quinta-feira, 14 de maio de 2020

Mini berinjelas assadas com molho de cebola roxa


Este post da receita de Mini berinjelas assadas com molho de cebola roxa foi publicado em 18/08/2014 no "Recanto das Mamães Blogueiras", um blog coletivo que ficou inativado e perdido pela blogosfera. 

Me dei conta dele agora através de uma mensagem que recebi no Pinterest em que a pessoa me avisou que não conseguiu acessar o link. Por isso resolvi trazê-lo para cá. 

Conforme contei no post de hoje no blog Inventando com a Mamãe, nesses dias de repouso eu vi muitos programas de culinária e aprendi duas receitas com berinjela que ficaram maravilhosas: a primeira foi a Caponata de Berinjela do André divina que aprendi no programa Fome de quê, da Neka. A segunda foi mini berinjela assada com molho de cebola roxa (eu não me lembro em que programa eu vi a receita). Já fiz as duas e ficaram maravilhosas! Vou mostrar como ficou as Mini berinjelas assadas.


O que utilizamos:

- 6 mini berinjelas cortadas ao meio (pode deixar o cabo apenas para uma questão de decoração do prato);
- azeite;
- orégano;
- uma cebola roxa cortada em rodelas bem finas;
- 1 xícara de vinagre de vinho tinto;
- dois dentes de alho;
- sal e pimenta a gosto.

Como fizemos:

Cortamos as mini berinjelas ao meio.


Untamos um tabuleiro com azeite e salpicamos orégano. Colocamos as berinjelas viradas para baixo para absorverem o azeite e deixamos descansando por alguns minutos.



Enquanto as berinjelas descansavam fomos preparar o molho. Cortamos a cebola e cobrimos com o vinagre de vinho tinto. Deixamos descansando enquanto as berinjelas assavam. É importante esperar as fatias de cebola ficarem bem molinhas.



Com a cebola sendo embebecida pelo vinagre, viramos as berinjelas e levamos ao forno médio por aproximadamente 30 minutos.



Retiramos as berinjelas do forno e acrescentamos o alho picado, o sal e a pimenta ao molho.



Aí foi só servir.



Apesar das fotos horríveis da época, foi bom ter revisto o post. Me relembrei da receita e até fiz hoje para o almoço da família.




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quarta-feira, 13 de maio de 2020

Livro que eu levaria para o café da livraria - "Lendo de Cabeça Para Baixo"

No meio do caminho tinha uma livraria. Que saudade!

No meu caminho para casa tem uma livraria. Eu gosto de vez ou outra, sem planejamento, simplesmente porque deu vontade, de no meu caminho de ida ou vinda, entrar nessa livraria; acompanhar a bancada com o livros passando a ponta dos meus dedos apenas para sentir a textura das capas; pegar aleatoriamente um exemplar que tenha me chamado a atenção seja pela capa, pelo título ou pelo autor; subir as escadas em direção ao café; escolher uma mesa com vista para os livros, prateleiras, leitores e vendedores; pedir uma soda morangada com uma fatia de bolo. Ficar ali saboreando as páginas do livro e o movimento lá embaixo, entre garfadas do bolo e goles da bebida refrescante. Um frescor no meu dia!

Com essa saudade no peito e impossibilitada de entrar na livraria do meu caminho, resolvi navegar nos blogs de leituras e me de parei com a dica de livros leves para ler na quarentena, no blog Infinitas Vidas, da Priih.

O livro "Lendo De Cabeça Para Baixo" me chamou a atenção pela capa, pelo título (estamos em uma fase que parece que o mundo virou de cabeça para baixo) e pela sinopse (fala de livraria).

Este seria um livro que eu pegaria na bancada da minha livraria e levaria para iniciar a leitura no café, pensei. Outro ponto positivo foi que a sinopse me fez lembrar o livro "O Bom Tricô", que eu amei.

Eu queria sentir a textura, o cheiro, o peso do livro em minhas mãos. Queria ouvir o som do virar a página. Assim encomendei o livro físico. Quando ele chegou preparei a soda morangada que ficou parecida com a servida no café da livraria do meu caminho, peguei uma fatia de bolo (até pensei em fazer o bolo de cenoura com cobertura de cream cheese que sempre peço na livraria do meu caminho, mas fiquei com o bolo de churros que já tinha em casa) e comecei a leitura.



