, com direito a debate com atores e diretores no final de cada sessão.

Os filmes que eu assisti foram:
  • "Perdidos em Paris" uma comédia excelente, leve, que nos faz dar ótimas risadas e tem a última atuação da atriz francesa Emmanuelle Riva, morta em janeiro, aos 89 anos. Ela era conhecida por atuar em dramas intensos, densos e pesados e foi simplesmente sensacional a atuação dela como Martha, uma senhora idosa que vive sozinha em Paris. Com receio de ir parar em um asilo ela escreve para sua sobrinha Fiona (Fiona Gordon), uma bibliotecária canadense, vir urgentemente visitá-la. Fiona segue para Paris sem saber ao menos onde a tia mora. Chgando na cidade acontecem vários percalços inusitados e ela encontra Dom (Dominique Abel) um vagabundo inofensivo. A dupla pitoresca vive aventuras, ou melhor desventutras, hilárias enquanto estão "Perdidos em Paris"

  • "O Filho Uruguaio", desta vez um drama sensível que aborda o difícil processo de se tornar mãe, fala de família e de amor. 
Valeu demais assistir aos dois! Fiquei na maior dúvida sobre qual deles fazer o post. Mas primeiro falarei sobre "O Filho Uruguaio" com as perguntas e respostas do diretor e dos atores.

 



O filme conta a história Felipe (Dylan Cortes), filho da francesa Sylvie (Isabelle Carré), que há quatro anos foi sequestrado pelo pai, Pablo. Desde então Sylvie vive a procura do filho. Estando desgostosa com os resultados da polícia, ela resolve encontrar o filho por conta própria. Para isso conta com a ajuda do amigo Mehdi (Ramzy Bedia). 

Sylvie e Mehdi embarcam para a Argentina, já sabendo que Felipe se encontra no Uruguai, com um plano para sequestrar o menino. Alguns percalços acontecem no plano e mostra toda a angústia da mãe que deseja e sonha com o momento de reencontrar o filho, abraçá-lo, pegá-lo no colo e acabar com toda aquela dor e sofrimento.

Mehdi segue para o Uruguai para trazer o Felipe com o objetivo principal de não feri-lo. Lá Mehdi percebe que Felipe tem uma boa estrutura familiar, amigos e está bem adaptado. Que retirá-lo de lá sem causar danos não será tão fácil assim. Precisa de mais tempo. 

É neste tempo que as relações se aprofundam, a história se desenrola e esta mãe que, rodou o mundo a procura do filho, que atravessou o Atlântico com a esperança de ter o filho nos braços, se questiona sobre sua capacidade de ser mãe. E agora? 

E agora vamos as perguntas feitas ao diretor Olivier Peyon e aos atores Ramzy Bedia, Maria Dupláa que vive Maria, tia de Felipe.



Primeiro já achei o máximo a forma como eles entraram na sala. Felizes, sorrindo, descontraído e querendo fazer selfies com o público. Eles que queriam fazer fotos com a gente! Gostei disso. Bem simpáticos!

1 - A história é totalmente imaginária ou tem alguma história de que serviu de base para a construção do filme?

(Olivier Peyon) Efetivamente se partiu de uma história real. O ponto de partida. A história parte de uma história real de um amigo meu que com um ano de idade foi raptado pelo pai e levou um ano para ser trazido de volta. E a mãe, a pessoa real, para recuperar o filho pediu a ajuda de um amigo que no filme se tornou um assistente social, Mehdi. Esse é um ponto de partida real, mas depois inventei tudo com as personagens da tia da avó.

2 - A história real aconteceu na Suíça, então por que o Uruguai?

