Eu sou a louca do
Festival Varilux de Cinema Francês que rola anualmente. Fico querendo assistir todos os filmes. Coisa que normalmente não consigo pela falta de disponibilidade de tempo. Mas sou tão fissurada que cheguei a assistir a três sessões seguidas. Tipo sai de uma e corre para entrar na outra. No final eu já estava até me achando fluente em francês.
Sempre que consigo dou preferências às sessões com a presença de diretores e artistas, fico para os debates e tal.
Nesse ano com essa situação de pandemia que estamos vivendo, o Festival Varilux não pode acontecer. Mas para não deixar o povo que curte o festival e um cineminha francês totalmente órfão, a organização disponibilizou 50 filmes (isso mesmo, cinquentinha!) dos festivais passados gratuitamente na plataforma looke. Ou seja, está rolando
Festival Varilux em Casa.
Lá fui eu a alucinada do festival querendo assistir a todos. Mas bateu a saudade de ir a um cinema de rua, entrar na fila da pipoca, sentar na cadeira do cinema em frente ao telão e depois do filme comentar com uma amiga (maridón não curte muito esses filmes).
Daí que bateu nessa caixola aqui a ideia de combinar com uma amiga de assistirmos a alguns filmes juntas. Cada uma na sua casa, porém juntas. Combinamos um horário, escolhemos o filme. Exatamente no horário marcado, as duas em seus respectivos "zap" apertamos o play.
O primeiro escolhido para a sessão em casa porém compartilhada foi "Normandia Nua".
"Normandia Nua" é um filme que trata questões relevantes como o impacto a redução do consumo de carne sob o ponto de vista dos pecuaristas, a crise do preço dos produtos agrícolas na vida das pessoas que vivem do campo, porem com leveza e humor.
Um humor sutil que aparece nas atitudes dos personagens e na própria ideia central do filme (fazer camponeses franceses que ainda têm a nudez como tabu aderirem a ideia de um artista conceitual americano).
O filme mostra cenas lindíssimas das paisagens do campo e por outro lado mostra também que a vida nas áreas rurais é muito mais do que belas árvores, campos floridos e amanhecer deslumbrante. Mostra que a realidade pode ser bem diferente.
Assistir ao filme juntas, fazendo comentário pela WhatsApp, falando besteira, rindo, fez o filme ficar mais divertido, a nossa quarentena com mais conexão e mais proximidade, apesar do isolamento.
Por coincidência a foto nua a ser feita na Normadia seria no dia 30 de abril, mesma data que estávamos assistindo ao filme. A ideia foi tão boa que resolvemos repetir a dose no dia seguinte e a escolha foi "Lulu, Nue e Crua".
Mais um filme que fala de assuntos sérios com leveza e humor. "Lulu, Nua e Crua", baseado na HQ francesa de Etienne Davodeau, fala de retomar as rédeas da própria vida, de liberdade, de redescobrimento, autoestima, culpabilidade da mulher que deixa filhos e maridos por alguns dias em busca de si mesmo, e principalmente de solidão.
As cenas são na cidade litorânea Saint-Gilles-Croix-de-Vie, porém em uma estação do ano com temperaturas baixas, com os dias acinzentados e um clima de melancolia. Mas tudo isso é apresentado com humor.
Acompanhando a aventura louca de Lulu torcemos por ela, pelos personagens que ela encontra em seu caminho. Em alguns momentos eu confesso que até me deu uma certa vontade de experimentar algo louco assim (não tão desesperado, mas tão ousado quanto). Tá certo que fazer esse tipo de loucura desesperada em uma cidade francesa é bem diferente de correr esses riscos em qualquer cidade do Brasil.
Mais uma vez foi divertido te a companhia da amiga para assistir ao filme.
Quando assistimos filmes juntas sempre que uma chora, por simples falta de maturidade e crise de bobeira, a outra ri. Acabamos caindo no riso em meio as lágrimas. Por isso o combinado nessas sessões virtualmente juntas era quem chorasse mandar selfie para a outra.
Quem disse que adulto tem que ser maduro sempre? Quem disse que para falar de assuntos sérios precisamos estar sisudos? Como sempre digo levar a vida a sério e diferente de levar a vida sério.
Outros filmes disponíveis no Festival Varilux em casa que eu já assisti e comentei no blog:
Você pode me encontrar também