"Lendo de Cabeça Para Baixo" é mesmo um romance leve e gostosinho de ler. Fala do processo de recuperação de Ros. Ela encarou um tempo de depressão após ser largada no altar sem explicação. Nesse caminho doloroso de recuperação ela se renova, redescobre, reinventa. 

Apesar do livro tratar a questão da depressão e da recuperação, a história é contada de forma leve, com diálogos fluidos e divertidos, personagens diferentes e que suas tramas se entrelaçam. 

Engraçado em momentos eu ficando meio sem paciência com o "mimimi" da Ros (o que me fez pensar se eu não estava sendo empática com a dor da personagem, e se esse período de isolamento já está me deixando mais intolerante e irritada), achando que a autora fala muito muxoxo (todos os personagens fazem muxoxo a todo momento, quase fiquei com cacoete de fazer muxoxo também) e que ela adora uma tal janela bay window porque praticamente todos os ambientes que ela descreve tem essa bendita janela que eu tive que recorrer ao Google para identificar qual era, não consegui parar de ler. Queria saber qual o próximo passo dos personagens, o que aconteceria com a Ros, qual seria a revirada na vida dela e de seus amigos e familiares.

Realmente uma leitura leve que flui e desperta a curiosidade. Os personagens são carismáticos. A escrita desperta a imaginação. Entre as linhas e descrições eu visualizava na minha mente as cenas e cenários (menos as janelas bay window até dar uma "googlada"). Caminhava pelas ruas, sentia o frio, entrava na livraria de Ros, pisava na grama do jardim, circulava pelos cômodos das casas os personagens. Me sentia íntima deles.



"Lendo de Cabeça Para Baixo" é um romance fácil de ler e de se envolver com a leitura.  Fala de como as amizades podem surgir entre pessoas completamente diferentes e como as amizades podem transformar a nossa vida. Fala também do tal crescimento pós-traumático que tanto está sendo dito e esperado para as nossas vidas pós-COVID-19.

Durante a leitura a história de Ros atenuou a minha saudade da livraria do meu caminho, mas no final me deixou com saudades do personagens, suas histórias, seus tropeços e acertos. Agora fiquei com vontade de outro livro que eu pegaria aleatoriamente na bancada da livraria do meu caminho e levaria para o café.




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sábado, 9 de maio de 2020

A Semana 18 de 2020 - Oitava semana de quarentena

Já passamos em muito dos quarenta dias de isolamento. Esse nome quarentena ficou ultrapassado. Estamos rumo aos sessenta dias de isolamento social. O nome já pode ser "sessentena", quiça "setentena".  Mas vamos que vamos fazendo a nossa parte, nos cuidando e cuidando dos outros. Cada vez mais nos certificando que ou o mundo é de todos ou não será de ninguém.

Bom, nessa oitava semana de superação (sim, de superação. A cada dia que conseguimos respeitar o isolamento é um dia de superação), eu senti um enorme cansaço das conexões virtuais. Eu sei que o que tem salvado nesses dias é a transformação digital que estamos experimentando. São as opções de interação virtual que estão sendo uma janela para o mundo lá fora. Mas fiquei cansada. Senti necessidade de lazer e contatos analógicos, fora das telinhas e telonas. 

Assim o foco da semana ficou por conta do artesanato, leitura e culinária. 

Dei continuidade no oratório para Nossa Senhora Desatadora dos Nós que será presente para uma amiga. Iniciei outros projetinho como o minigaveteiro e uma nova série de garrafas. 



Terminei de ler o livro "HOMEM-objeto" de Tati Bernardi. P livro reúne as melhores crônicas de Tati Bernardi com foco nos dilemas que nós mulheres encaramos no dia a dia. Todas escritas com humor inteligente e irreverente. Eu sou fã de livros de crônicas, gosto pela facilidade de ler a qualquer momento, normalmente são textos leves com um toque de crítica.