(Olivier Peyon) É uma excelente pergunta porque a história real aconteceu na Suíça, então por que o Uruguai? Inicialmente eu queria filmar na Argentina porque é um país que eu conheço bem, tenho amigos lá e eu procurei um assunto para filmar lá. Este foi o ponto de partida. 
Na hora de começar a filmar eu conheci um produtor uruguaio que se chama Fernando Epstein que produziu filmes conhecidos na França. E eu pensei que ele seria a melhor pessoa para nos ajudar a produzir um filme. Eu fui para o Uruguai, visitei várias cidades, e quando me deparei com Flórida era melhor do que no roteiro que eu havia escrito. Porque tinha tudo lá. O cemitério, a Basílica, etc., o rio. Inclusive eu reescrevi algumas cenas, como a cena do rio. E foi uma excelente escolha porque não tem muitos filmes uruguaios, filmados lá. E toda a equipe local se envolveu totalmente no filme junto conosco.

3 - A cena que Sylvie fuma aquele cigarro tem alguma relação com a liberação da maconha no Uruguai?

(Olivier Peyon) Me fizeram esta mesma pergunta há dois dias atrás e daí eu me deparei com as diferenças de culturais. Porque muita gente na França fuma cigarro com cigarro de seda sem ser Cannabis. No caso o que ela fuma no filme é um cigarro normal. Mas eu gostei da ideia dela fumar Cannabis. Mas combina com a personagem, merecia a gente pensar que ela fuma Cannabis. Porque dá a imagem de uma mãe que não é perfeita, que tem seus defeitos. Então, me agrada bastante pensar isso.

4 - Você disse que a princípio pensou em filmar na Argentina. Mas o personagem de Ramzy, o Mehdi, ele cita que veio ao Brasil. Por que ele não cita que foi à Argentina?

(Olivier Peyon) Porque para nós franceses o Brasil é uma fantasia.

5 - O menino que faz o Felipe trabalhou muito bem. Como é que foi a preparação dele? Muito bom ator!

(Olivier Peyon) De fato ele já fez muitas propagandas e trabalhou no teatro, então ele já era muito profissional. Foi como se eu estivesse trabalhando com atores normais entre aspas (risos). E como ele quer ser diretor ele estava sempre falando com a gente, com a equipe técnica. E Ramzi e Maria ajudaram muito porque cada um tinha um modo específico de trabalhar com ele.

(Maria Dupláa que falou em espanhol) Foi muito raro quando me deparei com Dylan porque já trabalhei com crianças e sempre me preparei para trabalhar com brincadeiras que e a melhor forma de lidar com crianças. Brincando. Mas quando conheci Dylan, foi muito diferente a situação. Ele trabalha desde que tem maio ou menos três anos. Ou seja, ele tem muitos anos de experiência atuando como brincadeira. Então, ele não queira brincar. Ele queria trabalhar. Então me encontrei tendo que conversar muito com ele, falando de sentimentos, daquilo que não se passa. Principalmente nas cenas finais. Conversamos muito e conversas muito profundas sobre o que acontece com as pessoas que vivem aquela situação (não foi bem assim que ela falou, mas seu eu colocar o conteúdo integral do bate-papo posso dar algum spoiler). 
Então foi um pouco raro porque realmente eu sentia que estava falando com uma pessoa adulta e não com um menino de 11 anos. Muito profissional. Ramzy trabalhou um pouco diferente com ele. Co Ramzy ele quis brincar um pouco mais.

 (Ramzy Bedia) Minha atuação foi muito natural. O personagem que vocês vêm na tela sou eu. Quase não atuei. (risos). Eu sou de uma família muito grande, então sou muito rodeado por crianças. Isso foi muito natural para mim. 

(Olivier Peyon) Ramzy foi breve. (risos) Isso foi muito importante para mim porque eu sabia que o Ramzy tinha uma relação muito natural, muito fácil com as crianças. Então eu sabia que tínhamos que fazer as cenas muito improvisadas com as crianças. E que o Ramzy iria dar conta disso. 
Eu vou falar do Ramzy porque ele não quer falar de si. Na França o Ramzy é muito conhecido, ele fez Stand Up e fez muitas comédias também. E foi o primeiro grande papel dramático dele. Ele quando ele diz que no filme ele é como é na vida, é uma verdade. E para nós franceses foi uma novidade. E para ele também. O trabalho todo que fizemos em conjunto foi fazer com que ele parasse de ser o palhaço, e aos poucos se soltar. E foi difícil ele não fazer rir. Mas ele continua fazendo as pessoas rirem, felizmente. 