Preparamos lanches para uma noite em casa e em família. No nosso cardápio teve os queridinhos da quarentena: pãozinho recheado com recheios variados, pizza de pão árabe, biscoito de fubá e bolo de bolo que dessa vez ganhou o sabor de laranja.


Estamos cumprindo as instruções para ficar em casa saindo apenas quando é estritamente necessário. Estamos fazendo todos os pedidos de compras para serem entregues sempre que possível. Nessas oito semana, até o momento, saímos apenas umas cinco vezes no nosso carro para comprar algo que não conseguimos a entrega ou para fazer alguma entrega para alguém da família. E foi isso que precisamos fazer. Aproveitamos para fazer um caminho pela orla e matar um pouco da saudade das vistas lindas que temos nessa cidade. Tudo de dentro do carro, sem colocar os pezinhos para fora e de máscara.  Um dia de sol com a lua no céu. 


Que saudade desse pôr do sol! Que saudade de sentir toda essa beleza e suas sensações de perto. Sentir o cheiro, o vento, a temperatura, os sons. Mas vai passar! Teremos tudo isso de volta.


Seguimos a semana caprichando nas comidinhas desde o café da manhã.


Me rendi a um programa na tela. Assisti ao filme "As Falsas Confidências" do Festival Varilux de Cinema Francês em Casa. Achei teatral demais. A cena externa no Jardim de Luxemburgo, em Paris, me deixou com saudade dessa viagem que fiz. Talvez o fata de eu ter achado o filme chato possa estar ligado ao fato de que eu ainda estava cansada de toda essa conexão. Assim, me dei mais uns dias "desligada" de opções virtuais e em vídeos. 


Ficamos mais juntos, conversando, fazendo carinho, fazendo nada.


E cozinhando. Tivemos receita nova como esse curry de grão-de-bico com acelga, couve e mostarda. Maravilhoso. Tô achando que eu devia ter feito um post com a receita.


Tivemos receita antiga e simples como o Ninho de Macarrão.


Tivemos reaproveitamento de prato para usar receita que vi no blog O Diário da Inês, salmão com crota de mostarda e salsa. O nosso salmão ao forno do almoço ganhou tempero e sabor novo para o jantar. Ficou maravilhoso!


Fui testar se o meu detox de telinhas e telonas já tinha feito efeito. Assisti mais um filme do  do Festival Varilux de Cinema Francês em Casa. Dessa vez escolhi "Rock and Roll, Por Trás da Fama".






Este post faz parte da BC A Semana que tinha sido substituída pela BC #ReolharAVida em 2019 que veio substituir a BC #52SemanasDeGratidão que em 2017 substituiu a BC A Semana que por sua vez já tinha substituído a BC Pequenas Felicidades.

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quinta-feira, 7 de maio de 2020

Festival Varilux em Casa - Filmes franceses com companhia virtual

Eu sou a louca do Festival Varilux de Cinema Francês que rola anualmente. Fico querendo assistir todos os filmes. Coisa que normalmente não consigo pela falta de disponibilidade de tempo. Mas sou tão fissurada que cheguei a assistir a três sessões seguidas. Tipo sai de uma e corre para entrar na outra. No final eu já estava até me achando fluente em francês. 

Sempre que consigo dou preferências às sessões com a presença de diretores e artistas, fico para os debates e tal.

Nesse ano com essa situação de pandemia que estamos vivendo, o Festival Varilux não pode acontecer. Mas para não deixar o povo que curte o festival e um cineminha francês totalmente órfão, a organização disponibilizou 50 filmes (isso mesmo, cinquentinha!) dos festivais passados gratuitamente na plataforma looke. Ou seja, está rolando Festival Varilux em Casa.

Lá fui eu a alucinada do festival querendo assistir a todos. Mas bateu a saudade de ir a um cinema de rua, entrar na fila da pipoca, sentar na cadeira do cinema em frente ao telão e depois do filme comentar com uma amiga (maridón não curte muito esses filmes). 

Daí que bateu nessa caixola aqui a ideia de combinar com uma amiga de assistirmos a alguns filmes juntas. Cada uma na sua casa, porém juntas. Combinamos um horário, escolhemos o filme. Exatamente no horário marcado, as duas em seus respectivos "zap" apertamos o play. 

O primeiro escolhido para a sessão em casa porém compartilhada foi "Normandia Nua". 


"Normandia Nua" é um filme que trata questões relevantes como o impacto a redução do consumo de carne sob o ponto de vista dos pecuaristas, a crise do preço dos produtos agrícolas na vida das pessoas que vivem do campo, porem com leveza e humor.  Um humor sutil que aparece nas atitudes dos personagens e na própria ideia central do filme (fazer camponeses franceses que ainda têm a nudez como tabu aderirem a ideia de um artista conceitual americano).

O filme mostra cenas lindíssimas das paisagens do campo e por outro lado mostra também que a vida nas áreas rurais é muito mais do que belas árvores, campos floridos e amanhecer deslumbrante. Mostra que a realidade pode ser bem diferente.

Assistir ao filme juntas, fazendo comentário pela WhatsApp, falando besteira, rindo, fez o filme ficar mais divertido, a nossa quarentena com mais conexão e mais proximidade, apesar do isolamento.



Por coincidência a foto nua a ser feita na Normadia seria no dia 30 de abril, mesma data que estávamos assistindo ao filme. A ideia foi tão boa que resolvemos repetir a dose no dia seguinte e a escolha foi "Lulu, Nue e Crua".



Mais um filme que fala de assuntos sérios com leveza e humor. "Lulu, Nua e Crua", baseado na HQ francesa de Etienne Davodeau, fala de retomar as rédeas da própria vida, de liberdade, de redescobrimento, autoestima, culpabilidade da mulher que deixa filhos e maridos por alguns dias em busca de si mesmo, e principalmente de solidão. 

As cenas são na cidade litorânea Saint-Gilles-Croix-de-Vie, porém em uma estação do ano com temperaturas baixas, com os dias acinzentados e um clima de melancolia. Mas tudo isso é apresentado com humor. 

Acompanhando a aventura louca de Lulu torcemos por ela, pelos personagens que ela encontra em seu caminho. Em alguns momentos eu confesso que até me deu uma certa vontade de experimentar algo louco assim (não tão desesperado, mas tão ousado quanto). Tá certo que fazer esse tipo de loucura desesperada em uma cidade francesa é bem diferente de correr esses riscos em qualquer cidade do Brasil. 

Mais uma vez foi divertido te a companhia da amiga para assistir ao filme. 


Quando assistimos filmes juntas sempre que uma chora, por simples falta de maturidade e crise de bobeira, a outra ri. Acabamos caindo no riso em meio as lágrimas. Por isso o combinado nessas sessões virtualmente juntas era quem chorasse mandar selfie para a outra. 



Quem disse que adulto tem que ser maduro sempre? Quem disse que para falar de assuntos sérios precisamos estar sisudos? Como sempre digo levar a vida a sério e diferente de levar a vida sério.

Outros filmes disponíveis no Festival Varilux em casa que eu já assisti e comentei no blog:

- "Meu Bebê";




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terça-feira, 5 de maio de 2020

Quarentena - Preguiça de ser coerente

Quinquagésimo! Quinquagésimo dia de quarentena! E daí? Comemorar? Fazer um bolo, acender velinhas e cantar parabéns? 

A pessoa acorda e mesmo sendo final de semana resolve sair da cama para aproveitar mais o dia. Tá um sol lindo! Essa coisa de dormir a manhã inteira traz uma sensação de certo desperdício. Sai do quarto, anda até a sala, vê o sofá e deita para aproveitar mais o dia de final de semana e dormir até tarde. Coerência em dias de quarentena.

Olha pra varanda, vê o sol batendo, o dia lindo lá fora e pensa que queria "Tomar um banho de chuva. Um banho de chuva" (leia cantarolando com voz de Vanessa da Mata). Ou seria melhor pedir “Que a chuva caia como uma luva, um dilúvio, um delírio/ Que a chuva traga alívio imediato” com voz e ritmo de Humberto Gessinger (Engenheiros do Hawaii pra quem não sabe quem é esse camarada). Ou seria melhor pesar em "Deixa a chuva cair, que o bom tempo há de vir” no estilo Zeca Pagodinho. Sei lá. Pra que esse sol lindo se não posso sair de casa?! Melhor dormir com chuva. Mas não era melhor acordar para não desperdiçar o dia de sol cama?! Coerência em dias de quarentena.