6 - Gostaria de aproveitar as várias citações que teve ao Brasil, sobre Carnaval e etc., se há a possibilidade de gravar um filme aqui no Brasil.

Sim. Nós queremos fazer isso. Vamos fazer de tudo para isso. Nós realmente tivemos a ideia de fazer a continuação do filme aqui no Brasil. Vai ser a história da Maria que foge com o Felipe e vem encontrar o Ramzy aqui no Brasil, no Rio. (risos)

7 - Aqui no Brasil a gente tem a percepção de que a relação do francês com a criança é mais fria, mais seca. E no filme a relação dos adultos com a criança é de muito afeto, muito carinho, muito contato físico, com cena de Mehdi dando beijo no menino, cenas da tia abraçando. Isso foi proposital para colocar a cultura mais latina, já que o menino mora no Uruguai e já está adaptado aquela cultura, ou está mudando este perfil na França?

(Olivier Peyon) Efetivamente um dos motivos pelos quais eu queria filmar na América do Sul pelo sol, pela cor do sol, pela luz. Poderia ter sido um assunto duro. E é importante que o público francês sentisse o mesmo que o personagem de Ramzy sente o que ele descobre o país, uma certa doçura. O fato é que filmar aqui permitiu que esta ideia não fique só no aspecto teórico, mas que seja sentido. 
O filme já estreou na França e posso garantir que todo o público francês quer que Felipe fique na América do Sul.

8 - Meu comentário, mais do que uma pergunta, vai no sentido de como o filme ganha, ou pelo menos a mim ganhou como telespectadora, no momento em que os adultos vão na perspectiva da criança.

Essa é a história do filme. E como eu respondi na questão anterior, na França nós temos uma educação bastante rígida com as crianças. E no filme a Isabelle aprende a ser um pouco uruguaia, mais do sul. Ouvindo o desejo do filho dela.

9 - O personagem do Mehdi, um homem que vai acompanhar na perspectiva da crianças, e traz aos adultos um outro olhar que não é só o drama dos adultos, que já seria bastante grande, mas visto pelos olhos da criança.

Porque ele tem um distanciamento maior. 

O filme é lindo, de um sensibilidade incrível, e justamente por apresentar o drama gradualmente da perspectiva da mãe, no início, para outra perspectiva através do dia a dia de Felipe traz mais doçura e suavidade. 

Outro ponto que me chamou a atença foi a sensibilidade para relatar as dificuldades, dúvidas e culpas que as mães vivem em relação a própria capacidade de exercer a maternidade. No filme temos três mulheres exercendo a maternidade de formas intensas e distintas: a mãe afastada do filhopor quatro anos que perdeu grandes etapas e precisa recuperar a relação, a avó que perdeu o filho (pai do menino) e não quer perder o neto, e a tia que abriu mão da própria vida para se dedicar ao sobrinho.

E o final é de arrepiar. Intenso e de muita ternura. 






A Autora:
Chris Ferreira

Chris Ferreira

Eu, uma mãe integral mesmo trabalhando em horário comercial, que procura equilibrar os diferentes papéis da mulher com prioridades e alegria.

Acredito que podemos levar a vida a sério, mas de forma divertida e é isto que eu tento mostrar no blog.

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4 comentários:

  1. Adoro cinema francês, sempre acaba sendo uma ótima companhia e diversão. Adorei as sua entrevista com o diretor diretor Olivier Peyon. Beijos

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  2. Uau! Que festival de filmes bacanas! Filmes franceses costumam levar à reflexão. Muito legal essa oportunidade de poder discutir o filme com atores e diretores!

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  3. Ah, que tudo!
    Eu amo estes festivais e já anotei as dicas.
    Quero ver estes também!
    Estas coletivas são demais de boas!
    Bjks mil, querida

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  4. que demais Chris
    a gente se intimida com diretores/atores mas é muito legal quando eles se mostram acessiveis ne?
    adoro cinema e festivais e SEUS ROTEIROSSSS
    bjs
    Lele

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