Xina, a filha de quatro patas linda e maravilhosa, passa rebolativa, segue para a varanda, deita ao sol e fica ali plena. Os animais são sábios, ainda estão muito ligados aos seus instintos, pensa a pessoa. Se levanta, pega o livro na estante ("Homem-objeto" de Tati Bernardi porque tem capa rosa e combina com sua camisola rosa de donuts coloridos e porque ainda tem algumas crônicas para serem lidas). Não seria melhor colocar um biquíni para pegar sol?! Mas não tenho biquíni rosa que combina com o livro. E depois que a diva Ivete Sangalo fez live de pijama rosa, foi a libertação para assumir de vez a camisola rosa de donuts coloridos. Preguiça para esse papo de que é importante, durante o isolamento, tirar o pijama assim que acorda. Preguiça pra quem reclama desse papo de que é importante, durante o isolamento, tirar o pijama assim que acorda. Preguiça de tirar a camisola rosa de donuts coloridos. Aliás, a camisola rosa de donuts coloridos é a única peça que neste período de recolhimento não está sofrendo a síndrome do encolhimento. Ela só estica. Era acima dos joelhos e já está no meio da canela. Maravilhosa! 


Bom, bora seguir o exemplo de sabedoria instintiva da Xina e pegar sol com estampa de losangos sobrepostos com listras. Logo a pessoa que sempre achou cafona pegar sol na varanda. Quer pegar sol, pega direito! Na praia, na piscina, ou numa casinha de sapê. Pensando bem também acha cafona falar cafona. Mas qual palavra substitui? Ah! Deixa cafona! Preguiça desse povo que tem sempre que ser descolado e preguiça de quem reclama de quem é cafona. Sobe a camisola daqui, enrola da dali. Senta não chão branco ao ladinho da Xina. Mas não era melhor dormir com chuva?! Coerência em dias de quarentena. Coerência em dias de quarentena.

Olha para o chão branco e pensa na areia branca da praia. Olha para o livro ao seu lado e pensa que seria bom ler um gibi do Chico Bento. É que para a pessoa em uma fase de sua vida "sou praieira, nem tão mais guerreira, mas ainda solteira", praia aos sábados tinha que ter gibi do Chico Bento. Tipo não rola namorar sem beijar, cinema sem pipoca, sabe? Praia aos sábados sem gibi do Chico Bento era tipo ficou faltando algo. Era estacionar o carro, passar em uma banca (na época as bancas de jornais vendiam jornais, revistas e revistinhas) comprar a Chico Bento da semana, chegar no point, encontrar ou esperar a tchurma, abrir a cadeira, sentar, enterrar os pés na areia (outra mania), ler o gibi do Chico Bento soltando umas gargalhadas aqui outras ali (a tchurma já nem estranhava mais). Tempo certo para o corpo esquentar e ter vontade de encarar a água fria. Foi aí, olhando para os pés no chão da varanda e nesse devaneio praieiro que o corpo esquentou e bateu forte a desejo incontrolável de sentir o choque da água fria. Como é mesmo o nome desse piso da varanda? Piso frio? Piso Frio! Isso! Sobe mais a camisola rosa de donuts colorido, enrola mais a camisola de donuts colorido, pensa porque mesmo não colocou o biquíni, deita, estica os braços sobre a cabeça, sente o geladinho do chão e rola. O geladinho envolve o corpo, que saudade da praia. Loucuras de quarentena.

Se toca, olha para os lados, agradece ninguém mais além da Xina ter visto a cena esdrúxula, levanta e decide fazer o bolo para comemorar o quinquagésimo dia de quarentena. Dá para postar nas redes sociais fingindo normalidade, produtividade, de como está se reinventado e aproveitando essa oportunidade para ser uma pessoa melhor. Mas pode ser verdade, afinal os loucos são pessoas melhores, não são? Preguiça de ter coerência nessa quarentena.





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